De Bons Exemplos de Mulheres. a 9 de Março de 2016 às 15:03
http://www.tvi24.iol.pt/politica/mariana-mortagua/qualquer-mulher-no-parlamento-ja-sentiu-que-tem-de-trabalhar-o-dobro
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No dia em que a TVI dedicou a emissão às mulheres, Catarina Martins, porta-voz do Bloco de Esquerda (BE), e Mariana Mortágua, deputada do BE, falam sobre a presença das mulheres na política e as desigualdades de género em Portugal em entrevista no Jornal das 8.

Na política, como noutras áreas da sociedade, a mulher deve, na opinião da porta-voz do BE, ser encarada e reconhecida pelo seu mérito e não pelo género.
“As mulheres devem ser protagonistas pelo trabalho que fazem e não por serem mulheres”, disse.

Para Catarina Martins, “a presença de homens e mulheres na política é uma questão de democracia” apesar de muitas decisões da vida nacional “estarem fechadas num grupo de homens” que nem sempre abordam os temas do quotidiano que acabam por afetar mais as mulheres.

Mariana Mortágua partilha da mesma opinião.
“Sempre que são afetadas áreas estruturantes da sociedade são as mulheres que sofrem em primeiro lugar”,
como aconteceu quando o abono de família foi diminuído ou foram aumentados os encargos com lares e educação.

Numa altura em que se debate o Orçamento de Estado para 2016, Catarina Martins sublinhou que “há uma série de medidas sociais que foram debatidas não só por mulheres, como é o caso do aumento do abono de família”.

"A desigualdade de género é algo muito sério em Portugal”

Apesar dos esforços para diminuir as diferenças entre homens e mulheres, em Portugal ainda há diferenças salariais, laborais e sociais entre géneros.
“Julgo que há hoje imenso respeito e um certo carinho por haver mulheres na política com as mesmas responsabilidades que os homens”, considera Catarina Martins, mas a desigualdade de género continua a ser “algo muito sério em Portugal”.

(Veja também: Governo vai propor lei para haver mais mulheres a administrar empresas)

Questionada sobre a ausência de mulheres no poder, nomeadamente à frente do Governo e da República, a dirigente bloquista tem uma posição clara e defende que “ninguém cede o poder, tem de ser sempre conquistado”.
Para Catarina Martins, a mulher ainda tem que se esforçar muito para sobressair num mundo onde as diferenças de género lideram.
Este é um país “paternalista, que não leva a sério as opiniões das mulheres e não trata as mulheres como trataria homens nas mesmas posições”.
Apesar desta realidade, a representante do BE considera que a luta por mais direitos e reconhecimento faz parte do papel da mulher e no dia em que tudo esteja mais equilibrado será sinonimo de já não ser necessário “trabalharem mais 65 dias por ano para receberem o mesmo que os homens”.

As mulheres no Parlamento

A lei da paridade portuguesa prevê a presença de uma representação mínima de 33,3% de mulheres nas listas apresentadas para eleger deputados à Assembleia da República.
Nos corredores, esta presença feminina passa muitas vezes despercebida.
A deputada do BE garante que já sentiu a pressão e uma exigência superior por ser mulher.
Na Comissão de Inquérito ao Caso BES, a prestação de Mariana Mortágua foi elogiada diversas vezes pela postura assertiva adotada durante as suas intervenções.

Apesar desta situação, a deputada garante que “qualquer mulher no Parlamento já sentiu que tem de trabalhar o dobro” para se evidenciar e ver o seu trabalho reconhecido porque “as mulheres têm que provar duas vezes o que fazem para que o seu mérito seja reconhecido”.


De .MULHER(es) e homens ... a 17 de Março de 2016 às 12:51
---As mulheres têm fios desligados

( -crónica de ALA*)

"Há uns tempos a Joana,
- Pai, acabei um namoro à homem.
Perguntei como era acabar um namoro à homem e vai a miúda
-Disse-lhe o problema não está em ti, está em mim.
O que me fez pensar como as mulheres são corajosas e os homens cobardes.
Em primeiro lugar (eles) só terminam uma relação quando têm outra.
Em segundo lugar são incapazes de
- Já não gosto de ti
de
- Não quero mais
chegam com discursos vagos, circulares
- Preciso de tempo para pensar
- Não é que não te amo, amo-te, mas tenho de ficar sozinho umas semanas
ou declarações do género de
- Tu mereces melhor do que eu
- Estive a reflectir e acho que não te faço feliz
- Necessito de um mês de solidão para sentir a tua falta

e aos amigos
- Dá-me os parabéns que lá me consegui livrar da chata
- Custou-me mas foi
- Amandei-lhe daquelas lérias do costume e a gaja engoliu
- Chora um dia ou dois e passa-lhe

e pergunto-me se os homens gostam verdadeiramente das mulheres.

Em geral querem uma empregada que lhes resolva o quotidiano e com quem durmam, uma companhia porque têm pavor da solidão, alguém que os ampare nas diarreias, nos colarinhos das camisas e nas gripes, tome conta dos filhos e não os aborreça.

Não se apaixonam: entusiasmam-se e nem chegam a conhecer com quem estão.

Ignoram o que ela sonha, instalam-se no sofá do dia a dia, incapazes de introduzir o inesperado na rotina, só são ternos quando querem fazer amor e acabado o amor arranjam um pretexto para se levantar
(chichi, sede, fome, a janela de que se esqueceram de baixar o estore)
ou fingem que dormem porque não há paciência para abraços e festinhas,
pá, e a respiração dela faz-me comichão nas costas, a mania de ficarem agarradas à gente, no ronhónhó, a mania das ternuras, dos beijos, quem é que atura aquilo?

Lembro-me de um sujeito que explicava

- O maior prazer que me dá ter relações com a minha mulher é saber que durante uma semana estou safo

e depois pegam-nos na mão no cinema, encostam-se, colam-se, contam histórias sem interesse nenhum que nunca mais terminam, querem variar de restaurante, querem namoro, diminutivos, palermices e nós ali a aturá-las.

O Dinis Machado contava-me de um conhecedor que lhe aclarava as ideias
- As mulheres têm fios desligados

e um outro elucidou-me que eram como os telefones: avariam-se sem que se entenda a razão, emudecem, não funcionam e o remédio é bater com o aparelho na mesa para que comecem a trabalhar outra vez.

Meu Deus, que pena me dão as mulheres.
Se informam
- Já não gosto de ti
se informam
-Não quero mais
aí estão eles a alterarem a agressividade com a súplica, ora violentos ora infantis, a fazerem esperas, a chorarem nos SMS a levantarem a mãozinha e, no instante seguinte, a ameaçarem matar-se, a perseguirem, a insistirem, a fazerem figuras tristes, a escreverem cartas lamentosas e ameaçadoras, a entrarem pelo emprego dentro, a pegarem no braço, a sacudirem, a mandarem flores eles que nunca mandavam flores, a colocarem-se de plantão à porta dado que aquela puta há-de ter outro e vai pagá-las, dispostos a partes-gagas, cenas ridículas, gritos.

A miséria da maior parte dos casais, elas a sonharem com o Zorro, com o Che Guevara ou eles a sonharem com o decote da vizinha de baixo, de maneira que ao irem para a cama são quatro: os dois que lá se deitam e os outros dois com quem sonham.

Sinceramente as minhas filhas preocupam-me: receio que lhe caia na sorte um caramelo que passe à frente delas nas portas, não lhes abra o carro, desapareça logo a seguir por chichi-sede-fome-persiana-mal-descida-e-os-ladrões-percebes, não se levante quando entram, comece a comer primeiro e um belo dia

(para citar noventa por cento dos escritores portugueses)

- O problema não está em ti, está em mim

a mexerem na faca à mesa ou a atormentarem a argola do guardanapo, cobardes como sempre.

Não tenho nada contra os homens: até gosto de alguns.
Dos meus amigos.
De Shubert.
De Ovídio.
De Horácio, de Virgílio.
De Velásquez.
De Rui Costa.
De Einzenberger.

Razoável, a minha colecção.

Não tenho nada contra os homens a não ser no que se refere às mulheres.
E não me excluo: fui cobarde, idiota, desonesto.
Fui
(espero que não muitas vezes)
rasca.

Volta e meia ...


De .MULHER(es) e homens ... a 17 de Março de 2016 às 12:56
...
...
Volta e meia surge-me na cabeça uma frase de Conrad em que ele comenta que tudo o que a vida nos pode dar é um certo conhecimento dela que chega tarde demais.

Resta-me esperar que ainda não seja tarde para mim.
A partir de certa altura deixa-se de se jogar às cartas connosco mesmos e de fazer batota com os outros.

O problema não está em ti, está em mim, que extraordinária treta.

Como os elogios que vêm logo depois: és inteligente, és sensível, és boa, és generosa, oxalá encontres etc., que mulher não ouviu bugigangas destas?

Uma amiga contou-me que o marido iniciou o discurso habitual
- Mereces melhor que eu
levou como resposta
- Pois mereço. Rua.

Enfim, mais ou menos isto, e estou a ver a cara dele à banda.
Nem uma lágrima para amostra. Rua.
A mesma lágrima para amostra. Rua.

A mesma amiga para uma amiga sua
- O que faço às cartas de amor que me escreveu?
e a amiga sua
- Manda-lhas. Pode ser que lhe façam falta.

Fazem de certeza: é só copiar mudando o nome.

Perguntei à minha amiga
- E depois de ele se ir embora?
- Depois chorei um bocado e passou-me.

Ontem jantámos juntos.
Fumámos um cigarro no automóvel dela, fui para casa e comecei a escrever isto.

Palavra de honra que na janela uma árvore a sorrir-me.
Podem não acreditar mas uma árvore a sorrir-me.

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* (Crónica de António Lobo Antunes in Visão)

Postado por Carlos Barbosa de Oliveira, 12/3/2016, Crónicas do rochedo.


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