Murais de intervenção cívica e política: 1974 e 2014 - Viva a Liberdade !

Cravo  

 
  Esta é a madrugada que eu esperava
  O dia inicial inteiro e limpo
  Onde emergimos da noite e do silêncio
  E livres habitamos a substância do tempo
 
Sophia de Mello Breyner Andresen

 

 

 

   1974 – O mural de 48 artistas    (-por Joana Lopes)

... No dia 10 de Junho de 1974, um grupo de quarenta e oito artistas plásticos pintou, em Lisboa, um mural que viria a desaparecer, num incêndio, em 1981. Entre os pintores, muitas caras conhecidas: Júlio Pomar, João Abel Manta, Nikias Skapinakis, Menez, Vespeira, Costa Pinheiro, etc, etc.
 

 


Publicado por Xa2 às 00:01 de 25.04.14 | link do post | comentar |

6 comentários:
De 40anos depois: farsas e burlões no poder a 2 de Maio de 2014 às 17:19

Matos Gomes, um capitão do 25 de Abril:

- "Ir à Assembleia comemorar o quê, 40 anos depois?

Ter um fóssil como presidente da República;
Uma tonta como presidente da Assembleia da República;
Um barítono amador como presidente do governo da República;
Um lusito da Mocidade Portuguesa como presidente da Comissão Europeia;
Uma senhora do Movimento Nacional Feminino como presidente da caridade e das sopas dos pobres;
Um soba movido a cachaça como presidente do governo da Madeira;
Um homem invisível como presidente do BPN, a maior cloaca financeira da Europa;
Um relojoeiro adamado como presidente da comissão de restauração da independência contra a troika;
Um cervejeiro como presidente da televisão pública;
Um funcionário do BES como presidente da comissão dos negócios do Estado;
Um compère de revista de cabaret manhoso como presidente da Cultura?"

Não obrigado !


De POLÍTICA: cidadãos devem FAZER acontecer a 28 de Abril de 2014 às 10:58

Fernanda Câncio,
« No fim da estrada » :

«(…) Quem, do PC ao PNR, passando por este Governo de maçães, resume os 40 anos a "desperdício", "corrupção" e "traição" não está bem da cabeça.
Outra coisa é dizer que é tudo perfeito, que chegámos ao fim da estrada da canção de Gomes Ferreira (o escritor, não confundir).

Aliás, a ideia de que um golpe de Estado nos colocaria, por milagre, na terra do leite e do mel, bastando-nos agradecer a dádiva, comunga da infantilidade amorfa que nos fez, como país, aguentar 48 anos de uma ditadura tacanha.

Se há falhanço nestas quatro décadas é esse - o de tanta gente achar que a política é uma coisa que lhe acontece, não algo que se faz.

Ter nojo "dos políticos", achando que "são todos iguais", entregando-lhes ao mesmo tempo o destino,
é capaz de ser uma grande estupidez - e para isso é que, de certeza, não foi feito o 25 de Abril.»

----------
jose neves disse...
«Mário Soares e política:»

Caríssima,
Não meta, como faz a esquerdíssima e a direitíssima, tudo nas amplas palavras de que "é tudo o mesmo", ou "são todos iguais"
e devia perceber que M. Soares não pensa à pressa nem faz conversa de café.

Já devia ter percebido que M. Soares é um político que faz política e sabe fazer política para mudar as coisas segundo o que acha certo.

Ele não faz política para fingir que se mexe e está vivo, pelo contrário, age e reage sobre o que está,
e dada a sua longa experiência, sabe que só agindo e agitando pode levar à consciencialização do outro mais atrasado politicamente.

Ele sabe de sabedoria prática que não pode filosofar platonicamente sobre valores absolutos mas sim sobre valores relativos como os sofistas porque
as vitórias políticas obtêm-se salientado a maldade do adversário e recusando qualquer bondade deste
especialmente quando este no global da sua acção só resulta empobrecimento e miséria.

Claro, o CC, explica acima com gráficos claros que tudo está muito melhor 40 anos depois mas será que se tudo continuar como vai poderemos dizer o mesmo daqui a tempos?

É na perspectiva do mal presente que o seu forte instinto político o faz pensar num pior futuro
logo é preciso agir,
se preciso, usando as armas do adversário.

Fazer política no terreno vai muito além de fazer opinião
nos jornais o que, aliás, ele também faz com palavras certeiras e directas.


De Parar c. Austeridad e reconquistar Democ a 28 de Abril de 2014 às 11:13
Aléxis Tsipras (da coligação de esquerda Syrisa, Grécia) sobre Mário Soares:

«Foi uma honra para mim ter-me reunido com uma personalidade emblemática da social-democracia europeia, com um estadista marcante da esquerda portuguesa e não só.
Discutimos a situação actual nos nossos países e concordámos que
a única saída é
.. parar com a austeridade e
.. reconquistar a democracia,
nos nossos países e em toda a Europa».
--------

Tsipras quer perdão da dívida de Portugal e Grécia semelhante ao dado à Alemanha em 1953

Á. Vieira e com Lusa , 26/04/2014

Candidato do Partido da Esquerda Europeia à presidência da Comissão Europeia reuniu-se neste sábado com Mário Soares no Porto e criticou as políticas de austeridade.

O encontro com Soares na Biblioteca Almeida Garrett do Porto, onde o ex-Presidente da República acabara de participar numa conferência sobre o 25 de Abril, decorreu na presença do coordenador do Bloco de Esquerda João Semedo e da eurodeputada Marisa Matias, a cabeça de lista do BE às eleições europeias. No Parlamento Europeu, o BE integra o Partido da Esquerda Europeia, que propõe Tsipras, líder da coligação de partidos gregos de esquerda Syrisa, para a presidência da Comissão Europeia.

O dirigente político que no ano passado defendeu “uma Primavera Mediterrânica” espera ver nas europeias de Maio as andorinhas que prenunciam esse sobressalto político. “Acredito que a única forma de ultrapassarmos a crise actual é os nossos povos votarem contra as forças políticas que apoiam as medidas de austeridade. Após quatro anos consecutivos de austeridade na Grécia e Portugal, mas também em Espanha e Itália, a situação deteriorou-se ainda mais, e agora estamos a braços com uma crise humanitária nos nossos países”.

Por isso, defendeu o político grego, horas antes de participar num comício do BE com Marisa Matias no Porto, é preciso “alterar a relação de forças nas próximas eleições europeias”. “Sabemos que na Grécia é possível termos uma grande vitória das forças de esquerda, pela primeira vez na nossa história política, o que significa que teremos desenvolvimentos vindos daí. Claro que o nosso objectivo é ganhar, além das europeias, as próximas legislativas na Grécia e formar um governo de esquerda (…) Isso terá um ‘efeito dominó’, que levará a mudanças quer na Grécia quer em toda a periferia do Sul da Europa”, previu.

De resto, Alexis Tsipras não acredita que a conclusão dos programas de assistência e a partida dos “homens dos fatos escuros da troika” signifique o fim do “drama” de Portugal e Grécia. E alerta que o problema não se resume aos memorandos celebrados pelos governos destes países com a troika, porque, na sequência deles, foi implantado um regime de austeridade destinado a vigorar durante “anos e anos”. “Não será fácil esmagar esse establishment, mas só com o voto do povo poderemos tentar fazê-lo”.

Alexis Tsipras não se diz contra a Europa, mas apenas contra a“Europa das forças políticas conservadoras e do poder dos mercados financeiros e dos bancos”. “Acreditamos na Europa dos povos e na reconquista dos valores fundacionais da coesão social e da solidariedade”, sublinha.

E para o líder da coligação Syrisa, essa solidariedade tem que passar por um perdão de dívida nos casos da Grécia e Portugal. “Não há outra alternativa senão tentar renegociar a nossa dívida em conjunto, numa cimeira europeia como a Conferência [de Londres, a de 27 de Fevereiro] de 1953, que perdoou grande parte das dívidas da Alemanha após a II Guerra Mundial. Isso não seria apenas bom para os países endividados, mas para toda a Europa e é a única saída realista”, acrescentou Tsipras, para quem já nem merece a pena falar de eurobonds e mutualização da dívida: “Já é uma discussão velha, agora precisamos de soluções mais radicais”.

Antes, noutra sala da Biblioteca Almeida Garrett, Mário Soares acusara o Governo e o Presidente da República de preferirem o 28 de Maio ao 25 de Abril e elogiou o Papa Francisco, por este "lutar pelos pobres" e por dizer que "a austeridade mata". "A austeridade que estamos a ter mata. É certo que as pessoas protestem", disse o socialista.


De 25 Abril : fazedores\ oportunista-falsos a 28 de Abril de 2014 às 10:42
Salgueiro Maia


Amanhã, no Largo do Carmo, será evocado Salgueiro Maia. As referências ao «capitão» Salgueiro Maia costumam enfatizar o papel decisivo que assumiu no 25 de Abril, mas sobre a sua carreira militar após o PREC cai um manto de silêncio.

Tendo igualmente tido um papel relevante no 25 de Novembro, não pode apontar-se a Salgueiro Maia nada em seu desabono — a não ser a defesa intransigente da democracia: manteve-se fiel à condição militar, não alinhou com extremismos de direita ou de esquerda, não se deslumbrou pelos holofotes da política, recusou ocupar quaisquer cargos (mesmo de natureza político-militar, como integrar o Conselho da Revolução).

Tal não obstou a que a direita militar, que, entretanto, reassumira as chefias das Forças Armadas, o perseguisse logo em 1976, tendo Salgueiro Maia sido afastado do comando militar para tarefas administrativas, primeiro chamado a Lisboa, depois enviado para os Açores, antes de ser atirado para a chefia da secção prisional do Presídio Militar de Santarém.

Alguns dos que desempenharam cargos de chefia por esses tempos não sentiram necessidade de também dizerem alguma coisa sobre as perseguições de que Salgueiro Maia foi alvo, ainda que fosse para se justificarem.

Acresce que, com a multiplicidade de historiadores que apareceram recentemente a debitar sobre o 25 de Abril, é surpreendente que ninguém — que eu me tenha apercebido — se tenha detido no que representa a perseguição que foi movida a Salgueiro Maia a partir de 1976.

_______
Leituras sobre Salgueiro Maia:
• Biografia de Salgueiro Maia
• Salgueiro Maia, O Insigne Capitão


De oportunistas, burlões e farsantes a 28 de Abril de 2014 às 10:45
Viva o 25 de Abril

Honra à memória de Salgueiro Maia.

Lembro aqui a entrevista que Salgueiro Maia deu a Francisco Assis Pacheco no Jornal a 29.04.1988.

'É um facto que me sinto orgulhoso pela acção desenvolvida em prol do meu ideal de liberdade e democracia.(...)
À margem disso deploro que, tendo nós realizado um acto ímpar- pela primeira vez na História da Humanidade uma força militar realiza uma acção de destruição de um poder sem se apropriar desse poder- isto que em todos os países é relevante,
passa aqui pura e simplesmente desapercebido ou então, ao contrário, serve de base para sermos marginalizados, quando não tratados como traidores à Pátria.
Mas tenho outros sentimentos. Tenho um sentimento de gozo em especial nas comemorações do 25 de Abril por ver o comportamento de muita gente que é anti-25 de Abril mas que depois tem que ir lá pelas funções que o 25 de Abril lhe deu,e até tem que dizer coisas a favor do 25 de Abril'

Eu vou ao Largo do Carmo.


De Transição da Ditadura para a Democracia a 2 de Maio de 2014 às 17:34
27.4.14

«Declaração de Entrega dos Ex-Membros do Governo»

Este documento é magnífico! (ver no http://entreasbrumasdamemoria.blogspot.pt/2014/04/declaracao-de-entrega-dos-ex-membros-do.html )

No dia 26 de Abril de 1974, «foram entregues» no Funchal, pelo comandante do avião que as levou de Lisboa, as «seguintes entidades»: Américo Tomás, Marcelo Caetano, Silva Cunha e Moreira Baptista.

O governador militar assina a aceitação da «mercadoria» e o Chefe do Estado Maior / CTIM autentica. Tudo ordeiramente, na maior das legalidades – estranho ou não, mas foi assim.

Posted by Joana Lopes : 1974

comments:
Victor Nogueira :
1. - Em 25 de Abril de 1974 a farsa entre spínola e marcelo para que o poder não caísse na rua foi pela RTP anunciada deste modo:
São já quase 20 horas e um novo comunicado informa que "Sua Excelência o ex-Presidente do Conselho de Ministros se rendeu incondicionalmente a Sua Excelência o General António de Spínola, juntamente com os ex-Ministros do Interior e dos Negócios Estrangeiros". Ainda era o tempo das “Excelências” e do respeitinho.

E no dia 27 em Caxias ainda se discutia à porta do Forte se era ou não legal libertar os presos políticos, enquanto o Governo era entregue a um conjunto de Generais alguns que se vieram a revelar claramente defensores da (des)ordem derrubada e tenha sido lançado um apelo para evitar os excessos que possam por em causa “o poder que o General Spínola vos oferece”.

2. - Durante a guerra colonial e nos arredores de Luanda havia um Quartel – o Grafanil – espécie de albergue ou placa giratória das tropas em trânsito entre o mato e a cidade ou o Puto (Portugal) onde existia um enorme barracão, que se via da estrada, onde letras garrafais identificavam como “Depósito de Convalescentes”. Era um dos muitos depósitos do material de guerra, este de soldados convalescentes.

27 de Abril de 2014 às 12:33


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