De POLÍTICA: cidadãos devem FAZER acontecer a 28 de Abril de 2014 às 10:58

Fernanda Câncio,
« No fim da estrada » :

«(…) Quem, do PC ao PNR, passando por este Governo de maçães, resume os 40 anos a "desperdício", "corrupção" e "traição" não está bem da cabeça.
Outra coisa é dizer que é tudo perfeito, que chegámos ao fim da estrada da canção de Gomes Ferreira (o escritor, não confundir).

Aliás, a ideia de que um golpe de Estado nos colocaria, por milagre, na terra do leite e do mel, bastando-nos agradecer a dádiva, comunga da infantilidade amorfa que nos fez, como país, aguentar 48 anos de uma ditadura tacanha.

Se há falhanço nestas quatro décadas é esse - o de tanta gente achar que a política é uma coisa que lhe acontece, não algo que se faz.

Ter nojo "dos políticos", achando que "são todos iguais", entregando-lhes ao mesmo tempo o destino,
é capaz de ser uma grande estupidez - e para isso é que, de certeza, não foi feito o 25 de Abril.»

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jose neves disse...
«Mário Soares e política:»

Caríssima,
Não meta, como faz a esquerdíssima e a direitíssima, tudo nas amplas palavras de que "é tudo o mesmo", ou "são todos iguais"
e devia perceber que M. Soares não pensa à pressa nem faz conversa de café.

Já devia ter percebido que M. Soares é um político que faz política e sabe fazer política para mudar as coisas segundo o que acha certo.

Ele não faz política para fingir que se mexe e está vivo, pelo contrário, age e reage sobre o que está,
e dada a sua longa experiência, sabe que só agindo e agitando pode levar à consciencialização do outro mais atrasado politicamente.

Ele sabe de sabedoria prática que não pode filosofar platonicamente sobre valores absolutos mas sim sobre valores relativos como os sofistas porque
as vitórias políticas obtêm-se salientado a maldade do adversário e recusando qualquer bondade deste
especialmente quando este no global da sua acção só resulta empobrecimento e miséria.

Claro, o CC, explica acima com gráficos claros que tudo está muito melhor 40 anos depois mas será que se tudo continuar como vai poderemos dizer o mesmo daqui a tempos?

É na perspectiva do mal presente que o seu forte instinto político o faz pensar num pior futuro
logo é preciso agir,
se preciso, usando as armas do adversário.

Fazer política no terreno vai muito além de fazer opinião
nos jornais o que, aliás, ele também faz com palavras certeiras e directas.


De Parar c. Austeridad e reconquistar Democ a 28 de Abril de 2014 às 11:13
Aléxis Tsipras (da coligação de esquerda Syrisa, Grécia) sobre Mário Soares:

«Foi uma honra para mim ter-me reunido com uma personalidade emblemática da social-democracia europeia, com um estadista marcante da esquerda portuguesa e não só.
Discutimos a situação actual nos nossos países e concordámos que
a única saída é
.. parar com a austeridade e
.. reconquistar a democracia,
nos nossos países e em toda a Europa».
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Tsipras quer perdão da dívida de Portugal e Grécia semelhante ao dado à Alemanha em 1953

Á. Vieira e com Lusa , 26/04/2014

Candidato do Partido da Esquerda Europeia à presidência da Comissão Europeia reuniu-se neste sábado com Mário Soares no Porto e criticou as políticas de austeridade.

O encontro com Soares na Biblioteca Almeida Garrett do Porto, onde o ex-Presidente da República acabara de participar numa conferência sobre o 25 de Abril, decorreu na presença do coordenador do Bloco de Esquerda João Semedo e da eurodeputada Marisa Matias, a cabeça de lista do BE às eleições europeias. No Parlamento Europeu, o BE integra o Partido da Esquerda Europeia, que propõe Tsipras, líder da coligação de partidos gregos de esquerda Syrisa, para a presidência da Comissão Europeia.

O dirigente político que no ano passado defendeu “uma Primavera Mediterrânica” espera ver nas europeias de Maio as andorinhas que prenunciam esse sobressalto político. “Acredito que a única forma de ultrapassarmos a crise actual é os nossos povos votarem contra as forças políticas que apoiam as medidas de austeridade. Após quatro anos consecutivos de austeridade na Grécia e Portugal, mas também em Espanha e Itália, a situação deteriorou-se ainda mais, e agora estamos a braços com uma crise humanitária nos nossos países”.

Por isso, defendeu o político grego, horas antes de participar num comício do BE com Marisa Matias no Porto, é preciso “alterar a relação de forças nas próximas eleições europeias”. “Sabemos que na Grécia é possível termos uma grande vitória das forças de esquerda, pela primeira vez na nossa história política, o que significa que teremos desenvolvimentos vindos daí. Claro que o nosso objectivo é ganhar, além das europeias, as próximas legislativas na Grécia e formar um governo de esquerda (…) Isso terá um ‘efeito dominó’, que levará a mudanças quer na Grécia quer em toda a periferia do Sul da Europa”, previu.

De resto, Alexis Tsipras não acredita que a conclusão dos programas de assistência e a partida dos “homens dos fatos escuros da troika” signifique o fim do “drama” de Portugal e Grécia. E alerta que o problema não se resume aos memorandos celebrados pelos governos destes países com a troika, porque, na sequência deles, foi implantado um regime de austeridade destinado a vigorar durante “anos e anos”. “Não será fácil esmagar esse establishment, mas só com o voto do povo poderemos tentar fazê-lo”.

Alexis Tsipras não se diz contra a Europa, mas apenas contra a“Europa das forças políticas conservadoras e do poder dos mercados financeiros e dos bancos”. “Acreditamos na Europa dos povos e na reconquista dos valores fundacionais da coesão social e da solidariedade”, sublinha.

E para o líder da coligação Syrisa, essa solidariedade tem que passar por um perdão de dívida nos casos da Grécia e Portugal. “Não há outra alternativa senão tentar renegociar a nossa dívida em conjunto, numa cimeira europeia como a Conferência [de Londres, a de 27 de Fevereiro] de 1953, que perdoou grande parte das dívidas da Alemanha após a II Guerra Mundial. Isso não seria apenas bom para os países endividados, mas para toda a Europa e é a única saída realista”, acrescentou Tsipras, para quem já nem merece a pena falar de eurobonds e mutualização da dívida: “Já é uma discussão velha, agora precisamos de soluções mais radicais”.

Antes, noutra sala da Biblioteca Almeida Garrett, Mário Soares acusara o Governo e o Presidente da República de preferirem o 28 de Maio ao 25 de Abril e elogiou o Papa Francisco, por este "lutar pelos pobres" e por dizer que "a austeridade mata". "A austeridade que estamos a ter mata. É certo que as pessoas protestem", disse o socialista.


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