16 comentários:
De Se Grécia sair, UE e Euro FRACASSAM. a 29 de Junho de 2015 às 18:35
----- Os gregos limpam as armas

«Forçámos a beleza ao exílio, e os gregos limpam as armas para defendê-la (…)» Albert Camus, num texto de 1959, parcialmente transcrito aqui.
http://aventar.eu/2015/06/29/os-gregos-limpam-as-armas/

----- Grécia/eurogrupo: fim de jogo

Numa clara retaliação ao anúncio do Governo grego de referendar mais austeridade para a Grécia, o Eurogrupo
(sem unanimidade, naquela que será uma violação dos tratados europeus)
anunciou a recusa de extensão do prazo para lá de dia 30 de Junho.
Questionado sobre a hipótese de o povo grego dizer SIM a mais austeridade, Jeroen Dijsselbloem afirmou não reconhecer credibilidade ao actual Governo grego
– todavia eleito pelo povo da Grécia, ao contrário das instituições que questionam a sua legitimidade. O comunicado do Eurogrupo aqui.

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http://www.infogrecia.net/2015/06/como-o-eurogrupo-expulsou-varoufakis-da-reuniao/
... a “credibilidade do Eurogrupo ficou comprometida”. Este domingo revela que após a sua intervenção no Eurogrupo de sábado (ler versão integral em inglês), em que propôs o adiamento do atual programa para deixar os gregos decidirem em referendo, o presidente do Eurogrupo, Jeroem Dijsselbloem, anunciou a rejeição da proposta e convocou de imediato uma reunião dos restantes ministros para decidirem o que fazer.

Varoufakis pediu então um parecer ao secretariado do Eurogrupo, para que o informasse se este organismo podia emitir uma declaração sem a unanimidade dos seus membros, bem como se o seu presidente podia convocar uma reunião sem convidar o ministro das Finanças de um Estado membro da zona euro.

É o próprio Varoufakis que divulga no seu blogue a resposta que recebeu dos serviços de Bruxelas: “O Eurogrupo é um grupo informal. Por isso não está vinculado a Tratados ou a regras escritas. Embora a unanimidade seja convencionalmente cumprida, o Presidente do Eurogrupo não está vinculado a regras explícitas”.

------- A ousadia vai ser duramente punida

Lagarde critica manutenção do referendo e BCE fecha torneira. Que fique claro quem é que manda.

----- Obama telefona a Merkel. É preciso evitar que a Grécia saia da zona euro

O apelo de Martin Schulz: "Voltem a Bruxelas. Vamos conversar"

Merkel aceita novas negociações. Obama e Hollande pedem uma solução "o mais rapidamente possível"

Angela Merkel: "Se o euro fracassar, a Europa fracassa"


De JPP: a Europa q. nos EnVERGONHA. a 29 de Junho de 2015 às 15:41

A Europa que nos envergonha
(José Pacheco Pereira, in Público, 27/06/2015)

Esta não é a Europa dos fundadores, é a Europa dos partidos mais conservadores, com os socialistas à arreata. Não terá um bom fim e, nessa altura, muita gente lembrará a Grécia.

Bater nos gregos tornou-se uma espécie de desporto nacional. Tem várias versões, uma é bater no Syriza, outra é bater nos gregos propriamente ditos e na Grécia como país. As duas coisas estão relacionadas, bate-se na Grécia porque o Syriza resultou num incómodo e, mesmo que o Syriza morda o pó das suas propostas, – que é o objectivo disto tudo, – o mal-estar que existe na Europa é uma pedra no orgulhoso caminho imperial do Partido Popular Europeu, partido de Merkel, Passos e Rajoy e nos socialistas colaboracionistas que são quase todos que os acolitam. É isto a que hoje se chama “Europa”.

Se não fosse sinal de coisas mais profundas, e péssimas, seria um pouco ridículo que nós portugueses nos arrogássemos agora o direito moral de bater nos gregos. Somos mesmo um belo exemplo! Ah! Fizemos o “trabalho de casa” e isso dá-nos a autoridade moral, “sacrificamo-nos” para ter agora esta gloriosa “recuperação” e os gregos não, Passos Coelho dixit. Para além de estar certamente a falar para a Nova Democracia e para o Pasok e não para o Syriza, o balanço do “ajustamento” grego foi devastador para a economia e para a sociedade. Porquê? Nem uma palavra. Ninguém fala da “herança” do Syriza, recebida em princípios de 2015, das mãos de dois partidos da aliança dos “ajustadores”, a Nova Democracia irmã da CDU, do PP espanhol e do PSD e do CDS português, que governou a Grécia com a eficácia que conhecemos e pelo PASOK, irmão do PS, que a co-governou. Eram esses que a “Europa” queria que ganhassem as eleições.

Só que os gregos “não fizeram o trabalho de casa”… e por isso tem que ser punidos. Caia o Syriza na lama, e venha um qualquer outro governo dos amigos e ver-se-á como muita coisa que é negada ao Syriza será dada de bandeja ao senhor Samaras e os seus aliados. O problema não é o pagamento aos credores, não é a “violação das regras europeias” (quais?), não é uma esforçada dedicação pela “recuperação” da Grécia, é apenas e só político: não há alternativa, não pode haver alternativa, ninguém permitirá nesta “Europa” nenhuma alternativa que confronte o poder dos partidos do PPE e seus gnomos de serviço socialista, porque isso fragiliza aquilo que para eles é a Europa.

A ideia de que a Grécia não é um Estado ou que é um “país falhado” é um absurdo. A julgar por esses critérios muitos países da Europa não são Estados, a começar pelo “estado espanhol” aqui ao lado e a acabar nalgumas construções de engenharia política ficcional que a Europa ajudou a criar nos Balcãs, seja o Kosovo, seja mesmo a bizarra FYROM. É evidente que a Grécia não é a Alemanha, mas Portugal também não é. A Grécia não é a França, mas vá-se à Córsega perguntar pela França, ou mesmo às zonas dialectais do alemão na Alsácia. Ou então a esses territórios muito especiais da União Europeia, sim da União Europeia, que são por exemplo a Reunião e Guadalupe, “departamentos franceses do ultramar”.

A Grécia é a Grécia, muito mais parecida com Portugal naquilo é negativo que os que hoje lhe deitam pedras escondem, e bastante menos parecida com Portugal, numa consciência nacional da soberania, que perdemos de todo. No dia da vitória do Syriza, o que mais me alegrou, sim alegrou, como penso aconteceu a muita gente, à esquerda e à direita, não foi que muitos gregos tenham votado num “partido radical” ou num programa radical, ou o destino do Syriza, mas sim o facto de que votaram pela dignidade do seu pais, num desafio a esta “Europa” que agora os quer punir pelo arrojo e insolência. Escrevi na altura e reafirmo que mais importante do que a motivação de acabar com a austeridade, foi o sentimento de que a Grécia não podia ser governada por uma espécie de tecnocratas a actuar como “cobradores de fraque” em nome da Alemanha. Por isso, mais grave do que o esmagamento do Syriza, que a actual “Europa” pode fazer como se vê, é o sinal muito preocupante para todos os que querem viver num país livre e independente em que o voto para o parlamento ainda significa alguma coisa. Nisso, os gregos deram uma lição aos nossos colaboracionistas ...


De lição aos nossos colaboracionistas... a 29 de Junho de 2015 às 15:44
...
lição aos nossos colaboracionistas de serviço, que andam de bandeirinha na lapela.

Voltemos ao não-pais. A Grécia é um país muito mais consistente na sua história recente do que muitos países europeus, principalmente do Centro e Leste da Europa. Tem dois factores fortíssimos de identidade nacional, a religião ortodoxa e a recusa do “turco”. E foi “feita” por eles. Vão perguntar ao fantasma de Hitler o que ele disse da Grécia quando a invadiu e não disse de nenhum outro país e vão perguntar aos ingleses que apoiaram os resistentes gregos, duros, ferozes e muitos deles, como em Creta, “bandidos da montanha”. Sem Estado.

Esta identidade nacional dá para o mal e para o bem, como de costume, mas existe. Muitas aventuras militares e políticas resultaram dessa forte identidade e da relação mítica e simbólica com o passado, como seja a invasão da Anatólia numa Turquia em crise pós-otomana para reconstituir a Grande Grécia clássica e bizantina, ou as reivindicações sobre o Epiro albanês, ou mesmo a pressão contra a existência da Macedónia como estado. A aventura de Venizelos e a Megali Idea foi uma das grandes tragédias do século XX, apoiada irresponsavelmente pelos ingleses, mas mostram como é ligeiro apresentar a Grécia como um “não país”, quando nesses anos as poucas cidades “civilizadas” nessa parte do mundo não eram Atenas, mas Salónica e Esmirna. Esmirna, incendida pelos turcos e Salónica purgada dos seus judeus por Hitler.

O argumento “geográfico” das ilhas para afirmar que a Grécia “não é um estado” então é particularmente absurdo. A Grécia tem centenas de ilhas e a Indonésia milhares. Então a Indonésia também não é um país? É-o certamente menos do que a Grécia, visto que a diversidade rácica, linguística e religiosa da Indonésia é muito maior e mais complicada do que as ilhas gregas cujo cimento, até mesmo a Rodes, que fica bem em frente da costa turca, é de novo, a religião e a história.

Os gregos, povo de comerciantes e marinheiros, são um alvo fácil, como os camponeses do Sul de Itália e os alentejanos, para os do Norte industrial e “trabalhador”. É um estereótipo conhecido: ladrões, vigaristas e, acima, de tudo preguiçosos. Por isso “enganaram a Europa” e querem viver á nossa custa. A Grécia enganou a Europa? Sim with a little help from my friends. A Europa ajudou activamente a Grécia a falsificar os números, a Alemanha em particular, enquanto isso lhe interessou. E nós? Só para não ir aos inevitáveis exemplos socráticos, vamos para este governo e bem perto de nós. Com que então a TAP foi comprada por um português? O brasileiro-americano o que é, o consultor para a aviação? De onde veio o dinheiro, a pergunta que se faz sempre aos remediados, que já são vigiados por 1000 euros, e ninguém faz aos ricos e poderosos? Para que é esta cosmética? Para enganar a União Europeia dando a entender que a TAP foi comprada por um cidadão da União. O truque é tão evidente, que muito provavelmente, como aconteceu com os gregos, a União Europeia já assinou de cruz pelas aparências porque lhe convém. Atirem pois mais uma pedra aos gregos.

Os gregos não querem pagar impostos? Não, não querem, mas nós portugueses também não queremos. Há uma diferença, é que em Portugal se aceitou nos últimos anos, um poder fiscal muito para além do que é aceitável numa democracia. Será que é isso a que se chama “fazer o trabalho de casa”, ter um Estado? Já agora, as estatísticas da economia informal na Europa são muito interessantes. Sabem que Estados tem uma economia informal muito superior à grega? A Noruega, a Suíça, o Luxemburgo, a Dinamarca, a Finlândia e… a Alemanha.

A questão mais importante e que merece ser analisada e discutida mais a fundo, não é a Grécia e muito menos o destino do Syriza. É a mudança de carácter da União Europeia, da “Europa”, nestes anos de crise. A hegemonia alemã é um facto, mas a principal mudança foi a substituição de um projecto europeu de paz e solidariedade, por um projecto de poder. A substância desse poder é a hegemonia política do Partido Popular Europeu que, apoiado pelo papel do governo alemão, mas indo para além dele, transformou o “não há alternativa” na legitimação de todos os governos conservadores, muitos dos quais viraram francamente à direita nestes anos. Esses governos recebem todas as complacê


De Europa da direita e soc-dem. à trela. a 29 de Junho de 2015 às 15:47

A Europa que nos envergonha

(José Pacheco Pereira, in Público, 27/06/2015)
...
...
...Esses governos recebem todas as complacências (como Portugal a quem se fechou os olhos nos falhanços na aplicação do memorando) e todos os apoios.

A “Europa” é hoje a principal aliada eleitoral e de governo de partidos como o PSD em Portugal e o PP em Espanha,
interferindo qualitativamente nas eleições nacionais e transformando o reforço do poder comunitário num instrumento de poder “europeu”.
Hoje qualquer passo que reforce a “Europa” reforça o PPE e o “não há alternativa”.
Esta não é a Europa dos fundadores, é a Europa dos partidos mais conservadores, com os socialistas à arreata.
Não terá um bom fim e, nessa altura, muita gente lembrará a Grécia.


De Objectiva/ Gregos ou Escravos iludidos a 29 de Junho de 2015 às 17:09

Objetivamente, a Grécia

(27 Junho 2015 às 14:37 por Penélope ,Aspirina B)

No clímax de tensão a que chegaram as negociações, Tsipras tomou a única decisão possível – convocou um REFERENDO à proposta dos credores.
-- Se, neste referendo, o NÃO vencer, o país sairá provavelmente do euro (sairá?)
e Tsipras manterá a liderança, agora reforçada, tendo, sem dúvida, muito que fazer para merecer uma menção de destaque na História.
-- Se o SIM à proposta vencer, Tsipras, que anunciou ir fazer campanha pelo Não, terá de se demitir, pois não terá condições para executar as medidas que rejeitou.
Neste caso, haverá novas eleições e a direita ganhará, voltando-se ao «business as usual» dos últimos cinco anos, isto é, a SANGRIA, desta feita expressamente consentida.
Resolve-se alguma coisa na Grécia?
Não, apenas se vai pagando aos credores.
Com os seus empréstimos. Isto é um negócio.

Mas os gregos devem saber em que estado se encontram.
Possivelmente será, para a sua maioria, tão mau continuar com a austeridade imposta
como mandar os credores «dar uma volta ao bilhar grande» e divertirem-se com (enquanto negam) o que ganharam durante anos
com os empréstimos à Grécia e com as grandes obras, e seja o que Zeus quiser.
Possivelmente Zeus e Tsipras serão, em 5 de julho, a mesma pessoa.

Foi preciso a Grécia chegar até aqui, ou seja, a uma situação tal que o único crédito a dar pelos eleitores aos políticos foi a eleição de um partido radical de esquerda,
para pôr finalmente às claras o espírito europeu nesta crise – na Europa, em especial na zona euro pós-2010, com mais ou menos salamaleques, existem os credores e existem os devedores.
Para além disso, mais nada.

Se a receita aplicada pelos credores (e a Grécia aplicou-a, ao contrário do que diz a direita desde fevereiro) provoca pobreza, DESTRÓI a economia, afunda o PIB, mata a democracia, torna os países ESCRAVOS de uma dívida crescente e impagável e,
a prazo, transforma a união europeia numa FARSA, se é que não dita o seu óbito, que importa?
É assim.
O povo deve pagar os desmandos da BANCA e as decisões preconceituosas de quem manda.

Entretranto, não há ferramentas soberanas.
Com a moeda única, todos os países se submeteram a Berlim.
Como conviver bem nesta União?

A hipótese mais óbvia é aliar-se a Angela Merkel, OBEDECER cegamente às suas ordens,
aceitar que as mesmas defendem em primeiro lugar os INTERESSES dos alemães que a elegeram,
FINGIR que tudo vai bem por cá e
esperar a PROTEÇÃO eterna das instituições, controladas pela Alemanha, incluindo em caso de nova crise.
É o que faz Portugal, com o DESgoverno de Passos e Portas.
Com a agravante de os executantes terem verdadeiro prazer no CHICOTE.
Objetivamente, estamos condenados a MENDIGAR as boas graças do patrão.

Objetivamente também, esta forma de a «Europa» lidar com os efeitos de uma grave crise financeira internacional foi uma estreia, atendendo à existência da união monetária.
O clube não estava preparado para o que sucedeu.
Não havendo mecanismos de combate e de estabilização,
e havendo grandes discrepâncias entre os países,
o país mais rico foi quem ditou as regras.
E, evidentemente, nesse processo defendeu os seus interesses.

Pode objetivamente dizer-se que correu bem? Sim, até agora, para o comandante.
Para a soldadesca, não, não pode objetivamente dizer-se que correu bem.
Para os lambe-botas há a ilusão de que sim.

Para onde se caminha não se sabe ou não interessa.
Mas o facto de haver alguém que questiona e desafia só pode merecer aplauso.
Quando já não há nada a perder.

--------- Penélope
É mais correto falar em emprestar do que em pagar. Tudo é para ser reembolsado e com juros. As exigências de quem empresta têm sido tão razoáveis que os gregos continuam sem dinheiro para honrar as dívidas e sem economia. Nada melhorou na situação grega, apesar das medidas de austeridade. Há quem pense que por causa delas. Sair do euro? Possivelmente é melhor. O problema, para a Europa, é se a mudança traz bons resultados para os gregos. Evidentemente que irão tudo fazer para que não.
---- ...


De os Gregos e os Colaboracionistas Troikas a 29 de Junho de 2015 às 17:29
Foi fácil sermos todos Charlie...

(Crónica de Diana Andringa, 23/6/2015, na Antena 1: http://entreasbrumasdamemoria.blogspot.pt/ )

Foi há mais de 20 anos. Visitando, em trabalho, o Yad Vashem, detive-me frente a fotografias da Revolta do ghetto de Varsóvia. Curioso, o historiador israelita que nos acompanhava perguntou:
“Interessa-se especialmente pelo ghetto de Varsóvia?” “É-me mais compreensível”, respondi,
“nunca percebi como é que, confrontados com uma política de extermínio, não pegaram mais vezes em armas contra os nazis?”
“É o debate entre Massada e Yavné”, respondeu ele, e falou-me do suicídio em massa dos habitantes de Massada, recusando a captura pelo invasor, e do rabi Ben Zakkai, que, contemporizando, conseguiu criar uma escola da Torah em Yavné. “Se não fosse Yavné, quem recordaria hoje a história de Massada?”, perguntou, no final.
Respondi com outra pergunta: “E se não fosse Massada, que história teria Yavné para contar?”

Recordei naturalmente esta conversa ao ver, há dias, O último dos injustos, de Claude Lanzman, mas ocorre-me também muitas vezes ao ouvir os noticiários sobre as negociações entre Atenas e Bruxelas. Não por pensar que o governo do Syriza aposte no suicídio – antes pelo contrário! – mas por me parecer que a maioria dos comentadores e até dos noticiaristas gostaria que, em Atenas, pensassem mais em Yavné.
Ou, se preferirem, que fossem mais “pragmáticos” e cedessem depressa e sem ruído, que isso de irredutíveis gauleses só fica bem em banda desenhada - mesmo assim, talvez demasiado subversiva para bons alunos.
Ao Mourinho ainda se admite que diga que a escola deve ajudar a analisar, a pensar e a discordar, porque está a falar de futebol.
Mas aos gregos? Discordar? Que é isso de discordar?
Como é que Tsipras e Varoufakis se atrevem a discordar dos conselhos da troika, só porque estes já reduziram à miséria milhares e milhares de pessoas na Grécia?
Mas não foram sobretudo os pobres, esses exigentes que querem ter emprego e ser pagos por trabalharem?
Os reformados, que se atrevem a ter reformas superiores às portuguesas?
Os jovens, forçados à emigração? E então?
Não aconteceu o mesmo em Portugal, não empobrecemos também, não ficámos desempregados, não emigrámos, e não mostram as sondagens que há ainda muitos portugueses a preferir a política do bom aluno de quem, a pretexto de os ajudar, os explora?

Foi fácil sermos todos Charlie, sobretudo a quem não fazia cartoons, mas parece ser bem mais difícil sermos todos gregos – quando
eles travam, sozinhos, uma luta que também devia ser nossa.
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Nem vencedor, nem vencidos?

«Ninguém tem interesse que a Grécia saia do euro, apesar do discurso pindérico de musculação de ginásio de Passos Coelho sobre os seus "cofres cheios".
Se a Grécia caísse, Portugal seria o elo mais fraco. O acordo que se firmará não acaba com os problemas do euro. (...)

Se a troika cedesse, a polarização política sacudiria o Sul e o Norte da Europa (mais à esquerda ou mais à direita, consoante os casos).
É por isso que se busca a paz podre.
Aquela em que, na fotografia, não há vencedores nem vencidos.
Mas, como nuvem ameaçadora, fica a hipótese do fim da moeda única e a destruição do que resta do conceito de solidariedade europeia, de paz e prosperidade,
que sempre foi apontada como bandeira de uma Europa unida.

Todos sabem que a Grécia nunca conseguirá pagar a dívida.
E que este euro não é um fato que sirva a tantas economias e culturas diferentes.
Todos fingirão não ter perdido.
Mas os espinhos deste jogo de tronos ficarão aí, disfarçados no meio das rosas dos discursos oficiais.»

Fernando Sobral


De Bomba da UE neoliberal. a 29 de Junho de 2015 às 17:52
----«Não subestimem o que pode fazer um povo quando se sente humilhado»

«A tensão subiu na cimeira do Conselho Europeu, quando o seu presidente, Donald Tusk, voltou a dizer que “o jogo acabou”, a propósito das negociações com a Grécia.
Alexis Tsipras respondeu dizendo que
“a Grécia tem 1.5 milhões de desempregados, 3 milhões de pobres e milhares de famílias sem rendimentos que vivem da ajuda dos avós.
Isto não é um jogo.”

“Nem você, sr. Tusk, nem ninguém deve subestimar o que um povo pode fazer quando se sente humilhado”,
prosseguiu Tsipras, explicando que a Grécia apresentou propostas com medidas difíceis para um país em crise.»
- http://www.infogrecia.net/2015/06/tsipras-nao-subestimem-o-que-pode-fazer-um-povo-quando-se-sente-humilhado/

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A Grécia de joelhos e o mundo de pantanas (M.S.Tavares, 27/6/2015, Expresso)
... ... ...
ou a Grécia é abandonada à sua sorte ou a dívida é largamente perdoada,
ficando a cargo dos contribuintes europeus a factura a pagar por terem safo a banca alemã, francesa e também portuguesa dos empréstimos concedidos alegremente aos gregos. Para submarinos, aeroportos, Jogos Olímpicos e outros luxos que tais.

O grande erro do Syriza foi pensar que iria encontrar apoio entre semelhantes.
-Renzi hesitou mas nunca se conseguiu definir;
-Rajoy vendeu qualquer veleidade de independência por um acordo feito debaixo da mesa que lhe permitiu receber toneladas de dinheiro sem a humilhação de ser oficialmente resgatado;
- Hollande foi o que se esperava e que ele próprio tinha anunciado: um “monsieur tout le monde” sem sombra de substância ou de relevância;
-e, de Portugal, a Grécia recebeu a mais feroz e invejosa oposição do Governo e do Presidente, acima de tudo desejosos de que não se fizesse prova de que a Europa poderia aceitar uma alternativa às políticas impostas pela troika — de que um foi entusiástico mandatário e o outro fiel avalista.
E assim a Grécia sucumbiu ao pior da Europa:
os holandeses, os finlandeses, os polacos, os neofascistas da Hungria e os alemães da estirpe do sr. Schäuble. E a libelinha emproada da Lagarde.

Mas mais depressa a Grécia acabará com a Europa do que a Europa acabará com a Grécia.
A Grécia não é Portugal, como gosta de dizer o Governo, mas os gregos também não são os portugueses:
em 150 anos, travaram cinco guerras e venceram-nas todas; correram com os turcos, resistiram aos nazis, e derrotaram, com a ajuda de Churchill, a tentativa de os transformarem em mais um satélite da URSS de Estaline.
Um simples olhar ao mapa e à História poderia ter ensinado aos merceeiros europeus a importância geoestratégica decisiva que tanto a Grécia como a Turquia têm para a Europa e para o Ocidente.
Mas a Europa preferiu bater com a porta na cara dos turcos e ameaçar os gregos com a expulsão se eles não se renderem e ajoelharem perante os visionários que agora mandam na UE.
Ironicamente, à 25ª hora, só Angela Merkel percebeu o que está realmente em jogo.»

-----Presos no monstro. (Carvalho da Silva)

«A União Europeia (UE),
devidamente assessorada por essa máquina trituradora da independência de países e da dignidade dos povos que é o FMI,
está transformada num monstro capaz de danos irreparáveis.
A UE está a aprisionar grande parte dos povos que a constituem,
tortura os mais débeis e começa até a assustar não só o comum dos cidadãos, mas também as elites empenhadas na busca de soluções que evitem o desastre.»

----Quem tem medo do euro mau?

«A questão, como tenho insistido, é mesmo a de saber de que é que têm medo e de que é que temos medo?
Se há coisa que a Grécia revela espectacularmente, qualquer que seja o desenlace das chamadas negociações, é a verdadeira natureza da UE, em geral, e da Zona Euro, em particular, e o que estão condenados a fazer todos os que aceitam os seus termos:
respectivamente, o mais poderoso mecanismo imperialista de conformação com o neoliberalismo e a austeridade permanente, dos superávites orçamentais aos cortes,
com atrofiamento das forças produtivas, em especial das nações periféricas, e retrocesso nas relações sociais que aí estruturam a provisão de bens e de serviços.
O europeísmo, ou seja, a crença de que a escala da UE é o espaço privilegiado de acção política destrói as esquerdas europeias.»
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De Devíamos ser todos GREGOS. a 29 de Junho de 2015 às 15:36
O indizível susto da democracia (2)
(por Sofia Loureiro dos Santos, 27.06.15

somos todos gregos.JPG

De novo, a Grécia quer que a escolha do povo decida o seu destino. De novo há um Primeiro-ministro grego que, perante a impossibilidade de cumprir o mandato para o qual se comprometeu, quer perguntar aos cidadãos se aceitam ou recusam a proposta que a Europa lhes está a impor.

Não tenhamos dúvidas - esta não é uma Europa democrática. Esta é uma Europa que pretende manter a todo o custo a direita conservadora no poder, fazendo letra morta de conceitos tão nobres como solidariedade, liberdade e democracia, ideias fundadoras da União Europeia (vale a pena ler Pacheco Pereira no Público).

A nobreza não paga dívidas e a democracia deixou de ser um valor para passar a radicalismo extremista. Foi assim classificada a escolha eleitoral do Syriza, são assim rotulados os Ministros gregos, é por isso que a direita impõe as escolhas políticas internas para uma suposta ajuda internacional.

Pela postura de Passos Coelho e de Cavaco Silva, Portugal coloca-se do lado antidemocrático. Admiro Tsipras e Varoufakis e o seu radicalismo que se revela no respeito pela dignidade do seu País, pela convicção de que é a vontade do povo que prevalece e que o governo pertence a cada um dos países soberanos que fazem parte desta caricatura em que se transformou a Europa.

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(...) Mesmo moderando a linguagem, e como aconteceu há 75 anos no caso do colaboracionismo com a Alemanha, fica-nos a sensação que entre os parlamentares socialistas europeus, anda tudo a apanhar bonés na atitude comum a adoptar por eles em relação à crise grega. Ainda muito recentemente, Martin Schultz, o presidente do parlamento europeu e também a cara mais conhecida desse socialismo europeu deixou-se apanhar numa troca de galhardetes com um eurodeputado grego do Syriza com ar de avozinho (acima), de onde só pôde sair mal na fotografia. Mas, para quem pense que a outra esquerda, a comunista (dialéctica), mostrar-se-á mais lúcida na estratégia e nos princípios políticos em discussão, pode desiludir-se acompanhando o comportamento do Partido Comunista Grego (KKE) que num dia convoca uma manifestação contra a austeridade para a frente do Parlamento grego para, no dia seguinte, e lá dentro, votar contra a proposta de realização de um referendo a esse respeito. Isto deixa o caminho aberto para quem, opondo-se ao projecto dito europeu por muito que não gostemos de os ouvir, tem discursos (aparentemente) consistentes a esse respeito – caso da Frente Nacional francesa de Marine Le Pen. O que, por sua vez, torna, finalmente, ainda mais patética a conduta dos descendentes dos parlamentares da esquerda de 10 de Julho de 1940, personalizados na figura de um Manuel Valls que apela ao governo grego para regressar às negociações (abaixo). Numa confrontação em que não sabe muito bem o que há-de fazer, Valls não recolhe autoridade para apelar seja ao que for e faz uma triste figura de si a apanhar bonés por ser socialista mas também a apanhar ainda mais bonés por ser francês.

A.Teixeira


De Democracia não ceder a Eurozona NeoLiber a 29 de Junho de 2015 às 16:38

A hecatombe da política

(28 Junho 2015 às 21:02 por Valupi ,Aspirina B, http://aspirinab.com/valupi/a-hecatombe-da-politica/)

Teresa de Sousa é uma das mais reputadas, e condecoradas, especialistas em matérias europeias que temos no jornalismo português. Junta a esse estatuto a imagem de ser uma europeísta convicta e uma voz exemplarmente ponderada. O seu perfil confunde-se com o de um representante da União Europeia, pode-se dizer para efeitos de caricatura.

Ontem publicou um texto
– Foi isto que Atenas sempre quis? A pergunta passou a ser legítima –
onde acusa Tsipras de ter levado a cabo uma manobra maquiavélica ao serviço de um projecto de radicalismo político insano. Daí a marcação do referendo, a prova provada de que o Governo grego estava a boicotar as negociações desde o início. O registo é psicologista, a matriz é a de associar o Syriza a um comportamento irracional.

Numa curta passagem, a autora refere-se ao erros cometidos pela Europa é às consequências devastadoras das medidas aplicada na Grécia, levando a uma “hecatombe apenas própria de tempos de guerra, ao contrair mais de 25% em quatro anos“.
Este momento de lucidez foi de imediato perdido, surpreendentemente, terminando o artigo com o SOFISMA de que a democracia deve ceder ao Tratado de Roma (e ao de Lisboa).
Aderir à Comunidade Europeia, assinar o Tratado de Maastricht e entrar na zona euro, concretiza o argumento, implica uma soberania partilhada e suas regras.
A soberania e democracia de cada país são balelas para ingénuos ou demagogos, remata imperial.

Há uma racionalidade institucional, e mesmo política e pragmática, na sua posição. Indiscutível.
As regras só existem quando são respeitadas, e a alternativa é a lei da selva e o caos.
Mas também, e isto é que fica como surpreendente no caso de Teresa de Sousa, há uma antiquíssima lei de ouro que obriga os corajosos a defenderem os seus se eles forem atacados.
Há um DIREITO à LEGÍTIMA DEFESA que se sobrepõe a outras convenções.
Quando se admite que a Grécia está a sofrer um empobrecimento só comparável ao que ocorre numa GUERRA, e se sabe que nenhum dos credores apresentou qualquer solução que permita sequer uma friável esperança de recuperação,
isso é o mesmo que reconhecer a bondade daqueles que estão dispostos a quebrar algumas regras para que se cumpra a REGRA principal de todas as COMUNIDADES:
ajudarmo-nos uns aos outros, e tão mais quão maiores forem os problemas e os riscos.

Teresa de Sousa não concebe que a PARTILHA da soberania sirva precisamente para acudir ainda melhor à excepcionalidade que escapa às regras.
Isto é a negação mesma da essência da política como arte da boa governação.
Se largas décadas de assimilação dos princípios fulcrais da União Europeia, e de convívio com os seus agentes, provocam esta ALIENAÇÃO,
então quão mais cedo deixarmos de estar em tão má companhia melhor.


De Vozes do dono, alienação, e ... a 29 de Junho de 2015 às 16:51

---querolasabonetes

aceitar tudo o que o syriza pedir para evitar o referendo e ganhar tempo para formar um governo de bananas, é solução possível neste momento.

se arriscarem referendo,
depois só lá vai com golpe militar ou vão ter de engolir syrizas por todo o lado mais o referendo inglês.

--Maria Abril

Assim de repente, que eu me lembre, as regras da UE existem para ser cumpridas pelos países mais “indefesos”
e para serem violadas as vezes que for necessário pelos “senhores” , e de acordo com os seus interesses, sejam a Alemanha ou a França.

O que está acontecer agora é apenas um climax da pseudo construção solidária de uma UE.
Quando lhe foi conveniente, a Alemanha violou as mesmas regras (do défict, v.g.) que agora impõe sem dó nem piedade a outros membros.

Não será nada de mais afirmar que só os ingénuos ainda acreditam no futuro da UE, caso atirem com a Grécia borda fora.
Se isto acontecer, é a máscara de uma “união europeia” que cai de vez.
Se houver Grexit, nada será como dantes.
Por outro lado, se continuar tudo como dantes, dando-se o caso Grexit como arrumado,
então é que eu começo a ter medo do que somos e do que nos espera,
por termos chegado aonde chegamos.


---Corvo Negro

Ao assentarem arraiais em Bruxelas, sejam jornalistas, eurodeputados ou simplesmente brurocratas,
o fausto da “entourage” e a cor do dinheiro fácil, toldam-lhe as ideias e as convicções.
Daí a assumirem, sem pingo de vergonha, que essa coisa de democracia é para pobretans e papalvos, vai um salto de pardal.

--Olinda
que excelente reflexão sobre as partes – a isenção, aqui. e o progresso continua a esquecer o bem comum: a humanidade no seu pior. :-(

--assis
a teresa de sousa (uma boa mostra dos anos 70, muito cigarro e muita bica) mais uma vez a alinhar-se pelo que sai de bruxelas.
é a porta voz em portugal do dictat bruxelense.

--ignatz
mas vamos lá ver, quem é que paga as bicas e os cigarros da teresa?
e já agora as excursões ao fmi para lavagem da cabeça com xampús lagaldéria 18em1.

oops… faltou o linque
http://www.infogrecia.net/2015/06/fmi-admite-ter-pago-viagens-a-jornalistas-gregos/

--Estultos salazaristas
Hoje, através da TSF, a eurodeputada Mª João Rodrigues, figura com responsabilidades acrescidas em Bruxelas, referiu que,
há uma semana, as instituições europeias tinham concluído um plano favorável à resolução do problema grego fruto de negociações efetuadas, porém,
algo de misterioso aconteceu e, inexplicavelmente, esse plano foi rapidamente deitado ao lixo e substituído por um outro mais gravoso e penoso para o povo grego.
Ora, quem eliminou o plano consensual? Schauble, o democrata cristão!
Que conclusão retirar deste facto?

--Estultos salazaristas

Foi isto que a Alemanha sempre quis? A pergunta passa a ser legítima.
--Jorge Xavier
--Estultos salazaristas
Esta é a Alemanha defensora de uma Europa em guerra e que na sua propaganda grita “Seja-se o que se é!”;
“Porque combatemos: É preciso compreender a verdade”.
“A verdade na Europa!”
Fonte: Revista Sinal, 1944.



De Querem continuar a F... a Grécia e o Syr a 30 de Junho de 2015 às 17:04

A Troica quer exercer o "direito de pernada" sobre a Grécia para derrubar o Siryza
(http://puxapalavra.blogspot.pt/ 25/6/2015)

Para que os servos não esquecessem que quem mandava neles era o Senhor feudal, o fidalgo exercia entre outros actos de poder o "direito de pernada".
Isto é, tinha o direito a ser ele a "desvirginar" na noite de núpcias a serva que habitasse os seus domínios.
A humilhação do noivo e da noiva traduzir-se-ia de forma simbólica com o Senhor a passar a perna, num gesto largo, sobre a cama dos noivos. É, pelo menos, o que reza a lenda.

Ora o que se passa na Grécia é parecido, a Troica quer ter o direito de pernada sobre a Grécia e o governo grego não aceita o papel da serva humilhada.
O governo Português que se ofereceu para a pernada com prostituto prazer não aceita que o governo grego não seja humilhado como ele próprio foi
e como Junker reconheceu ao considerar que “era perfeitamente compreensível” a recusa do governo grego em ser desautorizado na sua terra por uns funcionários de segunda categoria, a Troica, isto é, "em ser humilhado, como aconteceu com Portugal".

O Siryza não aceita que seja o povo grego que já está de rastos a pagar de novo a parte maior do "castigo".
Tanto mais quanto o remédio só agravou a doença, na Grécia como em Portugal.

O Governo de Tsipras não quer castigar mais os que mais sofreram com a política de austeridade dos governos anteriores, da direita ou do PASOK que, como
em geral os partidos socialistas europeus, converteu-se, desde Tony Blair, ao neoliberalismo.

A Troica quer não apenas o dinheiro mas também ser ela, que não foi eleita, a decidir como e a que classes sociais, na Grécia, o vai cobrar.
E quer fazer recair sobre os mais desfavorecidos o grosso da factura a pagar.
Não será por malvadez mas porque descredibilizaria o Siryza que gostaria de ver desaparecer da cena política grega,
porque não ofende os oligarcas gregos nem os seus apaniguados dos partidos que se prestaram a aceitar o "direito de pernada" da Troica,
porque se "está nas tintas" para com a justiça social, para com o sofrimento dos gregos mais causticados com a austeridade.

Entre outras medidas, pressionado e fazendo concessões,
o governo grego propôs, à União Europeia, isto é, a Merkel, e ao FMI e ao BCE - a Troica - entre outras, as medidas seguintes que permitam o pagamento da dívida:

- uma taxa de 12% nos lucros das empresas acima de 500 mil euros.

- Aumento da taxa de IRC de 26% para 29% que afetará cerca de 15 mil empresas com lucros de 100 mil euros e deverá render 410 milhões de euros em 2016.

- Sobretaxa no IRS, para rendimentos anuais, em euros, superiores a

12 mil - 0,7% ; 20 mil - 1,4% ; 30 mil - 2 % ; 50 mil - 4 % ; 100 mil - 6 %

- Redução da despesa com defesa.

- Aumento do imposto especial sobre produtos de luxo, como iates privados, de 10% para 13%.

- Aumento de impostos sobre o jogo.
[ Link para JNegócios ] http://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/como_a_grecia_propoe_obter_8_mil_milhoes_com_aumentos_de_impostos_e_cortes.html


De Homem, Político, Grego: Varoufakis. a 30 de Junho de 2015 às 17:12
http://puxapalavra.blogspot.pt/ 26/6/2015

Voroufakis entrevistado. O homem, o político, a Grécia

JANICE TURNER, ENTREVISTA VAROUFAKIS para “The Times Magazine”/ The Interview People Varoufalis O expresso reprodu-la em 2015-06-17 [aqui] e para que continue online coloquei-a no Puxapalavra in Extenso

A entrevista visa dar a conhecer o homem, o político e a política do governo grego do Siryza. Devido à extensão não está aqui totalmente reproduzida.

Grande entrevista: as confissões, motivações e explicações de Varoufakis
....

Dois dias depois de nos encontrarmos, a Grécia devia fazer o seu primeiro pagamento de junho ao Fundo Monetário Internacional (FMI), no valor de 310 milhões de euros, iniciando uma série de reembolsos que totalizarão 13 mil milhões de euros até ao fim do mês.
A Grécia já andou à cata de trocos no forro do sofá da nação. Hospitais, universidades e autarquias locais entregaram as suas reservas ao Governo; o Estado protela os pagamentos aos fornecedores, para ter dinheiro vivo.
Depois de cinco anos de austeridade, a economia grega encolheu 25% e mantém-se em recessão; um quarto da população (e 60% dos jovens) está no desemprego.

Do que a Grécia precisa, do que espera neste carrossel pede-a-Pedro-para-pagar-a-Paulo da finança mundial, é de mais um empréstimo, de 7,2 mil milhões de euros, de resgate da chamada “troika” de instituições financeiras: FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia.
Mas o dinheiro está a ser retido até a Grécia concordar em cumprir as exigências da troika:
mais privatizações, mais cortes nas pensões e mais mudanças nas leis laborais que facilitem os despedimentos.
Por outras palavras, mais austeridade, precisamente o que o Governo radical do Syriza foi mandatado para combater após a sua retumbante vitória eleitoral.
....
Conversa abertamente, interrompendo-se de dez em dez minutos para atender o telefone. A última chamada – “Olá, Larry!” – para falar com Larry Summers, o professor de Harvard e secretário do Tesouro de Clinton, é feita na casa de banho privada. Varoufakis, 54 anos, não parece esmagado por ter às costas o destino da nação. ...

... Vai escrever um livro? “Claro que vou! Ha, ha!”

Varoufakis descreveu-se a si mesmo como um “economista acidental” e diz agora que é um “político relutante”

E ele é, claro, o menos enfadado dos políticos. Quando lhe pergunto se, enquanto jovem assistente na Universidade de Essex – onde a sua máxima
“Subvertam o paradigma dominante”
foi estampada em t-shirts pelos estudantes – poderia imaginar-se ministro das Finanças, Varoufakis ri-se. “Nem há um ano poderia imaginar!”
Na verdade, estava a trabalhar no Texas quando o Syriza o pôs nas listas. Não era membro do partido e continua a não o ser, ainda que nas eleições de janeiro tenha recolhido a maior votação de todos os candidatos apoiados pelo Syriza.

Varoufakis, apesar dos muitos livros que escreveu, descreveu-se a si mesmo como um “economista acidental” e diz agora que é um “político relutante”. ... “Da mesma forma, acredito em políticos relutantes.
Uma pessoa que se entusiasme com o poder político devia ser impedida de o ter.”

Na primeira reunião do Governo do Syriza, conta, o novo primeiro-ministro disse:
“Rapazes, lembrem-se: não queremos saber dos nossos gabinetes”.
Varoufakis olha à sua volta, com as suas pinturas modernas, as plantas yucca, as estantes de livros de economia e uma ausência total de objetos pessoais, e depois ergue os braços do sofá magenta.
“Não estou ligado a este gabinete, a este sofá. Quero dizer, se ficar sem eles amanhã, estou-me nas tintas.
Isso, acho, é fundamental. Se começamos a sentir que perdemos a nossa posição ministerial – as sondagens estão a resvalar, meu deus, o Wall Street Journal não está a dizer grande coisa sobre mim, se calhar estou de saída –,
se começamos a ralar-nos com isso, então muito depressa perdemos a força.”
...
Varoufakis está refrescantemente livre do estilo treinado para os media de fugir às questões.
Abre um livro de candura e eloquência. Quando lhe digo que ainda não aprendeu as maneiras dos políticos, diz com dramatismo:
“Quando as aprender, demito-me.
Por outras palavras, quando começar a mentir e a não chamar espada a uma espada, deixei de ser útil.
Não acho que o mundo, e a Grécia ...


De Varoufakis: Min. das Finanças da Grécia a 30 de Junho de 2015 às 17:21
...
.Não acho que o mundo, e a Grécia de certeza, precise de mais um político que distorça a realidade. Eu não falei de mais, só falei verdade”.

Na sua eleição, causou furor ao declarar “sou o ministro das Finanças de um Estado na bancarrota”. Mas isto, afirma, é um simples facto.
A Grécia não sofre de falta de liquidez - é insolvente. E não há empréstimo que a cure.
“É como um amigo seu que não pode pagar a hipoteca da casa obtendo um novo cartão de crédito e dizendo que o problema está resolvido.”

Diz que recebe ameaças de morte desde a crise de 2010, quando se manifestou exaltado
contra os resgates, contra os cleptocratas que esgotaram os fundos e contra a injustiça
que é o grego comum sofrer pelo desgoverno dos banqueiros.

O que é preciso, reclama Varoufakis, não é só investimento na Grécia, mas generosidade de espírito.
Fala do famoso “discurso da esperança” feito pelo secretário de Estado norte-americano James Byrnes à Alemanha em 1946, como prelúdio do Plano Marshall.
Foi a declaração da América de que desejava a paz com o seu inimigo derrotado; de que a Alemanha tinha o direito de voltar a ser próspera à custa de trabalho esforçado.
O discurso de esperança da Grécia, declara, deve ser feito por Angela Merkel.

Quando negoceia, mantém presente vários gregos que lhe exemplificam os males do país:
pensa num casal de empresários que conheceu e que tenta erguer das cinzas uma start-up arrasada pelo sistema fiscal;
lembra-se de um homem de quarenta e muitos anos que veio servir de tradutor quando Varoufakis deu uma entrevista a um jornal espanhol - antigo professor de línguas com família, vive agora na rua.
“Disse-me: 'apoio-o, mas não pode fazer nada por mim. Estou feito. Acabado.
Faça qualquer coisa é pelos que estão à beira do precipício e ainda não caíram'.”

Depois, numa noite em que foi beber um copo com a mulher, a artista Danae Stratou, ao bairro rico de Kolonaki, em Atenas, viu “uma idosa muito bonita, dos seus oitenta, muito limpa e bem arranjada, sentada num banco de jardim”.
Veio a saber que era uma burguesa que vivia num dos apartamentos da zona e que se tinha tornado numa sem-abrigo. “Passa ali a noite e quem a conhece toma conta dela.”

E depois há os seus antigos alunos da Universidade de Atenas. Antes da crise, faziam fila à porta do seu gabinete para pedir recomendações para os mestrados.
Depois de 2010 pediam-lhe referências para irem trabalhar para o estrangeiro.
Ele próprio se juntou à fuga de cérebros, em 2012, saindo para os Estados Unidos desencantado com o desfazer do seu departamento e com o corte no salário,
que significava que não podia apoiar a filha, Xenia, que desde 2005 vive com a sua ex-mulher, a académica Margarite Poulos, em Sydney.

Embora seja um político recente, Varoufakis foi criado num ambiente muito politizado.
O seu pai, Giorgos, que subiu a pulso até se tornar presidente da maior siderurgia grega, lutou do lado dos comunistas na guerra civil; a sua mãe, bioquímica, era militante feminista.
O pai foi preso uns tempos pela junta militar que deteve o poder na Grécia no final dos anos 60, princípio da década de 70 do século passado; o tio esteve preso vários anos.
“Lembro-me de a porta ser arrombada ao pontapé pela polícia secreta”, recorda Varoufakis.
À noite, a família juntava-se em segredo a ouvir a BBC, cuja emissão estava proibida.

Saiu para estudar em Inglaterra com 17 anos - ficando por lá até aos 27 - e foi-lhe difícil transmitir aos amigos britânicos o horror de viver em ditadura.
....
Deve conhecer a visão popular no norte da Europa de que, por muito lamentável que seja a provação do povo grego, a sua miséria é autoinfligida.
A evasão fiscal na Grécia é endémica, a política suja, a idade de reforma baixa, o sector público hiperdimensionado — e isto endurece os corações.
“São grandes mentiras baseadas numa miríade de pequenas verdades”, diz Varoufakis.

“A imunidade fiscal para os poderosos, a corrupção, uma oligarquia que gere tudo mal…
Sim, montes de coisas mal feitas. Isso é assim desde 1827, quando o Estado grego moderno foi criado.”
Mas, argumenta, o Estado grego vive dentro das suas possibilidades no que toca a salários e pensões - só está paralisado pelas dívidas.
E os atuais problemas da Grécia vêm da própria entrada do país...


De V., a Grécia, o Euro e os Troikos. a 30 de Junho de 2015 às 17:28
...
...E os atuais problemas da Grécia vêm da própria entrada do país na Zona Euro:
“A crise que tivemos nos últimos sete anos não teria simplesmente existido.
Em 2008, teríamos tido uma pequena correção, mais ou menos como a Bulgária.
E nos últimos três ou quatro anos temos crescido muito rapidamente.”
...
Os ricos não vão fugir? “É deixá-los ir”, diz Varoufakis com um gesto vago.
“Eles já foram, de qualquer forma - o seu dinheiro está em Londres ou nas Ilhas Caimão.
Por isso, acho que nos desenvencilhamos sem eles.
O que precisamos de fazer é travar este regime que perpetua e reproduz as coisas más.”

“Destruição. Completa destruição”. (...) “Não sobraria nada; voltava tudo à Idade da Pedra.
Por isso não estou preparado para realizar essa experiência de nos libertarmos do euro. Acho que temos de consertar o euro”, refere Varoufakis

Mas e quanto àqueles que dizem que a Grécia mascarou as dívidas para atingir os critérios de entrada no euro?
“Acredita mesmo que os europeus são tão facilmente enganados?”, exclama.
“Que lhes mentimos e nos safámos? Dizer que os governos gregos da época conseguiram mentir para entrar é simplesmente desonesto.”
“Claro” que a Grécia “não devia ter entrado no euro”, mas uma vez que a sua situação é integralmente causada por essa entrada, cabe à Europa resolver a crise resultante.

Não sente, após meses de negociações, que a Alemanha e a Grécia são simplesmente irreconciliáveis?
“Sou um otimista”, diz. O que mais o desapontou nas conversações, depois de anos de universidade, é a falta de rigor e superficialidade dos debates.
Dez minutos para cada, “burocratas não eleitos falam na perspetiva das suas instituições e depois passamos horas a discutir o comunicado final”.

Wolfgang Schäuble tem sido o mais firme opositor da Grécia, insistindo em medidas de austeridade, mas Varoufakis diz que o prefere a outros negociadores com duas faces.
“Gosto das nossas reuniões, porque ele também chama espada a uma espada.
Por isso, quando falamos, é tudo muito civilizado, cheio de respeito mútuo – discordamos, mas sei que posso acreditar no que ele me diz.”

No turbilhão de especulações sobre as intenções do Syriza, há uma teoria de que Varoufakis, que escreveu livros sobre a teoria dos jogos, está secretamente a trabalhar num plano B - a saída da Grécia do euro.
Mas ele rejeita isto com veemência:
“Não tenho mandato para empobrecer mais um milhão ou dois de gregos, para fazer uma experiência social,
pôr quatro milhões de pessoas a viver abaixo da linha de pobreza, só para ver em quanto tempo recuperamos mais tarde”.
...
O Syriza estabeleceu muitas “linhas vermelhas” nas negociações.
Mas quais são as suas próprias? “Eu só não quero dar muita importância ao facto de ser político e ainda menos de ser ministro.
Não vou negociar a minha integridade para manter este cargo.”
Demitir-se-ia, declara, se não fosse capaz de libertar a Grécia do seu eterno ciclo empréstimo-pagamento-austeridade.

Mas avisa com ar soturno:
se a Grécia for à bancarrota e deixar o euro, se o país mergulhar no passado, o governo do Syriza não será substituído pelos velhos partidos centristas que falharam, mas pela Aurora Dourada, o partido neonazi grego.
“Este é um país que lutou com unhas e dentes contra os nazis.
Os três países europeus que tiveram uma maior percentagem de baixas no combate aos nazis foram a Rússia, a Jugoslávia e a Grécia.
Um movimento nazi indígena na Grécia é uma afronta à nossa História.”
Mas a combinação da implosão económica e da humilhação nacional
– “como vocês, europeus, dizem, os gregos são um caso perdido de aldrabões do fisco e preguiçosos, não é?” – pode levá-la ao poder.

E para onde iria Varoufakis?
“De volta para a universidade”, diz, encolhendo os ombros.
Sente falta de ter tempo para ler e de correr na rua sem ser detido por cidadãos que querem contar-lhe as suas histórias pessoais. (Diz-me que está morto por ir ao ginásio: “Limpa-me a cabeça como mais nada”)
Com a sua bela Danae, ainda come em esplanadas de Atenas sem seguranças, mesmo depois do incidente de abril em que foi cercado e ameaçado por anarquistas.
Embora nos dias que correm tenha muito pouco tempo para gozar o seu pequeno barco e outros prazeres da vida. Depois de uma sessão fotográfica para a “Paris M..


De V.: subverter o paradigma dominante. a 30 de Junho de 2015 às 17:31

Varoufakis entrevistado. O homem, o político, a Grécia
...
...
...Depois de uma sessão fotográfica para a “Paris Match” de que hoje se arrepende, foi criticado por ousar comer peixe no seu terraço durante a crise.
“Não sou católico - não acredito no purgatório e na autoflagelação. As pessoas dizem-me,
'Foste apanhado a beber vinho'. E daí?”

Entretanto, o telefone toca.
Em Bruxelas e Berlim e Washington, banqueiros e burocratas dão voltas à cabeça para saberem como lidar com este político relutante que
continua a subverter o paradigma dominante, porque ele e o seu país sentem que têm tudo a perder.

Etiquetas: Grécia, Siryza, Vorufakis
# posted by Raimundo Pedro Narciso


De Mudar os Tratados da UE e Euro. a 2 de Julho de 2015 às 16:35

Esta não é a Europa dos nossos pais

(por Diogo Moreira, 29/6/2015,
http://365forte.blogs.sapo.pt/ )

Neste momento não existem boas soluções para a Grécia,.
Se elas alguma vez existiram, em algo mais do que a cabeça de pessoas bem intencionadas, os dias que temos vindo a assistir na Europa encarregaram-se de acabar com esses sonhos utópicos.

Aqueles que governam a Europa já não se preocupam com os europeus.
Preocupam-se antes com os seus eleitores, com os seus votos, com a sua carreira política.
O ideal de solidariedade europeia, a argamassa de um projecto comum de paz, livre comércio, e intercâmbio político, económico e social, já não impera nas decisões de Bruxelas.

Porventura, este estado de coisas era inevitável.
A União Europeia sempre foi uma falsa união.
Incapaz de dar o salto para uma verdadeira união política, ficou-se pelo fac-símile de uma união económica e monetária, que na realidade nunca dispôs de instrumentos apropriados para tal.

A hubris de quem, sociais-democratas, socialistas, conservadores e liberais, achava que as futuras crises europeias iam aprofundar os mecanismos de integração, visto que as alternativas seriam impensáveis, é hoje trágica.

O poder na Europa, da Esquerda à Direita, está hoje nas mãos de quem realmente pouco difere no seu objectivo fundamental:
a obediência cega aos mercados, ou diremos nós aos seus mestres (da alta finança, transnacional, dos 'offshores', do neoliberalismo).

À luz desse objectivo, qualquer desvio da ortodoxia neoliberal é impensável.
Mesmo que seja uma necessidada absoluta da economia, ou de simples decência humana.

É um facto comprovado, e reiterado, que a Grécia é incapaz de ultrapassar a sua profunda crise económica e social sem uma reestruturação da sua dívida, e sobretudo sem um alívio dos pagamentos dos juros da dita.
As actuais, e futuras, medidas de austeridade apenas agravam a situação negativa vigente.
No actual contexto da austeridade idiótica e punitiva de Bruxelas, e do FMI, não existe qualquer possibilidade para haver crescimento económico grego.
E sem crescimento económico, não poderá repagar os empréstimos que já recebeu, ou que ainda poderia receber.

Os gregos estão assim entre a espada e a parede.
Ou se submetem ao ultimato de Bruxelas, em que o único resultado seria mais desgraça e miséria, sem efeitos práticos,
ou rompem com os credores e o Euro, procurando uma via alternativa através da desvalorização de uma nova moeda própria, entrando numa nova situação de contornos imprevisíveis.

É esta a escolha que têm em mãos.

Por culpa da Europa. Por culpa de todos nós.


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