De Devíamos ser todos GREGOS. a 29 de Junho de 2015 às 15:36
O indizível susto da democracia (2)
(por Sofia Loureiro dos Santos, 27.06.15

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De novo, a Grécia quer que a escolha do povo decida o seu destino. De novo há um Primeiro-ministro grego que, perante a impossibilidade de cumprir o mandato para o qual se comprometeu, quer perguntar aos cidadãos se aceitam ou recusam a proposta que a Europa lhes está a impor.

Não tenhamos dúvidas - esta não é uma Europa democrática. Esta é uma Europa que pretende manter a todo o custo a direita conservadora no poder, fazendo letra morta de conceitos tão nobres como solidariedade, liberdade e democracia, ideias fundadoras da União Europeia (vale a pena ler Pacheco Pereira no Público).

A nobreza não paga dívidas e a democracia deixou de ser um valor para passar a radicalismo extremista. Foi assim classificada a escolha eleitoral do Syriza, são assim rotulados os Ministros gregos, é por isso que a direita impõe as escolhas políticas internas para uma suposta ajuda internacional.

Pela postura de Passos Coelho e de Cavaco Silva, Portugal coloca-se do lado antidemocrático. Admiro Tsipras e Varoufakis e o seu radicalismo que se revela no respeito pela dignidade do seu País, pela convicção de que é a vontade do povo que prevalece e que o governo pertence a cada um dos países soberanos que fazem parte desta caricatura em que se transformou a Europa.

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(...) Mesmo moderando a linguagem, e como aconteceu há 75 anos no caso do colaboracionismo com a Alemanha, fica-nos a sensação que entre os parlamentares socialistas europeus, anda tudo a apanhar bonés na atitude comum a adoptar por eles em relação à crise grega. Ainda muito recentemente, Martin Schultz, o presidente do parlamento europeu e também a cara mais conhecida desse socialismo europeu deixou-se apanhar numa troca de galhardetes com um eurodeputado grego do Syriza com ar de avozinho (acima), de onde só pôde sair mal na fotografia. Mas, para quem pense que a outra esquerda, a comunista (dialéctica), mostrar-se-á mais lúcida na estratégia e nos princípios políticos em discussão, pode desiludir-se acompanhando o comportamento do Partido Comunista Grego (KKE) que num dia convoca uma manifestação contra a austeridade para a frente do Parlamento grego para, no dia seguinte, e lá dentro, votar contra a proposta de realização de um referendo a esse respeito. Isto deixa o caminho aberto para quem, opondo-se ao projecto dito europeu por muito que não gostemos de os ouvir, tem discursos (aparentemente) consistentes a esse respeito – caso da Frente Nacional francesa de Marine Le Pen. O que, por sua vez, torna, finalmente, ainda mais patética a conduta dos descendentes dos parlamentares da esquerda de 10 de Julho de 1940, personalizados na figura de um Manuel Valls que apela ao governo grego para regressar às negociações (abaixo). Numa confrontação em que não sabe muito bem o que há-de fazer, Valls não recolhe autoridade para apelar seja ao que for e faz uma triste figura de si a apanhar bonés por ser socialista mas também a apanhar ainda mais bonés por ser francês.

A.Teixeira


De Democracia não ceder a Eurozona NeoLiber a 29 de Junho de 2015 às 16:38

A hecatombe da política

(28 Junho 2015 às 21:02 por Valupi ,Aspirina B, http://aspirinab.com/valupi/a-hecatombe-da-politica/)

Teresa de Sousa é uma das mais reputadas, e condecoradas, especialistas em matérias europeias que temos no jornalismo português. Junta a esse estatuto a imagem de ser uma europeísta convicta e uma voz exemplarmente ponderada. O seu perfil confunde-se com o de um representante da União Europeia, pode-se dizer para efeitos de caricatura.

Ontem publicou um texto
– Foi isto que Atenas sempre quis? A pergunta passou a ser legítima –
onde acusa Tsipras de ter levado a cabo uma manobra maquiavélica ao serviço de um projecto de radicalismo político insano. Daí a marcação do referendo, a prova provada de que o Governo grego estava a boicotar as negociações desde o início. O registo é psicologista, a matriz é a de associar o Syriza a um comportamento irracional.

Numa curta passagem, a autora refere-se ao erros cometidos pela Europa é às consequências devastadoras das medidas aplicada na Grécia, levando a uma “hecatombe apenas própria de tempos de guerra, ao contrair mais de 25% em quatro anos“.
Este momento de lucidez foi de imediato perdido, surpreendentemente, terminando o artigo com o SOFISMA de que a democracia deve ceder ao Tratado de Roma (e ao de Lisboa).
Aderir à Comunidade Europeia, assinar o Tratado de Maastricht e entrar na zona euro, concretiza o argumento, implica uma soberania partilhada e suas regras.
A soberania e democracia de cada país são balelas para ingénuos ou demagogos, remata imperial.

Há uma racionalidade institucional, e mesmo política e pragmática, na sua posição. Indiscutível.
As regras só existem quando são respeitadas, e a alternativa é a lei da selva e o caos.
Mas também, e isto é que fica como surpreendente no caso de Teresa de Sousa, há uma antiquíssima lei de ouro que obriga os corajosos a defenderem os seus se eles forem atacados.
Há um DIREITO à LEGÍTIMA DEFESA que se sobrepõe a outras convenções.
Quando se admite que a Grécia está a sofrer um empobrecimento só comparável ao que ocorre numa GUERRA, e se sabe que nenhum dos credores apresentou qualquer solução que permita sequer uma friável esperança de recuperação,
isso é o mesmo que reconhecer a bondade daqueles que estão dispostos a quebrar algumas regras para que se cumpra a REGRA principal de todas as COMUNIDADES:
ajudarmo-nos uns aos outros, e tão mais quão maiores forem os problemas e os riscos.

Teresa de Sousa não concebe que a PARTILHA da soberania sirva precisamente para acudir ainda melhor à excepcionalidade que escapa às regras.
Isto é a negação mesma da essência da política como arte da boa governação.
Se largas décadas de assimilação dos princípios fulcrais da União Europeia, e de convívio com os seus agentes, provocam esta ALIENAÇÃO,
então quão mais cedo deixarmos de estar em tão má companhia melhor.


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