16 comentários:
De Europa da direita e soc-dem. à trela. a 29 de Junho de 2015 às 15:47

A Europa que nos envergonha

(José Pacheco Pereira, in Público, 27/06/2015)
...
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...Esses governos recebem todas as complacências (como Portugal a quem se fechou os olhos nos falhanços na aplicação do memorando) e todos os apoios.

A “Europa” é hoje a principal aliada eleitoral e de governo de partidos como o PSD em Portugal e o PP em Espanha,
interferindo qualitativamente nas eleições nacionais e transformando o reforço do poder comunitário num instrumento de poder “europeu”.
Hoje qualquer passo que reforce a “Europa” reforça o PPE e o “não há alternativa”.
Esta não é a Europa dos fundadores, é a Europa dos partidos mais conservadores, com os socialistas à arreata.
Não terá um bom fim e, nessa altura, muita gente lembrará a Grécia.


De Objectiva/ Gregos ou Escravos iludidos a 29 de Junho de 2015 às 17:09

Objetivamente, a Grécia

(27 Junho 2015 às 14:37 por Penélope ,Aspirina B)

No clímax de tensão a que chegaram as negociações, Tsipras tomou a única decisão possível – convocou um REFERENDO à proposta dos credores.
-- Se, neste referendo, o NÃO vencer, o país sairá provavelmente do euro (sairá?)
e Tsipras manterá a liderança, agora reforçada, tendo, sem dúvida, muito que fazer para merecer uma menção de destaque na História.
-- Se o SIM à proposta vencer, Tsipras, que anunciou ir fazer campanha pelo Não, terá de se demitir, pois não terá condições para executar as medidas que rejeitou.
Neste caso, haverá novas eleições e a direita ganhará, voltando-se ao «business as usual» dos últimos cinco anos, isto é, a SANGRIA, desta feita expressamente consentida.
Resolve-se alguma coisa na Grécia?
Não, apenas se vai pagando aos credores.
Com os seus empréstimos. Isto é um negócio.

Mas os gregos devem saber em que estado se encontram.
Possivelmente será, para a sua maioria, tão mau continuar com a austeridade imposta
como mandar os credores «dar uma volta ao bilhar grande» e divertirem-se com (enquanto negam) o que ganharam durante anos
com os empréstimos à Grécia e com as grandes obras, e seja o que Zeus quiser.
Possivelmente Zeus e Tsipras serão, em 5 de julho, a mesma pessoa.

Foi preciso a Grécia chegar até aqui, ou seja, a uma situação tal que o único crédito a dar pelos eleitores aos políticos foi a eleição de um partido radical de esquerda,
para pôr finalmente às claras o espírito europeu nesta crise – na Europa, em especial na zona euro pós-2010, com mais ou menos salamaleques, existem os credores e existem os devedores.
Para além disso, mais nada.

Se a receita aplicada pelos credores (e a Grécia aplicou-a, ao contrário do que diz a direita desde fevereiro) provoca pobreza, DESTRÓI a economia, afunda o PIB, mata a democracia, torna os países ESCRAVOS de uma dívida crescente e impagável e,
a prazo, transforma a união europeia numa FARSA, se é que não dita o seu óbito, que importa?
É assim.
O povo deve pagar os desmandos da BANCA e as decisões preconceituosas de quem manda.

Entretranto, não há ferramentas soberanas.
Com a moeda única, todos os países se submeteram a Berlim.
Como conviver bem nesta União?

A hipótese mais óbvia é aliar-se a Angela Merkel, OBEDECER cegamente às suas ordens,
aceitar que as mesmas defendem em primeiro lugar os INTERESSES dos alemães que a elegeram,
FINGIR que tudo vai bem por cá e
esperar a PROTEÇÃO eterna das instituições, controladas pela Alemanha, incluindo em caso de nova crise.
É o que faz Portugal, com o DESgoverno de Passos e Portas.
Com a agravante de os executantes terem verdadeiro prazer no CHICOTE.
Objetivamente, estamos condenados a MENDIGAR as boas graças do patrão.

Objetivamente também, esta forma de a «Europa» lidar com os efeitos de uma grave crise financeira internacional foi uma estreia, atendendo à existência da união monetária.
O clube não estava preparado para o que sucedeu.
Não havendo mecanismos de combate e de estabilização,
e havendo grandes discrepâncias entre os países,
o país mais rico foi quem ditou as regras.
E, evidentemente, nesse processo defendeu os seus interesses.

Pode objetivamente dizer-se que correu bem? Sim, até agora, para o comandante.
Para a soldadesca, não, não pode objetivamente dizer-se que correu bem.
Para os lambe-botas há a ilusão de que sim.

Para onde se caminha não se sabe ou não interessa.
Mas o facto de haver alguém que questiona e desafia só pode merecer aplauso.
Quando já não há nada a perder.

--------- Penélope
É mais correto falar em emprestar do que em pagar. Tudo é para ser reembolsado e com juros. As exigências de quem empresta têm sido tão razoáveis que os gregos continuam sem dinheiro para honrar as dívidas e sem economia. Nada melhorou na situação grega, apesar das medidas de austeridade. Há quem pense que por causa delas. Sair do euro? Possivelmente é melhor. O problema, para a Europa, é se a mudança traz bons resultados para os gregos. Evidentemente que irão tudo fazer para que não.
---- ...


De os Gregos e os Colaboracionistas Troikas a 29 de Junho de 2015 às 17:29
Foi fácil sermos todos Charlie...

(Crónica de Diana Andringa, 23/6/2015, na Antena 1: http://entreasbrumasdamemoria.blogspot.pt/ )

Foi há mais de 20 anos. Visitando, em trabalho, o Yad Vashem, detive-me frente a fotografias da Revolta do ghetto de Varsóvia. Curioso, o historiador israelita que nos acompanhava perguntou:
“Interessa-se especialmente pelo ghetto de Varsóvia?” “É-me mais compreensível”, respondi,
“nunca percebi como é que, confrontados com uma política de extermínio, não pegaram mais vezes em armas contra os nazis?”
“É o debate entre Massada e Yavné”, respondeu ele, e falou-me do suicídio em massa dos habitantes de Massada, recusando a captura pelo invasor, e do rabi Ben Zakkai, que, contemporizando, conseguiu criar uma escola da Torah em Yavné. “Se não fosse Yavné, quem recordaria hoje a história de Massada?”, perguntou, no final.
Respondi com outra pergunta: “E se não fosse Massada, que história teria Yavné para contar?”

Recordei naturalmente esta conversa ao ver, há dias, O último dos injustos, de Claude Lanzman, mas ocorre-me também muitas vezes ao ouvir os noticiários sobre as negociações entre Atenas e Bruxelas. Não por pensar que o governo do Syriza aposte no suicídio – antes pelo contrário! – mas por me parecer que a maioria dos comentadores e até dos noticiaristas gostaria que, em Atenas, pensassem mais em Yavné.
Ou, se preferirem, que fossem mais “pragmáticos” e cedessem depressa e sem ruído, que isso de irredutíveis gauleses só fica bem em banda desenhada - mesmo assim, talvez demasiado subversiva para bons alunos.
Ao Mourinho ainda se admite que diga que a escola deve ajudar a analisar, a pensar e a discordar, porque está a falar de futebol.
Mas aos gregos? Discordar? Que é isso de discordar?
Como é que Tsipras e Varoufakis se atrevem a discordar dos conselhos da troika, só porque estes já reduziram à miséria milhares e milhares de pessoas na Grécia?
Mas não foram sobretudo os pobres, esses exigentes que querem ter emprego e ser pagos por trabalharem?
Os reformados, que se atrevem a ter reformas superiores às portuguesas?
Os jovens, forçados à emigração? E então?
Não aconteceu o mesmo em Portugal, não empobrecemos também, não ficámos desempregados, não emigrámos, e não mostram as sondagens que há ainda muitos portugueses a preferir a política do bom aluno de quem, a pretexto de os ajudar, os explora?

Foi fácil sermos todos Charlie, sobretudo a quem não fazia cartoons, mas parece ser bem mais difícil sermos todos gregos – quando
eles travam, sozinhos, uma luta que também devia ser nossa.
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Nem vencedor, nem vencidos?

«Ninguém tem interesse que a Grécia saia do euro, apesar do discurso pindérico de musculação de ginásio de Passos Coelho sobre os seus "cofres cheios".
Se a Grécia caísse, Portugal seria o elo mais fraco. O acordo que se firmará não acaba com os problemas do euro. (...)

Se a troika cedesse, a polarização política sacudiria o Sul e o Norte da Europa (mais à esquerda ou mais à direita, consoante os casos).
É por isso que se busca a paz podre.
Aquela em que, na fotografia, não há vencedores nem vencidos.
Mas, como nuvem ameaçadora, fica a hipótese do fim da moeda única e a destruição do que resta do conceito de solidariedade europeia, de paz e prosperidade,
que sempre foi apontada como bandeira de uma Europa unida.

Todos sabem que a Grécia nunca conseguirá pagar a dívida.
E que este euro não é um fato que sirva a tantas economias e culturas diferentes.
Todos fingirão não ter perdido.
Mas os espinhos deste jogo de tronos ficarão aí, disfarçados no meio das rosas dos discursos oficiais.»

Fernando Sobral


De Bomba da UE neoliberal. a 29 de Junho de 2015 às 17:52
----«Não subestimem o que pode fazer um povo quando se sente humilhado»

«A tensão subiu na cimeira do Conselho Europeu, quando o seu presidente, Donald Tusk, voltou a dizer que “o jogo acabou”, a propósito das negociações com a Grécia.
Alexis Tsipras respondeu dizendo que
“a Grécia tem 1.5 milhões de desempregados, 3 milhões de pobres e milhares de famílias sem rendimentos que vivem da ajuda dos avós.
Isto não é um jogo.”

“Nem você, sr. Tusk, nem ninguém deve subestimar o que um povo pode fazer quando se sente humilhado”,
prosseguiu Tsipras, explicando que a Grécia apresentou propostas com medidas difíceis para um país em crise.»
- http://www.infogrecia.net/2015/06/tsipras-nao-subestimem-o-que-pode-fazer-um-povo-quando-se-sente-humilhado/

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A Grécia de joelhos e o mundo de pantanas (M.S.Tavares, 27/6/2015, Expresso)
... ... ...
ou a Grécia é abandonada à sua sorte ou a dívida é largamente perdoada,
ficando a cargo dos contribuintes europeus a factura a pagar por terem safo a banca alemã, francesa e também portuguesa dos empréstimos concedidos alegremente aos gregos. Para submarinos, aeroportos, Jogos Olímpicos e outros luxos que tais.

O grande erro do Syriza foi pensar que iria encontrar apoio entre semelhantes.
-Renzi hesitou mas nunca se conseguiu definir;
-Rajoy vendeu qualquer veleidade de independência por um acordo feito debaixo da mesa que lhe permitiu receber toneladas de dinheiro sem a humilhação de ser oficialmente resgatado;
- Hollande foi o que se esperava e que ele próprio tinha anunciado: um “monsieur tout le monde” sem sombra de substância ou de relevância;
-e, de Portugal, a Grécia recebeu a mais feroz e invejosa oposição do Governo e do Presidente, acima de tudo desejosos de que não se fizesse prova de que a Europa poderia aceitar uma alternativa às políticas impostas pela troika — de que um foi entusiástico mandatário e o outro fiel avalista.
E assim a Grécia sucumbiu ao pior da Europa:
os holandeses, os finlandeses, os polacos, os neofascistas da Hungria e os alemães da estirpe do sr. Schäuble. E a libelinha emproada da Lagarde.

Mas mais depressa a Grécia acabará com a Europa do que a Europa acabará com a Grécia.
A Grécia não é Portugal, como gosta de dizer o Governo, mas os gregos também não são os portugueses:
em 150 anos, travaram cinco guerras e venceram-nas todas; correram com os turcos, resistiram aos nazis, e derrotaram, com a ajuda de Churchill, a tentativa de os transformarem em mais um satélite da URSS de Estaline.
Um simples olhar ao mapa e à História poderia ter ensinado aos merceeiros europeus a importância geoestratégica decisiva que tanto a Grécia como a Turquia têm para a Europa e para o Ocidente.
Mas a Europa preferiu bater com a porta na cara dos turcos e ameaçar os gregos com a expulsão se eles não se renderem e ajoelharem perante os visionários que agora mandam na UE.
Ironicamente, à 25ª hora, só Angela Merkel percebeu o que está realmente em jogo.»

-----Presos no monstro. (Carvalho da Silva)

«A União Europeia (UE),
devidamente assessorada por essa máquina trituradora da independência de países e da dignidade dos povos que é o FMI,
está transformada num monstro capaz de danos irreparáveis.
A UE está a aprisionar grande parte dos povos que a constituem,
tortura os mais débeis e começa até a assustar não só o comum dos cidadãos, mas também as elites empenhadas na busca de soluções que evitem o desastre.»

----Quem tem medo do euro mau?

«A questão, como tenho insistido, é mesmo a de saber de que é que têm medo e de que é que temos medo?
Se há coisa que a Grécia revela espectacularmente, qualquer que seja o desenlace das chamadas negociações, é a verdadeira natureza da UE, em geral, e da Zona Euro, em particular, e o que estão condenados a fazer todos os que aceitam os seus termos:
respectivamente, o mais poderoso mecanismo imperialista de conformação com o neoliberalismo e a austeridade permanente, dos superávites orçamentais aos cortes,
com atrofiamento das forças produtivas, em especial das nações periféricas, e retrocesso nas relações sociais que aí estruturam a provisão de bens e de serviços.
O europeísmo, ou seja, a crença de que a escala da UE é o espaço privilegiado de acção política destrói as esquerdas europeias.»
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