Negócios subjugam democracia e aprisionam liberdade

Nicolau Santos, no «Economia» do Expresso, 11/10/2014. 

 

Negócios da China

Honk Kong  Numa altura em que ocidente democrático se insurge contra barbaridades variadas perpetradas por russos e árabes (só alguns claro, a Arábia Saudita, por exemplo, continua a ser uma excepção e um exemplo de respeito pelos direitos humanos), Portugal continua de portas escancaradas para o investimento dessa nação plural que é a República Popular da China. E se dúvidas restassem quanto ao grau de abertura e respeito pelos valores ocidentais que supostamente defendemos, a (censura da) vice-ministra chinesa Xu Lin esclareceu-as por completo na sua recente visita a Portugal para integrar um painel da uma conferência organizada pela Associação Europeia de Estudos Chineses na Universidade do Minho. Foi um belo momento de convivência democrática.

    Por cá os nossos amigos chineses continuam a rivalizar com a elite de Luanda no que toca a aproveitar os saldos em que o actual governo nos colocou nos 3 últimos anos. Entre EDP, REN e outras participações aqui e acolá, num investimento total que, segundo o jornal Expresso, atingiu os 5 mil milhões de euros no espaço de 3 anos, da saúde aos seguros, passando pelo sector imobiliário e energético, o gigante asiático prepara-se para aumentar o seu raio de influência na economia portuguesa. BESI, sector portuário ou transportes marítimos estão na mira de Pequim e dificilmente se levantará qualquer tipo de obstáculo às suas intenções, que passam sobretudo pela abertura de portas em África e na própria Europa. E por cá, como bem sabemos, há muito bom manuseador de portas.

E desenganem-se aqueles que pensam que os sociais-democratas são os únicos interessados nesta parceria. Entre outros exemplos que poderiam ser enunciados, vou citar apenas o facto de Almeida Santos, histórico do PS e um dos homens fortes por trás da subida de António Costa ao topo de hierarquia socialista, ser o presidente da mesa da Assembleia Geral da Geocapital, a gestora de participações da CEP, uma das 5 empresas nacionais que já é detida a mais de 50% por capital chinês e que entrou recentemente no mercado financeiro moçambicano com a criação do Moza Banco. Será uma parceria para o futuro e, quem sabe, um dia talvez exportemos alguns boys para o sector empresarial do estado chinês que, convenhamos, é bem grande e deve dar para lá meter os jotas todos.

Simultaneamente, em Hong Kong, milhares de manifestantes não parecem tão interessados em negociar com Pequim. Já há vários dias que dezenas de milhares de rebeldes chineses se mantêm nas ruas a pedir mais democracia e liberdade. Mas, à semelhança daquilo que aconteceu em Julho, o regime começou já a encarcerar alguns. Será que o governo português se irá alinhar com estas legítimas reivindicações, à semelhança do que vem fazendo no caso da Ucrânia ou dos rebeldes sírios que lutam contra Bashar al-Assad em part-time (nas horas vagas reforçam o contingente do ISIS), ou irá fazer vista grossa a mais esta “primavera” com a mesma rapidez que baixa as calças à elite de Luanda?



Publicado por Xa2 às 07:45 de 06.10.14 | link do post | comentar |

1 comentário:
De Nas Ruas está o Nosso Futuro. a 15 de Outubro de 2014 às 17:39
Nas ruas da China também se decidirá o nosso futuro

(-por pestanandre , 5Dias, 15/10/2014,http://5dias.wordpress.com/2014/10/15/nas-ruas-da-china-tambem-se-decidira-o-nosso-futuro/ )

Dia 14 de Outubro nas ruas de Hong Kong verificou-se um dos maiores confrontos entre polícias e manifestantes (com cargas policiais e vários manifestantes detidos). As impressionantes mobilizações da juventude de Hong Kong que duram há várias semanas parecem
resistir à forte repressão policial,
à pressão/propaganda dos media (pró-governo),
à censura na internet (de fotografias/vídeos independentes dos media, etc.)
e a provocadores violentos enviados pelo governo para tentar incriminar este Movimento pró-democracia.

A tentativa do regime do partido comunista chinês em condicionar a já escassa democracia existente em Hong Kong ficou evidente quando em Agosto passado anunciaram querer pré-seleccionar os candidatos para as próximas eleições…
era como se em Portugal uma entidade não eleita condicionasse as próximas eleições permitindo apenas que se apresentassem por exemplo os seguintes 3 partidos: PSD, CDS e PS…

Uma democracia cada vez mais “faz de conta”.
Apesar da forte repressão os manifestantes parecem muito determinados e as preocupações para o partido comunista chinês não param de aumentar quando
existem demonstrações que este protesto está a alastrar para além da juventude, como por exemplo os professores.
O sindicato dos professores de Hong Kong lançou um comunicado de apoio assinado por cerca de 500 académicos onde denunciam que
“o plano da China para permitir que alguns
bilionários escolham quem vai governar Hong Kong é antidemocrático…
Ele vai consolidar um sistema feudal corrupto onde
oligarcas têm todo o poder
e os trabalhadores são espremidos entre o custo de vida proibitivos
e a ganância de uma pequena e poderosa elite”.

Esperemos que tipo de protesto alastre e que rapidamente coloque em causa os mega lucros das multinacionais norte-americanas e europeias (e...) que exploram milhões de trabalhadores chineses (com o total apoio do partido comunista chinês que oprime qualquer greve ou protesto).

Para quem possa pensar que o que se passa na China não nos deve preocupar é importante que perceba que talvez não seja bem assim.
O facto de milhões de seres humanos serem sobre-explorados com jornadas de trabalho entre 10 a 14 horas,
com salários baixíssimos,
sem direito a greve, nem sindicatos independentes do Poder
é o que em última instância permite o aparecimento de produtos por exemplo “Made in China”
ou de outro local mais ou menos distante,
a preços que
destroem a viabilidade de muitas empresas em Portugal (e em outras partes do Mundo).

Também é importante referir que como necessitam de fazer grandes deslocações para chegar cá (quando muitos desses produtos já foram ou podiam ser feitos por aqui)
representam um muito maior dano ambiental
além de pressionarem para baixo as nossas condições de trabalho
(a favor da dita “competitividade” com esses produtos).
Por isso nas ruas da China também se decidirá o nosso futuro.

Concluindo, não só por questões de direitos humanos e em defesa do ambiente
mas também pela viabilidade da nossa economia
devemos apoiar quem se levanta contra a ditadura e a sobre-exploração
em qualquer parte do nosso Mundo.

Todas as conquistas democrática e laborais desses povos influenciarão positivamente as nossas condições de vida.
Nesta como em outras lutas, está mais actual do que nunca dizer: “Proletários
“Explorados e espezinhados de todo o Mundo uni-vos!”


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