De Eleições próximas e o PS indefinido... a 6 de Outubro de 2015 às 11:11
----- Período inter-legislativas ? (-por J.André, 05.10.15)

E prontos... Os portugueses votaram, deram a vitória aos mesmos. Menor que antes (se fosse semelhante ou igual eu começaria a duvidar da sanidade da população) mas foi dada. Da forma como os resultados caíram, vamos ter novas eleições em breve. Dependendo dos calendários das presidenciais, poderão ou não ser ainda em 2016. Até lá - e mesmo que não haja eleições antecipadas - veremos o governo em modo orçamental 2015: austeridade é tããããooo 2011...

Estou com curiosidade em ver quanto tempo mais vai o governo e obediente m(edi)anada continuar a invocar o fantasma Sócrates e quanto tempo vai Sócrates fazer-lhes a vontade (por um valor de 0,001% do PIB ele até faz o jeitinho). Também valerá a pena ver o que acontece quando o quantitative easing deixar de fazer efeito ou for abandonado. Claro que até essa altura já as eleições de 2015 estão no papo. Se o que se segue é sangria e tripa-forra (vocês sabem quem são) ou populismo e benesses (idem) logo se verá.
Há muitas curiosidades no lado da oposição: irá Costa manter-se e/ou assegurará o PS o governo PSD/CDS?; manterá o BE esta votação daqui a um/dois anos?; irá o PCP... (não, deixem, aqui não há mudanças).

----- O acelerador e o travão (-R.C.Pinto, 5/10/2015)
«Por que razão os descontentes com o Governo não elegeram o PS como alternativa óbvia? Os motivos são claros e próximos: o passado recente do PS não o recomenda para governar, principalmente quando o líder atual não quis, ou não pôde, varrer para fora dos lugares de destaque a poderosa tralha socratista».

... também é a penalização do aventureirismo político, da traição pessoal, do abuso do poder, da corrupção de Estado e dos truques mediáticos. ...
PS: O balanço do resultado eleitoral não deve branquear os vencedores e os vencidos, nem tão-pouco menorizar o papel de quem mereceu o dever de fiscalizar o novo governo nos próximos quatro anos.
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De 'Voto útil' ... Para melhor, sempre a 6 de Outubro de 2015 às 11:20
--- Aulas práticas sobre voto "útil": "maiorias negativas" e essas coisas

A declaração de derrota de António Costa durou seguramente bem mais de quinze minutos. Todo este tempo para enviar 3 recados. O primeiro dirigiu-o à concorrência interna: não se demite. O segundo a Catarina Martins e a Jerónimo de Sousa, com recurso a uma expressão a repetir pelos repetidores oficiais do regime, "maioria negativa": convosco não há conversas. O terceiro foi para Pedro Passos Coelho: "sou todo vosso, arranjem lá maneira de me convencerem sem me deixarem ficar demasiado mal na fotografia". A "governabilidade" está outra vez a passar por aqui.

--- Para melhor, sempre

As eleições voltaram a mostrar-nos um país bastante diferente daquele que gostaríamos que fosse e porventura ainda mais distante daquele que imaginamos.

Naturalizámos um sistema de ensino que permitimos seja omisso na Educação para a cidadania que continua completamente ausente na Escola pública, aceitamos que as programações da televisão e da rádio pública em nada se distingam das congéneres comerciais e ouvimos falar numa juventude que emigra às centenas de milhar mas surpreendemo-nos que os jovens não votem e envergonhamo-nos com uma abstenção que permitimos seja legitimada com explicações que afastam a reprovação social que lhe vamos ficando a dever.

Vemos o empobrecimento generalizado mas não vemos as sopas dos pobres que passaram a fazer parte do quotidiano de tantos, dadas por mãos que as cobram quando chega a hora de votar. Os partidos da pobreza que tem que ser, que apenas quem tem o mínimo dos mínimos como direito e não como caridade pode recusar sem medo e sem deixar dívidas de gratidão por saldar, ganharam nos distritos mais pobres do país.

Habituámo-nos a conviver com naturalidade com meios de comunicação social que vendem uma narrativa tem que ser da austeridade que não pode ser combinada com uma versão futeboleira da política, muito distante das escolhas colectivas que seria sua função aprofundar, mas não vemos os milhões de portugueses que é através dessa janela distorcida que, entre papões, percepcionam o mundo que lhes é oferecido quase sem contraditório. Grande avaria, os três do rotativismo, os três do memorando, os três dessa austeridade que faz ricos espremendo pobres e remediados renovaram a maioria qualificada que continua a permitir-lhes fazer com a nossa Constituição o que lhes ordenarem Berlim e Bruxelas.

Ainda assim, temos excelentes motivos para sorrir e não podemos desvalorizar o que conseguimos ontem, pelo contrário. Foi neste país condicionado e foi este povo, o “melhor povo do mundo”, que reagiu aos quatro anos e meio de malfeitorias de uma quadrilha feita coligação retirando-lhe mais de meio milhão de votos e a maioria absoluta para o espezinhar. Foi este povo e não outro que soube enguiçar a engrenagem do rotativismo e negou o poder ao alter-ego da coligação, que subiu a votação mas poucochinho, e o obriga agora a mostrar o que andou a esconder. Foi este, e não outro, o povo que soube simultaneamente responder a sondagens feitas à medida de utilidades estranhas às suas vidas e agradecer aos seus, à esquerda de confiança que por si resiste e dá voz a quem não a tem, com o melhor resultado de sempre de Bloco de Esquerda e com mais um deputado à CDU, recusando poder a uma série de oportunistas que se perfilaram para conquistar o seu lugar ao sol do regime.

Ainda não foi desta que o poder ficou em mãos capazes de darem decência ao país que o rotativismo tornou indecente, é verdade, mas foi este povo, e não outro, que soube usar a sua democracia para assinalar o seu descontentamento dando uma expressão eleitoral à esquerda que o é como há muito não se via. Com os resultados de ontem ficou garantido que pelo menos durante a próxima legislatura na lei eleitoral PS e PSD não vão poder tocar. Os 10% de deputados necessários para requerer a fiscalização sucessiva de legislação ao Tribunal Constitucional foram largamente excedidos. O país das pessoas sai das eleições de ontem mais fortalecido para enfrentar as estocadas dos próximos quatro, se calhar nem dois anos. Temos boas razões para voltar a acreditar em nós próprios. Podemos dar a volta a isto. Falta querê-lo com a força necessária: a Nossa.


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