De DesGoverno/PAF oculta dura realidade. a 6 de Outubro de 2015 às 12:43

Depois da ocultação e das sombras, teremos a dura realidade

-por Sérgio Lavos

... É possível que o pós-eleições seja um período de negociação confusa, com Cavaco a tentar influenciar PS no sentido do Bloco Central - o que seria talvez uma solução ainda pior do que uma maioria absoluta de direita.

Imaginemos os meses a seguir às eleições, no caso da direita governar com maioria absoluta. Ainda em 2015, e de acordo com os dados mais recentes da execução orçamental, teremos um buraco nas contas públicas e a meta do défice em risco.
É bem provável que sejam necessárias mais medidas de austeridade para tapar o buraco.
Talvez venha aí o tal novo aumento de impostos sugerido esta semana pela Comissão Europeia.
Ou então novo corte do subsídio de Natal, tal como aconteceu em 2011 (e depois de Passos ter garantido a uma criança que tal não iria acontecer).

Para além deste buraco (da exclusiva responsabilidade do Governo) há a necessidade de recapitalização do Novo Banco, admitida por quase toda a gente.
Esse dinheiro virá, claro, do Fundo de Resolução. Mas o Fundo terá de ser alimentado pelo Orçamento de Estado. De onde virá o dinheiro?
Dos contribuintes, claro, os tais que, de acordo com a garantia de Passos, Maria Luís Albuquerque e Cavaco, não seriam chamados a pagar o BES.
Talvez o resto do subsídio de Natal chegue para a recapitalização.

A seguir vem o Orçamento de 2016.
Nesse já sabemos que irá aparecer o corte de 600 milhões nas pensões. A maioria dos pensionistas verá, uma vez mais, o seu rendimento decepado.
Esta medida, por muito que PSD e CDS digam o contrário, está prometida à UE. Vai acontecer, se eles ganharem eleições.
Depois, se em 2015 não for atingida a meta do défice, o ponto de partida será mais alto, e portanto será necessário um reforço da austeridade para garantir a meta de 2016.
E podemos esquecer a devolução da sobretaxa do IRS - neste momento a receita de impostos está acima do objectivo, mas a devolução do IVA ainda não foi feita, o que irá acontecer apenas depois das eleições.

Mas há mais:
o programa de que a coligação PSD/CDS se recusa a falar.
E esse programa é o mais ideologicamente à direita desde o 25 de Abril. O PSD e o CDS, se ganharem as eleições, vão mesmo cortar a eito no Estado Social.

O dinheiro que neste momento está a permitir que a Escola Pública se mantenha irá ser escoado para o ensino privado, criando uma Educação privada de elite para ricos, financiada pelo dinheiro dos nossos impostos, e outra Educação pública sem condições para pobres.

Na Saúde, acontecerá o mesmo. A "liberdade de escolha" (novilíngua) de que fala o programa do PSD/CDS significa que apenas quem tem um seguro de saúde privado terá saúde de qualidade, dado que o desinvestimento no Serviço Nacional de Saúde irá acentuar-se.
Cada vez haverá menos profissionais de Saúde a trabalhar no SNS e aumentará o número de pessoas sem acesso a médico de familia, a exames pagos pelo SNS e a operações realizadas em hospitais públicos.

Finalmente, na Segurança Social, o plafonamento.
Quando uma parte dos contribuintes optar por descontar para sistemas privados, é quase certa a descapitalização do sistema público.
E quando isso acontecer, iremos ver o Governo a cortar pensões e subsídios a pagamento, a bem da sustentabilidade da Segurança Social.
O plafonamento levará sempre a corte nas pensões a pagamento ou a um aumento de impostos, isso é certo.
Tudo para que o sistema financeiro privado possa lucrar um pouco mais.

As escolhas que temos a fazer nas eleições são claras.
O problema é que a coligação de direita tem feito mais uma campanha de ocultação e mentira.
O seu programa de destruição do Estado Social tem sido astuciosamente escondido dos eleitores
- se estes soubessem realmente o que significa "liberdade de escolha" pensariam duas vezes antes de votar no PSD e no CDS.

Mas a aposta da coligação que não põe as caras dos seus líderes e os símbolos dos partidos que a compõem nos cartazes é clara:
contam com a falta de memória e a ingenuidade do eleitor no momento em que decide o seu voto.

É um jogo de sombras e de espelhos que, tudo indica, poderá compensar.
A curto prazo, se a estratégia resultar, o país (e sobretudo as pessoas)
vai sofrer amargamente com isto.


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