De PaF, oposição,PS: q objectivs e valores? a 6 de Outubro de 2015 às 14:48
--- A situação é esta, para quem ainda não entendeu:
•Os governos formam-se no parlamento, que é eleito pelo voto popular.
•Não poderá haver governo contra a vontade do parlamento.
•O parlamento que resultou das eleições de 4 de Outubro de 2015 é este:

PS – 85 deputados
BE – 19 deputados
PCP – 17 deputados
________
total = 121 deputados

PSD/CDS + PSD = 104 deputados
PAN = 1 deputado
(falta eleger 4 deputados pela emigração)

--- Falemos das próximas eleições
(por Penélope, 4/10/2015) 

A direita vai arranjar uma estratégia qualquer, ótima, para se fazer de vítima e alegar que o magnífico trabalho que estava a fazer foi bruscamente interrompido por irresponsáveis e que os mercados não gostam, que isso já se vê, etc. e tal, e ganhar assim as próximas eleições com maioria absoluta.

O Bloco vai pressionar o PS todo o tempo para que derrube o governo, tendo já começado.

Assim entalado, o PS tem que arranjar energia, inteligência e, muito importante, um bom e profissional «staff», para gerir tudo isto e ganhar as próximas eleições.
Como dizia ontem uma amiga minha, a propósito da campanha bastante frustrante de António Costa:
“Se o Costa ou os assessores não sabem como se faz, contratem-me a mim. Eu, por exemplo, sei o que ele havia de dizer. Poxa!”

---- Opinando sobre o PS

António Costa não deve demorar muito a colocar o seu lugar à disposição no partido, candidatando-se ou não a uma reeleição. Não é pela cara de ressentimento e pelo ar ameaçador do António Galamba. Seguro nunca teria conseguido melhores resultados, como parecem agora pretender os seus ressuscitados apoiantes. Seguro não se distinguia de Passos Coelho.
Apenas diferia no facto de não ter por detrás as máquinas aparelhísticas de Relvas, Marco António e Nuno Melo voltadas para o combate externo, nem o respetivo descaramento e pulhice profissional, nem a arrogância e ambição de ideólogos como António Borges, Moedas, Maçães ou Gaspar.
O apelo aos corações e ao amor das e dos militantes também era penoso de ver em Seguro (mas é certo que Passos tem o crucifixo).
A questão é que, perante o falhanço total das políticas do Governo (falo das metas numéricas, todas incumpridas, do perigo de bancarrota iminente, que não desapareceu, muito pelo contrário, dos efeitos sociais, da degradação dos serviços públicos, do retrocesso cultural, educativo e habilitacional, por exemplo),
e perante o cúmulo nunca visto de mentiras, deturpações e truques contabilísticos da coligação, as eleições não foram ganhas pelo PS.
Costa não foi capaz de contrariar a propaganda nem a demagogia de Portas e Passos (complementada pela dos inúmeros comentadores e jornalistas de direita), desde logo no que respeita às circunstâncias em que a Troica foi chamada e também à alegada retoma. Será capaz a partir de agora?
E como, se a coligação, em equilíbrio instável, e já tendo percebido os tabus de Costa, vai reforçar ainda mais a estratégia de ataque e do outro lado existe um BE ufano e desafiante?

A seu favor, Costa ...aura de seriedade e competência ... Esses fatores devem ter tido algum peso, apesar de tudo, para o partido não ter ficado abaixo dos 30%, já que a campanha do PS para estas eleições foi mal preparada e Costa se mostrou, sobretudo na rua, mas também nalguns debates, sem garra nem combatividade.
As suas opções foram muito pela defensiva. Muitas delas totalmente erradas, como a do Seguro em relação a Sócrates e ao governo anterior.
A um líder exige-se ousadia, mesmo contrariando o chamado senso comum.

Para além dos seguristas, que já começaram a ameaçar vingança, há bem quem entenda que a estratégia de Costa não é ganhadora em geral (repararam como andava sozinho?):
não o foi para estas eleições, quando tinha as condições ideais para o ser, já antes o não fora com a nomeação de Ferro Rodrigues para a liderança da bancada parlamentar, não o será para a legislatura que agora começa, com o partido ainda na oposição. ... um plano de recuperação da maioria a médio prazo para o PS . Quem estará à altura? Há milagres, mas, apesar de lhe reconhecer inúmeras qualidades ... não gostaria que o PS desaparecesse, caso Costa falhasse de novo. Não seria altura de o próprio Costa incentivar Fernando Medina a avançar? Seria um desafio que lhe ficaria bem lançar, ...


De Bloco/ colig. Esquerda substituirá PS ?. a 6 de Outubro de 2015 às 15:03


O Bloco de Catarina vai ser o novo PS?

(-por P. Tadeu, DN, 6/10/2015)

Pedro Passos Coelho fez com que PSD e CDS perdessem desde as últimas eleições "apenas" 727 mil votos
(repito: 727 mil votos) nas urnas eleitorais, conquistando uma maioria relativa no Parlamento, depois de liderar durante quatro anos um executivo de austeridade.
Passos é um péssimo governante mas um ótimo político.
O primeiro-ministro é capaz de ser o mais brilhante tático que a direita produziu desde o 25 de Abril, melhor do que Sá Carneiro e Cavaco Silva.
Demonstram-no a recusa em sair de São Bento, há dois anos, quando Paulo Portas se demitiu, e a forma como ganhou as legislativas de domingo.

O inteligente e brilhante líder do CDS-PP, por seu lado, abdicou da grandeza e passou a sócio menor.
A recompensa são 18 deputados.

António Costa ganhou apenas (sem aspas) 182 mil votos e ficou-se pelo segundo grupo parlamentar.
Foi curto para quem garantia ser fácil conquistar a maioria absoluta.

Costa apresentou um programa económico agradável para a direita embrulhado numa retórica de esquerda.
Fez o que o PS sempre fez, desde há 40 anos: apontar ao "centrão".
Agora, não resultou. Porquê?

O momento simbólico da derrota socialista ocorreu na televisão, quando Catarina Martins, despida da agressividade gongórica dos debates parlamentares, propôs a António Costa a abdicação da reforma que este propunha para a Segurança Social para discutir o apoio do Bloco a um governo (PS) (e que, depois, o PCP também veio dizer que poderia apoiar).

Talvez fosse uma falácia de Catarina mas, de repente, para muitos dos que admitiam votar no PS estava ali uma verdadeira alternativa positiva aos arranjos de regime do costume.

O Bloco tirou assim a Costa o argumento do voto útil e a hipótese de vitória que lhe poderiam dar a maior parte dos 260 mil votos que Catarina ganhou de uma eleição para a outra,
passando mesmo a CDU, que subiu apenas 3300 votos, coisa que lhe está, evidentemente, a doer.

Graças a Deus e aos eleitores, ninguém tem maioria absoluta.
Isto impedirá Passos de abusar.
Isto obrigará o PS a definir-se.
É, para já, a melhor solução para o país.

Se o PS se aliar à direita (e o Bloco não se despistar na puerilidade das divergências internas) esta versão de Catarina Martins pode captar o apoio dos não comunistas desiludidos com o crónico socialismo metido na gaveta pelos residentes do Largo do Rato.

Se o PS se aliar à esquerda, a ala direita do partido rompe, toma o partido de assalto, funda outro, ou vai para o PAF.
O PS que restar, viciado em viver à conta do Estado, avançará, desorientado, para o suicídio político ou correrá para os braços deste eventual novo Bloco.

O PS de hoje não discute, portanto, a liderança de António Costa. Discute a sobrevivência.


Comentar:
De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres