De Governo de Direita ou de Esquerda ? a 8 de Outubro de 2015 às 15:36
------ Dia 1 : Negociações para convergência de esquerda (PS, PCP, BE):

«[...] o PCP rejeitará “qualquer moção de rejeição vinda do PSD ou do CDS” a um programa de governo socialista [...]»
[...]
«E garantiu que não põe como condição entrar num governo socialista. E também "não significa que o programa do PCP ou do PS tenham de estar contidos no programa do governo"»
[...]
«O que estamos discutir não é o programa dos partidos, porque cada um tem o seu programa. O que estamos a discutir são as medidas de políticas consideradas prioritárias para o país [...]»
[...]
«Não estivemos a trabalhar sobre o que nos divide, mas a trabalhar em torno de perspectivas comuns e actuações prioritárias que correspondam à vontade dos cidadãos para que haja uma alteração de políticas em Portugal»

------ Da série "Coisas Verdadeiramente Surpreendentes" (8/10/2015, DerTerrorist)

A direita, eleita Governo, pode privatizar todas as empresas públicas, alienar a participação do Estado em empresas, desmantelar o Estado social em benefício do sector privado,
tudo com o argumento, inatacável, "porque assim estava no programa eleitoral que foi a votos", apesar de, arrisco,
mais de 90% dos eleitores nunca lhe ter posto a vista em cima e de ter sido cuidadosa e meticulosamente escondido de todo e qualquer debate.

A esquerda, hipoteticamente no Governo, não pode questionar a participação de Portugal na NATO
[se é que alguém no seu perfeito juízo, com excepção da agit-prop de direita, acredita que o PCP e/ ou o Bloco de Esquerda uma vez no Governo teriam isso como prioritário],
nem a legitimidade do Tratado Orçamental, nem considerar a saída de Portugal do Euro, nem a renegociação da dívida pública,
apesar de tudo isso estar no programa eleitoral que foi a votos e apesar dos portugueses nunca terem sido tidos nem achados sobre esses temas,
que para governar estão cá os iluminados e o povo ignaro não se deve preocupar com essas minudências.

----- Banzada (7/10/2015, AspirinaB)

Ouvi agora o Jerónimo de Sousa dizer que, no âmbito de um potencial acordo com o PS, o PCP rejeitará qualquer moção de censura vinda da coligação PSD/CDS que vise derrubar um governo do PS.
Além disso, ouvi uma excelente comunicação de Jerónimo, merecedora de ser ouvida. Idem para a de António Costa.

Se António Costa conseguir o feito inédito de pôr a «esquerda pura» a corresponsabilizar-se pela governação, já ficará na história.
Claro que ainda a procissão vai no adro.
Mas ver figurantes tradicionais da política portuguesa, de cassete já gasta, a abandonarem finalmente a cassete e elevarem-se a protagonistas dizendo (para já só dizendo) algo de diferente parece-me admirável.
A cara com que a direita terá assistido a este volte-face na política portuguesa não é difícil de imaginar.
(Nem de propósito, eis já um título do Observador :
“E se Costa não estiver a fazer bluff quando fala de governo à esquerda?”)

Ó Jerónimo, será que vamos ouvir um inesperado «habituem-se» da vossa parte?

----- A hora de Costa mostrar o que vale (7/10/2015, http://aspirinab.com/ )

... A única resposta possível (de o PS / A.Costa dar) é esta:
se a direita imagina que vai poder continuar com a mesma política, apenas enfeitada com uns laçarotes cor-de-rosa, então vá fazendo as malas.
No parlamento há agora uma alternativa – ainda que, por enquanto, apenas teórica.

É preciso que o PS deixe um aviso sério a esse bando que saltou para o poder há quatro anos.
E começar, no mais breve prazo, a ouvir o que o BE e o PCP têm a dizer (se é que têm algo a dizer de novo…).

Perder as eleições ainda pode ser desculpável. Não saber gerir o período pós-eleitoral que agora começa será certamente o fim para António Costa. E não sei se para o próprio partido.

----- Bom sinal
A declaração de Jerónimo de Sousa ( http://pcp.pt/encontro-entre-pcp-ps ) sobre a reunião do PCP com o PS deve ser escutada com atenção, em particular pelos que ainda alimentam, em sectores do campo intelectual progressista, por exemplo, preconceitos anti-comunistas, de onde de resto não tem estado ausente, aqui e ali, uma irritantíssima condescendência de classe.

Esta declaração de abertura negocial, que aparentemente terá surpreendido muita gente, confirma duas ideias. Em 1º lugar, só quem tem um horizonte ...


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