De BE e PCP apoiam Governo de esquerda/PS. a 9 de Outubro de 2015 às 12:02
AFINAL QUEM NÃO QUER GOVERNAR?

AFINAL QUEM FICAR A PROTESTAR?

Durante anos ouvimos a conhecida lengalenga de que havia dois partidos que não queriam governar nem assumir responsabilidades governamentais,
facto que muito dificultava a acção do PS e da esquerda em geral, pois mesmo quando estava em maioria na Assembleia da República não havia qualquer possibilidade de entre os seus componentes se fazer um acordo, por mínimo que fosse,
enquanto a direita sabia superar as suas divergências sempre que se tratava de exercer o poder, como os vários exemplos de coligações entre o PSD e o CDS amplamente comprovavam.

Já tivemos oportunidade neste blogue de emitir sobre este tema a nossa opinião, tentando fazer a demonstração de que o verdadeiro partido de protesto do xadrez político português é o PS. Um partido de poder e de protesto que carecia como nenhum outro de uma activíssima base de protesto para exercer o poder. Assim foi com Soares, com Guterres e com Sócrates. Todos eles, como primeiros-ministros, tiveram no seio do próprio partido aquela indispensável componente de protesto que lhes permitia fazer uma política próxima da direita sem que o partido perdesse por completo a sua matriz de esquerda.

Agora o jogo acabou. A avaliar pelo que se lê nas redes sociais e principalmente o que se ouve nas antenas abertas das várias estações de radio há uma fortíssima componente do eleitorado socialista que não compreenderá que na presente conjuntura o partido entregue o poder à direita, havendo à esquerda quem esteja na disposição de aceitar a formação de um governo PS e esteja preparado para negociar o apoio parlamentar de que necessita.

Não se trata de uma coligação negativa destinada a derrubar e a derrotar os propósitos de Cavaco, Passos e Portas, trata-se de muito mais do que isso: da formação de um governo que dê tradução política a esse imenso clamor que de norte a sul do país exige o fim das políticas de austeridade.

O Governo PS pode assentar num acordo mínimo, porém indispensável para responder ao voto popular. O PS não deveria seguir a orientação de um sector influente da sua estrutura dirigente ou, mais correctamente, de alguns “notáveis” sem se certificar previamente da vontade do seu eleitorado.

E ter em conta que a direita, perfidamente, pretende o seu apoio não apenas para poder governar, como é óbvio, mas acima de tudo para o liquidar o PS como partido de Governo. Será sempre mais fácil à direita, pensa ela, ter como principal adversário um Syriza à portuguesa do que um PS que possa resvalar para a esquerda, por pouco que seja, pela muito maior facilidade que terá de esgrimir contra aquele partido ou aquelas forças políticas a legião de todos os seus conhecidos espantalhos.

O PS joga de facto o seu futuro nas consequências destas eleições. Qualquer tentativa de buscar analogias numa qualquer situação do passado com a situação presente é irrealista e não corresponde ao verdadeiro significado dos resultados eleitorais no específico contexto em que os mesmos ocorreram.

É claro que o PS para governar terá de pôr de parte algumas das medidas previstas no seu programa, absolutamente inaceitáveis, como o despedimento consensual (isto é, sem intervenção dos tribunais); a diminuição da contribuição dos trabalhadores para a segurança social e o famigerado congelamento das pensões.

Por seu turno, os partidos que estão disponíveis para viabilizar um governo PS não podem deixar de ter em conta que estamos numa situação sob muitos aspectos semelhante à que se vivia antes do 25 de Abril.

Por um lado, a completa ausência de alternativa, que pura e simplesmente é negada a quem pretenda pôr em causa uma nova política e uma nova atitude relativamente à UE. Romper com esta impossibilidade já seria uma grande vitória; depois todos temos de ter presente que somos governados, a começar pelo Presidente da República e a acabar na composição e chefia do Governo, por gente que poderia perfeitamente ter desempenhado as mesmas funções que hoje exerce antes do 25 de Abril. Por outras palavras: estamos numa situação de emergência nacional a que urge responder com um programa mínimo, porém realmente alternativo.

Bem se sabe que o PS tem no activo ...


De Afinal quem (não) quer Governar ?! a 9 de Outubro de 2015 às 12:06

AFINAL QUEM NÃO QUER GOVERNAR?

AFINAL QUEM FICAR A PROTESTAR?
...
...
...
Bem se sabe que o PS tem no activo o tal núcleo influente que entre ir contra as suas concepções ideológicas ou acabar com o partido não hesitará na sua escolha. Mas é contra esta ameaça que António Costa se tem de revelar como um líder político à altura das circunstâncias.

António Costa não tem condições nem tempo para adiar a sua decisão ou esperar que outra oportunidade surja num contexto diferente. Essa oportunidade ele não a terá.
A direita, a ser derrubada, tem de sê-lo agora e não mais tarde. Se a deixa governar por pouco tempo que seja, e vai ser sempre por vários meses, ela terá todas as condições para fazer reverter a seu favor o impasse que mais tarde venha a ser criado com vista à convocação de novas eleições.

António Costa, como comentador, deu a partir de determinada altura provas seguras de que compreendeu e interiorizou todos os constrangimentos que a politica comunitária, nomeadamente a política monetária, cria aos países periféricos, e da necessidade de a alterar.
Lutar isoladamente contra essa política conduz como bem se sabe ao insucesso, a menos que se esteja disposto a arcar com todas as consequências de um rompimento.
A partir de Janeiro do próximo ano, os países periféricos, a Grécia, Portugal e a Espanha, estarão certamente em condições de conduzir uma luta conjunta, que ficará muito enfraquecida se o nosso Governo estiver nas mãos da direita.
Esta situação não se repetirá nos tempos mais próximos.

Por outro lado, parece cada vez mais evidente que a luta pelas presidenciais dificilmente poderá ser ganha.
A ausência de um candidato de consenso escolhido com antecedência pelos partidos de esquerda pode ter sido fatal para quem aspirava substituir a direita em Belém. Portanto, o mais provável é que a direita continue em Belém, porventura menos possidónia, mais divertida, mas igualmente perversa e sem hesitações nas escolhas fundamentais.
Que ninguém tenha ilusões: com a direita em Belém o Governo do PSD/CDS não será substituído por outro formado no mesmo quadro parlamentar em que este tiver sido constituído.
Com a direita em Belém, a Assembleia da República será dissolvida na altura que melhor possa garantir uma vitória da direita.

Deixar criar uma situação que assente na constituição de um governo de direita é deitar tudo a perder e é também pôr em causa o futuro do Partido Socialista.
Aos socialistas, a António Costa, cabe decidir.

(-por JM Correia Pinto, 7/10/2015, Politeia)


De A.Costa pode ser 1ºMin. ou ... a 9 de Outubro de 2015 às 12:28
9.10.15

Afinal havia outro

«Se o voto é a arma do povo, desta vez, o povo armou uma valente confusão.

O resultado eleitoral criou um quadro surrealista de tal forma que não é descabido dizer que Costa, o maior derrotado das eleições, se tornou o homem mais poderoso de Portugal. Tão poderoso que até pode ser PM. Confuso? Foi o que eu escrevi no início do texto. (...)

O Presidente da República passa um atestado de incompetência a quem votou BE ou CDU e anula os votos de um milhão de portugueses, dizendo que votaram em vão, porque não conta com esses votos, porque não obedecem a determinados compromissos que nós temos. Vamos lá ver. Se realmente partidos que apoiam a saída da NATO não contam, então não deviam estar no boletim de voto. Votou CDU, mas não viu as letras pequeninas, no final do boletim de voto, onde dizia, "atenção, para governar só contam votos em partidos que querem Portugal na Nato". (...)

Chegamos, agora, ao início do texto, perante o quadro de não maioria à direita (a tal maioria que o Presidente da República definiu, antes das eleições, como condição essencial para aceitar um governo), toda e qualquer solução passa por António Costa. O PSD e o PP já deram por isso, e a coligação veio logo mostrar-se disponível para dar presidência do Parlamento ao PS; e uma caixa de mon-chéri.

De repente, Costa é o novo sexy platina. Atacado pelos seguristas no interior do partido, António Costa é desejado por todos fora dele. O Bloco de Esquerda deseja fazer governo com ele. O PCP apoia um governo de Costa. Passos Coelho e Portas querem chegar a uma solução de governação com Costa, e o Presidente mandou o ex-PM ir falar com ele. Imaginem se Costa tivesse ganho as eleições?! Já havia estátuas com António Costa a cavalo na Avenida da Liberdade.»

João Quadros


Comentar:
De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres