Nem tudo é o que parece: entender as crises e manifestações no Brasil

           -----  Para entender melhor a crise no Brasil    (A.P.Correia, 17/3/2016, Aventar)

    Se a situação é complexa e divide os brasileiros, ainda o é mais para quem, a partir de Portugal e da nossa imprensa (também enviesada/manipulada), tenta compreendê-la.   Estamos perante uma tentativa de “golpe de estado judicial”, como já li?    Existe uma campanha orquestrada para derrubar Lula (e as suas políticas de redistribuição e apoio aos mais pobres e do controlo público de recursos e empresas estratégicas, como a 'Petrobrás')?   Essa campanha conta com o apoio dos militares, da oligarquia, dos partidos da oposição/'tucana' e da Globo (poderoso império dos media)?    É possível, como também li, que se corram riscos sérios e generalizados de derramamento de sangue nas ruas?    Ou tudo não passa, afinal, de uma manobra desesperada do PT (partido dos trabalhadores, com frágil maioria no 'Planalto') para boicotar uma investigação judicial (sobre corrupção endémica de que a "Lavajato" é o mais recente escândalo)?    Dilma e Lula deram um tiro no pé com a recente nomeação do ex-presidente como ministro?    Quais as consequências desta crise para a democracia brasileira?      As perguntas são muitas e as respostas díspares. ...

        ------       Brasil:   o  povo  na  rua ?        (-J.Mendes, 17/03/2016, Aventar)

Brasil  (-- via Diário de uma Cadeirante Cinefila )      Flutes, iates, limousines e extrema-direita. Eis a face visível da agenda política que procura aproveitar o tiro no pé do governo de Dilma para regressar ao passado de opressão e exploração do povo brasileiro. Os tais que se manifestam pelo fim da democracia.   Que se manifestam contra o direito de se manifestar. Irónico e triste.     

Brasil Usar o poder para evitar que Lula da Silva enfrente a justiça é um grave abuso e custar-lhe-á muito caro.  Mas desenganem-se aqueles que vêm nestas manifestações nada mais do que patriotas a lutar pela democracia. Alguns assumem-no e pedem mesmo o fim da democracia e uma intervenção militar no Brasil. Sim, existe revolta genuína contra a corrupção que esmaga o Brasil. Mas também existe uma agenda política. Uma agenda que não hesitará em reverter o recuo do fosso e do grosso das políticas com que o PT tirou milhões da miséria. Assim vai o Brasil, encurralado entre a corrupção, a ganância e o fascismo.

       ----- (contra políticas social-democratas de)  Lula       (-B.Santos, 16/03/2016, Aventar)

      Nem tudo é o que parece.
     (Muitos dos líderes e activistas/rebeldes e seus movimentos/milícias e revoltas + ) As manifestações “espontâneas” de cidadãos, do Brasil à Ucrânia, de Hong Kong ao Cairo, (da Líbia à Síria, ...) são operações organizadas (e apoiadas) a partir do exterior com o propósito de criar instabilidade e operar mudanças de governo ou regime.

      Na verdade são actos de guerra  (de potências estrangeiras ao serviço de multinacionais) disfarçados de grandes clamores democráticos que, sob pretextos as mais das vezes pouco imaginativos, lançam o caos nas ruas e a desordem nas instituições. (e a queda de economias e Estados, para os saquear ... e 'reconstruir' como submissos protectorados).

      O Brasil está sob ataque há vários anos, pagando o preço da sua política de alianças internacionais, designadamente no contexto dos BRICS (Brasil+Rússia+Índia+China+ÁfricaSul, contra os 'dólares/euros/...', os FMI/BM/OMC/...).   

           ----- ...A 28 de Janeiro de 2011, o jornal The Telegraph, dava conta de que a história das grandes manifestações populares na cidade do Cairo, Egipto, que acabariam por levar à deposição de Mubarak, era um pouco mais complexa do que parecia.  (eram apoiadas pelos EUA/CIA)

http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/africaandindianocean/egypt/8289686/Egypt-protests-Americas-secret-backing-for-rebel-leaders-behind-uprising.html

------ Lula  no  governo  brasileiro     (-R.Namorado, 16/3/2016, OGrandeZoo)

 ¿Por qué Lula formará parte del Gobierno de Dilma? - interrogava-se o politólogo brasileiro Emir Sader, na página virtual do diário espanhol "Público" . É esse curto mas incisivo texto que hoje vou transcrever .

    Después de reflexionar mucho, de sufrir muchas presiones —incluso de la carta abierta de Leonardo Boff– para que aceptara la invitación de Dilma Rousseff sobre su integración en el Gobierno, Lula aceptó y será ministro. La derecha, por su parte, no le ha culpado de querer rehuir de las acusaciones porque ya goza del derecho a responder ante el Supremo Tribunal Federal (STF).
    Para ello, el ex mandatario tiene una respuesta preparada: cercará la acción de los promotores regionales cuyas actuaciones arbitrarias han demostrado que se trata de una persecución política. Esta situación quedó muy clara cuando declaró el día 4 de marzo en el Aeropuerto de Congonhas, en Sao Paulo, así  como la intempestiva solicitud de prisión de otro promotor, que fue rechazada por una jueza.
    Sin embargo, la razón fundamental para que Lula acepte la invitación es la de fortalecer al Gobierno de Dilma Rousseff en este momento de debilidad. Por una parte, por la crisis económica que se alarga y se profundiza, demostrando así que las medidas tomadas por el Ejecutivo no son efectivas, ya que han generado más recesión y más desempleo. Así pues, el Gobierno recuperará el apoyo popular que había perdido.
    Por otra parte, la incapacidad del Gobierno para mejorar los movimientos políticos lo ha llevado a su aislamiento en el Congreso, que hace posible que la alianza entre el Partido del Movimiento Democrático Brasileño y el Partido de la Social Democracia Brasileña obtenga la mayoría suficiente para votar el ‘impeachment’ de la presidenta, aun sin contar con acusaciones fundamentadas. Incluso, quitarle el poder a Dilma Rousseff por parte de algunos sectores parlamentarios.
    Cualquiera que sea el cargo que asuma —jefe de la Casa Civil o secretario de Gobierno—, Lula se encargará de recomponer las articulaciones  gubernamentales, empezando por acercar a los sectores del PMDB al Gobierno y alejarlos del PSDB y de los proyectos golpistas. Asimismo, Lula se valerá de sus contactos para recomponer las relaciones del gobierno con los empresarios, actualmente muy alejados del Gobierno, para retomar el crecimiento económico. De esta forma, Lula adecuará la política económica que siempre ha defendido frente a Dilma.

    El ex mandatario también mediará con el Partido de los Trabajadores, con la izquierda en su conjunto y con los movimientos sociales. Además, pondrá voz al Gobierno en los medios de comunicación y en los discursos públicos.
    Como consecuencia, Lula responderá a las acusaciones del Supremo Tribuna Federal y quedará libre de los promotores regionales. Esto debilitará las investigaciones de la operación Lava Jato, así como las iniciativas para implantar el ‘impeachment’.
    Lula se disputa el apoyo del Gobierno. La oposición teme a que Lula no vuelva a salir del Palacio de Planalto, ya que, seguramente, será candidato a la Presidencia en 2018.



Publicado por Xa2 às 07:55 de 18.03.16 | link do post | comentar |

1 comentário:
De Br.: é golpe d Direita e Capital, c.Corr a 18 de Março de 2016 às 10:16
De Anónimo:

Se assim não é porque razão todos eles são corruptos e só se lembram do Lula?
Sejamos sérios, aqui, já que eles, lá, usam tudo, até um possível golpe de estado, para subiram aos palcos da ribalta e continuarem a corromper e a ser corrompidos.
... Tudo vale para o bota abaixo quando o que se tem em mente é a destruição, não importando o dia seguinte. ...

-------

"O que está em curso no Brasil não é um combate à corrupção, mas sim um golpe de Estado promovido pela direita e os sectores mais retrógrados do país.

A corrupção existe, mas é só o pano de fundo e o pretexto que a oposição precisa para deitar abaixo um governo eleito democraticamente.

Esta é, no essencial, a posição do Bloco de Esquerda (BE) e do Partido Comunista Português (PCP) sobre os acontecimentos mais recentes do Brasil."

Os dois partidos convergem na questão essencial, mas notam-se algumas nuances:
Bloco deixa subentendidas algumas críticas ao Partido dos Trabalhadores, de Dilma e Lula;
ao passo que o PCP aponta como causas desta crise política a crise do capitalismo e o papel destabilizador dos Estados Unidos na região.

---- Para Jorge Costa, dirigente do Bloco de Esquerda, o PT está a pagar pelas "alianças à direita" que fez nos últimos anos para apoiar os seus governos.
"Não podia acabar bem", porque "Lula e Dilma dependeram de representantes das piores práticas de corrupção da política brasileira e acabaram por ver o seu governo envolvido no caso Mensalão, entre outros". "Está mesmo a acabar mal", admite.

E está em curso um golpe de Estado, analisa Jorge Costa.
"Apoiadas nos sucessivos escândalos, a direita e a extrema-direita brasileiras desencadeiam agora um golpe de Estado no estilo do século XXI, articulado a partir do sistema judicial e alguns grandes empórios financeiros", afirma.
As perspectivas são, agora, negras para os brasileiros.

"Entre uma política sem rumo e sem critério e a vingança da oligarquia pelos anos de modesta redistribuição da riqueza, afundam-se as esperanças populares num mar de confusão e desespero".

---- Para o PCP, a explicação é similar, embora também haja dedo dos Estados Unidos.
"Os recentes desenvolvimentos no Brasil não podem ser desligados do aprofundamento da crise do capitalismo
que marca a situação internacional e que tem actualmente profundas consequências nos chamados países emergentes", indica o partido, numa nota enviada ao Negócios.

Os comunistas acusam os sectores "mais retrógrados e anti-democráticos" do Brasil de tentarem tirar "partido de reais problemas e de profundas contradições na sociedade"
para promoverem "uma intensa operação de desestabilização e de cariz golpista procurando alcançar o que não conseguiram nas últimas eleições presidenciais".
É nesse contexto que se insere a "a acção montada contra Lula da Silva".

Não está em causa, portanto, a "tentativa de combater a corrupção e um sistema político que a favorece".
Está, sim, em curso "uma acção protagonizada pelos sectores mais retrógrados – eles próprios mergulhados em décadas de corrupção –,
visando, por via da instrumentalização do poder judicial e da acção de órgãos de comunicação social,
a criação das condições para a reversão dos avanços nas condições de vida do povo brasileiro alcançados nos últimos 13 anos".

Essa "acção de desestabilização" é "indissociável do conjunto de manobras de ingerência promovidas pelos Estados Unidos
visando os processos progressistas e de afirmação soberana na América Latina".
A terminar, O PCP manifesta-se "solidário com as forças progressistas brasileiras, com os trabalhadores e o povo brasileiro
e a sua luta em defesa dos seus direitos, da democracia, da justiça e progresso social".

--- O PS, apesar de várias tentativas, optou por não comentar a situação no Brasil.

---- As ligações de Lula da Silva a Portugal estão a ser investigadas pela justiça brasileira, que pediu a cooperação das autoridades portuguesas.
Em causa estão negócios como a privatização da EGF, em que Lula terá pedido o favorecimento
da brasileira Odebrecht (que acabaria por não apresentar proposta), a venda da operadora brasileira Vivo, detida pela PT, à Telefónica (que permitiu a entrada da Oi na operadora portuguesa) ou a compra da Cimpor pela brasileira Camargo Corrêa.


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