3 comentários:
De Censura, intoxicação e 'enformação'. a 23 de Junho de 2014 às 10:54

A censura que não temos e a que nasceu entretanto

(- http://entreasbrumasdamemoria.blogspot.pt/ 22/6/2014)

Faz hoje 88 anos que foi instituída a censura prévia à imprensa em Portugal, pela ditadura militar saída do golpe de 28 de Maio. Como é sabido, iria durar 48 anos.

Vivemos agora com LIBERDADE de EXPRESSÃO e dispomos de uma diversidade de meios de acesso à informação com que nem sequer podíamos sonhar nos tempos que se seguiram ao 25 de Abril. E, no entanto...

Num texto que escrevi para a edição portuguesa de Le Monde Diplomatique, e que reproduzi mais tarde neste blogue, chamei a atenção para um interessante conceito definido por Ignacio Ramonet em
A TIRANIA da COMUNICAÇÃO (1).
Segundo o autor, existe actualmente uma «CENSURA DEMOCRÁTICA» que se introduz subrepticiamente nos países livres onde se respeita o direito de expressão e de opinião.
Não se concretiza em cortes ou proibições, mas sim «na acumulação, na SATURAÇÃO, no excesso e na superabundância de INFORMAÇÕES»,
que permitem artifícios, mentiras e silêncios, que toldam a TRANSPARÊNCIA do que é transmitido.
A informação é tanta que pode ser DISSIMULADA ou TRUNCADA, sem que se chegue a perceber o que FALTA, e torna-se mesmo naturalmente INCONTROLÁVEL.
Voluntária ou involuntariamente, acaba por ser MANIPULADA.

A pressa e a leveza com que quase tudo é abordado, e muitas vezes reduzido a puros SOUNDBITES,
acabam por influenciar muitíssimo a opinião pública, aquela que está para além das elites, sempre minoritárias, que são capazes de filtrar o que lêem, o que vêem e o que ouvem.
É assim que estamos. É útil não esquecer.

(1) Ignacio Ramonet, A Tirania da Comunicação, http://pt.scribd.com/doc/2230907/IGNACIO-RAMONET-tirania-da-comunicacao, p.13.


De NeoLiberais ou novos salazaristas/fascis a 21 de Maio de 2014 às 10:02
----- Nunca esquecer (nem deixar adulterar a História) a subida ao poder e os crimes dos Nazi-Fascistas. Votem por uma Europa livre de Nazis e Fascistas.

----- Ariel 88 lava mais branco
(POR JOSÉ SIMÕES, DerTerrorist, 20/5/2014)

"Poderia, em liberdade, começar uma limpeza no grupo e expulsar estes criminosos travestidos de nacionalistas", porque há uma diferença entre espancar um emigrante na rua, até o deixar em estado de coma, vai lá para a tua terra; graffitar ou vandalizar uma mesquita, porque o Deus deles não é o mesmo Deus de Abraão; ou até matar um preto ou um cigano, porque um é mais escuro, o outro mais encardido e porque sim e o "tráfico de droga, roubo e extorsão", isso não que são atentados graves à propriedade privada, à integridade da pessoa humana e à estrutura da família.

A direita neoliberal e crente no Deus mercado maquilha os seus pit bulls de caniches, sempre ali à mão para o trabalho sujo nas ruas e pela calada da noite. É assim desde 1921, com a direita do Partido Popular Nacional Alemão a fechar os olhos ao terror das SA nas ruas de Munique. Depois tratamos deles, diziam. Problemático e criminoso para a direita neoliberal são os anarkas-okupas e anti-globalização que não respeitam hierarquias e se recusam obedecer à autoridade do poder político capturado pelo poder económico, crime lesa-mercados, logo lesa-Deus e, ainda por cima não casam, nem sequer pelo registo e dormem homens com homens, mulheres com mulheres, pretos com brancas e brancos com pretas, uma promiscuidade. O amor é uma coisa linda, pelo menos desde Eva e Adolfo.


De Economia neoLiberal e Fascismo a 16 de Maio de 2014 às 13:02
A economia dispensa a história

12/05/2014 por Carla Romualdo ,http://aventar.eu/2014/05/12/a-economia-dispensa-a-historia/#more-1215189 )


Já dizia o pequeno comentador do economiquês nacional que os professores de história em nada contribuem para o crescimento e o certo é que vamos confirmando que, nesta nova Europa utilitarista, as humanidades são entretenimento para inúteis.
Os resultados nem estão a demorar muito a aparecer.
Desmemoriada e cega pelos números, a Europa condena-se a repetir os seus horrores.

Leia-se esta reportagem de Maria João Guimarães, em Marselha, acerca do clima de rejeição aos estrangeiros, sobretudo em zonas multiculturais, e de como os partidos nacionalistas estão a capitalizar o descontentamento face à situação económica e a desconfiança em relação à diferença. Quem tem memória de um passado não tão longínquo, como o reformado Auguste Olive com quem a repórter falou, não pode evitar as comparações:

"Quando eu tinha dez anos, era isso que se ouvia dizer dos judeus. Mais de 60 anos depois ouço a mesma coisa. É como se houvesse uma trama que se repete”.

Há dias, soube-se que o presidente da câmara de Verona, eleito pela Liga do Norte, impôs uma multa de 25 a 500 euros a quem desse de comer aos sem-abrigo nos espaços públicos da cidade.
É uma medida higiénica, claro, porque o presidente entende que quem vive na rua é uma “ameaça à saúde pública”.
A Liga do Norte já recorreu, aliás, a uma medida prática nas cidades cuja câmara controla: retirar os bancos de jardim, onde os sem-abrigo costumam sentar-se e deitar-se.
Curiosamente, a primeira medida dos nazis quando ocuparam Viena foi proibir os judeus de se sentarem nos bancos de jardim.
Conta-o Stefan Zweig nas suas memórias, já por aqui o evoquei. É que a história repete-se até nos detalhes, por falta de imaginação, ou devoção ao que o passado teve de mais tenebroso. Esquecê-lo far-nos-á pagar um preço demasiado alto.

Foto: Placa no campo de concentração de Auschwitz, com a famosa citação de George Santayana:

“Aquellos que no recuerdan el pasado están condenados a repetirlo”.


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