Outro país: da revolução ao ... estado capturado

Comemorar Abril 

 
   Organizado pela «Em Abril Esperanças Mil» e pelo «Congresso Democrático das Alternativas», realiza-se na próxima sexta-feira - no ano em que se celebram os 40 anos da Assembleia Constituinte - o Jantar Comemorativo do 25 de Abril. As inscrições podem ser feitas aqui.     (-por N.Serra, Ladrões de B.)
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       Outro país    (-por Pais Mamede, Ladrões de B.)

     Em 1999 Sérgio Tréfaut realizou "Outro país", um documentário em que o período revolucionário português é revisitado por fotógrafos e cineastas de diversos país que viveram intensamente a experiência. E de que dela guardavam memória bem viva, ainda assoberbados pelo que viram e sentiram mais de 20 anos antes. É um período a não esquecer - e um filme a não perder. 
     Amanhã, quinta-feira, o documentário será exibido no Cinema Ideal em Lisboa, sendo apresentado pelo realizador. Segue-se um debate sobre o filme, organizado pelo Le Monde Diplomatique - versão portuguesa, no qual participarei com a Mariana Mortágua.
 
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     Em matéria de «ir ao pote», o «ajustamento» foi mesmo um sucesso   (!!)   (-N.Serra)
   «Fez no dia 6 de abril quatro anos que Portugal pediu ajuda internacional.   É mais do que tempo de fazer o balanço dos erros, mentiras e traições deste período e desconstruir o discurso que os vencedores têm produzido sobre o que se passou. (...)    Hoje, pegando nas projeções para a economia portuguesa contidas no MoU [Memorando de Entendimento], é espantoso constatar a disparidade com o que aconteceu.   Em vez de 1 ano de austeridade tivemos 3. Em vez de uma recessão não superior a 4%, tivemos quase 8%. Em vez de um ajustamento em 2/3 pelo lado da despesa e 1/3 pelo lado da receita, tivemos exatamente o contrário: uma austeridade de 23 mil milhões reduziu o défice orçamental em apenas 9 mil milhões. Em vez de um desemprego na casa dos 13%, ultrapassámos os 17%. Em vez de uma emigração que não estava prevista, vimos sair do país mais de 300 mil pessoas. E em vez da recuperação ser forte e assente nas exportações e no investimento, ela está a ser lenta e anémica, assentando nas exportações e no consumo interno.
    A única coisa que não falhou foi o regresso da República aos mercados. Mas tal seria possível sem as palavras do governador do BCE, Mario Draghi, no verão de 2013, ou sem o programa de compra de dívida pública dos países da zona euro?   Alguém acredita que teríamos as atuais taxas de juro se não fosse isso, quando as agências de rating mantêm em lixo a nossa dívida pública?   Só mesmo quem crê em contos de crianças.»  -- Nicolau Santos, Anatomia e dissecação de um colossal falhanço
     «Nada como um momento de alguma incontinência verbal para a verdade vir ao de cima. Num "Fórum" da TSF desta semana, o secretário de Estado da Saúde, Leal da Costa, foi de uma clareza ímpar. Confrontado com dados do INE que confirmam que, na última década, há menos camas de internamento na rede de hospitais públicos e mais nas unidades privadas, enquanto diminuíram também os serviços de urgência, o governante foi claro.   Admitiu existir de facto uma transferência para os hospitais privados, mas, esclareceu, parte dessas transferências é suportada por recursos públicos, o que mostra que não há um alívio das contas públicas na saúde (sic).   Fica assim mais uma vez demonstrado que, para onde quer que olhemos, a famigerada reforma do Estado reduz-se sempre, em última análise, à contratualização de serviços públicos, assegurando privilégios a negócios privados, construindo, assim, um verdadeiro Estado paralelo.   Não se diga, portanto, que o Governo falhou.   Naquilo que era a sua verdadeira intenção, a coligação concretizou os seus verdadeiros intentos. (...)    Como bem tem explicado o economista norte-americano James Galbraith, a direita há muito abandonou a crença nos mercados livres como instrumento racional.   Em "O Estado Predador" (e capturado por desgoverno ao serviço da alta finança, ...), Galbraith defende que, hoje, para a direita o laissez-faire é apenas um mito, ainda que útil na medida em que tem um efeito de ilusão, e que o que temos hoje é um Estado predador, ou seja, uma coligação de opositores à ideia de interesse público e que tem como propósito final reconfigurar as políticas públicas, de forma a que estas sejam um instrumento de financiamento de negócios privados. Quando ouvirem falar em sucesso da estratégia de ajustamento, não se iludam. Estão mesmo a falar verdade.»  -- Pedro Adão e Silva, O Estado predador

    Excertos de dois textos de leitura imprescindível, do princípio ao fim, no Expresso de sábado passado. Duas excelentes sínteses sobre o verdadeiro programa de governo da maioria PSD/PP, levado a cabo ao longo dos últimos quatro anos, e que as histórias para crianças sobre a «inevitabilidade e benefícios do ajustamento», a sobre a necessidade de «cortar nas gorduras sociais do Estado» ajudaram a ocultar.    Os resultados estão à vista:   uma economia desfeita e uma sub-reptícia transferência de recursos públicos para negócios privados, sobretudo nas áreas sociais (mas não só). Tudo alinhado para uma reconfiguração profunda do país, que regrediu entretanto décadas.   Nas legislativas que se aproximam, coloca-se aos eleitores uma pergunta muito simples:   é mesmo este o modelo de organização económica, social e política que desejam consolidar e aprofundar no futuro? É mesmo num país assim que querem, definitivamente, viver?


Publicado por Xa2 às 07:53 de 17.04.15 | link do post | comentar |

4 comentários:
De DesGoverno q. nem Pirata zarolho a 17 de Abril de 2015 às 11:34
«Passos Coelho, com a sua pala ideológica, só consegue ver muito à direita e não enxerga nada do que transformou o Mundo depois da II Guerra Mundial.
O seu Governo é o campeão do DESVIO de RENDIMENTOS do trabalho para o capital e da criação de mecanismos – onde se incluíram importantes alterações aos processos e condições da prestação e organização do trabalho – que, em nome do combate à dívida "pública", têm servido para transferir e concentrar riqueza.
Não contente com a sua "obra", coloca ainda hoje a redução dos custos de trabalho como a grande questão para "conseguirmos ser mais atractivos para o investimento".

O desprezo pelo desenvolvimento conseguido na sociedade portuguesa, a obsessão ideológica, a negação da memória histórica e o atrevimento tão típico da ignorância,
convergem na estruturação das receitas deste primeiro-ministro, que contribuiu significativamente para pôr em marcha um processo de retrocesso social e civilizacional no nosso país. (...)

Quanto mais precário e instável for o trabalho e mais baixa a exigência de qualificações dos trabalhadores;
quanto mais reduzido for o nível de formação de patrões e gestores e estes tiverem de decidir em contexto de inseguranças e fragilidades,
menos possibilidades teremos de nos tornar mais produtivos.
Por outro lado, a efectividade dos direitos no trabalho e a existência de relações de poder equilibradas entre trabalhadores e patrões
são determinantes para moldar a valorização que se atribui ao trabalho, para garantir emprego, e ainda para definir o sentido concreto do desenvolvimento económico, social, cultural e político de uma sociedade.

Já chega de chantagens e maldades sobre os trabalhadores.
Precisamos, é certo, de melhorar o nível de gestão, mas talvez sejam mais perniciosas as "excepcionais" capacidades dos Zeinal Bava que actuam neste país do que
as fragilidades e falta de motivação (que são reais) para inovar e aprender de muitos pequenos patrões,
inseridos numa economia e sociedade tolhidos por uma austeridade sem sentido.

O tempo que vivemos sem dúvida exige aprendizagens no trabalho, desde logo aos gestores,
mas também nos desafia a trabalhar outros rumos e compromissos de desenvolvimento e a encontrar governantes sérios e capazes.»

Manuel Carvalho da Silva
(via Entre as brumas da m.,)


De DesGoverno neoLiberal delira/mata... a 17 de Abril de 2015 às 11:49
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Governo em modo delirium tremens

O governo entrou em fase delirium tremens. Situação recorrente neste executivo, mas que tem picos na Primavera. Só esta semana, destaque para três momentos zen ( embora fossem muitos mais)

--Apoio ao truca truca

Depois de aumentar o horário de trabalho na função pública para 40 horas semanais, apenas porque sim,
lembrou-se que era preciso fomentar o apoio à natalidade e propõe a possibilidade de pais e avós trabalharem a meio tempo recebendo 60% do salário.
(Não seria melhor reduzir o horário novamente para as 35 horas e pagar apenas 50% aos trabalhadores em part-time?)

--Se vai legislar, não beba

Movido pela fúria legífera, aprovou uma lei que proíbe o consumo de álcool a menores de 18 anos, mas reduziu a capacidade operacional da ASAE.
Sem meios para fiscalizar o cumprimento da Lei, como é que o governo pensa fazer cumpri-la?

--Teimosia ou psicopatia?

Passos Coelho insiste na redução da TSU para as empresas, agora com a nuance de não prejudicar os trabalhadores. Como?
Segundo explicou Marco António Costa, numa primeira fase a perda de receitas da segurança social será compensada através da injecção de verbas provenientes do Orçamento de Estado.
Ou seja, serão os contribuintes a pagar este favor do governo aos patrões.
Como já acontece, por via da descida do IRC.
Os trabalhadores não serão contribuintes ?

(- por C.B. Oliveira, abril 16, 2015, Crónicas do rochedo)

-------comentários:

--Primeiro para os pais trabalharem a meio tempo, é preciso terem trabalho...
Segundo, a proibição do consumo de álcool a menores de idade é utópica...eles são muito mais criativos que o governo!
Por último, fazem dos trabalhadores parvos usando falácias que retoricamente suportam o seu palavreado.

--Psicopatia, naturalmente! (...)

As expressões faciais do embuste não enganam ninguém. Excetuando aqueles que gostam de ser enganados.
Uns porque são beneficiários diretos,
outros por ignorância e cegueira mental.

O estarola em funções de primeiro ministro vai ficar na história de Portugal ao lado do pior que aconteceu ao país em nove seculos de existência.

--Gosto especialmente da lei seca.
Não são os pais que vão educar os filhos, é o Estado que vai proibir.


De CDS/PSD desgovs e fantoches a 17 de Abril de 2015 às 12:28
O[s] Verdadeiro[s] Artista[s]

(-por josé simões, 17/4/2015, http://derterrorist.blogs.sapo.pt/ )

O CDS apoia o corte de 600 milhões de euros nas PENSÕES porque «há um problema de sustentabilidade do sistema de pensões»
e porque o CDS é favorável à descida da TSU, com a luz verde e irrevogável de Paulo Portas, sem custos para -os trabalhadores, o que faz toda a diferença, olarilas,
a descapitalização da Segurança Social não é tida nem achada, olarilas mais uma vez,
e porque os jovens não descontam porque no país da retoma e do milagre económico e do exemplo para a Europa e para o mundo
emprego não existe, quanto mais trabalho, e porque os que que descontam fazem-no nos países de destino, para onde emigraram,
e porque como ninguém desconta voltamos outra vez ao princípio que é a descida da TSU sem custos para -os trabalhadores
e porque uma maioria absoluta não chega para levar a cabo tão hercúlea e patriota tarefa
é preciso um consenso alargado na forma de um «compromisso com o principal partido da oposição» - o PS, para que a culpa tenha marido e não morra solteira.

São demasiados "porque" para um partido de pantomineiros – o CDS, propriedade de um pantomineiro – Paulo Portas.


De A realidade em Portugal (5) a 17 de Abril de 2015 às 15:07


Esta é a política do aumento da EXPLORAÇÃO, de corte nos salários e pensões, de alterações para pior ao Código do Trabalho e à Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas, de golpe na contratação coletiva, facilitação dos despedimentos, eliminação de feriados, desregulação e aumento dos horários de trabalho, promoção dos despedimentos, corte dos complementos de reforma em empresas públicas de transportes e de generalização da precariedade com os falsos recibos verdes e o recurso a trabalho forçado e não pago, como os chamados "Contratos Emprego Inserção" ou os estágios a preencher necessidades permanentes.

Os salários no sector privado baixaram 13% entre 2011 e 2013 e na administração pública baixaram praticamente o dobro. A parte do trabalho na distribuição do rendimento nacional reduziu-se e representa apenas 37%, enquanto a parte do capital atinge 62%.
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As políticas dos PECs e do Pacto de Agressão traduziram-se no EMPOBRECIMENTO, que promove baixos salários e pensões, cortes nos seus montantes, desemprego, eliminação de apoios sociais, abono de família, complemento solidário para idosos, rendimento social de inserção.

Uma razia que cria uma situação dramática com a taxa de pobreza a passar, entre 2009 e 2013 de 17,9 para 25,9%, mais 800 mil pessoas na pobreza, 2 milhões e 700 mil portugueses atingidos nas suas vidas.

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As políticas dos PECs e do Pacto de Agressão traduziram-se no DESEMPREGO massivo. Entre 2009 e 2014 o número de postos de trabalhou foi reduzido em quase meio milhão, a taxa de desemprego em sentido restrito passou de 9,4 para 13,9 %, apesar da emigração e da não contabilização de mais de 160 mil “ocupados” em estágios, programas ocupacionais e ações de formação.

O número de desempregados em sentido amplo passou de 653 mil para mais de 1 milhão e 200 mil, a taxa de desemprego dos jovens atinge os 35%, o número de desempregados de longa duração duplicou e apenas 23% dos trabalhadores desempregados recebem subsídio de desemprego.

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Traduziram-se na política da EMIGRAÇÃO forçada, que expulsou do País, por razões económicas, nos últimos cinco anos quase 400 mil portugueses, uma dimensão que sem paralelo nos últimos cinquenta anos só comparável com o tempo do fascismo.

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As políticas dos PECs e do Pacto de Agressão traduziram-se no CORTE do INVESTIMENTO público. O investimento decisivo para manter a produção, as infraestruturas, equipamentos e para o desenvolvimento caiu de 7,2 mil milhões de euros em 2009, para 4,2 mil milhões de euros em 2014.

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As políticas dos PECs e do Pacto de Agressão traduziram-se na DESTRUIÇÃO do aparelho PRODUTIVO e da produção nacional. O PIB em termos reais passou de 181 mil milhões de euros em 2008, para 169 mil milhões de euros em 2014, uma quebra de 6,6%, recuando para o nível existente em 2001, há uma década e meia atrás.
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(- http://ocastendo.blogs.sapo.pt/ 16/4/2015)


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