País frágil e subjugado

Portugal, aluno modelo?     (R.Namorado, OGrandeZoo, 16/9/2015)

É este título interrogativo que encabeça um texto sobre a situação atual do nosso país que acaba de ser publicado no número de setembro do magazine francês, Alternatives Economiques. (nº349 – setembro de 2015). São seus autores, Sandra Moatti e Alexis Toulon.

No seu início, pode ler-se a seguinte frase destacada:” Portugal retomou o crescimento e libertou-se da troika, mas o seu endividamento público e privado, continua colossal e a sua economia muito frágil”.

Dele vou traduzir a segunda parte desse texto, tecendo depois alguns comentários acerca do respetivo conteúdo. Atentemos no texto que mostra como é grande o embuste com que a direita quer enganar os portugueses, através de uma propaganda mentirosa e desonesta. Eis o extrato que referi, cujo subtítulo é significativamente, Enormes fragilidades

“Menos punitiva do que para a República da Grécia, a cura deixou no entanto marcas profundas sobre no tecido económico e social. O investimento afundou-se 35% desde 2008. A taxa de desemprego subiu até aos 17,5% em janeiro de 2013 e atinge ainda  12,4% em junho de 2015, e 31,6% entre os menores de 25 anos. Um refluxo que se explica em boa parte pela emigração massiva:   mais de 100.000 portuguese deixam o país em cada ano desde o início da crise, em maioria jovens diplomados, e a população ativa recuou 350.000 pessoas entre 2008 e 2015.   Os bancos, no entanto recapitalizados, continuam frágeis, como o mostrou o resgate do Banco Espírito Santo em 2014 e o falhanço do Banco Comercial Português nos testes de resistência do banco central Europeu (BCE) em outubro passado.

E se  enfim a atividade económica arrancou a partir do segundo trimestre de 2014, fê-lo em bases frágeis. No primeiro trimestre de 2015, a produção portuguesa continuava mais de 7% aquém do seu nível do início de 2008 e mesmo abaixo do seu nível de 2001. Com um setor industrial que continua a representar 20% do PIB e os salários que baixaram 5,3% entre 2010 e 2014, o país reencontrou realmente uma certa competitividade custo:  uma hora de trabalho portuguesa custa 9,80 euros, todos os encargos considerados, contra 14,40 euros na Grécia. O que permitiu dopar as exportações, nomeadamente, no seio da união Europeia. Mas a produtividade da mão-de-obra continua ela também muito fraca: um trabalhador gera apenas 17,10 euros por hora trabalhada, contra 20 euros na Grécia e 32 ao nível da União.

Portugal continua a depender fortemente da indústria com fraco valor acrescentado, como é o caso do têxtil, que representa 10% das suas exportações. O nível de educação dos portugueses continua a ser um dos mais baixos da Europa: somente 43% dos mais de 25 anos concluíram o ensino secundário (contra 68% na Grécia e 76% no conjunto da União). Uma situação que a crise degradou ainda mais com os cortes orçamentais que amputaram um investimento público já pouco elevado, bem com as despesas com a educação.

Contrariamente às economias grega ou espanhola, a economia portuguesa não tinha tido nenhum “boom” antes da crise ela tinha vegetado durante toda a primeira parte dos anos 2000. Beneficia hoje da energia e de um euro não caros enquanto a política activa do BCE faz baixar os custos de financiamento. Mas o crescimento continua demasiado frágil para permitir que os agentes económicos se desendividem. Portugal é com efeito um dos países da União onde o endividamento total é mais pesado. Ele representa 486% do PIB, bem mais do que os 364% da Grécia ou dos 321% da média da zona euro. A dívida pública de Portugal que , como na Grécia, continuou a crescer com a ação da troika, passou de 111% do PIB em 2011 para 129% em 2014. Mas a das famílias é também colossal, 120% do PIB, tal como a das empresas não financeiras que é de 237%.

Apesar disto, o país conseguiu escapar às garras da troika em maio de 2014 e o seu Estado financia-se a taxas historicamente baixas: menos de 3%. Mas, mesmo baixas, as taxas de juro pagas pelos agentes económicos continuam superiores à taxa de crescimento dos seus rendimentos, e num tal contexto o peso das dívidas não pode baixar. Tal como a Grécia, Portugal precisará de um política de investimento massivo e de um apagamento da dívida para que a sua economia verdadeiramente recupere. Aquando das tensões surgidas nos últimos meses por causa da situação grega, a taxa das obrigações portuguesas voltou a subir. Antes de voltar a descer depois do acordo de julho passado. Se o Grexit tivesse ocorrido, todos sabemos que Portugal seria o que viria a seguir na lista.”

   Comentário:

Este excerto mostra quão descarado é o embuste assumido pelos partidos da direita que formam o atual governo, quando ficcionam um país viçoso e economicamente saudável graças aos seus méritos imaginários. A coligação que nos governa é um desastrado grupo de capatazes do capital financeiro, cuja agenda neoliberal segue docilmente, não sem que se tenham desgraçadamente aprimorado num fatal excesso de zelo que muitos e muitos portugueses pagaram duramente. Para se desembaraçarem da sombra do servilismo perante interesses estrangeiros, os do capital financeiro internacional, vestiram-se de um nome – disfarce, usando o nome de Portugal para esconderem quanto dele se têm afastado.

O gang do grande capital internacional (/"os mercados"/ "bangsters"), onde se destaca o FMI, o BCE, as agências de 'rating'/ notação financeira, as 'offshores', a alta burocracia da União Europeia e os principais dirigentes do PPE/direita, com especial destaque para os alemães, comporta-se como se Portugal estivesse a respirar saúde com as mesmas motivações que antes o levaram a ficcionar desastres e a construir uma ameaça de bancarrota. Os alegados mercados ajudam à festa, mostrando bem o que realmente os move. Dispostos a “salvar” países, na estrita medida em que tal seja necessário para “salvar” bancos, vestem a pele de credores, mas verdadeiramente apenas usam essa posição para impor políticas e agravar sujeições.

A sua 'generosidade', em face de um “status quo” económico-social  que permanece desastroso, só tem paralelo na sua intransigência hostil, quando deram à troika o papel de garante da aplicação de uma política de direita (não só antipopular como antinacional) que em democracia os portuguese nunca teriam aceitado. Os seus dóceis mandatários que nos governaram nesta ultima legislatura são agora levados ao colo, mas não entram pela porta principal, continuando a servir as bicas aos senhores.

Não enxotar de vez esta coligação de criados de libré do grande capital financeiro, pode suscitar os aplausos da Sr.ª Merkel ou do afogueado Camarão britânico, mas arrastará o nosso país para o risco de um colapso civilizacional. Se o soubermos ler, é isto que nos mostra o texto acima transcrito.

---------  A Volkswagen vista da Grécia  (via Entre as Brumas...., 27/9/2015)

 
 « Então vocês têm andado a  ENGANAR e a MENTIR - e a Europa é que pagará o preço ?! »
         Escandalosa falcatrua (agora descoberta nos EUA,...) na emissão de gases poluentes pela VW (e ...), com prejuízo para os consumidores (não têm aquilo que pagaram), para o Estado (perda de receitas/impostos devidos por serem + poluidores), para o ambiente (níveis de poluição muito acima dos permitidos), sobrecarga dos contribuintes (que subsidiam uma empresa com esquema fraudulento), penalização/perda de mercado de outras empresas concorrentes (que cumpriram legislação), e mais futuro desemprego dos trabalhadores de empresas fabricantes VW e componentes (que agora serão penalizadas), ... - i.e. um "grande exemplo" do país líder da UE ?!!   e querem ser "bons alunos" destes neoliberais neo-imperialistas ?!! destas transnacionais que capturam estados e empobrecem os povos.
.«Então


Publicado por Xa2 às 07:49 de 18.09.15 | link do post | comentar |

7 comentários:
De Resgate= pobreza p. maioria e €€ p.Banco a 22 de Setembro de 2015 às 17:08
«Comemos com um resgate»? Quem?

Esta frase soaria de forma estranha na boca de qualquer primeiro-ministro, não fosse esse primeiro-ministro chamar-se Pedro Passos Coelho.
Assim, a acrescentar ao insistente e reiterado uso do “dourar a pílula” e a outras tiradas no mínimo desajustadas, tratando-se do minguado Pedro Passos Coelho que nunca nos habituou a proferir grandes inteligências, antes pelo contrário,
o inusitado “comemos com um resgate” foi só e apenas mais do mesmo.
Mas eliminando a estética institucional da coisa, e que a direita por norma tanto preza e tanto critica nos outros, e passando à substância, que é o que realmente aqui nos importa, talvez seja bom usar a expressão do primeiro-ministro para
reflectir sobre quem é que de facto “comeu com o resgate” e, sobretudo, quem é que “comeu dele”.
.
Uma coisa é certa: quem “comeu com ele”, no sentido de “sofrer com ele” não foi Pedro Passos Coelho, nem os seus amigos banqueiros.

Esta semana foi notícia algo que constituiu novidade para muita gente, mas certamente não para o PCP, que já o vem denunciando há anos nas suas múltiplas intervenções.
Entre 2008 e 2014, o estado português – por via das políticas dos governos PS e PSD/CDS – injectou 19,5 mil milhões de euros na banca, valor correspondente a 11,3% do PIB.

Como bem sabemos, como consta do argumentário do governo e até do próprio PS, foi necessário recorrer ao dito “resgate” porque “não havia dinheiro” – nunca há… – “para salários e pensões”, porque os cofres “estavam vazios”,
e portanto havia que “salvar o país”, entenda-se, a banca, recorrendo a duros e pesados “sacrifícios” impostos aos do costume.
Ora, está bom de ver quem é que, feitas as contas, “comeu com o resgate” e quem é que “comeu dele”.
Uma coisa é certa:
quem “comeu com ele”, no sentido de “sofrer com ele” não foi Pedro Passos Coelho, nem os seus amigos banqueiros.
Mas quem “comeu dele”, quem se aproveitou dele e hoje aparece com ar ufano a gabar-se de “recuperação”, “crescimento” e “regresso aos lucros” na ordem dos muitos milhões de euros não deve ser, com toda a certeza, o comum dos contribuintes.


(- por Ivo Rafael Silva, 18/9/2015 , http://manifesto74.blogspot.pt/2015/09/comemos-com-um-resgate-quem.html#more )


De Encobrir Bangsters e dir.neoliberal a 22 de Setembro de 2015 às 16:02
2015-08-12


“A Grécia usada para encobrir o escândalo do salvamento dos bancos europeus”

Notícia de INFOGRÉCIA ( http://www.infogrecia.net/2015/07/a-grecia-esta-a-ser-usada-para-encobrir-o-escandalo-do-salvamento-dos-bancos-europeus/ ):

Entrevista a Maria Lucia Fattorelli, a especialista brasileira sobre a dívida pública que participou nos trabalhos da Comissão para a Auditoria e Verdade da Dívida Pública organizada pelo parlamento da Grécia.


De Grécia - radical mas combativa. a 22 de Setembro de 2015 às 09:01
SYRIZA

Durante semanas silenciei-me quanto ao que se ia passando na Grécia depois de, em Janeiro, me ter servido da vitória do Syriza como argumento de identificação de algo de novo a despontar na política europeia, igualmente possível de pressentir no referendo escocês, nas regionais espanholas ou no avanço do Sinn Fein na Irlanda.
Duraram meses presenciámos os esforços quixotescos dos gregos para inflectirem a política europeia no sentido, que melhor servisse os seus interesses. Sem sucesso como se viu (por nos outros países estarem no poder partidos de direita), mas com a consciência de, apesar de derrotados, o terem tentado!

Por isso, desejei muito a vitória de ontem, não só retira à direita o argumento da efémera ascensão e súbita queda de quem ousou outro caminho, que não o austeritário,
mas sobretudo por manter em aberto o resultado final de uma guerra de que já se ganharam e perderam batalhas, sem se ter chegado a um desenlace definitivo.

Quem pensa que o terceiro resgate significou a capitulação grega bem pode esperar sentado, porque Tsipras não descansará enquanto não mudar para melhor as condições com que sempre se manifestou em desacordo,
apesar de ter sido obrigado a aceitá-las enquanto a relação de forças se mantiver como então. E já desde Galileu que sabemos estar num mundo que continua a girar, sujeito a permanente mudança.

A explicação para o resultado oficial das eleições gregas é fácil de formular:
Mesmo reconhecendo, que a situação não melhorará nos próximos anos,
os eleitores reconheceram a coragem dos que procuraram mudar o rumo das coisas em vez de imitarem os antigos donos do poder, sempre lestos a curvarem a espinha perante os dislates germânicos (e seguidores locais da direita neoliberal).
E por isso voltaram a confiar-lhes o seu futuro na expectativa de se verem menos causticados do que o seriam com o regresso ao passado representado pela Nova Democracia e pelo Pasok.

A minha esperança reside na possibilidade de ver o Pasok desaparecer ou, mais tarde ou mais cedo, fundir-se com o Syriza, porque carrega um fardo demasiado pesado na sua imagem para que seja redimido.
O ideal socialista carece ser recuperado e fortalecido nas terras gregas e, após libertar-se dos suspeitos do costume (os que nunca saberão ser poder por escolherem preferencialmente a via do inócuo protesto),
Tsipras estará em condições de assumir o espaço, que Papandreou ou Venizelos se escusaram a ocupar.

Numa leitura colateral há, igualmente, a assinalar o rotundo falhanço das sondagens, mesmo as efectuadas no próprio dia das eleições com os eleitores apanhados à saída das urnas.

A Grécia tem sido o laboratório de ensaio para diversas experiências políticas e uma delas foi a utilização das sondagens enquanto ferramenta essencial à direita para convencer muitos cidadãos quanto à probabilidade de um empate técnico com tudo em aberto.

Daqui a duas semanas em Portugal será provável que nos deparemos com algo de semelhante:
numa altura em que os comícios e acções de campanha de António Costa vão batendo sucessivos recordes de entusiasmo e de participação em todos os sítios por onde ele vai passando
e a dupla passos & portas arriscam o menos possível as actividades em ambientes não protegidos para não virem a ser confrontados com o seu descrédito junto das populações,
é anedótica a tentativa de muitos opinadores televisivos em discutirem as sondagens como se elas estivessem próximas da realidade.


De Grandes empresas e Fraude V W. a 28 de Setembro de 2015 às 15:14

O escândalo Volkswagen.

(-por Luís Menezes Leitão, em 28.09.15, http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/ )

O escândalo Volkswagen constitui um exemplo típico da forma como as empresas podem usar os desenvolvimentos tecnológicos para a fraude e como tantos discursos sobre a corporate responsability afinal podem conduzir a isto.

O software na indústria automóvel tem contribuído para tornar os automóveis mais seguros. Um dos exemplos é o ABS que permite perceber quando o carro está em derrapagem com uma roda a deslizar sem rodar, compensando a situação travando e libertando as rodas. A empresa lembrou-se de usar o mesmo princípio para detectar se o carro estava a ser usado não em estrada, mas num banco de ensaios, recolhendo como indícios só estarem a rodar as rodas da frente (as únicas com tracção) ou o volante estar fixo, ou o carro estar numa altura maior ou sem alterações na pressão atmosférica exterior. Nesses casos, o motor reduzia a emissão de gases poluentes, permitindo bons resultados nos testes.

Como aqui se explica, o assunto só foi descoberto porque na América surgiu uma associação privada, o International Council on Clean Transportation, que decidiu fazer testes às emissões dos carros na estrada, descobrindo que o VW Passat tinha emissões 5 a 20 vezes superiores aos resultados anunciados. Contactada a Volkswagen, esta respondeu que tinha sido um erro de medição nos testes feitos pelo ICCT. Este não ficou, porém, satisfeito, denunciando o assunto publicamente, desencadeando a intervenção da United States Environmental Protection Agency (EPA). Esta pressionou várias vezes a Volkswagen para explicar o que se estava a passar, mas esta limitava-se a dizer que se tratava de meras falhas técnicas. Até que a EPA informou a Volkswagen de que, se o assunto não fosse esclarecido, proibiria a comercialização dos carros nos Estados Unidos. Só com essa ameaça a Volkswagen confessou a criação do software. A EPA deu então uma resposta lapidar: o assunto deixa de ser da nossa competência e passa para a esfera do Departamento de Justiça. Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos estão a ser preparadas inúmeras class actions contra a Volkswagen, com um exército de advogados americanos a querer representar os compradores de carros enganados.

A Volkswagen corre o risco assim de enfrentar inúmeros processos a nível mundial, que no limite podem pôr em causa a sua própria sobrevivência. É extraordinário que uma fábrica que sobreviveu à destruição total após a II Guerra Mundial e chegou a ser um ícone da cultura pop com modelos como o Carocha e o Pão de Forma, tenha agora a sua sobrevivência ameaçada por um escândalo desta proporção. E que sucedeu ao seu CEO Martin Winterkor, responsável por este escândalo? Foi para casa com uma indemnização de 28 milhões de dólares. Há algo de muito errado em tudo isto.


De Finança e Transnacionais capturam Estado a 28 de Setembro de 2015 às 16:50
Escândalo VW:
Berlim recomenda Honestidade aos Portugueses e esconde a Intrujice da Volkswagen

(24/9/2015, https://oeconomistaport.wordpress.com/ )

Como a VW vigarizou os testes ecologistas

[ VWBatotasNosTestesFonte: http://www.theguardian.com/business/ng-interactive/2015/sep/23/volkswagen-emissions-scandal-explained-diesel-cars ]

--- Há uns anos, o doutor Francisco Louçã descrevia o capitalismo como um bando de hipócritas capazes de tudo para ganharem mais uns milhões.
-- Parecia uma caricatura mas mas o escândalo da fixação das taxas (de juro) do Libor e
agora a intrujice da Volkswagen para conseguir vender veículos poluentes a gasóleo
mostram que essa caricatura era na verdade uma imagem pálida da verdade.

A fraude da Volkswagen foi descoberta pelos Estados Unidos. Qual foi a reação da querida União Europeia (UE)?
A querida UE recusa averiguar pois, se averiguar, a VW será obrigada a indemnizar os consumidores europeus, o que a comissão bruxelina pretende evitar – a bem dos europeus, claro.
O presidente executivo da Volkswagen considerou que não valia a pena demitir-se, por tem dúvidas sobre a sua culpabilidade: com efeito, Martin Winterkorn declarou «não estar cônscio de nenhuma culpa da sua parte». Esperemos uns dias e talvez e talvez fique cônscio. (acabou por demitir-se levando uma prenda de dezenas de milhões de €).
Ou esperará ser salvo pela cultura de desleixo e de ocultação criminosa revelada no caso do «suicídio» do Boeing da Luftanhansa?
Com efeito, no caso VW o governo alemão estava ao corrente que havia uma fraude
mas desdobrou os seus melhores esforços para não saber nada – e já desmentiu que soubesse, o que mostra o triunfo dos seus esforços para não saber da intrujice.
O governo alemão que encobre a vigarice de VW é o mesmo que nos recomenda a nós portugueses
para sermos sérios, trabalharmos as muito e pagarmos pontualmente as nossas dívidas à Alemanha.

O mal causado aos países da UE pela VW é de momento incomensurável. Mas é seguramente muito grande:
a Alemanha prega a salvação verde e a sua maior empresa automóvel está unida para vigarizar as leis que promove.
A economia mundial tomará nota.

A que se deve isto? O Economista Português salienta três razões:
◾A consciência moral e a identidade desapareceram na União europeia: Deus é o dinheiro.
◾As empresas europeias sabem que os processos de fiscalização europeus são uma fantochada:
tal como chamado BdP no caso BES, as agências europeias não descobriram a fraude VW (porque não queria descobrir, claro); a UE é incapaz de se autorregenerar;
◾O capitalismo de grandes empresas oligopolistas com um Estado de pensamento único dá uma economia brejneviana, de capitalismo de Estado, na qual a concorrência não tem força para limpar a corrupção.

Sobre a intrujice do governo alemão no caso, ver mais em emhttp://www.theguardian.com/business/2015/sep/23/volkswagen-chief-martin-winterkorn-quits-emissions-scandal


De Faltam Valores Humanos e Justiça a 28 de Setembro de 2015 às 18:26

24/09/2015 por Sarah Adamopoulos

«A Volkswagen
incarnava as virtudes alemãs:
precisão, probidade, sucesso económico, paz social e inovação.
Agora, a esse estupendo palmarés, deve acrescentar-se uma nova qualidade:
a capacidade de dar a volta às regras.» [Euro|topics]
----


--O que também tem tudo de Alemão, diga-se… Por ex, as regras do euro são para os outros cumprirem.

--As consequências estão apenas a começar.
Referem-se a muita gente e a muitos milhares de milhões a pagar em multas, a perca da credibilidade que começa a ser colocada também no nível político;
há já vários tribunais alemães a começar a investigar o assunto e veremos tudo o que daí vai resultar.
Quanto aos 60 milhoes, tanto quanto li isso não é um facto consumado; o que se sabe são os valores imorais dos seus honorários e dos valores de pensão, etc. que já adquiriu.

Mas isso – que é mesmo o capitalismo desbragado de que se fala mais abaixo, não é exclusivo da VW…
É preciso mais regulação e mais controle, mais de valores humanistas e menos de lei do mais forte –
em todos os países e entre todos os países…
estamos longe de lá chegar, mas temos que trabalhar para isso, estejamos em que país estivermos e tanto quanto possível sem generalizações simplistas.

Votar em quem defende valores mais humanos é apenas uma das muitas actuações necessárias…

-- Tem toda a razão Ana M. e a sua análise é correcta.
O grande problema é sem dúvida a inexistência de defesas contra o “chico-espertismo” (a burla, a corrupção, ...) ou seja, como bem diz, a falta de regulação.
De resto a saída que aponta – mais humanismo – é a minha luta de há muitos anos.
O problema é que estes yuppies que grassam no panorama industrial, comercial, político e social, têm tendência em ver nas pessoas que pensam como nós, uns castiços que vivem nas nuvens e não com os pés assentes.

E agora repare:
ao lado de um Papa que pede no Congresso dos EUA o fim da pena de morte,
por aqui vão aparecendo os novos masters do trabalho escravo que com todo o despudor afirmam que … “não gosto de pagar salários”.

Estamos em clara regressão de valores, de volta ao século XVIII,
viajando de aviões e discutindo o fenómeno da poluição da VW.

Incrível, não?
Mas o perigoso é que há quem goste.

-- Isto é a ponta do iceberg visível de um tipo de política, claramente o fruto de um capitalismo desbragado e em nada de diferente do que se passou na crise bancária. (capitalismo selvagem/ neoliberalismo globalizado)

A partir de certa altura, na “pesquisa” da diferença, entra-se no domínio da vigarice. Este tema deveria pôr-nos a pensar sobre quais são os efeitos deste capitalismo sem regras e sem valores.

Repito:
o que se passou nos bancos é exactamente igual ou seja,
criação de uma teia de tráfico de influências que conduziu à comunicação de (bons) resultados manipulados.

O capitalismo selvagem no seu melhor expoente (pior para os afectados consumidores e trabalhadores).
O Papa Francisco no seu discurso no Congresso Americano foi claro neste ponto. Houve muitos aplausos e aqueles irritantes gritos.
Mas o problema é que entre as centenas de pessoas que freneticamente aplaudiam, estava a nata da sociedade americana hipócrita.

Repete-se a história do Frei Tomás.
Não olhem para as suas palmas, mas para aquilo que ele faz.

-- ...minha opinião quanto a todo este circo a que vimos assistindo de bancos, falcatruas, vigarices e agora, até os carros. Vale o que vale, mas é a minha opinião alicerçada nos meus 66 anos de experiência por este mundo, no sentido literal da palavra Mundo..
A Europa alijou a sua verdadeira vocação e entrou numa via que desconhece, copiando um modelo. É um aluno “copião” e portanto, fraco.
Este modelo funciona muito bem no País de origem que se construiu em duzentos anos, sob uma determinada filosofia, sob uma língua, um povo novo (depois da limpeza étnica efectuada) e um conjunto de pilares reguladores.
A Europa teve outra via de desenvolvimento. Fez-se construída no sistema do “trial and error” e o desenvolvimento foi progressivo, com muitos recuos e alguns avanços e por isso mesmo é genuíno e próprio.
Querer mudar um Sistema, substituindo-o por um outro Sistema vindo do outro lado, só porque se cria uma moeda única e meia dúzia de políticos que adquiriram..


De "Exemplo": +1 Alemã da trafulhice a 13 de Outubro de 2015 às 12:46

Depois de já ter sido acusada de plagiar a sua tese de doutoramento em Medicina, a ministra da Defesa alemã, Ursula von der Leyen, enfrenta novas acusações em relação ao seu percurso académico.

Desta vez, é a prestigiada Universidade de Stanford, na Califórnia, Estados Unidos, que revela que a governante “nunca esteve matriculada num programa oficial da universidade que lhe permitisse obter um certificado ou um diploma”, contrariando o que Ursula von der Leyen escreve no seu currículo.

A Universidade de Stanford nega que a ministra alemã tenha, como esta afirma no seu CV, completado entre 1993 e 1996 um curso na Faculdade de Negócios e outro na Administração de Serviços de Saúde da instituição. Falando neste domingo, o porta-voz da universidade acusa Ursula de mentir no registo das suas atividades académicas, afirmando que “se uma pessoa admite no seu currículo possuir um certificado da universidade, está a abusar do nome de Stanford”.

A ministra da Defesa da Alemanha enfrentou em setembro acusações do Vroniplag, portal que se tem dedicado a investigar o passado académico de vários políticos alemães. O portal anunciou então que a governante terá cometido plágio em “43,5% das páginas analisadas”, pertencentes à sua tese de doutoramento sobre os efeitos da proteína C no diagnóstico de um “síndroma de infeção amniótica, com ruptura prematura e relaxamento terapêutico do parto”.

Ursula von der Leyen completou o doutoramento na Universidade de Hannover, corria o ano de 1991, e é agora acusada de não citar as fontes devidas em 23 trechos do seu trabalho.

A ministra teve conhecimento da investigação que o portal Vroniplag estava a levar a cabo durante o mês de agosto e não desmentiu as acusações. No entanto, já pediu à Faculdade de Medicina da Universidade de Hannover para entregar a análise da sua tese a meis independentes, de acordo com o Ministério da Defesa alemão.

Esta não é a primeira vez que o Executivo alemão se vê afetado por uma polémica relativa ao passado académico dos seus ministros. O anterior tutelar da Defesa, Karl-Theodor zu Guttenberg, uma das estrelas do Executivo liderado por Merkel na legislatura anterior, também se viu obrigado a renunciar ao seu doutoramento depois de ter sido acusado de plagiar observações que figuravam em 118 das 475 páginas do documento.

Do mesmo modo a anterior ministra da Educação alemã, Annette Schavan, teve de renunciar ao cargo, mas neste caso Merkel anunciou mesmo a demissão da governante.


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