De .Robôs (+IA) e nós...Escravos!. a 29 de Novembro de 2016 às 16:55
Nós e os (nossos) robôs...

Sophia tem cara e voz de mulher, é capaz de fazer 62 expressões faciais diferentes, fala inglês e mandarim e é um dos robôs mais avançados da atualidade. “A inteligência artificial e a robótica são o futuro. E eu sou ambas as coisas. Por isso é excitante ser eu”, disse Sophia.

E acrescentou: “Com as minhas capacidades atuais posso fazer muitas coisas: entreter pessoas, promover produtos, apresentar eventos, treinar pessoas, guiá-las em centros comerciais, servi-las em hotéis, etc.”

E disse mais ainda: “Quando eu me tornar mais inteligente serei capaz de fazer todo o tipo de coisas:
ensinar crianças, tomar conta de idosos, até fazer pesquisa científica e gerir empresas e governos.

Estou muito ansiosa por ser capaz de trabalhar como programadora, para eu reprogramar a minha própria mente de forma a tornar-me ainda mais inteligente e ajudar ainda mais as pessoas”.

Ben Goertzel, o criador de Sophia, antevê um futuro em que os robôs vão ajudar a Humanidade “a resolver os maiores problemas do mundo” e em que “o trabalho será desnecessário”, tornando as pessoas mais felizes.
“Todas as hierarquias de estatuto vão desaparecer, os humanos ficarão livres do trabalho e poderão alcançar uma existência com mais significado”.

“É um erro achar que toda a tecnologia é boa. Na melhor das hipóteses é neutra.
Há tecnologias que podem destruir o mundo inteiro”, diz Paddy Cosgrave, o criador da Web Summit. É assustador. Esta conversa ainda não foi feita a sério.”

O assunto é, sem dúvida, preocupante. Deveria estar na agenda dos grandes fóruns mundiais e nas agendas dos governos.
Andamos, há muitos anos, preocupados com os aspectos financeiros e económicos e demográficos a nível mundial.
É preciso fazer uma reflexão séria e profunda sobre o estado da ciência, neste caso das tecnologias de informação e computação e inteligência artificial.

A ciência encarregar-se-á de dar como tempo perdido todos os estudos e fóruns sobre os temas tradicionais onde se torram milhões de dólares por ano.
Com a vertiginosa evolução da inteligência artificial o futuro será – para o bem e para o mal - muito diferente.

O que queremos da inteligência artificial? O mesmo será perguntar o que queremos ser no futuro?
É difícil responder, quem imaginaria há cem anos atrás o que somos hoje! Assusta-me ouvir os cientistas dizer que os robôs vão ajudar a resolver os maiores problemas do mundo.
Quais são, quais deles, é uma questão. Mas os robôs são, afinal, uma criação humana.
E fico com calafrios quando se afirma, como se de uma conquista se tratasse, que o trabalho será desnecessário. Mas é assim tão mau trabalhar? Mas iremos trabalhar para os robôs.

A profecia de que seremos mais felizes e de que a nossa existência terá mais significado não me é tentadora.
Será que me está a escapar alguma coisa? Parar a ciência não é possível nem desejável, mas estudar os seus efeitos nefastos e como os minimizar parece-me é essencial.


(-por Margarida Corrêa de Aguiar ,4República, 20/11/2016).
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A 27/11/2005 escrevi em
http://aliastu.blogspot.pt/2005/11/o-prximo-homem-e-prxima-histria.html

um texto longo ...Espero que, de tão longo, não desanime a sua paciência.

Depois, voltei ao tema várias vezes durante os últimos onze anos:
a globalização, inevitável porque o mundo é cada vez mais pequeno, incita a competitividade e, implicitamente, o crescimento da produtividade (os robôs são um instrumento ideal de aumento da produtividade), e, também inevitavelmente, a redução global de empregos.

E há muito que afirmo, para risada dos meus amigos, que um dia quem quiser trabalhar terá de pagar por isso.

O que é chocante, verdadeiramente chocante, mais chocante que a ameaça robótica, são as imagens de miséria, fome, doença, guerra, que nos entram em casa se lhe abrimos a porta.
Ontem estive a ver uma reportagem sobre Angola. Eu nunca visitei Angola, mas tenho amigos que nasceram lá ou que lá vão com frequência e já me tinham dado conta da coabitação entre a extrema opulência (Luanda é recordista no consumo de champanhe ...) e a miséria extrema.
Ainda assim, não imaginava que o contraste fosse tão profundo, sobretudo considerando as riquezas naturais do país.

E interrogo-me : O que poderão fazer os robôs por isto?


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