De Tratado beneficia os + ricos e arruína.. a 21 de Maio de 2014 às 13:14
O Tratado Transatlântico e a Europa

Quando do anúncio do TTIP (Transatlantic Trade and Investement Partnership), também conhecido por TAFTA (Transatlantic Free Trade Area ou Agreement), em fevereiro de 2013, não emiti qualquer opinião.
Um tratado de comércio, neste caso gigantesco, só por si, não é bom nem mau.
As consequências é que o dirão. Podia ter sido um mero detalhe do discurso de Obama sobre o Estado da União onde, pela primeira vez, o referiu.

O apoio entusiástico de Durão Barroso, o mais americano dos europeus, no dia seguinte, pôs-me de sobreaviso.
A personalidade tortuosa de um aluno formado nas madraças do maoísmo, em cujo Livro Vermelho terá aprendido a enxergar armas químicas num salão de chá inglês, não foi de molde a tranquilizar-me.

Não tenho dúvida sobre a bondade do Tratado, temo é pelas consequências para os mais pobres. Se Obama e Durão Barroso o acham excelente, os portugueses devem ter medo. Será certamente excelente para o capital financeiro que devia ter sido privatizado, após a falência do banco Lehman Brothers, e não foi. Não podendo os causadores do caos ser responsabilizados, foram os povos, os mais pobres, que amargaram as especulações mal sucedidas dos bancos e são espoliados, até ao osso, para os recapitalizarem.

Com este histórico, com a UE de Durão Barroso e Catherine Ashton, incapaz de avançar para a integração económica, social e política, que sentido faz um tratado entre os países ricos da Europa e os Estados Unidos quando já se viu que as assimetrias não param de aumentar no espaço europeu?
Que importa o Tratado que beneficia o capital financeiro, que fará mais ricos os países prósperos e mais pobres os países feridos pelos estilhaços da explosão das dívidas soberanas?

Quem concorre ao Parlamento Europeu deve defender a coesão europeia como condição prévia para um tratado que acentuará a divisão da Europa entre países ricos e pobres, e os europeus entre cidadãos e párias.

Esse tratado, a ser levado à prática, abrangerá 12% da população mundial e representará 50% do PIB.

É de temer que o dinamismo económico que certamente induzirá, acelere a escassez dos recursos do planeta e a poluição, aumente demasiado a riqueza de poucos e a pobreza de muitos, numa manutenção do paradigma económico que acentua diferenças sociais e, se não for politicamente vigiado, levará, na lógica ultraliberal, ao colapso planetário.

(- Carlos Esperança, PonteEuropa, 21/5/2014)


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