De Pobreza e (má) Alimentação a 2 de Setembro de 2014 às 10:42

A Europa a Brioches

(-por Raquel Varela, 31/8/2014) http://raquelcardeiravarela.wordpress.com/2014/08/31/a-europa-a-brioches/

Às classes altas ficou reservado o frango verdadeiro (agora adquiriu um novo nome, frango gourmet, o outro não é frango, é um mutante feito em 3 semanas com injecções químicas), o peixe fresco, os figos, as nozes.
Aos outros cidadãos, trabalhadores em geral, mais pauperizados ou menos, os chamados sectores médios, ficou a farinha, o açúcar, o leite (cereais e leite, a base da PAC), o tal mutante e o porco.
É o que nos diz o INE e está aquém da verdade – é uma balança alimentar de médias que não estuda populações, classes sociais, regiões. O INE apresenta médias, e estas penalizam sempre em termos alimentares os pobres, isto é, se há um consumo de carne de 4 isso pode querer dizer que um consumiu 3 e outro 1.
Outro dado impressionante -a proporção de açúcar consumido em muitos países da Europa passou de 4 quilos ao ano no início do século XX para 40 a 50 quilos hoje (nos EUA atinge os 60 a 70). Quanto mais baixa é a classe social mais açúcar (e hidratos de carbono --> obesidade) consome.
É a base de alimentação hiper calórica, de efeito rápido e baixo custo para reprodução da força de trabalho.
A dieta mediterrânea foi declarada património imaterial da humanidade (terras, mar, sol, águas, que permitem produzir os alimentos), mas de facto é património privado porque não está ao alcance da maioria da população, devido a uma combinação explosiva de baixos salários (fraco consumo interno) e a opção política de exportações (os mercados de mais altos salários nos outros países consomem o peixe e os figos).

Mal sabia Maria Antonieta (rainha francesa guilhotinada) que 200 anos depois os europeus pediam peixe fresco e legumes sem pesticidas e os governantes respondiam dando-lhes brioches.

A fotografia é uma fila de racionamento de açúcar na II Guerra


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