De Neoliberal favorecim., corrupção e ruína a 26 de Novembro de 2014 às 12:11

Contra o discurso da podridão do regime

(R.P:Mamede, 25/11/2014, Ladrões de B.)

A sucessão de eventos dos últimos meses – desde
o desmoronar do império Espírito Santo e a detenção de Ricardo Salgado,
passando pelo processo dos ‘vistos dourados’ e a detenção do director do SEF,
até à prisão preventiva de José Sócrates –
contribui para aprofundar na sociedade portuguesa a ideia de que os principais pilares do poder no país estão minados pela corrupção e por comportamentos inaceitáveis.

Daqui à conclusão que vivemos num regime de podridão é um passo.
Um passo acelerado, já que os sentimentos fortes ajudam a vender jornais e dão uma oportunidade fácil para a afirmação de projectos políticos sem substância – ou com substância inconfessável.
A exploração do medo, do pânico e da desesperança dá dinheiro e alguns votos.
O que não quer dizer que produza bons resultados.

Sabemos que a denúncia pode ser útil:
ela tem uma longa tradição em Portugal, sendo muitas vezes o que nos resta quando pouco mais se pode fazer.
Os romances e os ensaios de Antero de Quental, de Eça de Queiroz e da sua geração, são do melhor que se produziu em Portugal – e foram tudo menos inúteis.

No entanto, não estamos no século XIX, nem no final de um regime político indefensável.
Portugal tem hoje uma democracia, guiada pelo princípio da separação de poderes e por direitos, liberdades e garantias.
Com todas as suas deficiências, este é um regime que, nos últimos 40 anos, retirou milhões de pessoas da pobreza, do analfabetismo e da doença.
Que tornou os poderes económicos, políticos e judiciais menos autoritários e mais transparentes.

Neste regime, muitas vezes os poderes não estão separados e nem sempre os direitos estão garantidos.
A igualdade perante a lei e a equidade social ainda são objectivos por alcançar.
Há ainda muita falta de transparência e abuso de poder.

Mas os princípios constitucionais continuam a ser assumidos como válidos pelo conjunto da sociedade.
E, enquanto cidadãos, continuamos a ter a possibilidade – e a responsabilidade – de
nos JUNTARmos e EXIGIRmos que esses princípios sejam prosseguidos.

Este é o regime em que quero viver.
Não tenho a certeza que regime desejam aqueles que navegam na crista do discurso da podridão.

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(contra ) o discurso da podridão do regime

«...
...vai do BPN aos vistos gold passando pela tecnoforma e pelos BES, com uma paragem nos submarinos.
Isto só no que diz respeito à corrupção.
Mas a governança neoliberal tem-se pautado por um trilho terrível que oscila entre a incompetência, o crime e a atitude despudorada e consciente.

( ah e ainda há quem replique as medidas salazarentas e podres quanto à deportação dos adversários , com algumas bastonadas a acompanhar os "fluxos migratórios"...)

" Há que perceber o que é que verdadeiramente liga, potencia, permite os vários casos de corrupção – uns confirmados, outros por confirmar – e
o que contribui para a degradação da política e da democracia.
Dê lá por onde der este ou aquele caso em particular, o problema não é e nunca será só «aquele ministro», «aquele ex-ministro» ou «aquele banqueiro».
São anos, décadas, de maus governos e maus governantes.
São anos de leis ideologicamente concebidas, de políticas a preceito de uma determinada lógica de promiscuidade e favorecimento entre poder político e poder financeiro.
São legislaturas inteiras pautadas pela submissão das regras da democracia às regras da finança.
É todo um sistema poderoso e corporativista, manhoso, oculto, esperto, promíscuo, que perpassa, resiste, conspira
e patrocina a alternância entre PS, PSD e CDS,
não lhe importando, não lhe fazendo mossa, que o líder se chame ... ou .... ou ...
... - IRSilva»


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