(excerto de nova carta de J. Sócrates enviada aos jornalistas..., DN,4/12/2014, via Metro, 5/12/2014)
(Está PODRE este) SISTEMA POLÌTICO-PARTIDÀRIO:
:
" Digamo-lo sem rodeios :
o "sistema" vive da COBARDIA dos políticos, da CUMPLICIDADE de alguns jornalistas; do CINISMO, das faculdades e dos professores de Direito e do DESPREZO que as pessoas decentes têm por tudo isto".
O que me leva a borrifar para a carta de Sócrates não são as dezenas de verbos que ele usa para dar razão ao que escreve mas sim as centenas de vezes que as razões dele não foram consideradas durante os seis anos em que foi Primeiro-Ministro e nada fez para que essas razões deixassem de o ser.
O 44 de Évora tem razão. É inacreditável que a nossa justiça aja desta forma, mas só é hoje possível que o faça porque houve um PM que durante o tempo em que o foi (quatro dos quais com maioria absoluta) nunca fez o que quer que fosse para ser de forma diferente.
E, se adianta que seja verdade ser necessário sentir na pele o mal que acontece aos outros, não deixa de ser verdade que, quem é eleito para que os outros tenham os seus direitos protegidos, merece sentir na pele os efeitos das suas inconsequências.
É isto que distingue a pungência dos órfãos, da pungência dos eleitores que resulta da incapacidade dos lideres políticos que elegemos.
LNT [0.328/2014]
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José Sócrates enviou uma carta ao Diário de Notícias, criticando o "sistema de cobardia dos políticos".
Escreve Sócrates: "O sistema vive da cobardia dos políticos, da cumplicidade de alguns jornalistas, do cinismo dos professores de Direito e do desprezo que as pessoas decentes têm por tudo isto. De resto, basta-lhes dizer: "Deixem a justiça funcionar".
Na carta manuscrita a tinta vermelha, por diversas vezes rasurada e com três páginas, Sócrates comenta:
"Prende-se principalmente para despersonalizar. Não, já não és um cidadão face às instituições, és um "recluso" que enfrenta as "autoridades":
a tua palavra já não vale o mesmo que a nossa. Mais do que tudo - prende-se para calar".
E acrescenta:
"E - suprema perfídia - invoca-se, para assim proceder, as regras do Direito, a legitimidade da democracia. "As instituições estão a funcionar."
No dia em que a carta chegou ao DN, o Supremo Tribunal de Justiça recusou o pedido de Habeas Corpus, revelando no acórdão que o o ex-primeiro ministro também está indiciado por corrupção ativa, sendo suspeito de ter oferecido vantagens financeiras a determinadas pessoas já depois de ter exercido o cargo de primeiro-ministro.
O acórdão do Supremo remete para documentos relevantes, entre os quais o mandado de detenção contra Sócrates e o despacho do juiz de instrução sobre medidas de coação.
Nos dois documentos é referido que o ex-primeiro-ministro está indiciado pelos crimes de fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais, corrupção passiva para ato ilícito, corrupção passiva para ato lícito e corrupção ativa.
-----Ler mais: http://expresso.sapo.pt/nova-carta-de-socrates-o-sistema-vive-da-cobardia-dos-politicos=f901133#ixzz3L10FnYTk
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mas quem é que no poder (politico) consegue fazer alguma coisa para melhorar o judicial, se isso implicar alguma perda de direitos dos seus agentes ?
Socrates quando foi eleito anunciou a redução das férias judiciais, com o fito de reduzir os tempos e o numero dos processos pendentes.
Passos Coelho quando foi eleito destacou as especifidades dos agentes judiciais como justificação para não estarem sujeitos aos mesmos sacrificios que o resto da administração publica.
não preciso de recordar o que aconteceu a um e a outro, pois não ?
ainda se lembra da tecnoforma ? em que desaparecerem documentos ?
Poucos se lembram ...
( http://aspirinab.com/julio/socrates-e-o-catedratico/ júlio, 4/12/2014 )
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Acredito mais na inocência de Sócrates do que na idoneidade moral e na isenção política dos magistrados e polícias que o investigaram e prenderam.
Alguém em Portugal terá hoje dúvidas de que polícias e magistrados pouco idóneos e politicamente motivados podem querer tramar alguém como o ex-primeiro-ministro?
Eu não tenho nenhumas dúvidas disso, recordado que estou das calúnias que foram lançadas sobre Sócrates (e outros) em sucessivas histórias anteriores,
através de fugas insidiosas de informação e outros passes clandestinos ‒ uma longa campanha negra que preparou e “legitimou” a prisão de Sócrates.
Por isso, e porque é um direito que a todos assiste, acho natural e legítimo que Sócrates se defenda, proteste, se indigne e se debata na praça pública,
que é o lugar onde desde sempre tem sido atacado, e dos modos mais soezes
A escumalha fascizante que há muito o quer amordaçar ‒ e que há muito mais o quer ver preso e condenado ‒ vai ter que pacientar.
Sócrates tem o direito de falar e espero que continue a fazê-lo, porque isso provará que ainda vivemos em liberdade.
Ricardo Araújo Pereira, na Visão de hoje:
«Quando o assunto é José Sócrates, quase ninguém prescinde de uma declaração de interesses afectivos. (...)
Guardo a minha afeição para um conjunto de coisas realmente importantes, ao qual não pertencem actuais ou antigos primeiros-ministros. Eu gosto, por exemplo, de arroz doce. Mas não se pense que simpatizo especialmente com gelatina. No entanto, se uma taça de gelatina ou um prato de arroz doce forem acusados de corrupção, branqueamento de capitais e burla agravada, espero que tenham um julgamento justo. Não virei para a rua gritar que o arroz doce é inocente e que a gelatina nunca me enganou.»
Na íntegra AQUI.
http://entreasbrumasdamemoria.blogspot.pt/2014/12/socrates-e-os-afectos.html
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