De Ataque FinançaBCE+ Eurocracia a 20 de Maio de 2015 às 15:59
Escrever sobre a Grécia não é fácil...

Ao contrário do que por vezes corre em círculos europeístas, que desgraçadamente ainda dominam entre a intelectualidade de esquerda, as elites do poder europeu não estão loucas.
Pelo contrário, sabem bem o que estão a fazer e têm os instrumentos necessários para levar a sua avante, como aqui tenho defendido.
Só avaliando bem a racionalidade do adversários e as suas estruturas, caso do euro, é que se pode esperar conseguir alguma coisa.

Um dos mais prováveis sucessos das elites é o de terem conseguido impedir a exportação do modelo do Syriza para Espanha,
já que estou convencido que o declínio do Podemos nas sondagens também se deve aos desenvolvimentos gregos.
A Grécia só pode contar consigo.
Graças a uma operação que envolveu uma pressão continuada, do BCE à CE, para DESESTABILIZAR financeiramente a economia GREGA, incluindo por via da promoção da fuga de capitais,
a situação é mais difícil hoje do que era no início em termos da relação de forças com os credores.
Aparentemente, o novo governo grego não estava preparado para este nível de hostilidade e não tinha instrumentos para lhe fazer face, caso dos controlos de capitais.

A mensagem do centro foi e é clara e os povos estão a escutá-la, dado que as pessoas não são parvas:
toda a DESOBEDIÊNCIA (e tentativa de soberania democrática), por mais moderada e europeísta que seja, será PUNIDA e
toda a obediência terá o seu prémio, por pequeno que este seja e obtido depois de muito sofrimento assimétrico e evitável, até por via do alívio das condições financeiras.
A moeda é uma arma do soberano.
Como responderão os povos a isto?
A resposta não é independente da posição das forças nos terrenos que contam e que são os nacionais.

Entretanto, o governo grego conseguirá, provavelmente, o tal acordo que o manterá finaceiramente à tona de água, mas a sua capacidade de mobilização e inspiração internacionais parece ter diminuído.
Para mobilizar e inspirar é preciso ter instrumentos e usá-los.
Nada está ainda perdido, claro, mas o seu programa original de reestruturação da dívida no interesse do devedor no quadro euro não tem viabilidade e hoje tem ainda menos do que a pouca que tinha quando o governo tomou posse.
Não se ganhou tempo.
A natureza do cerco é clara e os seus efeitos a prazo nas corajosas linhas vermelhas que persistem também, sendo esta a aposta mais racional das elites do poder europeu.
Não estão loucas. (é intencional e está ao serviço da alta finança apátrida e do neoliberalismo)

Sabendo nós que a hostilidade da elite do poder europeu tem feito mossa nas convicções europeístas de uma maioria da direcção do Syriza que esperava ter mais margem de manobra,
tornam-se salientes duas questões que reverberam para lá da Grécia:
qual será a prazo, curto e médio, o efeito disto e haverá condições para alterar a linha?
É que os termos há muito que estão claros:
ruptura ou rendição.

(-por João Rodrigues , 20.5.15 , http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/ )


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