De Classes médias Uni-vos contra a Destruiç a 3 de Novembro de 2015 às 17:40
O mundo ao contrário

«De tal forma mudou o mundo, que é caso para se dizer que, hoje, até os sociais-democratas (pelo menos os verdadeiros) comem criancinhas ao pequeno-almoço.

Num recente texto, Pacheco Pereira ilustrou bem este paradoxo contemporâneo ao enunciar diversos princípios fundadores do PPD de Francisco Sá Carneiro, que hoje são considerados perigosamente extremados, quer pelas gentes do PSD e do CDS, quer mesmo por algumas facções do PS. (...)

A verdade é que a lógica do mundo mudou desde os anos 60/70. O bloco de Leste ruiu (tirando argumentos a alguma esquerda) e os “senhores do mundo”, com a sua eficiência habitual (no tomada do poder), foram percebendo o que tinham que fazer para contornar a democracia.

Na Europa, este fenómeno foi global, com os diversos partidos socialistas a seguirem as ordens dos “donos do mundo”, criando a “terceira via” que mais não é do que a via neoliberal com cosmética social, de que Tony Balir foi um dos maiores protagonistas. (...)

A única saída para um problema global como este é uma resposta popular global. Se antes se pedia às classes operárias de todo o mundo que se unissem na conquista dos seus direitos, hoje temos que apelar à consciência colectiva das classes médias de todo o mundo para que não permitam que lhes destruam a vida. (...)

“Classes médias de todo o mundo, uni-vos!”, terá, então, que ser o lema deste novo milénio. Essa será a única forma de deixarmos de viver num mundo cada vez mais instável e perigoso, num mundo ao contrário, em que a infelicidade é o único destino.»

(- Gabriel Leite Mota, via Entre as brumas..., 3/5/2015)

-------- Dica 157:

O alargamento e o euro são os dois grandes erros que arruinaram a Europa. (-- Wolfgang Münchau)

«Actualmente Bruxelas tem de repente de olhar pelos seus próprios interesses de política externa e de gerir a segunda maior economia do mundo.
A UE não está pronta institucionalmente para nenhuma destas tarefas.
E os seus líderes também não estão intelectualmente prontos.

Devemos esperar mais crises, mais ação unilateral por parte de Estados-membros, maior vontade de explorar opções de saída, a invocação de circunstâncias excepcionais para suspender ações a nível da UE, mais quebrar de regras e por aí fora.

O verdadeiro risco não é uma separação formal. Essa seria tecnicamente difícil de fazer. Mas isso não serve de consolo.
O verdadeiro perigo é que a UE vai simplesmente desvanecer-se e transformar-se num fantasma.»

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O euro e a desigualdade

«São muitos os relatórios publicados recentemente sobre a distribuição do rendimento e da riqueza mas, em todos os casos, de uma forma ou de outra, a conclusão é a mesma: desigualdade.
Tanto no âmbito mundial como no nacional, apresentam-se valores arrepiantes e um pouco obscenos
e as diferenças têm aumentado com a globalização e, nos últimos anos, com a crise.
Há poucos dias, o Crédit Suisse divulgou o seu relatório sobre a riqueza global correspondente a 2015, do qual se depreende que o 1% mais rico da população tem 50 % da riqueza global, ou seja, a mesma percentagem que 99%;
e que 71% dos mais pobres – 3.386 milhões de pessoas – possuem apenas 3% da riqueza do planeta. (...)

Os dados confirmam algumas coisas que já sabíamos.
Em 1º lugar, que não entrar na União Monetária foi benéfico para alguns países – pelo menos para as suas classes mais baixas – e que outros, como a Espanha, fizeram um mau negócio adoptando a moeda única.
Em 2º lugar, que a política de austeridade e a chamada depreciação interna, que a partir de Berlim e de Frankfurt foram impostas a algumas economias, castigam de forma muito desigual os cidadãos,
em comparação com a depreciação monetária, a qual, embora empobrecendo os nacionais face ao resto do mundo, não altera a distribuição do rendimento e da riqueza interna.

Este é um dos principais problemas criados por uma união monetária sem integração fiscal,
que aumenta as desigualdades, tanto entre os Estados e como entre os cidadãos de cada um dos países, e este é o futuro que nos espera enquanto existir o euro.
O anúncio de qualquer recuperação económica soa a falso para milhões de espanhóis que viram piorar gravemente a sua situação económica e que não vislumbram a possibilidade de um retorno ao ponto de partida, mas ...


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