De Nó górdio da esquerda e futuro. a 4 de Novembro de 2015 às 10:55
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O nó górdio

«Um dos costumes mais apreciados pelos políticos de tempos remotos era poderem reunir-se em segredo para tratar de assuntos que tinham a ver com todos os cidadãos.

Porque partiam do pressuposto que os cidadãos não têm de se entender sobre o que eles negoceiam, já que são eles que sabem o que convém aos cidadãos.
Nesse aspecto os partidos que estão no Parlamento comungam da mesma lógica de associação secreta: o segredo é a alma do negócio.
Não espanta por isso que o acordo entre PS, BE e PCP esteja a ser cozinhado numa sala fechada a sete chaves.

Quando sair fumo branco, se perceberá quais os condimentos utilizados para que o pato no forno seja agradavelmente consumido
por mercados, Comissão Europeia, pensionistas, trabalhadores e empresários. Ao mesmo tempo.

O nó górdio da esquerda, sabe-se, é um problema mais insolúvel do que o da direita.
PSD e CDS, alinhados depois de terem aniquilado o velho centro político da classe média,
têm interesses macro e deixam as divergências micro para depois.
A esquerda é especialista em aumentar as divergências de pormenor, conseguindo que estas impeçam um acordo macro.

Normalmente a esquerda fica prisioneira da sua fragmentação existencial, preferindo entrar em autofagia a caminhar junta para uma qualquer barricada.
Essa é, aliás, a grande fragilidade de qualquer acordo PS/BE/PCP.
Se a entrevista de Catarina Martins ao DN mostra uma descida do mundo da "Guerra de Tronos" a alguma realidade e pragmatismo, resta saber se isso será suficiente para que as diferenças históricas não se tornem uma fronteira inultrapassável.
É por isso que PSD e CDS estão mais confortáveis do que parecem:
sabem que se esta aliança de esquerda soçobrar,
a hegemonia cultural que conseguiram nos últimos quatro anos ressurgirá com mais força.

É por isso que, mais do que um Governo, joga-se nos próximos tempos o futuro da teia política, económica, social e cultural
que os verdadeiros ideólogos do PSD e do CDS teceram nestes anos.
Um nó quase já impossível de desatar.»

-- Fernando Sobral (via JLopes, 3/11/2015, Entre as brumas)

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http://derterrorist.blogs.sapo.pt/
---- 4/11/2015:
A arte da agit-prop de direita em passar para a opinião pública um Governo com um cadastro de 4 anos de inconstitucionalidades, mentira e manipulação como um Governo honesto, fiável e de boa-fé.

«Programa do Governo abre margem para negociar com PS»
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"Não acredito que um socialista prefira um Governo de direita com apoio do PS, a um governo do PS com apoio da esquerda"

( tags: carlos césar, francisco assis, legislativas 2015, maioria de esquerda, ps )

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A Corticeira Amorim anunciou «vendas recorde de 463 milhões de euros até Setembro, mais 7,7% do que no período homólogo, e um crescimento de 43% do lucro, para 41,6 milhões de euros»,
nove anos depois dos DESPEDIMENTOS por antecipação ao que a crise global iria «certamente evidenciar».

Dos 195, a ganhar o salário mínimo nacional, e das suas famílias já ninguém se lembra,
o que vende jornal, assanha a inveja e faz Prós e Contras na televisão é o senhor Américo em primeiros no top of the pops dos mais ricos de Portugal.


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