De Cidadãos-políticos europeus soc-democ. a 22 de Janeiro de 2016 às 18:08

---- O apoio de Corbyn a Costa

(-por jose guinote, 27/12/2015, http://viasfacto.blogspot.pt/ )

Uma boa notícia, a confirmar-se. Este é o tipo de influência política a que o PS tem sido militantemente avesso.
Na entrevista ao Morning Star, Corbyn refere-se a um apoio ao Governo de Portugal e às suas políticas anti-austeritárias.

I had a very useful meeting with the prime minister of Portugal on Thursday and he has invited me and John McDonnell to go there and hold meetings in support of their programme of anti-austerity.

Vamos esperar para ver, mas, a confirmar-se seria uma boa notícia. Não há neste momento uma personagem política de esquerda, na Europa, com a dimensão de Corbyn.
A sua vitória na liderança do Labour (partido trabalhista/ social-democrata do Reino Unido) foi mesmo um dos mais importantes acontecimentos políticos do ano, senão o mais importante, pelo poder de transformação da política europeia que ele potencialmente encerra.
Tomar por dentro o pilar esquerdo do neoliberalismo, o conservador Labour de Blair e Brown, e mudar o sentido e a forma de fazer a política, foi um feito político com um enorme potencial transformador.
O facto de pretender mudar a Europa e apostar na união de forças para permitir essa mudança é um sinal.
A sua referência regular a partidos como o Podemos e o Syriza e às organizações sindicais, no contexto europeu, mostram que ele opera numa lógica que ultrapassa os limites tradicionais dos exaustos partidos socialistas.

Mas, mais importante do que isso é o facto de Corbyn defender que são os cidadãos os actores da política.
É o medo que esse posicionamento provoca que, segundo ele, justifica a campanha tão insistente contra a sua liderança.

It’s because we are doing a different form of politics, which is a mass movement of ordinary people for the first time getting involved

Esse facto novo de chamar os cidadãos ao lugar central da construção das políticas rompe com a despolitização do dia a dia dos cidadãos, que levou à irrelevância da social-democracia europeia.
Corbyn quer cidadãos-políticos e não os clássicos cidadãos-consumidores - alimentados a crédito - com a barriga cheia e a cabeça vazia.

Corbyn defende, e prevê, uma radical democratização de todos os aspectos da vida na Inglaterra.
A primeira eleição - eleição intercalar em Oldham - recentemente realizada, que muitos anteviam catastrófica, parece mostrar que as pessoas estão do seu lado.
Não admira.


De UK Corbyn : Trabalhista de esquerda. a 22 de Janeiro de 2016 às 18:15

---- A liderança de Corbyn. Uma pedra no sapato que teima em não sair.

(-por jose guinote, 7/1/2016, vias de facto)


A remodelação do Governo-Sombra do Labour não podia escapar aos holofotes da imprensa.
Ainda bem, já que a imprensa, que por cá chegou a vaticinar um difícil teste à liderança de Corbyn, com a previsível derrota nas eleições intercalares de Dezembro, ignorou depois a clara vitória e o reforço da posição eleitoral dos trabalhistas.

Parece-me que as conclusões sobre a remodelação e o seu impacto politico são precipitadas e que a importância dada à auto-demissão de três membros juniores -como lhes chamam os ingleses - do staff político dos Deputados, demitidos ou trocados de funções, do Governo-Sombra, é excessiva.

O melhor é atender ao que Owen Jones aqui escreve.
Eis o essencial do ponto de vista político.
Todos os líderes trabalhistas concretizaram remodelações do Governo-Sombra que herdaram da anterior liderança.
Nenhuma foi tão limitada na sua extensão.
Isto, apesar de nenhum líder ter sido tão contestado na sua liderança pelos seus camaradas do Governo-Sombra, que desafiaram mesmo a posição do líder, isto é do partido, em questões essenciais como a defesa e a política externa.

Agora, como diz Owen, Corbyn tem que voltar para a política real,
aquela que tem a ver com as pessoas, desprotegidas - como no caso das inundações- pelas opções políticas dos conservadores.

------- António Geraldo Dias disse:

O complexo mediático/político usa todas as armas para enfrentar Corbyn
um líder com reputação anti-austeritária, anti-nuclear e anti-militarista
que põe em causa o status-quo
e que estando numa posição em que a maioria dos MPs/deputados do seu partido não votou nele ainda assim o apoiam - ao fim de quatro meses dizer que Corbyn falhou é uma idiotice e a crítica selvagem dos media além de reflectir a quebra do consenso é reveladora das potencialidades de ele se tornar primeiro-ministro nas eleições de 2020...


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