De Presidenciais 2016. a 18 de Janeiro de 2016 às 11:08

Sinal do tempo que passa

Os tempos estão de chuva. Os novos e os velhos tempos, se é que há tempos novos e velhos e se é que se poderá chamar novos tempos ao desengonço que por aí vai.

Por não saber se há tempo, por se terem deixado as presidenciais para o fim dos mesmos - uma armadilha lançada por Marcelo que não necessitava de tempo e que foi secundada por muito(a)s que não perceberam a cilada do silêncio - e no cansaço da mudança dos tempos que uns dizem residir numa realidade inexistente e outros na inexistência de realidade, decido-me finalmente por um dos três candidatos que gostaria de ver na segunda volta destas presidenciais.

Reconheço não ser o que mais facilmente mereceria o meu voto, principalmente por não o conhecer pessoalmente e nunca ter com ele participado em qualquer luta que me lembre, mas é decididamente o que melhor se posicionou, a meu ver, para recolher na segunda volta o maior número de apoios que possam proporcionar a Marcelo mais uma derrota para somar a todas as outras que conseguiu sempre que se dispôs a concorrer a eleições políticas fora do seu Partido.

Sampaio da Nóvoa demonstrou que é o candidato que, caso consigamos evitar a eleição de Marcelo à primeira, neste tempo que não é novo nem velho por ser somente um anúncio de outros tempos, poderá derrotar o candidato da direita democrática na segunda volta e tudo aquilo que ainda lhe desconheço deixou de ser um entrave para a minha confiança desde já.

Maria de Belém, que conheço há muito e com quem já travei partidária e politicamente muitos momentos de poder e de cidadania, não me deixou agora a esperança necessária para vencer este desafio e, Henrique Neto, com quem estive e estou de acordo com muito do que tem dito e feito toda a vida, não me convenceu da possibilidade de atingir esse objectivo.

Marcelo, a quem vejo muitos dos meus camaradas e amigos diabolizar como se fosse um antidemocrata, coisa que entendo como uma falta de senso só possível num tempo de desnorte e de luta eleitoral tem, no entanto, de ser travado por todos os votos que se possam recolher fora da sua candidatura, razão suficiente para que nesta primeira volta me recuse a fazer campanha, embora não possa deixar de anunciar publicamente que confiarei a esperança deste combate em Sampaio da Nóvoa.

LNT #BarbeariaSrLuis
-----

Presidenciais

Ainda bem que assisti aos debates de ontem entre Marisa Matias e Rebelo de Sousa e entre Maria de Belém e Henrique Neto. Ainda bem porque senão ia ficar convencido, pelos comentários que hoje li, de que Marcelo tinha sido engolido por Marisa e de que Belém tinha sido mastigada por Henrique.

Do que vi, Marcelo pareceu-me especialmente bem ao ter sido confrontado com os habituais temas fracturantes que continuam a ser as únicas bandeiras do BE, por ter afirmado que não deixaria de promulgar os diplomas aprovados na AR, independentemente deles serem, ou não, do seu agrado. Esta posição deixou-me descansado sobre o exercício do cargo para que concorre uma vez que também não considero que a opinião pessoal do Presidente da República sobre temas não essenciais para os portugueses seja objecto do poder de veto.

Do que vi, Maria de Belém pareceu-me especialmente bem no abespinhamento contra Neto quando ele deixou matérias de índole pessoal para um período em que ela já não poderia defender-se. Saiu-se mal Henrique Neto que passa a vida a evocar a ética e depois procede desta forma.

Para que não restem dúvidas, mantenho que o meu voto servirá para provocar uma segunda volta.

Num tempo de total ausência de propostas empolgantes pelos actuais candidatos à Presidência da República e depois da descredibilização do cargo provocada pela desastrosa partidarização e facciosismo de Cavaco, acredito que a abstenção irá atingir níveis nunca antes alcançados o que levará Marcelo a instalar-se no Pátio dos Bichos logo à primeira contagem dos votos.

Os portugueses parecem já ficar suficientemente satisfeitos por verem pelas costas o mais detestado desde sempre (Cavaco), ..., e esse facto determina a irrelevância (para mim absurda porque já deviam ter aprendido com Cavaco a importância que o lugar tem) e, ou não votarão, ou votarão em qualquer candidato simpático ...

LNT
-------

Eu estou em dúvida:

Edgar, Nóvoa ou Mariza .


De Edgar S. e as Presidenciais a 5 de Fevereiro de 2016 às 17:02
----- Eu que não sou militante...

…gostei de ler o artigo «A (des)União Europeia», da autoria de Ângelo Alves e de João Ferreira, no último O Militante.
Os seus “quatro vectores de contradição” são uma útil sistematização da presente situação e sobre o Euro a posição é particularmente clara e justa:

“Mais do que nos perguntarmos se o Euro tem futuro, importa questionarmo-nos sobre que futuro espera as economias da periferia da Zona Euro, Portugal incluído, dentro do Euro.
A experiência grega foi certamente muito elucidativa, vindo confirmar a tese de que não é possível, no quadro do Euro e das regras que lhe estão associadas,
suster e inverter de forma sustentada e duradoura o ciclo de dependência, subordinação e empobrecimento da periferia.”

Se é verdade que um bom diagnóstico, por si só, não evita derrotas,
também é verdade que sem ele não há a prazo vitórias, ou seja, transformações que mudem a vida dos subalternos.
E só um horizonte estratégico claro permite ter a flexibilidade táctica que a complexa conjuntura exige.

Entretanto, e sobre as últimas eleições presidenciais, gostaria de sublinhar que se trata para os comunistas em particular de uma derrota colectiva numa eleição unipessoal.
O enquadramento escolhido para a campanha não ajudou a destacar e a divulgar a notável biografia cívica e política do seu candidato,
provavelmente ainda pouco conhecida da maioria dos portugueses, nem a voz comunista original que daí também emerge.
Onde era conhecido pelos seus particularmente corajosos combates a favor dos subalternos, na Madeira, isto não era necessário, como se viu pelo bom resultado aí obtido.
Onde não era tão conhecido, no continente, isto era absolutamente necessário.
As pessoas contam sempre e ainda mais nesta eleição.
Creio que isto não explica tudo, obviamente, mas explica alguma coisa.

Enfim, fazendo de Marcelo Rebelo de Sousa em relação às dificuldades dos que apoia, diria que houve aqui mesmo um grande problema de comunicação, visível desde logo nos slogans pouco imaginativos.
Comunicação é parte da linha política, claro. Foi pena.
Creio mesmo que, até pela forma como encarna os valores defendidos, Edgar Silva é um imprescindível das esquerdas portuguesas.

(-por João Rodrigues, 26.1.2016, Ladrões de B.)

------
Uma análise de que partilho em parte.
Em tempos de deriva, em que singram a injustiça e o confronto que pré-anunciam algo de muito errado para a humanidade,
os comunistas valorizaram a importância de fazer cumprir a Constituição da República como a grande referência de progresso e justiça social.
A mensagem não passou.
E sabendo-se quão decisivo e crescente é o poder mediático do qual o PCP está objetivamente afastado há décadas,
a tarefa complicou-se em face do espalhafatoso demagógico e patético leque eleitoral.

Quanto ao candidato, que esteve bem em muitos sentidos, não enveredou por apelos e sentimentos populistas.
Fez uma campanha digna e de convicção.
E é na verdade uma surpresa por transparecer no seu espírito os ideais porque se bate ele, e muita gente neste país:
desmentir os dias pessimistas e derreados que uma casta exploradora, apesar da revolução de Abril,
continua a impor à massa geral de portugueses através de ideias, de força e de dinheiro e, de violência como a que nos bate às portas.

Esquecer a brutalidade da pobreza, da exploração e da guerra?
Que falem os milhões de desempregados, de pobres e de gente sem esperança.
Que falem os refugiados e os milhões que se esfacelam mutuamente para que Bruxelas continue tranquilamente os seus negócios.

(-Mário Reis, 26/1/2016)


Comentar:
De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres