Práticas partidárias, Esquerda e Poder ou Políticas, a sério.

     política  a  feijões  ou  afiar  a  faca   (-por Paulo Pinto, 10.09.14, Jugular)

       "É evidente que uma força de esquerda como o BE, que quer governar à esquerda e quer governar com políticas de esquerda, não pode olhar para o PS como um parceiro". Palavras de João Semedo, ontem, no encontro com o Livre. Fica a dúvida: o BE quererá mesmo "governar"? E como pensa fazê-lo, se exclui o PS como "parceiro" de tal eventualidade? Com os seus 4,6% obtidos nas Europeias, atrás do MPT?

No rescaldo das eleições, Catarina Martins afirmou a necessidade de "agregar, juntar forças" e declarou que o BE "trilhará esse caminho de determinação, de convicção e de necessidade de juntar forças", uma vez que "a esquerda tem de ser essa capacidade para que haja verdadeiramente uma alternativa às políticas neoliberais e às políticas de destruição do nosso país".   Não se percebe como, nem onde, nem com quem. Se nem com o Livre. Com o PCP? Com o MRPP? Com o Marinho Pinto? As mesmas declarações de 28 de maio exultam com "a derrota da direita". Alvíssaras.   Curiosamente, ontem também ouvi o José Seguro atirar na cara do António Costa a histórica "derrota da direita". It is all very well.   Mas a política não se faz de derrotas alheias, faz-se de vitórias próprias. E nem o BE nem o PS de Seguro se podem gabar de tal coisa. O PS, então, tem sido patético de ver, a evolução titubeante da intenção de voto ao longo destes três anos de chumbo, sobe uma décima hoje, cai duas amanhã.   Tudo a culminar nos miseráveis 31,5% das Europeias quando, com um líder mais desempoeirado, já devia ter descolado muito acima disso, capitalizando o descontentamento do eleitorado e afirmando uma verdadeira alternativa política.   Depois chegou Costa, o traidor. O tal que a maioria dos portugueses prefere para primeiro-ministro, muito acima de Seguro e de Passos Coelho. Pois bem.

    Minhas senhoras e meus senhores:

ou a política é para levar a sério ou é a feijões; se é a sério, haja quem reconheça que para a "esquerda" chegar ao poder, precisa de votos. E do PS. E que este não consegue fazê-lo pela invocação de derrotas alheias.

   Portanto, se os simpatizantes e militantes do PS querem mudar de governo, afiem a faca no próximo dia 28 set.    Caso contrário, quando o próximo governo Passos Coelho tomar posse, podem cantar em coro com o BE a ladainha de "agregar e juntar forças" e sonhar com amanhãs que cantam.

----------

------ Augusto :

       Se se tivesse dado ao trabalho de ler as declarações do João Semedo na integra, talvez percebesse o que ele quis dizer.  E é simples.
     Com o  Tratado Orçamental, sem Reestruturação  da Dívida NÃO HÀ POLITICAS ALTERNATIVAS.
     Como pode alguém  pretender uma aliança  com o PS,  para uma politica alternativa , sabendo  á partida, qual é a posição do PS sobre estes dois temas.      As alianças fazem-se para aplicar POLITICAS, e não para dividir TACHOS.   

 

------ Manuel Costa :

     Ou seja, não interessa como se governa, o que interessa é chegar ao poder e depois logo se vê... com costa, com seguro, com coelho ou gato que venha em vez dele.   Porque muda a direcção do PS, esta fica logo de esquerda?   desde quando?   Seguro já o conhecemos, assinando ao lado do PSD e CDS o acordo com a Troika.   Costa já diz que com o PCP nem pensar e com Rui Rio é que está bem e quer casamento para os próximos 10 anos.

     Não percebo muito bem esta ideia de que a esquerda só é séria se estiver disposta a aliar-se com qualquer outro partido, a qualquer preço, desde que isso lhe dê a oportunidade de chegar ao poder.   Eentão que esquerda é essa se no fim de contas só lhe interessa chegar ao poleiro?   Porque não há alternativa ?!? veja-se Espanha com o PODEMOS (ou o SYRIZA na Grécia), as sondagens mais pessimistas já o colocam em terceiro lugar, outras até mesmo à frente do PSOE.   não foi concerteza a compactuar com políticas de direita, pelo contrário foi com um programa próprio e contra o "inevitável" arco da velha governação.



Publicado por Xa2 às 07:50 de 16.09.14 | link do post | comentar |

2 comentários:
De . tricas desunião em vez de PODEMOS.pt. a 24 de Novembro de 2014 às 18:44
Que Se Lixe o Podemos Falar

Precisamos de um Podemos em Portugal, que pode ter outro nome, mas precisará da mesma audácia, coragem e vontade de tirar do poder a casta corrupta representada por PS, PSD e PP
(-João Labrincha • 24/11/2014 , Público)

Em 2012 nasceu um movimento que, imitando o modelo do Protesto da Geração à Rasca (GaR), tomou o nome de Que Se Lixe a Troika (QSLT). “Apartidário, laico e pacífico” era o mote da GaR. Dos três valores, apenas o primeiro foi assumido pelo QSLT – tal não podia ser mais falso. Alguns artigos de jornal e blogues explicam como este “movimento” foi, sim, instrumentalizado pelo PCP e BE. Em reuniões à porta fechada, pessoas destes partidos decidiam votar em bloco as acções que iriam ser discutidas e aprovadas em encontros públicos.

Num deles proibiu-se a continuação de grupos de trabalho setoriais autónomos (chamados “marés”) sobre a saúde, educação, cultura, etc.. Poderiam ter desembocado em coletivos mais organizados, quem sabe num novo partido, como aconteceu em Espanha com o Podemos.

Com isto, os partidos asfixiaram o movimento social português.
O PCP tem as suas organizações - para a juventude a JCP, para a luta das mulheres o MDM, a CGTP para os trabalhadores, etc. - e sempre fez por anular a existência de outras.
O BE – com forte ascendência sobre os Precários Inflexíveis, Colectivo Habita, SOS Racismo, Panteras Rosa - tentou fazer o mesmo, sem a postura conservadora do PCP, nem metade da experiência.

A 12 de Março de 2011, com a Geração à Rasca, fugiu-lhes o controlo que achavam ter sobre a contestação em Portugal. Nunca pensaram, de tão autocentrados, que era possível haver manifestações não organizadas por sindicatos ou partidos.

Vai daí, inventaram, a seguir, um movimento novo: o QSLT.

Na luta pelo controle da luta o PCP ganhou – vejam-se os resultados eleitorais e como a contestação, fora do enquadramento da CGTP, desapareceu das ruas – e o BE perdeu(-se), nas urnas e entre o movimento social que ainda lhe tinha algum respeito.
Os ativistas desmoralizaram, perderam forças ou simplesmente fartaram-se de ser ludibriados, esmagados – não só pelo Governo, com quem já contavam – mas por quem devia estar ao seu lado.

... Mas não se esfumou o ímpeto controleiro do Comité Central do QSLT, destruidor das genuínas boas-vontades de quem procura uma mudança fora das fórmulas autoritárias dos partidos tradicionais. Decidiu travestir-se, tem um novo nome:
Podemos Falar.
PCP e BE tremem de medo que apareça em Portugal um partido como o Podemos espanhol ou o Syriza grego, porque isso esvaziaria as suas fileiras.
As mesmas pessoas que têm destruído o movimento de contestação, querem agora destruir (ou, pelo menos, adiar com conversas, conferências e comiciozinhos inócuos)
a possibilidade de pessoas independentes criarem um novo partido, usando as tácticas estalinistas do QSLT.

... terá sido essencial para o não boicote à nascença.
Na Assembleia Cidadã do Podemos espanhol cerca de 90% votaram que ninguém de outro partido podia lá ficar. Em Portugal, a lei nem sequer autoriza a dupla filiação.
Então, por que raio se continuam a fazer reuniões para criar um partido onde pululam membros assumidos e infiltrados de partidos velhos, cujo último desejo é o aparecimento de uma nova força política?

Mais ainda. Não precisamos de partidos novos que queiram ser apenas uma Secretaria de Estado do próximo governo PS, como o Livre;
nem dos velhos que, à esquerda e à direita, esmagam a iniciativa e a voz dos cidadãos.

Precisamos de um Podemos em Portugal, que pode ter outro nome, mas precisará da mesma audácia, coragem e vontade de tirar do poder a casta corrupta representada por PS, PSD e PP.

Precisamos e podemos.
Temos que ser firmes, estar alerta, usar a nossa inteligência e dedicação. Se não o fizermos, nós, “mães, pais e filhos de Portugal”, ninguém o fará. E eu sei que teremos milhões de pessoas do nosso lado. Já basta de tanto falar. Chegou a hora de actuar!

NOTA: “Há vida para lá do Podemos Falar”

- Participa nas reuniões abertas do Círculo Podemos Lisboa.

- Dinamiza o Podemos na tua localidade.

https://www.facebook.com/pages/Podemos-Lisboa/576488662456537


De Podemos coligar Esq. e assustar Dir. ?! a 22 de Setembro de 2014 às 15:01
(-por Joana Lopes, 22.9.14, Entre as brumas)


PSOE um pouco aflito?


No início do passado mês de Agosto, o Centro de Investigaciones Sociológicas divulgou os resultados de um barómetro, que colocavam o Podemos como terceira força política em Espanha, com 15,3% das intenções de voto, logo atrás do PSOE com 21,2% e do Partido Popular com 30%.

Desde então, soaram campainhas de alarme nas hostes do novo líder socialista Pedro Sánchez que se desdobra em discursos de distanciamento e de ataque ao Podemos. Há dois dias garantiu «rotundamente» que o PSOE não fará, «nunca e em nenhum caso», acordos com a nova força política nas eleições autonómicas e municipais do próximo ano, acusando-a de pôr em causa o «Estado del Bienestar».

«La irrupción de Podemos en el panorama político español preocupa a la alta clase empresarial y financiera, que considera que sus planteamientos dañan la imagen del empresario y sus soluciones conducen a la ruina a la economía nacional». Por isso mesmo, Pedro Sánchez sossega-os.

Qualquer que seja a evolução de Podemos, a curto e a médio prazo, a verdade é que já abanou (e de que maneira!) a estrutura partidária espanhola. Ocupou, indiscutivelmente, um espaço que, neste nosso país, continua e vai continuar vazio. São anunciados novos partidos, dia sim dia sim, mas todos a anos de luz do que Pablo Iglesias & friends lançaram em Espanha. Porquê? That's the one million dollar question!


Comentar post

DESTAQUE DO MÊS
14_04_botão_CUS
MARCADORES

todas as tags

CONTACTO

Email - Blogue LUMINÁRIA

ARQUIVO

Junho 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Online
RSS
blogs SAPO