De Banksters ... e Estado inativo/capturado a 20 de Junho de 2014 às 11:51
Grupo Espírito Santo: "too big to fail" ou "too holy to jail"?

(-por AG , 17/6/2014, http://causa-nossa.blogspot.pt/ )

"Eu compreendo o esforço de tantos (...) em tentar isolar e salvar deste lamaçal o BES, o maior e um dos mais antigos bancos privados portugueses, que emprega muita gente e que obviamente ninguém quer ver falir, nem nacionalizar.

Mas a verdade é que o GES está para o BES, como a SLN para o BPN:
o banco foi - e é - instrumento da actividade criminosa do Grupo.
E se o BES será, à nossa escala, "too big to fail" (demasiado grande para falir), ninguém, chame-se Salgado ou Espírito Santo, pode ser "too holy to jail" ( demasiado santo para ir preso).

Isto significa que nem os empregados do BES, nem as D. Inércias, nem os Cristianos Ronaldos se safam
se o Banco de Portugal, a CMVM, a PGR e o Governo continuarem a meter a cabeça na areia,
não agindo contra o banqueiro Ricardo Salgado e seus acólitos,
continuando a garantir impunidade à grande criminalidade financeira - e não só - à solta no Grupo Espírito Santo".

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NOTA: extracto do meu comentário no "Conselho Superior" Antena 1 esta manhã. O texto integral está transcrito na ABA DA CAUSA, aqui: http://aba-da-causa.blogspot.be/2014/06/grupo-espirito-santo-big-to-fail-ou.html
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Eu proponho voltarmos a 6 de Abril de 2011 e revisitarmos o filme do Primeiro Ministro José Sócrates, qual animal feroz encostado as tábuas, forçado a pedir o RESGATE financeiro.
Há um matador principal nesse filme da banca a tourear o poder político, a democracia, o ESTADO: Ricardo Salgado, CEO do BES e do Grupo que o detém e controla, o GES - Grupo Espírito Santo.

O mesmo banqueiro que, em Maio de 2011, elogiava a vinda da Troika como oportunidade para reformar Portugal, mas recusava a necessidade de o seu Banco recorrer ao financiamento que a Troika destinava à salvação da banca portuguesa.

A maioria dos comentaristas que se arvoram em especialistas económicos passou o tempo, desde então, a ajudar a propalar a MENTIRA de que a banca portuguesa - ao contrário da de outros países - não tinha problemas, estava saudável (BPN e BPP eram apenas casos de POLÍCIA ou quando muito falha da REGULAÇÃO, o BCP era vítima de guerra intestina: enfim, excepções que confirmavam a regra!).
Mas revelações recentes sobre o maior dos grupos bancários portugueses, o Grupo Espírito Santo, confirmam que fraude e criminalidade financeira não eram excepção:
eram - e são - regra do sistema, da economia de CASINO em que continuamos a viver.

Essas revelações confirmam também o que toda a gente sabia - que o banqueiro Salgado não queria financiamento do resgate para não ter que abrir as CONTAS do Banco e do Grupo que o controla à SUPERVISÃO pelo Estado -
esse Estado NA MÃO de governantes tão atreitos a recorrer ao GES/BES para CONTRATOS RUINOSOS contra o próprio ESTADO, das PPPs aos SWAPs, das herdades sem sobreiros a SUBMARINOS e outros contratos de defesa (Pandur, armas, equipam...) CORRUPTOS, à subCONCESSÃO dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo.

À conta de tudo isso e de mecenato eficiente para CAPTURAR POLÍTICOS- por exemplo, a sabática em Washington paga ao Dr. Durão Barroso - Ricardo Salgado grangeou na banca o cognome do DDT, o Dono De Tudo isto, e conseguiu paralisar tentativas de investigação JUDICIAL - sobre os casos dos Submarinos, Furacão e Monte Branco, etc..
e até recorrer sistematicamente a AMNISTIAS FISCAIS oferecidas pelos governos para regularizar capitais que esquecera ter parqueado na Suíça, continuando tranquilamente CEO do BES, sem que Banco de Portugal e CMVM pestanejassem sequer...

Mas a mudança de regras dos rácios bancários e da respectiva supervisão - determinados por pressão e co-decisão do Parlamento Europeu - obrigaram o Banco de Portugal a ter mesmo de ir preventivamente analisar as contas do BES/GES.
A contragosto, claro, e com muito jeitinho - basta ver que, para o efeito, o Banco de Portugal, apesar de enxameado de crânios pagos a peso de ouro, foi CONTRATAR (cabe saber quanto mais PAGAMOS NÓS, contribuintes) uma CONSULTORA de auditoria, a KPMG - por acaso, uma empresa farta de ser CONDENADA e multada nos EUA, no Reino Unido e noutros países ...


De Bangsters ... e Estado inactivo/capturad a 20 de Junho de 2014 às 11:56
Grupo Espírito Santo: "too big to fail" ou "too holy to jail?"
Por Ana Gomes
...
... consultora de auditoria, a KPMG - por acaso, uma empresa farta de ser condenada e multada nos EUA, no Reino Unido e noutros países por violações dos deveres de auditoria e outros CRIMES FINANCEIROS e, por acaso, uma empresa contratada pelo próprio BES desde 2004 para lhe fazer auditoria...

Mas a borrasca era tão grossa, que nem mesmo a KPMG podia dar-se ao luxo de encobrir:
primeiro vieram notícias da fraude monstruosa do GES/BES/ESCOM no BESA de Angola, o "BPN tropical", que o Governo angolano cobre e encobre
porque os mais de 6 mil milhões de dólares desaparecidos estão certamente a rechear contas offshore de altos figurões e o povo angolano, esse, está habituado a pagar, calar e a ...não comer...
Aí, Ricardo Salgado accionou a narrativa de que "o BES está de boa saúde e recomenda-se", no GES é que houve um descontrolo:
um buracão de mais de mil e duzentos milhões, mas a culpa é... não, não é do mordomo: é do contabilista!

Só que, como revelou o "Expresso" há dias, o contabilista explicou que as contas eram manipuladas pelo menos desde 2008,
precisamente para evitar controles pela CMVM e pelo Banco de Portugal, com conhecimento e por ordens do banqueiro Salgado e de outros administradores do GES/BES.
E a fraude, falsificação de documentos e outros crimes financeiros envolvidos já estão a ser investigados no Luxemburgo, onde a estrutura tipo boneca russa do GES sedia a "holding" e algumas das sociedades para melhor driblar o fisco em Portugal.

Eu compreendo o esforço de tantos, incluindo os comentadores sabichões em economia, em tentar isolar e salvar deste lamaçal o BES, o maior e um dos mais antigos bancos privados portugueses, que emprega muita gente e que obviamente ninguém quer ver falir, nem nacionalizar.
Mas a verdade é que o GES está para o BES, como a SLN para o BPN: o banco foi - e é - instrumento da actividade criminosa do Grupo.
E se o BES será, à nossa escala, "too big to fail" (demasiado grande para falir), ninguém, chame-se Salgado ou Espírito Santo, pode ser "too holy to jail" ( demasiado santo para ir preso).

Isto significa que nem os empregados do BES, nem as D. Inércias, nem os Cristianos Ronaldos se safam
se o Banco de Portugal, a CMVM, a PGR e o Governo continuarem a meter a cabeça na areia,
não agindo contra o banqueiro Ricardo Salgado e seus acólitos,
continuando a garantir impunidade à grande criminalidade financeira - e não só - à solta no Grupo Espírito Santo.


(Notas para a meu comentário no "Conselho Superior", Antena 1, de hoje)


[por AG] [17.6.14]


De Bangsters, jornalistas, troica e desgov. a 20 de Junho de 2014 às 13:00
Rewind/ Fast Forward buttons
(-por josé simões, 19/6/2014)

Como é que uma jornalista se sente depois de fazer figura de idiota útil? Ou foi paga para isso? Ou foi um investimento no futuro?

«Muitas pessoas não perceberam por que é que andava a entrevistar banqueiros todos os dias.
A verdade é que as entrevistas foram feitas numa segunda, numa terça, numa quarta e numa quinta; 48 horas depois, o primeiro-ministro estava a pedir ajuda financeira.». Judite de Sousa, Público, 2012-12-04.

«Com o distanciamento que o tempo permite, é hoje evidente que a PRESSÃO dos BANQUEIROS liderados por Ricardo Salgado, secundado, fundamentalmente, por todos os que entretanto vieram a receber fundos públicos, não era inocente.
Preferiam, como é óbvio, um apoio global ao país de que poderiam BENEFICIAR em parte para acudir às suas mazelas,
a uma solução à espanhola dirigida ao sector bancário, onde efectivamente nasceu a crise do país vizinho e também a nossa, por causa do excesso de endividamento que permitiu.
Uma intervenção directa nos bancos portugueses sempre anunciados internamente como sólidos e credíveis poderia, de facto, destruir reputações e accionistas de referência.

Se tivéssemos seguido a estratégia da Espanha em tempo útil e NEGOCIADO uma AUSTERIDADE reformista interna, agora poderíamos movimentar-nos menos CONDICIONADOS por CREDORES que ficarão por cá até saldarmos o último cêntimo do grande empréstimo, ou seja, qualquer coisa como 30 ANOS […]»

Tem algum peso na consciência, sente algum remorso pela quota-parte de responsabilidade no sofrimento e nas privações impostas aos portugueses?


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