7 comentários:
De . U.E. (desgov.) falha ... e cairá?. a 14 de Dezembro de 2016 às 13:04
A União Europeia falha porque falta

(-por AG, 14/12/2016, CausaNossa)


"Alepo jaz massacrada, Putin e Assad exultam. Incapaz de agir, que resta de credibilidade ao Conselho Europeu?

A Europa falha porque falta. Na Ucrânia agredida e ocupada pela Rússia. E na Síria, no Iraque, no Yemen, na Libia, na Palestina, onde Estados Membros não só não se coordenam mas rivalizam. A vender armas e noutros sórdidos negócios com regimes que fazem guerras por procuração instrumentalizando grupos terroristas, como o saudita, o qatari, o turco.

Não admira que Putin, Erdogan, em breve Trump, se afeiçoem a chantagear e encurralar uma Europa em retrocesso intergovernamental anti-integracão, a reboque de um governo alemão sem estratégia, que pode querer apaziguar, mas de facto alimenta populismos xenófobos.

Do euro incompleto que semeia divergência e desigualdade, à fiscalidade não harmonizada que desvirtua mercado interno e aproveita à corrupção e crime organizado, passando pela Fortaleza Europa que entrega migrantes e refugiados a redes de traficantes e radicaliza os seus próprios jovens dando recrutas à hidra terrorista: esta não é a União Europeia da paz, dos direitos humanos, da solidariedade e do progresso.

Esta Europa inter-governamental não nos protege, nem defende: destrói-se, pondo em causa a nossa segurança e a segurança global."


---Minha intervenção em plenário do Parlamento Europeu, esta manhã, sobre a preparação do próximo Conselho Europeu (15.12.2016)


De Berlim Eurogrupo enterra sul e UE... a 14 de Dezembro de 2016 às 16:05
É assim que Merkel vai salvar a Europa?


Aos ingénuos que depositam grandes esperanças em Merkel e acreditam que só ela pode salvar a Europa, recomendo que não esqueçam este episódio.*

Se é assim que a Alemanha vai salvar a Europa, então faço votos para que saiamos deste clube de debochados enquanto é tempo.

------- * Enorme error europeo

(El País, 7/12/2016)

El rechazo del Plan Moscovici ratifica el poder de Berlín y condena a Europa al bajo crecimiento

La decisión del Eurogrupo de rechazar, a instancias de Alemania, Holanda y países satélites, el modesto plan de estímulo fiscal propuesto por el comisario Pierre Moscovici es una pésima noticia para la economía global, para la europea y también para la española.
No solo porque una vez más se frustran las expectativas de que cambie una política irracional de austeridad que está arrastrando a la economía europea a una tasa de crecimiento irrisorio,
baja creación de empleo e inflación peligrosamente próxima a la deflación;
ni porque Bruselas haya sido ostentosamente desautorizada por Berlín y sus aliados en la penitencia (de los demás),
sino porque, además de todo ello, el rechazo a una política defendida por el FMI, la OCDE, el BCE y casi todas las instituciones económicas
llega en un momento delicado para la UE, con un referéndum fracasado en Italia, un problema bancario grave e irresuelto en ese país, con la incertidumbre acumulada tras el Brexit, la agresiva economía de Trump y la recuperación del precio del crudo.


Editoriales anteriores
Alemania se queda sola (20/11/2016)
Europa amenazada (15/11/2016)


Merkel, Schäuble y el Bundesbank tienen que saber que la terca negación de una política fiscal expansiva alienta poderosamente el fuego del euroescepticismo;
carece de sentido lamentarse por la expansión del populismo y la disgregación en Europa
cuando sus dirigentes ofrecen este espectáculo de arbitrariedad y conducta irracional.
La defensa política de la austeridad presupuestaria, amparada además por los países que disponen de superávit presupuestario para optar por estímulos inversores públicos,
ratifica la idea de que los países centrales del área están utilizando la ortodoxia del déficit en su propio beneficio,
atrayendo masivamente flujos financieros desde los países del sur para así consolidar sus propias opciones de crecimiento.


Resulta muy peligroso minusvalorar las consecuencias del Eurogrupo del lunes y la demostración de rodillo prepotente practicada por Berlín y sus aliados.
Es un error enorme que facilita la disgregación del euro en un momento particularmente difícil para la política europea.
Aquellos europeos que creían que la UE no resuelve sus problemas tienen hoy un motivo más para ratificar su convicción;
quienes esperaban un golpe de autoridad de Bruselas ya saben que la Comisión es impotente frente a Berlín;
y aquellos que apreciaban un cierto grado de flexibilidad en Alemania habrán podido comprobar que las esperanzas de cambio son una entelequia.
Invocar como explicación las próximas elecciones alemanas es una excusa.
El euro sigue en manos del fundamentalismo del déficit y de la penitencia contra el gasto.


De Colónia de €grupo neoliberal. fdp. a 15 de Dezembro de 2016 às 12:29

Grécia: que nome se dá a uma nova decisão de Bruxelas?

(-por J.Lopes, 15/12/2016, Entre as brumas)

O Eurogrupo anunciou ontem a suspensão das medidas de alívio da dívida grega por o governo de Tsipras ter decidido repor o 13º mês aos pensionistas que recebem menos de 850 euros, medida essa que deve ser hoje aprovada no Parlamento. O ministro das Finanças defende que esta decisão não vai contra o memorando que a Grécia assinou, mas não parece ser esse o entendimento de outros, nomeadamente de Wolfgang Schäuble que se apressou a reagir negativamente.

O que está em causa custará cerca de 600 milhões de euros, retirados ao excedente orçamental de 2400 milhões, obtido este ano pelas finanças públicas gregas.

Outras medidas estão na calha e esperam-se novas reacções, o que levou Alexis Tsipras a afirmar: «Creio que toda a gente deve respeitar o povo grego, que nos últimos sete anos fez sacrifícios gigantescos em nome da Europa. Carregámos o peso da crise dos refugiados. Foi em nome da Europa que implementámos nos últimos anos uma política de austeridade extremamente dura. Isso tem de ser respeitado por todos».

Uma verdadeira tragédia grega sem fim, uma União Europeia cruel que vai cavando a sua própria sepultura.


De Governos sob/NeoLiberais: Itália e ... a 13 de Dezembro de 2016 às 18:06

Addio Renzi (Adeus ao PM italiano, após Referendo perdido)


O bufão Renzi era o homem do governo alemão e de outros europeístas em Itália, ou seja, o homem para impor todas as reformas neoliberais inscritas na lógica do euro, a começar e a acabar nas relações laborais.

Trata-se de uma moeda, todo um regime económico, com grandes responsabilidades por uma estagnação que dura há tanto tempo quanto a nossa: com menos quebra de investimento e menos dívida externa, em percentagem do PIB, mas mais crédito malparado no balanço de bancos ainda mais periclitantes, dadas as suas ligações mais fortes a uma base industrial erodida.

Que tais reformas pudessem ser facilitadas por uma concentração de poder no executivo seria só a enésima confirmação da forma como o capital financeiro olha para as constituições antifascistas do Sul. A lógica do chamado vínculo externo está há muito tempo pensada pelas elites neoliberais italianas, incluindo Draghi, para eliminar tudo o que foi conseguido num tempo com outra correlação de forças, incluindo o mais importante Partido Comunista da Europa Ocidental.

Ontem, a resposta popular esteve à altura, num país onde a esquerda foi devastada pelo europeísmo – da coisa que dá pelo nome de Partido Democrático, onde foram desaguar antigos democratas-cristãos como Renzi e antigos comunistas convertidos aos Consensos de Washington e de Bruxelas, aos restos de coisas ridículas como a lista “com Tsipras” às últimas eleições europeias.

No país de Gramsci e de Togliatti, sobram os sindicatos e algumas ainda pequenas forças que já perceberam que a tarefa principal tem os contornos de uma libertação nacional de novo tipo. Ontem, deu-se um passo para desencadear um processo que urge. Resta saber quais os seus tempos, contornos e protagonistas.

(- por João Rodrigues , 5.12.2016 , Ladrões de b.)


De Extrema direita populista: caos na U.E.. a 29 de Novembro de 2016 às 18:06

Abriu a caça a Marine Le Pen
(-D.Q. Andrade, Público, 27/11/2019)

François Fillon, candidato escolhido pela direita francesa na corrida ao Eliseu, tem um perfil conservador, católico e burguês, mas apresenta-se como um reformador com uma proposta (neo)liberal (dura) para reduzir o tamanho do Estado francês.
Foi escolhido não por ser o melhor candidato a Presidente, mas por ser a melhor aposta para combater a candidata da Frente Nacional. Não é por acaso:
Fillon vai disputar o espaço de Le Pen e para isso apresenta propostas que replicam algumas das sua bandeiras.
Mas já há pouco a disfarçar: Marine é a principal figura da eleição francesa da Primavera. O candidato que a direita escolheu até pode ser agora o favorito nas sondagens — se é que elas ainda valem alguma coisa como indicadoras do voto —, mas o esforço de todos os partidos será concentrado no combate ao crescimento da plataforma de apoio da Frente Nacional.

Não, Marine Le Pen não é o bicho papão. Mas é uma política demagógica atrelada a ideias políticas que são muito perigosas.
A sua campanha tem o mesmo apelo da de Trump:
uma aposta no medo e na ansiedade provocados pelo terrorismo, pela imigração, pela perda da identidade e pela fragilidade económica face à globalização.
Uma vitória de Le Pen será a confirmação dos nacionalismos que cruzam a Europa, e que ainda esta semana poderá dar origem a um presidente de extrema-direita na Áustria.
Mas é em França que se joga aquele que poderá ser o derradeiro ponto de rotura na deriva populista europeia.

Uma França de Le Pen será mais nacionalista,
com uma política securitária que ajudará a popularizar os racismos mais ou menos encapotados na sociedade francesa.
Será também, de forma quase inevitável, o enterro da União Europeia.
Começará pela saída do euro, que é uma promessa de campanha assumida;
continuará pela tentativa de retirada do clube europeu, através de um referendo em que o medo do futuro pode ser tão decisivo como foi no Reino Unido.
O fim do vínculo europeu francês seria o golpe final numa União já enfraquecida pelo “Brexit” — e Portugal seria um dos que mais perderiam neste cenário.

À direita Fillon, à esquerda Manuel Valls, François Hollande ou Emmanuel Macron:
um deles deverá disputar a segunda volta das presidenciais com Marine Le Pen.
Têm em comum o facto de serem um produto das democracias tradicionais e das sociedades abertas do Ocidente.
Será portanto ainda uma candidatura liberal a dar a cara na luta contra o extremismo populista — mas já não há garantias de vitória.


De .Direita +neoliberal em França... a 29 de Novembro de 2016 às 17:56
--T.Sousa, Público

2. Os analistas esqueceram-se, porventura, de que há uma França profunda, burguesa, conservadora, católica, que vive no conforto das cidades médias e que ainda hoje odeia a herança de Maio de 68. A emergência da extrema-direita, apoiada nos deserdados da globalização, concentrou todas as atenções, deixando de fora essa burguesia “silenciosa” que viu os seus valores esquecidos durante muito tempo. Fillon é o seu melhor representante. Católico, foi o único candidato que tomou posição contra as leis que legalizam os casamentos gay (ainda que apenas a possibilidade de adopção) e que é contra a procriação medicamente assistida, a não ser para casais heterossexuais. Sem um discurso radical contra os imigrantes, Fillon defende a proibição do burkini, que alimentou a raiva contra os muçulmanos, depois do ataque terrorista de Nice. É, ele próprio, um exemplo dessa burguesia de província, com o seu castelo perto de Le Mans, onde vive com a sua mulher galesa e os seus cinco filhos. É aqui que se diferencia de Juppé, muito mais do que na sua política económica e social, em que ambos têm uma agenda de reformas “hiperliberal” (como acusam os socialistas) ou “delirante” (como acusa Marine), que vai do horário de trabalho à facilidade do despedimento, passando pela redução de impostos para as empresas e para as famílias da classe média e a redução drástica do peso do Estado. As diferenças são de quantidade e Fillon leva a melhor com o programa mais radical. Não é por acaso que lhe chamam de “Thatcher boy”. Ele próprio não enjeita o rótulo nem parece incomodar-se com ele. Limita-se a dizer que é apenas pragmático. Já em 2008, dizia que a França se aproximava da bancarrota. Dois exemplos: ambos querem acabar com as 35 horas, Juppé defende as 39, Fillon a lei geral europeia de 48 horas; Fillon quer um corte de 500 mil funcionários em cinco anos, Juppé apenas 200 mil.

3. As diferenças em relação a Juppé voltam a manifestar-se no que respeita à política externa. O antigo primeiro-ministro de Chirac aprecia a velha doutrina gaullista, dando à França o papel de “intermediária” entre Washington e Moscovo. Fillon vai muito mais longe na defesa de uma aproximação à Rússia. Os empresários franceses agradecem-lhe esta reconciliação com o grande vizinho do Leste. Em 1991, foi contra Maastricht. O terrorismo islâmico é a sua prioridade e isso implica o entendimento com a Rússia e até com Bashar al-Assad. Quando o criticam, diz que De Gaulle, Churchill e Roosevelt também se aliaram com Estaline para derrotar a Alemanha nazi. A ele, cabe-lhe a missão mais modesta de derrotar Le Pen na segunda volta, num contexto muito diferente do de 2002. Nessa altura, quando o socialista Lionel Jospin ficou pelo caminho e Jaques Chirac teve de enfrentar Jean-Marie Le Pen, a disciplina republicana não falhou. Hoje, já não há essa certeza. Trump foi a mais recente demonstração.

4. Se tudo correr como o previsto, o que deixou de ser uma garantia, François Fillon será o próximo Presidente francês a ter de encontrar um terreno comum com Berlim, para tentar tirar a Europa da crise profunda em que está mergulhada. Angela Merkel acaba de anunciar a sua candidatura a um quarto mandato, 48 horas depois da bela despedida que Obama lhe ofereceu e quando as sondagens indicam que já recuperou da crise dos refugiados. Quer unir os alemães “para fazerem frente ao populismo”. Na apresentação da sua candidatura, antecipou um mundo muito diferente e mais perigoso. “Pondo as coisas com cautela, o mundo vai ter de se reorganizar depois das eleições americanas e no que respeita às relações com a Rússia.” O slogan da campanha é óbvio: “Vocês conhecem-me”. Vai ser uma batalha mais difícil do que as anteriores. Tem de conter a extrema-direita sem desocupar o centro, garantindo que a sua vitória seja suficiente para impedir uma coligação do SPD com os Verdes e com o Die Linke. Com Fillon terá um parceiro disposto a fazer o que é preciso para devolver à economia francesa a capacidade competitiva, que tem perdido aceleradamente perante a poderosa economia alemã. Defende uma “ruptura tranquila” num país que sempre preferiu as revoluções. Falta saber se há um entendimento possível quanto ao futuro da Europa e o seu lugar no mundo. Trump veio baralhar o jogo. Completamente.


De Valores, práticas e o Futuro ocidental a 29 de Novembro de 2016 às 13:49

----- Linhas vermelhas? (da Alemanha/UE? ao próximo presidente dos EUA)
(-por N.Serra, 19/11/2016, Ladrões de B.)

«A Alemanha e os EUA estão ligados por valores.
A democracia, a liberdade, o respeito pelo direito, a dignidade do homem independentemente da sua cor de pele, da sua religião, do seu sexo, da sua orientação sexual ou das suas convicções políticas.

É na base desses valores que eu proponho uma cooperação estreita ao futuro presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.»

Angela Merkel, naquela que foi, surpreendentemente, uma das reações mais frontais, claras e corajosas à vitória de Donald Trump.
Para ser consequente, como deve - e retirar todas as ilações que resultam da sua própria declaração - a chanceler terá contudo que começar por
assumir o impacto que as políticas de austeridade e os atropelos à soberania dos Estados tiveram no recrudescer da extrema-direita na Europa
(como sucedeu de forma particularmente clara e grave na Grécia)
e tomar posições concretas, e igualmente firmes, caso a administração norte-americana ponha em causa os tais valores de que depende, segundo Merkel, a futura cooperação com os EUA.


---Adelino Silva:
Convenhamos que vivemos um período bestial em que predomina a mentira de estados e estadistas que por sua vez impõem sistemas fracturantes aos trabalhadores produtores e aos povos europeus.

Madame Merkel tem mostrado quanto vale nesta globalizante frustração ...
Como se deve perceber ela não esta´ a retratar-se, ela esta´ a querer ser mais papista que o Papa.

--Jaime Santos disse...
Não deixa de ser irónico que nos tempos que correm seja a Alemanha o mais coerente defensor dos valores da Democracia (neo)Liberal,
em particular de uma solução global para o problema dos refugiados
(que contribuiu para criar ao retirar recursos à ACNUR, é certo, mas pelo menos sempre teve uma atitude bem mais prudente que a França, o RU e os EUA relativamente aos problemas líbio e sírio).

Quem conhece o País e a sua Lei Fundamental não estranhará. E a postura relativamente à Grécia ou à imposição de medidas de austeridade aos restantes Países da zona Euro nada tem que ver com o comportamento da Alemanha Nazi, e quem se põe a brincar com tais coisas ou não sabe do que fala e é ignorante ou sabe e é no mínimo irresponsável.

E, convenhamos, entre a rigidez estúpida e algo hipócrita dos alemães, e as soluções que andam na cabeça de muitos dos novos nacionalistas de todas as cores, e que já foram aliás experimentadas nos mais diversos sítios com os lindos resultados que se conhecem, eu prefiro de longe os chatos dos alemães...

---Anónimo :
Sim, sim, claro que a "cooperação" europeia com os EUA de Trump só se fará se o recém eleito POTUS se reger pelos altos princípios da impoluta chanceler alemã.
Que valimento terão esses elevados princípios (típica e exclusivamente europeus ou singularmente alemães?) da Senhora Merkel se tivermos em conta a recente história da política externa alemã -
o reconhecimento prematuro da independência eslovena,
o apoio flagrante (em dinheiro e em armas) aos "ustasha" croatas,
a participação em sucessivas aventuras da NATO (a Alemanha tem, neste preciso momento, tanques estacionados na fronteira ocidental da Federação Russa),
a destruição, pura e simples da Grécia,
o apoio à subida dos neonazis ucranianos "europeístas" ao poder por meio de um golpe de estado -
isso é coisa que não é chamada para a avaliação das sinceríssimas palavras do nosso querido Bismarck de saias.


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