De UE:neoliberais «reformas estruturais»?!! a 2 de Outubro de 2014 às 15:56

O arquitecto do novo consenso


Estive a seguir a conferência de imprensa de Mario Draghi - um homem a quem hoje se associa uma imagem de adversário da austeridade à la Merkel.

Ele mostra-se elástico na política monetária e promete biliões em empréstimos de longo prazo e compras de dívida titularizadaà banca,
sugere flexibilidade nas políticas orçamentais, mas,
em contrapartida, exige reformas estruturais.
E repete dezenas de vezes: reformas estruturais, reformas estruturais, reformas estruturais.

«Reformas estruturais»? De que é que ele está a falar? Ele responde:
- mais cortes na despesa pública para baixar impostos e (agora) financiar investimento público,
- mais e mais “flexibilização” do mercado de trabalho,
- mais medidas “amigas” dos negócios.
Em suma, chamemos as coisas pelos seus nomes,
- menos saúde e educação públicas,
- mais saúde e educação paga por quem pode,
- menos pensões, mais PPRs,
- menor protecção do emprego e do desemprego,
- menos salário, menos medidas de protecção social e ambiental
- e tudo privatizado.
Afinal isto é o que sempre esteve em causa. Transformar a crise numa oportunidade para varrer da face da Europa todos os traços de democracia social. (do «estado social», e da social-democracia)

O mesmo Draghi que em Fevereiro de 2012 teve a franqueza de declarar que
“o modelo social europeu já foi”
paira agora sob a forma de pomba, propondo os termos de um novo pacto:
alguma flexibilidade orçamental (inevitável dada a depressão da procura)
em troca das ditas reformas estruturais.

Em breve surgirá a proposta de um novo tratado, que amarre todos os governos às "reformas estruturais", isto é,
ao estrito cumprimento da agenda política e ideológica da DIREITA (neoliberal e capitalismo selvagem), em troca de dinheiro do BCE e de tolerância orçamental da Comissão.

O pior é que abundam os sinais de que a social-democracia europeia já firmou o pacto de que Draghi é porta-voz. Mario Draghi e Vitor Constâncio lado a lado. Simbólico. E deprimente.


(- por José M. Castro Caldas às 2.10.14 , Ladrões de B.)


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