De JPP desmascara a Direita/neoLiberal. a 16 de Novembro de 2015 às 12:11
( http://abrupto.blogspot.pt/ -por J. Pacheco Pereira, 15/11/2015 e ... )
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Diário de um tempo diferente #
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15-- Para quem tinha dúvidas sobre a fusão profunda entre os interesses económicos com o governo PSD-CDS,
ocorrida nestes últimos anos, muito para além das coreografias e cortejos atrás de Sócrates,
veja-se o comportamento político das confederações patronais sem ambiguidades, sem hesitações, sem consideração pela democracia, mostrando-nos o seu enorme amor pelo governo Passos-Portas, e dizendo-nos que só eles podem governar e só a eles é permitido governar.
O processo de radicalização à direita passa por aqui.

16-- Se a TAP está a dias de não ter gasolina para os aviões e dinheiro para pagar salários,
o que não acredito porque já vi usar muitas vezes por este governo argumentos ad terrorem deste tipo para justificar fazer as enormidades que quer,
só pode ser por duas razões: ou foi pessimamente gerida nos últimos meses com o beneplácito governamental,
ou foi deliberadamente deixada cair no caos para justificar a estranha pressa governamental para a privatizar.

Não é nada de novo, - foi o que foi feito com os Estaleiros de Viana, para logo a seguir surgirem miraculosas encomendas de navios do próprio estado agora feitas aos privados.

Ainda há muita gente do centro-esquerda e da esquerda que não percebeu com quem se está a meter.

17-- Pedro Ferraz da Costa foi dizer ao Presidente, com imenso enfado, que vinha aí uma "perspectiva negra", a da "política estafada do consumo interno".
É que, ainda por cima, os que consomem não são as pessoas certas, que sabem comprar nas lojas gourmet, frequentar os sítios selectos, vestir com as marcas devidas, sem ostentação, mas sóbrios como um lorde inglês.
É de facto um aborrecimento ver feios, porcos e maus a terem mais uns euros para consumir...

18-- No "risco", como para aí se diz, de "reversão" das medidas do governo da troika, há uma que é a mais importante do que todas as outras.
Não pensem que a direita está muito preocupada com o défice ou a dívida, apesar da gritaria dúplice
(umas vezes está-se a dar tudo e vem aí um novo resgate, outras vezes, veja-se Portas, não se está a dar o que eles dariam).
A preocupação verdadeira é com a legislação laboral e o que lhe é anexo.

E não é, também não se enganem, com medo da CGTP.
É com medo de que se modere o desequilíbrio social ocorrido nestes últimos anos da troika entre trabalhadores e patronato.
A legislação laboral destina-se exactamente a criar factores de equilíbrio entre duas partes com um poder muito desigual.
A alteração da legislação laboral nestes últimos anos,
- e esta foi a grande traição da UGT e do silêncio do PS segurista,
- acentuou esse desequilibro e abriu a porta ao desemprego, ao abaixamento acentuado de salários, logo ao aumento da pobreza mesmo de quem tem emprego, e à precariedade.

19-- Muito me estranha, ou talvez não, que
não tenha havido um jornalista que tivesse feito a pergunta "quem paga'" a nenhum membro da coligação,
nem quando da cornucópia da abundância que correu no ano eleitoral, nem quando o PSD-CDS aceitaram todas aquelas medidas do PS no documento "facilitador", nem no programa de governo chumbado na Assembleia.
A pergunta é só feita a um lado, o que é já beneficiar o outro.


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