Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2014

À conversa com os deputados do PS   (-por Ricardo P. Mamede, 24/2/2014, Ladrões de B.)

A convite da respectiva direcção da bancada, participei hoje nas jornadas parlamentares do PS, na Nazaré.
Na minha intervenção procurei mostrar que a trajectória de austeridade e empobrecimento que a troika e o actual governo reservam para Portugal é determinada por três factores:
i) o elevado nível de endividamento público e privado, com uma forte componente externa, da economia portuguesa;
ii) as regras e orientações dominantes nas instituições europeias; e
iii) a atitude subserviente e convicta com que o governo português implementa aquelas orientações.
    Terminei apresentando o que julgo serem os sete requisitos para escapar à trajectória de empobrecimento a que Portugal parece destinado, são eles:
1) Promover uma renegociação da dívida pública que torne o serviço da dívida compatível com a sustentabilidade económica e social.
2) Prosseguir uma política orçamental contra-cíclica (o que poderá implicar o incumprimento do Tratado Orçamental).
3) Adoptar políticas de estímulo à actividade económica que minimizem os impactos negativos na balança corrente.
4) Assegurar que o esforço de racionalização do aparelho de Estado, dos serviços públicos e do sistema fiscal contribui para o desenvolvimento e qualificação de um Estado Social universal e solidário.
5) Promover a qualificação do tecido produtivo através de políticas ambiciosas de educação e formação, C&T e inovação, criatividade, investimento estruturante e internacionalização.
6) Desencadear um processo negocial com vista à revisão do quadro de governação macroeconómica da UE – ou reponderar os termos da participação de Portugal na UEM.
7) Um governo que esteja disposto a – e em condições de – prosseguir uma agenda assente nos pontos anteriores.
      Não faço ideia se, quando e por quem estes requisitos poderão ser cumpridos, mas acredito que é por eles que vale a pena lutar. 
...  Vem-me à mente a frase escrita por Scott Fitzgerald numa época ainda mais obscura do que a nossa (1936): “One should be able to see that things are hopeless and yet be determined to make them otherwise.” [Obrigado S.]

---  Rejeitar o empobrecimento  ... link para os slides da minha apresentação de ontem, nas jornadas parlamentares do PS, sob o título: "Factores determinantes da trajectória de empobrecimento do país".

--- Isto já é um começo  :  "Dúvida sobre viabilidade do tratado orçamental cresce no PS"


Publicado por Xa2 às 07:22 | link do post | comentar

1 comentário:
De Eleitores: Centrão vs Alternativas ? a 26 de Fevereiro de 2014 às 09:30

Em busca do centro perdido


Na semana passada, por ocasião do lançamento do livro «A austeridade mata? A austeridade cura?»
(coordenado por Eduardo Paz Ferreira e publicado pelo Instituto de Direito Económico, Financeiro e Fiscal da Faculdade de Direito de Lisboa), foram apresentados os resultados de um inquérito sobre políticas de austeridade e perspectivas de evolução no futuro próximo, encomendado pelo IDEFF à Eurosondagem.
Os seus resultados mostram que dois anos de implementação do Memorando de Entendimento fortaleceram a noção de que
a austeridade «afunda económica e socialmente o país», sendo contudo ainda significativo o peso relativo dos inquiridos que interpretam a adopção de políticas austeritárias como a «consequência inevitável» do processo de endividamento de Portugal nos últimos anos.

E se é verdade que cerca de quatro em cada dez portugueses já encaram
a austeridade como uma «escolha política» do «governo-além-da-Troika» de Pedro Passos Coelho e de Paulo Portas, situa-se numa proporção idêntica o peso dos que consideram que
a prossecução das políticas de austeridade «depende da vontade do governo alemão e da Troika», bem como da própria evolução político-económica que se venha a registar na União Europeia.
De uma forma ou de outra, a percepção dominante (reflectida pela opinião de cerca de dois terços dos inquiridos) é a de que
«a austeridade veio para ficar», por pelo menos mais uns anos.
Aliás, os dois dados mais expressivos deste inquérito permitem estabelecer a seguinte conclusão:
a austeridade é destrutiva mas irá prosseguir (ideia reforçada pelo facto de cerca de metade dos inquiridos duvidarem da «existência de propostas credíveis que lhe ponham fim»).

Os resultados deste inquérito, e as perplexidades que o mesmo revela, ajudam a perceber o estranho jogo de espelhos que se gerou entre o PS e o PSD, durante o passado fim de semana, na escolha dos respectivos cabeças de lista para as eleições europeias.
Como quem puxa a manta para o lado que pressente estar mais desprotegido,
o PS escolhe um candidato posicionado nas franjas mais à direita do partido, dedicando-se
o PSD a tentar maquilhar a imagem de radicalismo neoliberal que os dois últimos anos de governação (com o devido proveito) lhe colaram à pele, através da escolha, para candidato, de um militante posicionado mais à esquerda.
À procura do centro perdido, o PS DESISTE assim de explorar uma resposta ALTERNATIVA consistente às políticas de austeridade,
enquanto o PSD se procura demarcar do VERGONHOSO perfil de subserviência e de vanguarda convicta na defesa e aplicação dessas mesmas políticas.

E, contudo, EXISTEM bases consistentes para traçar caminhos ALTERNATIVOS para sair da crise.
Pistas para o quadro de pressupostos e objectivos que os suportam estão inscritas, por exemplo, na
«Declaração do Congresso Democrático das Alternativas», de 5 de Outubro de 2012. Na mesma linha, a
« Iniciativa para uma Auditoria Cidadã à Dívida » dispõe já hoje de um património notável em termos de propostas para a renegociação da dívida (tendo sido entregue, no início do ano, uma petição sobre esta matéria na Assembleia da República).
E mais recentemente, o «Manifesto 3D» apresentou os compromissos para a criação de um amplo movimento político de contraposição à força centrípeta do buraco negro da austeridade.
Reúnam-se pois vontades e disponibilidades, e faça-se o caminho das ideias para que o empobrecimento não tenha que ser o nosso trágico destino.


(-por Nuno Serra , 26/2/2014, Ladrões de B.)


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