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De Eleitores: Centrão vs Alternativas ? a 26 de Fevereiro de 2014 às 09:30

Em busca do centro perdido


Na semana passada, por ocasião do lançamento do livro «A austeridade mata? A austeridade cura?»
(coordenado por Eduardo Paz Ferreira e publicado pelo Instituto de Direito Económico, Financeiro e Fiscal da Faculdade de Direito de Lisboa), foram apresentados os resultados de um inquérito sobre políticas de austeridade e perspectivas de evolução no futuro próximo, encomendado pelo IDEFF à Eurosondagem.
Os seus resultados mostram que dois anos de implementação do Memorando de Entendimento fortaleceram a noção de que
a austeridade «afunda económica e socialmente o país», sendo contudo ainda significativo o peso relativo dos inquiridos que interpretam a adopção de políticas austeritárias como a «consequência inevitável» do processo de endividamento de Portugal nos últimos anos.

E se é verdade que cerca de quatro em cada dez portugueses já encaram
a austeridade como uma «escolha política» do «governo-além-da-Troika» de Pedro Passos Coelho e de Paulo Portas, situa-se numa proporção idêntica o peso dos que consideram que
a prossecução das políticas de austeridade «depende da vontade do governo alemão e da Troika», bem como da própria evolução político-económica que se venha a registar na União Europeia.
De uma forma ou de outra, a percepção dominante (reflectida pela opinião de cerca de dois terços dos inquiridos) é a de que
«a austeridade veio para ficar», por pelo menos mais uns anos.
Aliás, os dois dados mais expressivos deste inquérito permitem estabelecer a seguinte conclusão:
a austeridade é destrutiva mas irá prosseguir (ideia reforçada pelo facto de cerca de metade dos inquiridos duvidarem da «existência de propostas credíveis que lhe ponham fim»).

Os resultados deste inquérito, e as perplexidades que o mesmo revela, ajudam a perceber o estranho jogo de espelhos que se gerou entre o PS e o PSD, durante o passado fim de semana, na escolha dos respectivos cabeças de lista para as eleições europeias.
Como quem puxa a manta para o lado que pressente estar mais desprotegido,
o PS escolhe um candidato posicionado nas franjas mais à direita do partido, dedicando-se
o PSD a tentar maquilhar a imagem de radicalismo neoliberal que os dois últimos anos de governação (com o devido proveito) lhe colaram à pele, através da escolha, para candidato, de um militante posicionado mais à esquerda.
À procura do centro perdido, o PS DESISTE assim de explorar uma resposta ALTERNATIVA consistente às políticas de austeridade,
enquanto o PSD se procura demarcar do VERGONHOSO perfil de subserviência e de vanguarda convicta na defesa e aplicação dessas mesmas políticas.

E, contudo, EXISTEM bases consistentes para traçar caminhos ALTERNATIVOS para sair da crise.
Pistas para o quadro de pressupostos e objectivos que os suportam estão inscritas, por exemplo, na
«Declaração do Congresso Democrático das Alternativas», de 5 de Outubro de 2012. Na mesma linha, a
« Iniciativa para uma Auditoria Cidadã à Dívida » dispõe já hoje de um património notável em termos de propostas para a renegociação da dívida (tendo sido entregue, no início do ano, uma petição sobre esta matéria na Assembleia da República).
E mais recentemente, o «Manifesto 3D» apresentou os compromissos para a criação de um amplo movimento político de contraposição à força centrípeta do buraco negro da austeridade.
Reúnam-se pois vontades e disponibilidades, e faça-se o caminho das ideias para que o empobrecimento não tenha que ser o nosso trágico destino.


(-por Nuno Serra , 26/2/2014, Ladrões de B.)


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