(RE)NOMEAÇÂO DE CARLOS COSTA & MEMOFANTE

Em 2010 PS elogiava qualidades do futuro governador e PSD queria que este fosse ouvido antes no parlamento.

A escolha de Carlos Costa como governador do Banco de Portugal foi comunicada publicamente por Teixeira dos Santos, ministro das Finanças do governo de José Sócrates, no final da reunião do Conselho de Ministros de 22 de Abril de 2010. A competência para a nomeação era do próprio Teixeira dos Santos, que justificou a sua escolha: 

"É um prestigiado economista, com larga experiência no sector financeiro, bem como uma larga experiência internacional, não só pelas funções que actualmente exerce como vice-presidente do BEI mas também nas funções desempenhadas em Bruxelas no âmbito da REPER e da Comissão Europeia". Já o lider parlamentar de então, Francisco Assis, ia mais longe nos elogios:

"Desempenhou bem e de forma brilhante todas as funções que lhe foram acometidas no passado". E se o PS critica agora quem escolheu no passado, também a posição do PSD de então tem um paralelismo curioso com o que os socialistas dizem agora. Sem qualquer crítica ao nome de Carlos Costa, em 2010 o PSD pedia transparência no processo de nomeação, pretendendo que o então candidato apontado ao lugar fosse ouvido no parlamento antes da escolha oficial do governo socialista.

Por Tiago Freire [Económico]



Publicado por [FV] às 10:23 de 29.05.15 | link do post | comentar |

3 comentários:
De BdP/CCosta agenda política NeoLiberal. a 1 de Junho de 2015 às 15:14

Carlos Costa, o exemplo do mérito

(29 Maio 2015,por Valupi , Aspirina B)

A recondução de Carlos Costa como governador do Banco de Portugal é um justo prémio. E tem uma longa história.
Começou a 27 de Setembro de 2009. Nessa data, os eleitores decidiram que o Parlamento não teria uma maioria de um só partido. O partido do Governo tentou formar uma coligação para o novo Executivo ou fazer um acordo parlamentar, mas ninguém na oposição aceitou o convite.
Apesar disso, e sem ter feito qualquer pressão para se obter outro desfecho nem revelando qualquer incómodo com as consequências da situação, o Presidente da República deu posse a um novo Governo minoritário.

Aqui, façamos uma pausa para imaginar as alternativas que tinha o PS nesse cenário.
Caso se recusasse a governar em minoria, teria de ser marcado novo acto eleitoral.
O tempo que tal levaria a preparar seria ocupado por um Governo sem qualquer legitimidade para governar para além das despesas correntes, e isto estando-se ainda a tentar sobreviver à maior crise económica global dos últimos 70 anos.
A campanha seria feita sem a mínima certeza de se vir a obter uma maioria e a oposição repetiria a mesma cassete da eleição de Setembro, promoveria o mesmo sectarismo da recusa de estabilidade e agitaria a bandeira da irresponsabilidade contra aqueles que, tendo ganhado as eleições, se recusavam a respeitar o mandato popular por recusarem a democracia e só obedecerem à sua sede de um poder absoluto.
Teria sido uma coisa linda de se ver, e tão mais linda quanto a Grécia estava mesmo aí a rebentar e o mundo a mudar.

A escolha de Carlos Costa veio em Abril de 2010, pela mão de um Governo socialista que já sobrevivia em modo PEC desde Março desse ano.
Isto é, a Europa estava completamente à deriva, sem instrumentos formais nem vontade política para ajudar os países mais ameaçados pelo efeito dominó da crise grega.
A Irlanda seria a próxima vítima, enquanto Portugal tinha uma claque interna que apostava todas as fichas no afundanço nacional. A lógica era simples:
já que o Governo estava a ser cada vez mais pressionado pelos parceiros europeus para assumir medidas de austeridade,
e posto que elas iam sendo realizadas, havia que dizer que esse caminho estava errado.
Ao mesmo tempo, culpava-se o capitão do navio pela tempestade, martelando-se sem descanso na retórica da culpa.
Figurões portugueses iam para o estrangeiro anunciar que o País não tinha condições para fugir ao resgate, dando o seu melhor para que os seus desejos se concretizassem.
Cá dentro, qualquer dado que pudesse ser positivo para a imagem do Governo, nem que fosse dizer-se que Portugal tinha um clima temperado, era de imediato submergido pelo berreiro da legião do ódio que não suportava boas notícias.

É neste contexto que voltamos a ouvir falar de Carlos Costa. Porque este amigo lembrou-se de afirmar o seguinte:

Numa entrevista de sete páginas ao "Diário Económico", Carlos Costa confirmou:
"Pode dizer-se que estamos em recessão económica. Espero manter a pressão sobre quem tem de decidir em matéria de finanças públicas."

O governador do Banco de Portugal pede "resultados claros de execução orçamental" para acalmar os mercados e aliviar os juros da dívida pública.

Fevereiro de 2011

Há nisto vários aspectos notáveis.
Fevereiro de 2011 corresponde a um período crítico da execução do chamado PEC III, o tal que o PSD viabilizou adentro de uma palhaçada que até meteu fotografias tiradas com o telemóvel do Catroga.
Estava em causa saber se os mercados mantinham o Governo ligado à máquina até haver sinais de recuperação, pelo que cada ida ao mercado era como a apresentação de uma moção de confiança.
Assim, qualquer declaração de responsáveis públicos, para mais do Governador do Banco de Portugal, teria um grande impacto potencial na imprensa, no debate político e, inevitavelmente, na psicologia do mercado.
Então, que terá levado Carlos Costa a mentir desta maneira tão contrária ao interesse nacional?
É que é de uma mentira que estamos a falar, como de imediato Guilherme de Oliveira Martins veio explicar:
“Não se trata de uma questão de opinião, é uma questão técnica. Tecnicamente ainda não estamos em situação de recessão, mas ...


De Beneficiar c. a Crise e a Troika a 1 de Junho de 2015 às 15:24
Carlos Costa, o exemplo do mérito

(29 Maio 2015,por Valupi , Aspirina B)
... ... ...
... Guilherme de Oliveira Martins veio explicar:

“Não se trata de uma questão de opinião, é uma questão técnica. Tecnicamente ainda não estamos em situação de recessão,
mas o que gostaria de registar na opinião do senhor governador do Banco de Portugal é um aspecto positivo:
dizer e acreditar que somos capazes de assumir as nossas responsabilidades e de sermos nós a resolver os problemas decorrentes da crise financeira e orçamental”, disse.

Registe-se a letal ironia de Oliveira Martins, expondo a sonsa intenção boicotadora de Costa.
Não estando Portugal em recessão, dizer que está só se pode explicar, a este nível de competência técnica e responsabilidade estatal, por uma agenda política onde essa mensagem apareça como um benefício.
O benefício, ululantemente óbvio, não era o dos interesses portugueses, antes o dos interesses de alguns portugueses.

Que teria acontecido de especial, ou estaria para acontecer, de modo a justificar a espectacular manobra antipatriótica do Governador?
Duas coisinhas:
a reeleição de Cavaco, que definia o calendário para o derrube imediato de Sócrates, e a negociação que o Governo estava a fazer com a Europa para evitar o 'RESGATE' (da Troika), o famigerado PEC IV.
Quem revisitar este período, vai encontrar uma intenção sistemática para ASSALTAR o PODER assim que Cavaco tivesse garantido a reeleição.
Ter um Presidente da República chefe de facção era decisivo para o processo arriscadíssimo que se iria seguir assim que a DIREITA conseguisse o apoio dos imbecis para abrirem juntos uma das mais graves crises políticas da democracia portuguesa.

Carlos Costa comportou-se com zelo e competência nessa estratégia, assim como nos episódios pícaros que se seguiram nos últimos 4 anos de catástrofe bancária.
É um dos raros casos no universo laboral português onde o mérito (a defender os interesses de uma minoria/elite, em prejuízo da maioria dos cidadãos e do Estado) está a ser exemplarmente reconhecido.
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De Repromoção p satisfazer os 'nossos'... a 1 de Junho de 2015 às 17:26
Repromoção

Se bem percebi:
Carlos Costa fez o que o governo mandou porque entretanto,
o entretanto é depois do BPN,
a UE mudou as regras impostas aos governos quando lhes caía mais um banco de vígaros.

Vítor Constâncio tanto cumpriu com o BPN as regras do seu tempo que foi promovido a vice-presidente do banco europeu.
Carlos Costa ganha outro mandato.

O cargo chama-se governador do Banco de Portugal.
Agora riam comigo: "de Portugal".
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Além das questões da própria regulamentação bancária (ou falta dela) convém acrescentar a delapidação das reservas estratégicas de ouro, vendidas a mínimos históricos, sem qualquer razão concreta.
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Harmódio ( https://enclavept.wordpress.com/):
Este ex-quadro do BCP deixou prescrever, enquanto Governador do BdP, o processo que decorria contra o seu ex-patrão Jardim Gonçalves. Um verdadeiro poço de virtudes
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o favor tem um preço ,nomear novos boys para altos cargos e altamente remunerados ,até porque as finanças têm os cofres cheios .
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