De BdP/CCosta agenda política NeoLiberal. a 1 de Junho de 2015 às 15:14

Carlos Costa, o exemplo do mérito

(29 Maio 2015,por Valupi , Aspirina B)

A recondução de Carlos Costa como governador do Banco de Portugal é um justo prémio. E tem uma longa história.
Começou a 27 de Setembro de 2009. Nessa data, os eleitores decidiram que o Parlamento não teria uma maioria de um só partido. O partido do Governo tentou formar uma coligação para o novo Executivo ou fazer um acordo parlamentar, mas ninguém na oposição aceitou o convite.
Apesar disso, e sem ter feito qualquer pressão para se obter outro desfecho nem revelando qualquer incómodo com as consequências da situação, o Presidente da República deu posse a um novo Governo minoritário.

Aqui, façamos uma pausa para imaginar as alternativas que tinha o PS nesse cenário.
Caso se recusasse a governar em minoria, teria de ser marcado novo acto eleitoral.
O tempo que tal levaria a preparar seria ocupado por um Governo sem qualquer legitimidade para governar para além das despesas correntes, e isto estando-se ainda a tentar sobreviver à maior crise económica global dos últimos 70 anos.
A campanha seria feita sem a mínima certeza de se vir a obter uma maioria e a oposição repetiria a mesma cassete da eleição de Setembro, promoveria o mesmo sectarismo da recusa de estabilidade e agitaria a bandeira da irresponsabilidade contra aqueles que, tendo ganhado as eleições, se recusavam a respeitar o mandato popular por recusarem a democracia e só obedecerem à sua sede de um poder absoluto.
Teria sido uma coisa linda de se ver, e tão mais linda quanto a Grécia estava mesmo aí a rebentar e o mundo a mudar.

A escolha de Carlos Costa veio em Abril de 2010, pela mão de um Governo socialista que já sobrevivia em modo PEC desde Março desse ano.
Isto é, a Europa estava completamente à deriva, sem instrumentos formais nem vontade política para ajudar os países mais ameaçados pelo efeito dominó da crise grega.
A Irlanda seria a próxima vítima, enquanto Portugal tinha uma claque interna que apostava todas as fichas no afundanço nacional. A lógica era simples:
já que o Governo estava a ser cada vez mais pressionado pelos parceiros europeus para assumir medidas de austeridade,
e posto que elas iam sendo realizadas, havia que dizer que esse caminho estava errado.
Ao mesmo tempo, culpava-se o capitão do navio pela tempestade, martelando-se sem descanso na retórica da culpa.
Figurões portugueses iam para o estrangeiro anunciar que o País não tinha condições para fugir ao resgate, dando o seu melhor para que os seus desejos se concretizassem.
Cá dentro, qualquer dado que pudesse ser positivo para a imagem do Governo, nem que fosse dizer-se que Portugal tinha um clima temperado, era de imediato submergido pelo berreiro da legião do ódio que não suportava boas notícias.

É neste contexto que voltamos a ouvir falar de Carlos Costa. Porque este amigo lembrou-se de afirmar o seguinte:

Numa entrevista de sete páginas ao "Diário Económico", Carlos Costa confirmou:
"Pode dizer-se que estamos em recessão económica. Espero manter a pressão sobre quem tem de decidir em matéria de finanças públicas."

O governador do Banco de Portugal pede "resultados claros de execução orçamental" para acalmar os mercados e aliviar os juros da dívida pública.

Fevereiro de 2011

Há nisto vários aspectos notáveis.
Fevereiro de 2011 corresponde a um período crítico da execução do chamado PEC III, o tal que o PSD viabilizou adentro de uma palhaçada que até meteu fotografias tiradas com o telemóvel do Catroga.
Estava em causa saber se os mercados mantinham o Governo ligado à máquina até haver sinais de recuperação, pelo que cada ida ao mercado era como a apresentação de uma moção de confiança.
Assim, qualquer declaração de responsáveis públicos, para mais do Governador do Banco de Portugal, teria um grande impacto potencial na imprensa, no debate político e, inevitavelmente, na psicologia do mercado.
Então, que terá levado Carlos Costa a mentir desta maneira tão contrária ao interesse nacional?
É que é de uma mentira que estamos a falar, como de imediato Guilherme de Oliveira Martins veio explicar:
“Não se trata de uma questão de opinião, é uma questão técnica. Tecnicamente ainda não estamos em situação de recessão, mas ...


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