10 razões para a derrota do PS. (Ana Sá Lopes)
«Se um dos grandes problemas nacionais é a dívida, o PS não tem nenhuma alternativa àquela preconizada pela coligação.
Ao apoiar o Tratado Orçamental e ao ter desistido da reestruturação, mostrou que a alternativa dos socialistas é difícil de explicar e trabalhosa de pôr em prática. »
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-----Eleições – Balanço de uma noite de Outono
(http://entreasbrumasdamemoria.blogspot.pt/ )
Nas eleições de ontem, houve vencedores e vencidos apesar de não estamos em campeonatos de futebol. A democracia tem as suas regras e os seus preços.
1 – Por um voto se ganha e o PàF ganhou. Não vale a pena falar de derrota. Perdeu 700.000 votos relativamente a 2011?
Sim, mas aguentou-se depois de quatro anos que deviam ter sido arrasadores em termos eleitorais.
Preocupante? Certamente, mas foi assim.
2 – O maior vencido foi António Costa que arrastou com ele o PS. Desperdiçou o capital de popularidade que a vitória interna no partido lhe dera e nem lhe terá passado pela cabeça que a vitória nas eleições de ontem não seria um passeio de Outono.
Convenceu-se de que o PS podia ter um programa que agradasse ao senhor Schaeuble e a uma maioria esmagadora de portugueses – e enganou-se.
Nem conseguiu diminuir a abstenção que, afinal, foi a maior de sempre e, como se tudo isto não fosse suficiente, fez uma má campanha, unipessoal, aos gritos e com tiros em tantos pés que uma centopeia não desdenharia.
Cereja em cima do bolo: o mau e displicente discurso de derrota, que fez ontem à noite.
O PS só pode queixar-se de si próprio e não vale a pena atirar culpas à esquerda e à comunicação social quando nem o desesperado apelo ao «voto útil» lhe valeu!
3 – Outros vencidos foram os novos pequenos partidos, nomeadamente os que resultaram de cisões no Bloco, com destaque para o Livre / Tempo de Avançar.
Será interessante, muito interessante, seguir o seu futuro próximo...
4 – Vencedores?
Antes de mais o Bloco de Esquerda, sem dúvida, pelos resultados que excederam todas as expectativas ao mostrarem um partido vivo e convicto, com mensagens claras, de gente nova e menos nova (não há só duas ou três «meninas», não, olhe-se para o novo grupo parlamentar...).
Catarina Martins, as irmãs Mortágua, mas também José Manuel Pureza, José Soeiro e outros 14, lá estarão em S. Bento.
E os outros, os «velhos» Louçã, Rosas e Fazenda, não desertaram.
O PCP manteve-se quase igual a si próprio, crescendo um pouco.
Bloco e PCP terão agora cerca de mais 1/3 dos deputados que tinham na legislatura anterior, 27% dos 230 – uma vitória indiscutível da esquerda anti-austeritária.
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Os dias, meses e anos que se seguem serão certamente muito duros e cheios de incertezas.
Mas o mundo não acabou ontem e, como escreveu já hoje Mariana Mortágua,
«o tempo é de esperança e serenidade. Que todas as forças políticas saibam estar à altura do desafio».
Pedro Passos Sócrates (http://aventar.eu/2015/10/05/pedro-passos-socrates/#more-1236283)
Eles tentaram tudo.
Usaram recursos públicos ao serviço dos seus partidos, manipularam as redes sociais, esconderam-se por trás de um nome a apelar ao patriotismo e fizeram os caudilhos desaparecer dos cartazes.
Eles tinham os comentadores mais influentes, tinham os bloggers da corda a atacar o PS todos os dias, tinham o Observador, o Sol e o Correio da Manhã.
Eles fugiram a entrevistas, fugiram a debates, fugiram aos portugueses e terminaram a campanha envoltos em cordões humanos de jotas e seguranças como bolhas de actimel à volta do homem que abria portas na Tecnoforma.
Eles reduziram o discurso ao nível mais primário possível, prometeram números impossíveis, empunharam terços e insistiram em enganar os portugueses quando disseram que o Novo Banco não ia ter custos para os contribuintes.
Até António Costa e a campanha desastrosa do PS deram aquela forcinha.
E mesmo assim não foram além do PS de 2005/2011 e de uma maioria relativa.
Passos Coelho é outro Sócrates, separam-nos apenas duas diferenças:
1.Passos precisa de outro partido para ser Sócrates;
2.A pancada que levou entre o primeiro e o segundo mandato foi maior.
Depois de todos os triunfalismos que o protocolo exige, a coligação enfrentará, a partir de hoje, um parlamento onde a esquerda estará em maioria.
O último que lá esteve nas mesmas condições durou 2 anos.
E não tinha um António Costa tenrinho a liderar o maior partido da oposição em processo de “pasokização” que, a julgar pelas suas palavras no discurso da derrota, estará disposto a facilitar a vida ao governo.
Vai ser fabuloso ver as Marias Luz e restantes “clientes” e prostitutas do PàF nas redes sociais tirarem a mira do líder do PS e eventualmente terem que elogiar a sua abertura para viabilizar a governação dos seus caciques.
Alguns adeptos não irão perceber no início mas os mais grunhos nem vão sequer notar.
Pedro Passos Sócrates Coelho lá continuará a seguir o caminho do seu antecessor.
Uma maioria absoluta (ainda que no caso do primeiro-ministro tenha sido necessário recorrer ao táxi) seguida de uma maioria relativa em que a coligação que lidera consegue menos deputados do que o seu partido conseguiu sozinho em 2011,
que não deverá ir além dos 107 deputados, tendo caído quase 12% face aos resultados de 2011, o que se traduz em menos 741.693 mil votos, mais do que a votação total do CDS-PP em 2011.
De resto pior que Sócrates, que quando transitou da maioria absoluta de 2005 para a relativa de 2009 recuou cerca de 8,5%, tendo perdido 511.074 votos.
Nem com um partido em anexo Passos consegue melhores resultados que o preso domiciliário.
Espera-o uma oposição parlamentar hostil, que até poderá revelar-se mais macia do que o esperado caso o PS opte pelo papel de prostituta política
depois de uma campanha em que o discurso assentava num discurso agressivo em torno da impossibilidade de compromissos,
ou, mais provável, o mesmo destino que o seu semelhante que será ser cozinhado em banho-maria durante aproximadamente dois anos até que, quando o refogado estiver no ponto,
surja um Marco António Costa qualquer do PS que diga a Costa: “Ou há eleições no país ou há eleições no PS“.
E lá voltaremos ao mesmo com mais do mesmo.
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