Resistir ao assalto neoliberal e ao ultimato sádico e mortal

 A Europa é hoje uma das maiores vítimas do neoliberalismo

 Para o académico e ativista norte-americano, o Syriza e o Podemos são partidos que se levantam "contra o assalto neoliberal que está a estrangular e destroçar os países periféricos".

“A Europa é hoje uma das maiores vítimas” das políticas neoliberais que começaram a ser aplicadas no final dos anos 70 e começaram com Ronald Reagan e Margaret Thatcher, afirmou o linguista norte-americano Noam Chomsky.

   Durante uma entrevista ao CTXT, o filósofo sustentou que as medidas de austeridade implantadas na região “estão a desmantelar o Estado Social e a debilitar os trabalhadores para aumentar o poder dos ricos e dos privilegiados”.

    “É delirante a forma como a troika está a tomar decisões na Europa. Pode-se qualificar como delirante se forem levadas em conta as consequências humanas, mas do ponto de vista dos que definem a política não é delirante, para eles é fantástico. Estão mais ricos e poderosos que nunca, e estão a acabar com o inimigo, que é a população em geral”, assinalou o ativista político.

     "Um mundo sem regras no qual os poderosos fazem o que querem. E, onde, milagrosamente, tudo sai à perfeição. É interessante comprovar como Adam Smith propôs isto na famosa expressão 'mão invisível'. Agora vemos que, quando o capital deixa de ter restrições, particularmente os mercados financeiros, tudo salta pelos ares. É com isso que se confronta hoje a Europa", sustentou o professor emérito de Linguística no Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT).

     “O capitalismo é intrinsecamente sádico; de facto, Adam Smith reconheceu que quando tem rédea solta e fica livre de amarras externas, a sua natureza sádica manifesta-se porque é intrinsecamente selvagem. O que é o capitalismo? Maximizar os seus benefícios à custa do resto do mundo”, explicou o filósofo norte-americano.

    O autor de “Os guardiões da liberdade” vê a América Latina como um exemplo de resistência diante da "invasão neoliberal". "Durante 500 anos, a América do Sul sofreu o domínio das potências imperiais ocidentais, a última delas, os EUA. Mas nos últimos 10 ou 15 anos começou a romper com isso", refere.

     Chomsky considerou que o Syriza, liderado por Alexis Tsipiras, é um partido de esquerda "para os padrões atuais" mas que, pelo contrário, o seu programa não o é. "É um partido antineoliberal; não exigem que os trabalhadores controlem a indústria".

    "E isto não é uma crítica, acho que é positivo. E o mesmo ocorre com o Podemos: são partidos que se levantam contra o assalto neoliberal que está a estrangular e destroçar os países periféricos", acrescentou.

--8/2/2015, em RPP Notícias, tradução de Luis Leiria para o Esquerda.net       -------------------

  ultimato  à  Grécia e já nada será como dantes  (-por F.Louçã, 16/2/2015)

Uma reunião relâmpago do Eurogrupo e um ultimatoa Grécia tem quatro dias para repor o programa de austeridade que foi recusado pelas urnas.

   Deste modo, nestes dias vertiginosos, três traços ficam claros. Primeiro, todo o aparelho político europeu se uniu contra a Grécia: na conferência de imprensa que apresentou o ultimato juntaram-se, simbólica e excepcionalmente, dois socialistas, Moscovici e Dijsselbloem, e duas figuras da direita europeia, Lagarde e Tusk. A Grécia está isolada, todos os governos de direita e de centro querem a sua punição e só tem o apoio de quem recusa a destruição (o Financial Times dá conta da carta de 32 personalidades insistindo na mudança da posição do Estado português).

   Segundo, a União Europeia não admite nenhuma alternativa à austeridade. A escolha é esta: ou a Grécia continua as privatizações e a compressão salarial ou é expulsa, não se sabe como ou com que legitimidade, mas fica de fora. A Europa é a austeridade. É uma prisão.

   Terceiro, o governo alemão está disposto a tudo, mesmo a uma grotesca arrogância que pouca gente acharia plausível. Ao dizer hoje que “sinto muito pelos gregos, que elegeram um governo que se porta de forma irresponsável”, Schauble ultrapassou uma barreira de agressividade e impunidade que terá consequências. A Alemanha passou a ser isto.

    Assim, ninguém – o Eurogrupo, o governo alemão, os outros governos – deixou qualquer dúvida: ou a Grécia se verga ou sai do euro. A Grécia nem teria o direito de divulgar a proposta que lhe foi feita, acrescentam as autoridades europeias, e se o fez, é uma “provocação”, persiste o Eurogrupo, porque nenhum governo pode dar a conhecer este segredo.

   Do outro lado, o governo grego usou todas as armas que a democracia pode gerar. Obteve um mandato eleitoral claro. Procurou o apoio da opinião pública em todos os países. Conduziu uma disputa política que nunca ninguém tinha visto na Europa. Destapou a face de uma Alemanha imperialmente exibicionista. Usou o seu recurso mais importante: propôs negociações prudentes, esperando que o adversário não usasse a arma de destruição massiva. Mas encontrou um muro de “intimidação” (Tsipras) ou de imitação de “tortura” no estilo da CIA (Varoufakis) e, em todo o caso, a condição do ultimato: ou continua a austeridade ou rua.

   As autoridades europeias colocaram-se por isso numa posição em que não admitem nada senão a cedência. Assim, o que se vai passar nos próximos dias, salvo mudança miraculosa, parece estar escrito. Pode haver ou não nova reunião do Eurogrupo, mas, segundo as autoridades europeias, a condição preliminar é que a Grécia reponha a política de Samaras e do PASOK. A partir daí, não havendo acordo, começa a contagem decrescente para o “Armagedeão”, nos termos de Varoufakis, e será o BCE o instrumento da cólera desta divindade: no dia em que cortar o crédito de liquidez aos bancos gregos, a Grécia tem de emitir moeda para salvar o país. E esse dia poderá vir em breve. A Grécia pode então reagir de muitas formas. Pode convocar uma sessão extraordinária do parlamento, pode pedir a opinião da população e organizar um referendo. Mas terá poucos horas para responder ao ataque, porque terá sido expulsa do euro, pela força ilegítima de um ultimato, seguido de uma retaliação.

    As consequências de um desfecho deste tipo são imensas e voltarei ao tema em breve. Em todo o caso, não será menos do que mudar a vida da esquerda, que será forçada a reconhecer que nesta Europa o destino é a austeridade. E mostrar, o que também não é pouca coisa, que na União não se respeitam regras nem leis nem tratados, a Alemanha manda e é tudo.

   O ultimato à Grécia é o culminar do desastre da austeridade. Mas é também o início de tempos muitos mais perigosos.

                  Europa: «e pur si muove»       (JMB Brito, 18/2/2015)

 ...
«Pobre Europa atormentada por várias crises de natureza diferente, sem saber para onde se virar. Esta é a consequência grave de todos terem estado sentados em cima da sua indiferença, acreditando numa calma aparente e procurando encontrar soluções extravagantes para problemas complexos e envolvendo enormes riscos.(...)
     Nenhum destes problemas pertence, em exclusivo, a quem mais directamente o provocou ou mais displicentemente o encarou. No quadro em que nos encontramos, todos os problemas são da Europa como um todo. Por isso não há um problema grego, português, espanhol ou ucraniano: é a Europa que se debate com todos eles, apanhada num labirinto, onde tem sobrado uma arrogante paralisia em lugar de pensar e produzir cenários que antecipem soluções. (...)
     A solução não está em humilhar os povos, numa espiral de pobreza, desemprego e protestos. A solução não está em dar a ordem e manter-se indiferente às consequências. Porque, pelo caminho que as coisas levam, a breve trecho a indiferença pode transformar-se em estupefacção perante as alterações do ambiente em que displicentemente se ficciona viver. É preocupante verificar como se reage temerosamente perante a mudança, em lugar de tentar compreender os novos fenómenos económicos e sociais que cada vez com mais força se vão fazendo sentir. Já hoje, se manifestam à luz do dia, forças políticas organizadas que contestam abertamente o rumo que a União Europeia tem tomado nos últimos anos e, até, a própria UE. A solução da austeridade 'promotora do crescimento' foi um erro. E há quem, por toda a Europa, à direita e à esquerda, não esteja disposto a pagar por esse erro durante gerações.
     Por isso os gregos marcaram pontos acordando os sonolentos líderes europeus. O Governo que elegeram, depois de algumas medidas precipitadas, saiu do seu casulo e dispôs-se a discutir o problema pedindo tempo e compreensão para as questões mais graves que afectam o país. E com esta simples atitude alterou algumas regras do jogo, obrigou os seus parceiros a olhar para a Grécia como o não faziam há anos


Publicado por Xa2 às 07:49 de 18.02.15 | link do post | comentar |

18 comentários:
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De Gentalha abaixada, neoliberal, nazi,... a 19 de Fevereiro de 2015 às 09:41
Anões por um fio

(Corda partida...)

Com a Europa por um fio (leia-se a União Europeia, porque o fio da Europa faz parte da navalha de sempre) nunca se podia adivinhar que tantos anões se pusessem em bicos de pés para reclamarem, com aparente intransigência, um naco dessa guita.

Uns, como é claramente o caso do Governo português, por instinto de sobrevivência perante algo em que acreditaram e pelo qual se mantiveram de joelhos enquanto os seus foram flagelados, outros porque ainda crêem ser possível continuar a flagelação sem perderem força no braço de ferro que substituiu as botas cardadas de outros tempos.

Com os povos europeus do sul a passarem as passas do Algarve e os do norte a comerem essas passas fingindo que as pagam (porque já todos entendemos que são mais os proveitos desses povos nortenhos do que as perdas) os ultimatos sucedem-se e podem terminar da pior forma possível.

Quem continua convencido que este é o caminho, que se prepare. O fio europeu quando se partir (se se partir) vai rebentar-nos a todos na cara e depois veremos se a mansidão de rebanho é para continuar.

LNT, [0.101/2015], A Barbearia, 18/2/2015
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Entretanto em França, o PS põe mais uma pedra no túmulo da democracia

O PS francês mandou a democracia às malvas. Não tendo conseguido fazer aprovar uma lei de modernização da economia ( leia-se: simplificação dos despedimentos, retirada de poder aos reguladores, autorização de trabalho aos domingos, destruição do estado social) o pm Valls anunciou que vai recorrer a um artigo da Constituição que permite a aprovação de um diploma rejeitado pela Assembleia Nacional.

A oposição reagiu, apresentando uma moção de censura. Se os 30 deputados socialistas que rejeitaram a lei Valls apoiassem a moção de censura o governo cairia e teriam de ser convocadas novas eleições.

Tudo indica, porém, que os 30 deputados socialistas vão votar contra a moção de censura, pois as sondagens apontam para uma vitória eleitoral da extrema direita.

Marine Le Pen não se importa de esperar. Se a Europa continuar a comportar-se como uma turma de idiotas, acocorada aos ditames de um paraplégico bêbado, em 2017 chegará facilmente ao poder. Se em 2017 ainda houver Europa, bem entendido.

-por CB de Oliveira , 17/2/2015, Crónicas do rochedo
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Alô Berlin, Sie haben ein Problem!

O casal de chulecos alemão não fez um ultimato à Grécia. Fez um ultimato à Europa. O paraplégico foi bem claro:
a Alemanha não aceita a democracia.
Já tinha sido assim quando obrigaram a Irlanda a votar duas vezes um Tratado Europeu, mas ninguém ligou.
Agora é mais grave.
A Grécia é o berço da democracia. Se a matarem, vão matar a Europa
Tsipras até pode ceder ao ultimato ( o que duvido) mas, se o fizer, estará apenas a ganhar tempo.
Antes do Verão terá saído do Euro e da NATO e, muito provavelmente, irá entregar-se nos braços de Putin,
arrastando a Europa para uma crise ainda mais profunda, que poderá terminar muito mal.

O casal que gere o bordel em que a Europa se transformou está a jogar a roleta russa e tem vistas curtas.
Só tem olhos para o cofre onde amealha o dinheiro roubado aos povos dos países europeus do sul e não vê que a casa está a ser assaltada.

A Ucrânia era um país democrático, mas estava fora do controlo do casal?
O par criminoso arranjou maneira de derrubar o governo, impor uma ditadura e acabou a lançar a Ucrânia para uma guerra. Agora querem a toda a pressa negociar a paz. Durou 24 horas e a guerra a Leste pode propagar-se.

Hoje, Putin vai a Budapeste assinar importantes acordos energéticos e o governo húngaro já foi bem claro:
a Europa Ocidental não nos dá nada, temos de nos virar para Leste.

A Hungria pode abrir mais uma brecha na " unidade" (?) europeia e Putin agradece. Marine Le Pen e os ingleses do UKIP também.
Se o referendo em Inglaterra ditar a saída da UE, adeus Europa. Mas esse seria o mal menor.
O pior é que o desmembramento da Europa não se fará de forma pacífica.
Vocês têm um problema, agiotas berlinenses.
A vossa ganância vai ter consequências gravíssimas para a Europa. Estou confiante que, à terceira vez, a Europa ( e o mundo) aprenderá que vocês não merecem mais nenhuma oportunidade. São uns arruaceiros de merda, uns nazis incorrigíveis e serial killers que sugam..


De Acordo c. UE q. Grécia ia assinar. a 18 de Fevereiro de 2015 às 11:07
A reunião do Eurogrupo durou apenas cerca de duas horas. Segundo o ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis,
o governo de Atenas estava disposto a assinar uma resolução negociada ao longo dos últimos dias com o comissário europeu Pierre Moscovici.
Mas no início da reunião, a proposta que reunira o consenso com o novo governo da Grécia foi substituída pelo presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem.
Na nova proposta, regressavam formulações que desde quinta-feira fora consideradas inaceitáveis por Atenas, como a extensão do memorando.
“A implementação do programa do memorando não está formalmente na agenda desde o último Conselho Europeu. Aqueles que voltam a esta questão estão a perder o seu tempo”, reagiu o governo grego no fim da reunião.

O esquerda.net traduziu o texto da proposta retirada à última hora, divulgado por Paul Mason, jornalista do Channel 4 britânico:

Rascunho 15 fevereiro - fim dos trabalhos

Hoje, o Eurogrupo fez um balanço da situação atual na Grécia, com base no diálogo aprofundado entre as novas autoridades Gregas e as Instituições.

As autoridades Gregas manifestaram o seu empenho para um processo de reformas mais amplo, forte e socialmente justo, destinado a melhorar as perspetivas de crescimento de forma duradoura.
Em especial, o Governo Helénico compromete-se a implementar as reformas há muito esperadas para combater a corrupção e a fuga ao fisco e modernizar a administração pública.
Anunciou a sua intenção de tomar medidas urgentes para assegurar um sistema fiscal mais justo e eficaz e para conter a crise humanitária.
Irá assegurar que quaisquer medidas novas não contrariem os compromissos existentes e serão integralmente financiadas.
Irá abster-se de ações unilaterais e trabalhar em estreita concordância com os seus parceiros Europeus e internacionais.

A Grécia respeitará por inteiro os seus compromissos com os parceiros de forma a garantir finanças públicas sólidas e sustentáveis, ao alcançar e depois manter saldos orçamentais primários importantes.
A viabilidade de se atingir a meta fiscal para 2015 será considerada à luz da evolução das circunstâncias económicas.
As medidas para reduzir o peso da dívida e conseguir uma redução mais credível e sustentável do rácio da dívida face ao PIB deverão ter em conta o compromisso do Eurogrupo em Novembro de 2012.

Ao mesmo tempo, as autoridades gregas reiteraram o seu compromisso inequívoco com as obrigações financeiras para todos os seus credores.

O acima exposto é a base para uma extensão do atual acordo de empréstimo, que pode tomar a forma de um programa intermediário [de quatro meses],
como uma etapa transitória para um novo contrato de crescimento para a Grécia, que será discutida e concluída durante este período.

Quando se considerar útil, a Comissão Europeia irá fornecer assistência técnica à Grécia para fortalecer e acelerar a implementação das reformas.

O Eurogrupo convida as Instituições a prosseguirem o trabalho técnico com as autoridades Gregas, incluindo a identificação de necessidades financeiras intermédias, como serão cobertas e as condições apropriadas.
As instituições prestarão contas ao Eurogrupo no dia 21 de Fevereiro.


De Assim, NÃO ! a 18 de Fevereiro de 2015 às 10:35

THEODORAKIS:
A MOMENT OF NATIONAL PRIDE

Monday, 02 February 2015,| Written by Guy Wagner

Alexis Tsipras & Yannis Varoufakis

Mikis Theodorakis, with a text he uploaded on his personal website, gives his opinion on the latest political developments in Greece, in which the epicenter is the meeting between the Greek Finance Minister, Giannis Varoufakis, and the Eurogroup President, Jeroen Dijsselbloem.
- See more at: http://greece.greekreporter.com/2015/02/01/mikis-theodorakis-varoufakis-dijsselbloem-a-moment-of-national-pride/#sthash.eXzD3Wap.dpuf


"The Eurogroup and its Dutch President are images that torture me. I have been through so much, simply because by Fate I was born Greek, and as a Greek I should not only endure the whims of those who are powerful, but to lower my head and even learn to love them!
But I could never bring myself to like that Dutchman with glasses.

And so he arrived like an arrogant boss, to scold a nation worthy of laughter and tears,
a nation that held its head high forgetting their inhabitants are the second-class citizens of Europe,
of the Eurogroup and of its President, Mr. Jeroen Dijsselbloem.

But then a miracle happened, like those forgotten in the depths of my memory.
Two representatives of these second-class people, Tsipras and Varoufakis, with a rare calm and coolness, presented him with two luminous yet kind “NO”
that angered him to the point of forgetting his role as an “European nobleman” — prompting him to storm away looking for the fastest exit.

It is at this point that all is forgotten.
We once again become proud Greeks. We stand up.
How and why this has happened and where it will lead are details for the Greeks who have lived and survived with symbols.
And I consider it cowardly to focus on trivialities in a moment of national pride."

Athens, 31/01/2015, Mikis Theodorakis

English translation: cf.: greece.greekreporter.com/2015/02/01/


De imperialista neoliberal serve alta finan a 18 de Fevereiro de 2015 às 11:14
"Schäuble devia sentir pena é dos povos que não conseguem levantar a cabeça"

Num discurso aos deputados do Syriza, Alexis Tsipras reafirmou que as promessas eleitorais são para cumprir e as primeiras leis serão para repor os direitos dos trabalhadores. "O impasse no Eurogrupo não pode ser resolvido por tecnocratas, mas por líderes políticos", defendeu o primeiro-ministro grego.


17 de Fevereiro, 2015 - 15:51h








Foto Presidência do Parlamento Europeu/Flickr


O discurso de Alexis Tsipras ao grupo parlamentar do Syriza era muito aguardado por ser o primeiro a seguir ao impasse da reunião do Eurogrupo e por conter o nome do candidato presidencial que o parlamento deverá sufragar. Tsipras deixou para o fim o anúncio da candidatura de Prokopis Pavlopoulos, um ex-ministro do Interior da Nova Democracia, entre 2004 e 2009. Ao longo da semana, o nome mais apontado pela imprensa para candidato era o do atual comissário europeu Dimitris Avramopoulos, também da Nova Democracia, mas esta proposta terá levantado objeções na direção do partido. A figura presidencial na Grécia é meramente decorativa e com poderes bastante limitados pela Constituição, mas foi a incapacidade do parlamento obter uma maioria qualificada em dezembro que provocou as eleições antecipadas e a ascensão do Syriza ao Governo.

Reposição dos direitos laborais é prioridade do governo Syriza

No plano político, Tsipras foi contundente ao reafirmar que "temos um claro mandato para salvar o país e isso não vai acontecer se prosseguirmos os erros, como pedem alguns credores". Por isso, acrescentou o primeiro-ministro, "não daremos um único passo atrás nas promessas que constam do nosso programa político".

Para o comprovar, anunciou quais serão as prioridades legislativas para as próximas semanas: "Esta quinta-feira proporemos a primeira lei para proteger os lares da ameaça de despejo", disse, seguindo-se a lei que "irá travar a desregulação do mercado de trabalho e repor os direitos dos trabalhadores em cooperação com a OIT". "Iremos regressar à contratação coletiva, que foi abolida ilegalmente pela troika", prometeu Tsipras, referindo ainda que prepara legislação "para permitir o pagamento de impostos atrasados em 100 prestações no máximo".

"Foi comovente ver os alemães manifestarem-se"

Uma parte do discurso referiu-se às manifestações de solidariedade com a Grécia que têm percorrido a Europa nas últimas semanas. "Não lutamos apenas pelo povo grego mas por todos os europeus que estão a sofrer com as políticas antidemocráticas de austeridade", afirmou Tsipras.


Tsipras não deixou sem resposta as declarações de Schäuble, que disse sentir pena dos gregos por terem eleito um governo irresponsável. "Ontem, Schäuble perdeu as estribeiras e fez comentários depreciativos em relação ao povo grego. Com todo o respeito, gostaria de lembrar-lhe que ele devia sentir pena é dos povos que não conseguem levantar a cabeça".

"Os Europeus mostraram solidariedade com os seus protestos. Foi comovente ver os alemães manifestarem-se", acrescentou Tsipras, aproveitando para condenar a publicação de um cartoon que caricaturava o ministro das Finanças alemão como nazi. "Ninguém tem o direito de trazer de volta os fantasmas do passado, nem mesmo em cartoons", sublinhou o líder do Syriza.

Apesar disso, Tsipras não deixou sem resposta as declarações de Schäuble, que disse sentir pena dos gregos por terem eleito um governo irresponsável. "Ontem, Schäuble perdeu as estribeiras e fez comentários depreciativos em relação ao povo grego. Com todo o respeito, gostaria de lembrar-lhe que ele devia sentir pena é dos povos que não conseguem levantar a cabeça".

"Uma coisa é o acordo de empréstimo, outra é o memorando"

Alexis Tsipras falou ainda do impasse nas reuniões do Eurogrupo, que disse contrastar com o ambiente em que decorreu o Conselho Europeu e confirmou as notícias das últimas horas que davam conta de uma proposta satisfatória para Atenas, que foi negociada e retirada pouco antes da reunião do Eurogrupo desta segunda-feira.

"Aceitámos o texto do comissário europeu Moscovici antes do Eurogrupo, mesmo estando a pisar algumas das nossas linhas vermelhas", confirmou Tsipras, acrescentando que "o plano Moscovici referia-se à extensão do acordo de empréstimo - não do memora


De Austeridade só agravou problemas a 18 de Fevereiro de 2015 às 11:24
Uma mais do que esclarecedora entrevista a Yanis Varoufakis na SPIEGEL:

«Austerity Has Done Nothing to Solve Greece's Problems»

«For the past five years, Greece has been subjected to austerity measures that it cannot, under any circumstances, meet. Our country is literally being pushed under water. Just before we suffer an actual cardiac arrest, we are granted a momentary respite. Then we're pushed back under water, and the whole thing starts again. My aim is to end this permanent terror of asphyxiation.»
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Neste país pouco original do MEDO
Crónica de Diana Andringa, hoje, na Antena 1:

Ah o medo vai ter tudo, tudo (Penso no que o medo vai ter e tenho medo que é justamente o que o medo quer) O medo vai ter tudo, quase tudo e, cada um por seu caminho, havemos todos de chegar, quase todos, a ratos.

Alexandre O’Neill escreveu o «Poema pouco original do medo» quando vivíamos em ditadura e o medo das autoridades era o meio de controlo exercido sobre nós desde crianças.
Em 25 de Abril de 1974, acreditámo-nos livres desse medo. Em democracia, poderíamos vigiar e prevenir os abusos de poder.
Mas pouco mais de 30 anos tinham passado quando um jovem negro, morador na Amadora, me disse que a filha, então de uns três anos de idade, tinha esse medo que julgáramos banido para sempre:
medo de homens fardados. De polícias.

O que na semana passada aconteceu na Cova da Moura justifica o medo da menina.
E perturba-me mais do que antes do 25 de Abril de 1974, porque a violência de Estado era então feita contra mim, contra todos nós.
E hoje é em nosso nome, da nossa segurança, do nosso medo, que essa violência é aplicada.

Um medo criado, em grande parte, pelo abuso das palavras. Em 2005, um incidente em Carcavelos agigantou-se em arrastão.
Dez anos depois, a entrada de meia dúzia de jovens desarmados numa esquadra torna-se uma «invasão».
São palavras criadas pelo medo que todos os dias nos é incutido sobre o outro, o de outra cor, de outra religião, de outro modo de vida. Medo.
Sem medo, que polícia não se cobriria de ridículo ao tratar a entrada de seis jovens desarmados na sua esquadra como uma invasão?
Que jornalistas dariam crédito a essa versão?
Sem medo, como se explicaria o abuso das palavras e da força contra cidadãos, por parte daqueles mesmos que deviam protegê-los dos abusos?
A esta hora já terá tido lugar, frente ao Parlamento, uma manifestação de protesto contra esse medo que se vive na Cova da Moura e em outros bairros do país.
O medo dos moradores agredidos, e o medo dos agentes, que os transforma em agressores.
Gostaria que fôssemos muitos a dizer alto que não aceitamos a violência policial nem o racismo, a recusar que essa violência e esse racismo sejam exercidas em nosso nome.
A recusarmos ter medo e transformar-nos em ratos ou nesses eunucos que, como cantava Zeca Afonso,
«quando os pais são feitos em torresmos, não matam os tiranos, pedem mais».

---José Afonso - "Os Eunucos (No Reino da Etiópia)" do disco "Traz Outro Amigo Também" (LP 1970) ----
https://www.youtube.com/watch?v=3viKELIdO1s


De .SS quer MATAR mais. a 18 de Fevereiro de 2015 às 11:36
SSchäuble, ordem para matar

17/02/2015 por João José Cardoso

E o terceiro anjo tocou a sua trombeta, e caiu do céu uma grande estrela ardendo como uma tocha, e caiu sobre a terça parte dos rios, e sobre as fontes das águas.
E o nome da estrela era Absinto, e a terça parte das águas tornou-se em absinto, e muitos homens morreram das águas, porque se tornaram amargas. - Apocalipse 8:10-11

E à terceira semana cessou o fogo de artifício (do cachecol à ausência de gravata, passando pela mentira dos arbustos), e a extrema-direita apontou a artilharia pesada. Paulo Rangel explica tudo hoje no Público, com uma franqueza exemplar: “O caso mais glosado, mas que não é sequer o mais iminente, é o do contágio dos extremismos de esquerda“.

Traduzindo: há que dar uma lição à esquerda grega, antes que pela Europa fora, a começar no estado espanhol, a esquerda comece, ó horror, a ganhar eleições. A ser irresponsável, como já afirma um monte de excrementos chamado SSchäuble, decidido a brincar à blitzkrieg sem força aérea.

Assim se demonstram vários factos, para os quais muito distraídos andamos: quem governa a Europa não é a direita, mas uma extrema-direita, ordo ou neoliberal, que quando sente ameaçado o edifício totalitário que subtilmente construiu e se chama federalismo, não hesita em mandar às urtigas o direito dos povos ao voto livre, que já não o era numa sociedade onde a informação é controlada pelo poder económico, mas fica assim bem claro como nunca o foi.

Votar outra política que não o austeritarismo ficará arredado: votam? ides para o olho da rua, seus irresponsáveis. O IV Reich em todo o seu esplendor, de Berlim à mais pequena capital europeia, onde a casta se sentiu ameaçada no seu grande mundo de corrupção, vilanagem, saque e exploração desenfreada dos povos. Realce ao exemplo português, Passos Coelho servil, venerando, atento e obrigado, na velha tradição lusa em que sempre a classe dominante se vergou aos poderosos, por eles a capital seria Madrid, e não o sendo qualquer outra onde possam lamber o chão lhes serve perfeitamente.

O problema, o pequenino problema em que nem repararam, é que a história tem o hábito de seguir a direito tantas vezes por linhas tortas. Numa coisa Portugal não é a Grécia: geo-estrategicamente e culturalmente estamos nos antípodas da Europa. E se a expulsão do euro se revelar, ó espanto, precisamente o caminho sinuoso mas certeiro para um país europeu se libertar desta ditadura financeira, de políticas únicas e salários cada vez mais baixos? Paulo Rangel que se cuide, mais uma vez vinda no leste do Mediterrâneo, a peste negra pode espalhar-se pela Europa, e desta talvez calhe à nobreza ficar com as vítimas.
-------

“Reabram Auschwitz!”
“Reabram Auschwitz!”

Pensa o Shaubel, ajeitando-se na cadeira, enquanto o tontinho holandês do Eurogrupo lhe pergunta sobre o que fazer com os gregos.

“Arbeit macht frei” («o trabalho liberta», nos campos de concentração/ extermínio NAZI ), geme entre dentes o da cadeira.


De Eurozone: Beneficiados e perdedores a 19 de Fevereiro de 2015 às 09:56
Euro: Vencedores e Prejudicados
por Diogo Moreira

Se olharmos com atenção para a evolução do PIB real dos países fundadores do Euro (mais a Grécia), facilmente chegamos à conclusão que esta união monetário tem vencedores claros, e alguns prejudicados.
Em primeiro lugar, salta à vista que para a Grécia, o período do Euro foi um desastre para a sua economia. Tendo entrado na moeda única apenas em 2002, já em 2008 o PIB helênico tinha perdido todos os ganhos que tinha conseguido desde a entrada na união monetária. Uma tendência de queda que é anterior à crise de 2007–09, embora esta tenha acelerado a recessão grega. Em 2013, a economia da Grécia continuava abaixo dos níveis de quando tinha entrado no Euro em 2002.

Inversamente, os dois países que claramente mais beneficiaram com o Euro foram o Luxemburgo e a Irlanda. O seu crescimento económico desde 1999 não tem paralelo entre os seus pares, e apesar da queda considerável com a crise do subprime, fenómeno comum a todos os países analisados, parecem ter claramente recuperado, continuando a ser os países com melhor desempenho económico.

Um grupo de países que deveriam estar a fazer tocar as sirenes de alarme no Eurogrupo, são a Itália e Portugal. Historicamente tendo tido dos mais baixos desempenhos económicos dos países originais do Euro (a par, curiosamente, da Alemanha), a sua recuperação anémica da crise de 2007–09, foi interrompida logo em 2011, tendo iniciado uma nova quebra económica, que considerando o seu baixo desempenho em todo o período da moeda única, os coloca numa posição particularmente precária. Podem ser vistos como possíveis perdedores no seio da união monetária.

Dos restantes membros originais do Euro, podemos registrar duas evoluções antagónicas. Por um lado, temos países como a Espanha, Finlândia e Holanda, que apesar de terem tido desempenhos bastante bons no período anterior à crise do subprime, iniciaram uma nova tendência descendente após 2011, estando o seu PIB real claramente em queda, embora a níveis muito inferiores dos casos mais dramáticos. Do outro lado temos a Austría, Bélgica, França e Alemanha, que claramente conseguiram superar as quedas da crise de 2007–09, estando em 2013 no pico do seu crescimento económico do período inteiro do Euro. À primeira vista, o efeito prático destas duas têndências é um reaproximar dos dois grupos a um nível de crescimento anual similar, e infelizmente baixo. No entanto, não podemos subestimar os efeitos políticos e sociais de uma queda acentuada do PIB de um país europeu, no actual contexto.

Average Real GDP Growth Rate during Euro Membership (until 2013):

Austria 1,79%
Belgium 1,52%
Finland 1,77%
France 1,45%
Germany 1,35%
Greece –0,35%
Ireland 3,10%
Italy 0,25%
Luxembourg 3,23%
Netherlands 1,30%
Portugal 0,35%
Spain 1,79%
EU–11 + 1 0,88%

Source: author’s calculations based on the International Monetary Fund, World Economic Outlook Database, October 2014

Olhando para a tabela acima, é fácil ver de relance quem são os beneficiados, e os perdedores, desta união monetária. Infelizmente, não é surpresa em que grupo o nosso país se encontra.

----Freud explica ou não
por CRG

Uma saída da Grécia da zona euro e da União Europeia teria custos mais elevados para a Alemanha do que um perdão total da dívida grega. Acresce que tal saída colocaria em causa o projecto europeu e com isso arriscaria perder a principal fonte do seu actual sucesso (euro desvalorizado; influxo de imigração especializada; financiamento barato).

Se a chamada "grexit" consubstancia uma solução a todos os níveis pior para os interesses alemães por que razão parece ser vista com bons olhos pelas autoridades daquele país?

Se como táctica negocial não faz sentido, será que apenas querem fazer à Grécia aquilo que gostavam mas que não podem fazer aos estados deficitários alemães: desde a reunificação alemã os estados da antiga RFA transferiram em ajuda financeira mais de 2 biliões para a antiga RDA, sem que tal tenha resolvido a elevada disparidade económica entre estados.

No fundo este conflito interno mal resolvido acaba por ser projectado na relação com a Grécia, exacerbada por uma Chanceler originária da ex-RDA que deve aceitar com relutância, apenas explicável por falta de vontade e esforço, a diferença de crescimen


De Salvar a UE, passa pela Grécia e PIIGSF. a 19 de Fevereiro de 2015 às 15:21
Salvar a UE passa pela Grécia
-por AG , 10 fev

Quando o Conselho Europeu reunir no final desta semana, os Ministros das Finanças da UE já terão conhecimento do programa que o novo governo do Siryza apresentou, em cumprimento de promessas eleitorais, para conter a verdadeira crise humanitária que vivem os gregos em resultado das politicas austeritárias. Trata-se de reverter os últimos anos de destruição iníqua da economia, o que só assusta os fundamentalistas, com igreja em Berlim e apóstolos a norte e a sul, que tentaram vender-nos a ideia de que "não há alternativa" à austeridade.

Os novos governantes gregos já deixaram cair a exigência de "perdão da divida", colocaram ideias construtivas na mesa para a renegociar e conseguiram despertar interesse em Londres, Paris, Roma, Viena e Bruxelas. Varoufakis, o ministro das finanças, assumiu a responsabilidade de pagar a dívida, mas fez ver que era do interesse dos credores que a Grécia tivesse condições para a pagar. Propôs trocar os 240 mil milhões devidos por obrigações indexadas ao crescimento económico e títulos de dívida perpétua, comprometeu-se a manter excedentes orçamentais primários de 1% a 1.5% do PIB e a tomar medidas de combate à evasão fiscal e corrupção, caindo sobre os mais ricos que, lá como cá, são quem mais foge a pagar impostos recorrendo aos labirinticos paraísos fiscais.

Uma solução negociada para a Grécia é urgente: a UE não pode mais sobreviver com as políticas austeritárias anti-europeias impostas pela Alemanha. Isso mesmo, já antes da vitória do Syriza, tinham reconhecido Comissão Europeia e Banco Central Europeu: a primeira (sob pressão dos socialistas no PE) apresentando o Plano Juncker para o investimento estratégico que abre caminho a uma leitura inteligente e flexível do Pacto Orçamental; o segundo, apesar da oposição de Berlim, com o QE, injectando liquidez na economia contra a deflação e a estagnação, filhas da austeridade.

A Sra. Merkel e o "establishment" alemão (SPD e Verdes incluídos) estarão reféns da retórica punitiva que venderam aos seus cidadãos, com a patranha de que pagavam para salvar os perdulários "pigs", enquanto realmente resgatavam os seus bancos e empresas dos seus próprios desvarios: o negócio dos submarinos vendidos à Grécia e a Portugal é disso bem demonstrativo - foram os fornecedores alemães a ensinar aos governos grego e português como contornar (ou seja, como violar) as regras orçamentais europeias.

A UE tem de abandonar esta visão alemã míope que estilhaça a solidariedade europeia, num momento em que a Chanceler Merkel e o Presidente Hollande tentam travar a guerra com a Russia sobre a Ucrânia, momento em que mais crucial é que haja Europa unida, coesa e reforçada.

Mais: o governo alemão pode não hesitar em fazer-se forte com os fracos, mas não arriscará certamente matar a sua própria galinha dos ovos de ouro - o euro/a UE - empurrando a Grécia para sair do euro. Isso significaria a derrocada do euro e da UE, desde logo empurrando de novo Portugal para a linha da frente, à beira do abismo.

Em contrapartida, uma solução negociada para a Grécia beneficiará Portugal, por tabela. Passos Coelho é quem mais se opõe ao interesse da Grécia e dos gregos, como notava o comentador financeiro alemão Wolfgang Münchau há dois dias, pois qualquer programa alternativo arrasará a tese da inevitabilidade da austeridade que nos tem vendido e imposto nos últimos 3 anos. Ele repete que Portugal está "no bom caminho" - o caminho do crescimento ...do desemprego, da pobreza, das rendas excessivas e da evasão fiscal facilitada e legitimada para os 611 portugueses que o mais recente escândalo, Swissleaks, revelou terem milhares de milhões na Suiça. Em vez de os confiscar, através do RERT III Passos Coelho e Portas ajudaram-nos a legalizar esses capitais, não impondo sequer o seu repatriamento.

"A Grécia quer reformar-se e não continuar a deformar-se" - é a promessa de Varoufakis, a quem não falta legitimidade e vontade de fazer os mais ricos evasores fiscais pagarem a crise, combater a corrupção e o clientelismo político. Gostava que conseguisse. Como fez notar o chanceler austríaco, o plano do novo Governo grego de atacar a corrupção e a evasão fiscal faz mais sentido do que cortar despesa e privatizar durante a crise.


De Auto-críticos vs dogmáticos desgov. a 20 de Fevereiro de 2015 às 14:40
Troika no céu e infelizes na terra
(-por João Martins, http://365forte.blogs.sapo.pt/ 19/2/2015)

"Pareço estúpido ao dizer isto, mas temos de tirar lições da História e não repetir os mesmos erros".

Não só Juncker não foi estúpido - tardio talvez, mas não estúpido - ao assinalar que a troika atacou a dignidade dos cidadãos dos países por onde passou, como também não foi infeliz.

Parece que a (auto)crítica feita pelo atual presidente da Comissão Europeia não caiu bem junto do governo de um dos países onde aumentou a pobreza, o desemprego e a emigração, e lá teve de vir apressado Marques Guedes dizer que não senhor, os portugueses em nada foram beliscados com a dose de austeridade dos últimos anos.

A Marques Guedes só faltou pedir desculpa e dizer que isto só não correu melhor para os portugueses porque o governo não conseguiu fazer mais daquelas famosas "reformas". Com tantos elogios ao bom aluno, já nem se lembram da "força de bloqueio" que tem sido o Tribunal Constitucional e a oposição com má vontade que não fazia as vontades do governo

Vivemos tempos muito estranhos e será curioso daqui a uns anos perceber o julgamento que a História fará dos radicais que querem dialogar e dos infelizes que querem aprender com os erros e abusos das instituições que, como os homens que as lideram, se calhar até podem falíveis.

Seremos provavelmente um case study de submissão voluntária; um governo que não só não defende lá fora quem o elegeu, como se ofende quando algum infeliz o faz, e que se importa mais em defender a honra do seu dogmatismo do que defender a dignidade do seu país.
-------
Uma questão de coluna vertebral


publicado por josé simões, às 14:22link do post | comentar




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Para quem o governo grego nunca é "o governo grego" mas "o governo do Syriza", se calhar por lhe parecer estranho que alguém se proponha levar a cabo como governo o que prometeu durante a campanha eleitoral enquanto partido, também "a dignidade dos portugueses não ter sido atingida" não devia ser confundido com "a dignidade dos portugueses" mas antes com a falta de coluna vertebral dele próprio, Pedro Passos Coelho, enquanto líder do maior partido da oposição eleito [com um programa de mentiras] primeiro-ministro, [subserviente ao estrangeiro e às corporações], ao partido a que preside e que o suporta no Parlamento, ao seu vice no Governo, Paulo Portas, e ao grupo de escudeiros que o segue com nome de partido, o CDS, não necessariamente por esta ordem.
-----

"Gregos: aguentem firmes que vêm reforços a caminho"
O Livre/Tempo de Avançar decidiu expressar o seu apoio às posições antiausteridade do Governo grego. Numa carta, dirigida aos “concidadãos gregos”, que vai ser entregue esta sexta-feira de manhã na embaixada helénica em Lisboa, e publicada em dois jornais de Atenas, o Efimerida e o diário do Syriza, o novo movimento político português assegura que “vêm reforços a caminho”.

“Envergonham-nos e revoltam-nos as notícias de que o Governo de Portugal tem sido um obstáculo”, lê-se na carta, que foi traduzida para grego.

As críticas à posição portuguesa não se ficam por aqui. “Se a Grécia for bem sucedida, todos ficarão a saber que era possível fazer as coisas de forma diferente, ao contrário do que nos diziam. Os políticos deste Governo português forçam a intransigência dentro do Eurogrupo por razões que se prendem com o futuro político deles, mas que são contra o interesse nacional ou europeu.”

Para a candidatura que nasceu da convergência entre o partido Livre, a corrrente Manifesto e o movimento Renovação Comunista, o executivo de Passos Coelho “não [os] representa”. “ Faremos pressão, dentro e fora de Portugal, para que o Governo de Portugal mude de posição — ou para que Portugal mude de governo.”

Classificando a equipa de Alexis Tsipras como o “primeiro governo antiausteridade da União Europeia”, na carta é «expresso o desejo de que as negociações em curso na União Europeia possam conduzir “a um novo contrato”, que permita “um futuro melhor para toda a zona euro”, lê-se.

“No que depender de nós, a Grécia nunca mais estará sozinha numa reunião do Eurogrupo. E vamos consegui-lo já no futuro próximo. Caros concidadãos gregos: aguentem firmes, que vêm reforços a caminho.”

http://www.publico.pt/politica/noticia/grego


De Gregos vs bárbaros e vampiros a 20 de Fevereiro de 2015 às 16:06
A Europa a 'ver-se grega'.

[- Qual é o mais competente? o 'radical' min. grego Varoufakis, ou o neonazi 1ºM. húngaro Orbán Viktor ]

Não estou pessimista:
era costume, quando ainda havia debate na Europa comunitária, que estes grandes choques fossem o prelúdio dos acordos inevitáveis. Nos últimos anos perdemos esse hábito...
Ainda creio, contudo, que o grande braço-de-ferro com a Grécia pode ser resolvido de forma satisfatória.
Claro que os donos do jogo podem pensar:
se cedemos, vai haver outros povos a pensar que podem fazer escolhas democráticas - que atrevimento! - e estragar a estória inscrita nos anais do pensamento único.
Mas, se há ainda algum juízo na Europa, os que mais ganham com o Euro não podem correr o risco de lançar os 28 num turbilhão de efeitos imprevisíveis. Imprevisívies para todos.

O aspecto mais perturbador desta crise, para um socialista como eu sou, é a cobardia política de muitos partidos da social-democracia europeia.
Perante a narrativa, muitas vezes infantil
(há cidadãos alemães, por exemplo, que pensam que o seu país dá dinheiro à Grécia - e estou a falar de relatos directos destas convicções),
pode ser impopular explicar ao eleitorado que um mito é um mito, não uma realidade.
Mas, se os dirigentes políticos não servem para explicar o que é difícil de explicar, servem para quê?
Quando os partidos se acomodam ao estreito horizonte desta semana ou da próxima, para não terem más sondagens e não terem de explicar ideias difícieis de entender
- quando os partidos renunciam a cumprir o seu papel de terem e defenderem uma proposta em que acreditam, a democracia torna-se um saco cheio de ar.
E um saco cheio de ar é coisa para rebentar com estrondo.

Não se trata de legitimar qualquer resultado eleitoral só por ser um resultado eleitoral.
Se Marine Le Pen vencer em França, não vou aplaudir o resultado como uma vitória da democracia.
Mas se desprezarmos a opinião de um povo que não aguenta mais o "ajustamento" pelo método esmagamento,
a Europa vai caminhar, em poucos anos, para vitórias "à Le Pen" em muitos outros países.
Se a Europa não ouvir os seus povos, esta Europa implodirá. Mais cedo do que tarde.
Isso é o que está em causa.

Gostava era de ver os ministros que tratam o governo grego com tanta displicência (e mesmo com total falta de sentido de Estado)
a levar a sério a ameaça que consiste em termos na Hungria um governo que funciona como comissão instaladora do fascismo.
(e a Espanha de PP e ... e ... lhes querer seguir o exemplo)
Por que será que isso não preocupa esta camada de anões da política europeia?
Será por, ao governo húngaro, já o acharem competente?!


De Civiliz. Helénica vs Bárbaros neoLiberai a 26 de Fevereiro de 2015 às 11:27

A GRÉCIA ANTIGA E OS MESTRES PENSADORES

por Tomás Vasques, em 24.02.15, http://hojehaconquilhas.blogs.sapo.pt/

Estalou o verniz aos nossos mestres pensadores, essa fina flor doméstica do pensamento único europeu, quando os hereges gregos, esmifrados até ao tutano, se revoltaram contra os Deuses de Berlim.
Glucksmann já tinha anotado que os mestres pensadores revelam-se sempre da mesma maneira:
o tribunal de Atenas motivava a condenação de Sócrates:
ele não respeita os nossos Deuses e os nossos competentes, por conseguinte conspira para instalar outros deuses e outros competentes, ele quer a sua lei em vez da nossa.
Tal como o adivinho Meleto, em nome da acusação, pediu a morte de Sócrates como castigo,
esta turba também pede a morte dos gregos que colocam em causa os seus Deuses loiros e as leis do pensamento único.

O pedido de pena capital para os gregos vem acompanhado de “pensamento científico”, a lembrar o 1984, de Orwell.
Coitados dos gregos, até a Grécia Antiga lhes querem roubar.
Dizem os mestres pensadores (José Manuel Fernandes, no Observador) que “estes” gregos não são herdeiros dos outros, os da Antiguidade, os pais da nossa civilização, da democracia e da filosofia. “Estes” gregos são mais Otomanos, e esta Grécia não passa de um produto da vontade das potências europeias, a quem devem, por isso, deduz-se, vassalagem.
Condescendem, contrariados que “Sócrates, Platão ou Tucídides eram atenienses”. Quanto ao resto são “mitos” – escrevem sem rodeios, nem vergonha.
Até Aristóteles, discípulo de Platão, que em Atenas fundou o Liceu, é retirado à herança grega. Nasceu ali ao lado, Macedónia – dizem.
Pitágoras – esse – nasceu na Grécia, admitem, mas desenvolveu o seu trabalho no sul de Itália, como se esta região não estivesse sobre o domínio grego e outras na Turquia, onde nasceu por exemplo Tales de Mileto.
Para esta gente, vale tudo. Tudo isto é tão estouvado como dizer que o poeta Ahmed Ben Kassin, por exemplo, não é árabe. Nasceu em Granada, quando esta cidade estava sobre o domínio árabe.
O afã de matar os gregos é tal que lhes retiram a paternidade: são filhos de pais incógnitos.

E como se não bastasse, num exercício de demagogia reles, ainda roubam aos gregos o valioso património, maravilhas do mundo antigo.
Escrevem os mestres pensadores, eufóricos, para desvalorizar o povo grego, que o Farol de Alexandria, o Mausoléu de Halicarnasso ou o Templo de Artemis em Éfeso não se localizam na Grécia, como não se fossem obras ímpares da civilização grega.
Também a Igreja de São Paulo, em Diu ou a Igreja de Olivença não estão em território português. E daí?

Os mestres pensadores, zelosos acólitos dos deuses de Berlim, destilam ódio ao “irresponsável” povo grego
porque veio pôr em causa o pensamento único.
Não precisavam, para isso, de lhes roubar o passado.

*Os Mestres Pensadores é o título de um ensaio de André Glucksmann sobre o totalitarismo.

(Publicado no Repórter Sombra)


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