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De Assim, NÃO ! a 18 de Fevereiro de 2015 às 10:35

THEODORAKIS:
A MOMENT OF NATIONAL PRIDE

Monday, 02 February 2015,| Written by Guy Wagner

Alexis Tsipras & Yannis Varoufakis

Mikis Theodorakis, with a text he uploaded on his personal website, gives his opinion on the latest political developments in Greece, in which the epicenter is the meeting between the Greek Finance Minister, Giannis Varoufakis, and the Eurogroup President, Jeroen Dijsselbloem.
- See more at: http://greece.greekreporter.com/2015/02/01/mikis-theodorakis-varoufakis-dijsselbloem-a-moment-of-national-pride/#sthash.eXzD3Wap.dpuf


"The Eurogroup and its Dutch President are images that torture me. I have been through so much, simply because by Fate I was born Greek, and as a Greek I should not only endure the whims of those who are powerful, but to lower my head and even learn to love them!
But I could never bring myself to like that Dutchman with glasses.

And so he arrived like an arrogant boss, to scold a nation worthy of laughter and tears,
a nation that held its head high forgetting their inhabitants are the second-class citizens of Europe,
of the Eurogroup and of its President, Mr. Jeroen Dijsselbloem.

But then a miracle happened, like those forgotten in the depths of my memory.
Two representatives of these second-class people, Tsipras and Varoufakis, with a rare calm and coolness, presented him with two luminous yet kind “NO”
that angered him to the point of forgetting his role as an “European nobleman” — prompting him to storm away looking for the fastest exit.

It is at this point that all is forgotten.
We once again become proud Greeks. We stand up.
How and why this has happened and where it will lead are details for the Greeks who have lived and survived with symbols.
And I consider it cowardly to focus on trivialities in a moment of national pride."

Athens, 31/01/2015, Mikis Theodorakis

English translation: cf.: greece.greekreporter.com/2015/02/01/


De imperialista neoliberal serve alta finan a 18 de Fevereiro de 2015 às 11:14
"Schäuble devia sentir pena é dos povos que não conseguem levantar a cabeça"

Num discurso aos deputados do Syriza, Alexis Tsipras reafirmou que as promessas eleitorais são para cumprir e as primeiras leis serão para repor os direitos dos trabalhadores. "O impasse no Eurogrupo não pode ser resolvido por tecnocratas, mas por líderes políticos", defendeu o primeiro-ministro grego.


17 de Fevereiro, 2015 - 15:51h








Foto Presidência do Parlamento Europeu/Flickr


O discurso de Alexis Tsipras ao grupo parlamentar do Syriza era muito aguardado por ser o primeiro a seguir ao impasse da reunião do Eurogrupo e por conter o nome do candidato presidencial que o parlamento deverá sufragar. Tsipras deixou para o fim o anúncio da candidatura de Prokopis Pavlopoulos, um ex-ministro do Interior da Nova Democracia, entre 2004 e 2009. Ao longo da semana, o nome mais apontado pela imprensa para candidato era o do atual comissário europeu Dimitris Avramopoulos, também da Nova Democracia, mas esta proposta terá levantado objeções na direção do partido. A figura presidencial na Grécia é meramente decorativa e com poderes bastante limitados pela Constituição, mas foi a incapacidade do parlamento obter uma maioria qualificada em dezembro que provocou as eleições antecipadas e a ascensão do Syriza ao Governo.

Reposição dos direitos laborais é prioridade do governo Syriza

No plano político, Tsipras foi contundente ao reafirmar que "temos um claro mandato para salvar o país e isso não vai acontecer se prosseguirmos os erros, como pedem alguns credores". Por isso, acrescentou o primeiro-ministro, "não daremos um único passo atrás nas promessas que constam do nosso programa político".

Para o comprovar, anunciou quais serão as prioridades legislativas para as próximas semanas: "Esta quinta-feira proporemos a primeira lei para proteger os lares da ameaça de despejo", disse, seguindo-se a lei que "irá travar a desregulação do mercado de trabalho e repor os direitos dos trabalhadores em cooperação com a OIT". "Iremos regressar à contratação coletiva, que foi abolida ilegalmente pela troika", prometeu Tsipras, referindo ainda que prepara legislação "para permitir o pagamento de impostos atrasados em 100 prestações no máximo".

"Foi comovente ver os alemães manifestarem-se"

Uma parte do discurso referiu-se às manifestações de solidariedade com a Grécia que têm percorrido a Europa nas últimas semanas. "Não lutamos apenas pelo povo grego mas por todos os europeus que estão a sofrer com as políticas antidemocráticas de austeridade", afirmou Tsipras.


Tsipras não deixou sem resposta as declarações de Schäuble, que disse sentir pena dos gregos por terem eleito um governo irresponsável. "Ontem, Schäuble perdeu as estribeiras e fez comentários depreciativos em relação ao povo grego. Com todo o respeito, gostaria de lembrar-lhe que ele devia sentir pena é dos povos que não conseguem levantar a cabeça".

"Os Europeus mostraram solidariedade com os seus protestos. Foi comovente ver os alemães manifestarem-se", acrescentou Tsipras, aproveitando para condenar a publicação de um cartoon que caricaturava o ministro das Finanças alemão como nazi. "Ninguém tem o direito de trazer de volta os fantasmas do passado, nem mesmo em cartoons", sublinhou o líder do Syriza.

Apesar disso, Tsipras não deixou sem resposta as declarações de Schäuble, que disse sentir pena dos gregos por terem eleito um governo irresponsável. "Ontem, Schäuble perdeu as estribeiras e fez comentários depreciativos em relação ao povo grego. Com todo o respeito, gostaria de lembrar-lhe que ele devia sentir pena é dos povos que não conseguem levantar a cabeça".

"Uma coisa é o acordo de empréstimo, outra é o memorando"

Alexis Tsipras falou ainda do impasse nas reuniões do Eurogrupo, que disse contrastar com o ambiente em que decorreu o Conselho Europeu e confirmou as notícias das últimas horas que davam conta de uma proposta satisfatória para Atenas, que foi negociada e retirada pouco antes da reunião do Eurogrupo desta segunda-feira.

"Aceitámos o texto do comissário europeu Moscovici antes do Eurogrupo, mesmo estando a pisar algumas das nossas linhas vermelhas", confirmou Tsipras, acrescentando que "o plano Moscovici referia-se à extensão do acordo de empréstimo - não do memora


De Austeridade só agravou problemas a 18 de Fevereiro de 2015 às 11:24
Uma mais do que esclarecedora entrevista a Yanis Varoufakis na SPIEGEL:

«Austerity Has Done Nothing to Solve Greece's Problems»

«For the past five years, Greece has been subjected to austerity measures that it cannot, under any circumstances, meet. Our country is literally being pushed under water. Just before we suffer an actual cardiac arrest, we are granted a momentary respite. Then we're pushed back under water, and the whole thing starts again. My aim is to end this permanent terror of asphyxiation.»
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Neste país pouco original do MEDO
Crónica de Diana Andringa, hoje, na Antena 1:

Ah o medo vai ter tudo, tudo (Penso no que o medo vai ter e tenho medo que é justamente o que o medo quer) O medo vai ter tudo, quase tudo e, cada um por seu caminho, havemos todos de chegar, quase todos, a ratos.

Alexandre O’Neill escreveu o «Poema pouco original do medo» quando vivíamos em ditadura e o medo das autoridades era o meio de controlo exercido sobre nós desde crianças.
Em 25 de Abril de 1974, acreditámo-nos livres desse medo. Em democracia, poderíamos vigiar e prevenir os abusos de poder.
Mas pouco mais de 30 anos tinham passado quando um jovem negro, morador na Amadora, me disse que a filha, então de uns três anos de idade, tinha esse medo que julgáramos banido para sempre:
medo de homens fardados. De polícias.

O que na semana passada aconteceu na Cova da Moura justifica o medo da menina.
E perturba-me mais do que antes do 25 de Abril de 1974, porque a violência de Estado era então feita contra mim, contra todos nós.
E hoje é em nosso nome, da nossa segurança, do nosso medo, que essa violência é aplicada.

Um medo criado, em grande parte, pelo abuso das palavras. Em 2005, um incidente em Carcavelos agigantou-se em arrastão.
Dez anos depois, a entrada de meia dúzia de jovens desarmados numa esquadra torna-se uma «invasão».
São palavras criadas pelo medo que todos os dias nos é incutido sobre o outro, o de outra cor, de outra religião, de outro modo de vida. Medo.
Sem medo, que polícia não se cobriria de ridículo ao tratar a entrada de seis jovens desarmados na sua esquadra como uma invasão?
Que jornalistas dariam crédito a essa versão?
Sem medo, como se explicaria o abuso das palavras e da força contra cidadãos, por parte daqueles mesmos que deviam protegê-los dos abusos?
A esta hora já terá tido lugar, frente ao Parlamento, uma manifestação de protesto contra esse medo que se vive na Cova da Moura e em outros bairros do país.
O medo dos moradores agredidos, e o medo dos agentes, que os transforma em agressores.
Gostaria que fôssemos muitos a dizer alto que não aceitamos a violência policial nem o racismo, a recusar que essa violência e esse racismo sejam exercidas em nosso nome.
A recusarmos ter medo e transformar-nos em ratos ou nesses eunucos que, como cantava Zeca Afonso,
«quando os pais são feitos em torresmos, não matam os tiranos, pedem mais».

---José Afonso - "Os Eunucos (No Reino da Etiópia)" do disco "Traz Outro Amigo Também" (LP 1970) ----
https://www.youtube.com/watch?v=3viKELIdO1s


De .SS quer MATAR mais. a 18 de Fevereiro de 2015 às 11:36
SSchäuble, ordem para matar

17/02/2015 por João José Cardoso

E o terceiro anjo tocou a sua trombeta, e caiu do céu uma grande estrela ardendo como uma tocha, e caiu sobre a terça parte dos rios, e sobre as fontes das águas.
E o nome da estrela era Absinto, e a terça parte das águas tornou-se em absinto, e muitos homens morreram das águas, porque se tornaram amargas. - Apocalipse 8:10-11

E à terceira semana cessou o fogo de artifício (do cachecol à ausência de gravata, passando pela mentira dos arbustos), e a extrema-direita apontou a artilharia pesada. Paulo Rangel explica tudo hoje no Público, com uma franqueza exemplar: “O caso mais glosado, mas que não é sequer o mais iminente, é o do contágio dos extremismos de esquerda“.

Traduzindo: há que dar uma lição à esquerda grega, antes que pela Europa fora, a começar no estado espanhol, a esquerda comece, ó horror, a ganhar eleições. A ser irresponsável, como já afirma um monte de excrementos chamado SSchäuble, decidido a brincar à blitzkrieg sem força aérea.

Assim se demonstram vários factos, para os quais muito distraídos andamos: quem governa a Europa não é a direita, mas uma extrema-direita, ordo ou neoliberal, que quando sente ameaçado o edifício totalitário que subtilmente construiu e se chama federalismo, não hesita em mandar às urtigas o direito dos povos ao voto livre, que já não o era numa sociedade onde a informação é controlada pelo poder económico, mas fica assim bem claro como nunca o foi.

Votar outra política que não o austeritarismo ficará arredado: votam? ides para o olho da rua, seus irresponsáveis. O IV Reich em todo o seu esplendor, de Berlim à mais pequena capital europeia, onde a casta se sentiu ameaçada no seu grande mundo de corrupção, vilanagem, saque e exploração desenfreada dos povos. Realce ao exemplo português, Passos Coelho servil, venerando, atento e obrigado, na velha tradição lusa em que sempre a classe dominante se vergou aos poderosos, por eles a capital seria Madrid, e não o sendo qualquer outra onde possam lamber o chão lhes serve perfeitamente.

O problema, o pequenino problema em que nem repararam, é que a história tem o hábito de seguir a direito tantas vezes por linhas tortas. Numa coisa Portugal não é a Grécia: geo-estrategicamente e culturalmente estamos nos antípodas da Europa. E se a expulsão do euro se revelar, ó espanto, precisamente o caminho sinuoso mas certeiro para um país europeu se libertar desta ditadura financeira, de políticas únicas e salários cada vez mais baixos? Paulo Rangel que se cuide, mais uma vez vinda no leste do Mediterrâneo, a peste negra pode espalhar-se pela Europa, e desta talvez calhe à nobreza ficar com as vítimas.
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“Reabram Auschwitz!”
“Reabram Auschwitz!”

Pensa o Shaubel, ajeitando-se na cadeira, enquanto o tontinho holandês do Eurogrupo lhe pergunta sobre o que fazer com os gregos.

“Arbeit macht frei” («o trabalho liberta», nos campos de concentração/ extermínio NAZI ), geme entre dentes o da cadeira.


De Eurozone: Beneficiados e perdedores a 19 de Fevereiro de 2015 às 09:56
Euro: Vencedores e Prejudicados
por Diogo Moreira

Se olharmos com atenção para a evolução do PIB real dos países fundadores do Euro (mais a Grécia), facilmente chegamos à conclusão que esta união monetário tem vencedores claros, e alguns prejudicados.
Em primeiro lugar, salta à vista que para a Grécia, o período do Euro foi um desastre para a sua economia. Tendo entrado na moeda única apenas em 2002, já em 2008 o PIB helênico tinha perdido todos os ganhos que tinha conseguido desde a entrada na união monetária. Uma tendência de queda que é anterior à crise de 2007–09, embora esta tenha acelerado a recessão grega. Em 2013, a economia da Grécia continuava abaixo dos níveis de quando tinha entrado no Euro em 2002.

Inversamente, os dois países que claramente mais beneficiaram com o Euro foram o Luxemburgo e a Irlanda. O seu crescimento económico desde 1999 não tem paralelo entre os seus pares, e apesar da queda considerável com a crise do subprime, fenómeno comum a todos os países analisados, parecem ter claramente recuperado, continuando a ser os países com melhor desempenho económico.

Um grupo de países que deveriam estar a fazer tocar as sirenes de alarme no Eurogrupo, são a Itália e Portugal. Historicamente tendo tido dos mais baixos desempenhos económicos dos países originais do Euro (a par, curiosamente, da Alemanha), a sua recuperação anémica da crise de 2007–09, foi interrompida logo em 2011, tendo iniciado uma nova quebra económica, que considerando o seu baixo desempenho em todo o período da moeda única, os coloca numa posição particularmente precária. Podem ser vistos como possíveis perdedores no seio da união monetária.

Dos restantes membros originais do Euro, podemos registrar duas evoluções antagónicas. Por um lado, temos países como a Espanha, Finlândia e Holanda, que apesar de terem tido desempenhos bastante bons no período anterior à crise do subprime, iniciaram uma nova tendência descendente após 2011, estando o seu PIB real claramente em queda, embora a níveis muito inferiores dos casos mais dramáticos. Do outro lado temos a Austría, Bélgica, França e Alemanha, que claramente conseguiram superar as quedas da crise de 2007–09, estando em 2013 no pico do seu crescimento económico do período inteiro do Euro. À primeira vista, o efeito prático destas duas têndências é um reaproximar dos dois grupos a um nível de crescimento anual similar, e infelizmente baixo. No entanto, não podemos subestimar os efeitos políticos e sociais de uma queda acentuada do PIB de um país europeu, no actual contexto.

Average Real GDP Growth Rate during Euro Membership (until 2013):

Austria 1,79%
Belgium 1,52%
Finland 1,77%
France 1,45%
Germany 1,35%
Greece –0,35%
Ireland 3,10%
Italy 0,25%
Luxembourg 3,23%
Netherlands 1,30%
Portugal 0,35%
Spain 1,79%
EU–11 + 1 0,88%

Source: author’s calculations based on the International Monetary Fund, World Economic Outlook Database, October 2014

Olhando para a tabela acima, é fácil ver de relance quem são os beneficiados, e os perdedores, desta união monetária. Infelizmente, não é surpresa em que grupo o nosso país se encontra.

----Freud explica ou não
por CRG

Uma saída da Grécia da zona euro e da União Europeia teria custos mais elevados para a Alemanha do que um perdão total da dívida grega. Acresce que tal saída colocaria em causa o projecto europeu e com isso arriscaria perder a principal fonte do seu actual sucesso (euro desvalorizado; influxo de imigração especializada; financiamento barato).

Se a chamada "grexit" consubstancia uma solução a todos os níveis pior para os interesses alemães por que razão parece ser vista com bons olhos pelas autoridades daquele país?

Se como táctica negocial não faz sentido, será que apenas querem fazer à Grécia aquilo que gostavam mas que não podem fazer aos estados deficitários alemães: desde a reunificação alemã os estados da antiga RFA transferiram em ajuda financeira mais de 2 biliões para a antiga RDA, sem que tal tenha resolvido a elevada disparidade económica entre estados.

No fundo este conflito interno mal resolvido acaba por ser projectado na relação com a Grécia, exacerbada por uma Chanceler originária da ex-RDA que deve aceitar com relutância, apenas explicável por falta de vontade e esforço, a diferença de crescimen


De Salvar a UE, passa pela Grécia e PIIGSF. a 19 de Fevereiro de 2015 às 15:21
Salvar a UE passa pela Grécia
-por AG , 10 fev

Quando o Conselho Europeu reunir no final desta semana, os Ministros das Finanças da UE já terão conhecimento do programa que o novo governo do Siryza apresentou, em cumprimento de promessas eleitorais, para conter a verdadeira crise humanitária que vivem os gregos em resultado das politicas austeritárias. Trata-se de reverter os últimos anos de destruição iníqua da economia, o que só assusta os fundamentalistas, com igreja em Berlim e apóstolos a norte e a sul, que tentaram vender-nos a ideia de que "não há alternativa" à austeridade.

Os novos governantes gregos já deixaram cair a exigência de "perdão da divida", colocaram ideias construtivas na mesa para a renegociar e conseguiram despertar interesse em Londres, Paris, Roma, Viena e Bruxelas. Varoufakis, o ministro das finanças, assumiu a responsabilidade de pagar a dívida, mas fez ver que era do interesse dos credores que a Grécia tivesse condições para a pagar. Propôs trocar os 240 mil milhões devidos por obrigações indexadas ao crescimento económico e títulos de dívida perpétua, comprometeu-se a manter excedentes orçamentais primários de 1% a 1.5% do PIB e a tomar medidas de combate à evasão fiscal e corrupção, caindo sobre os mais ricos que, lá como cá, são quem mais foge a pagar impostos recorrendo aos labirinticos paraísos fiscais.

Uma solução negociada para a Grécia é urgente: a UE não pode mais sobreviver com as políticas austeritárias anti-europeias impostas pela Alemanha. Isso mesmo, já antes da vitória do Syriza, tinham reconhecido Comissão Europeia e Banco Central Europeu: a primeira (sob pressão dos socialistas no PE) apresentando o Plano Juncker para o investimento estratégico que abre caminho a uma leitura inteligente e flexível do Pacto Orçamental; o segundo, apesar da oposição de Berlim, com o QE, injectando liquidez na economia contra a deflação e a estagnação, filhas da austeridade.

A Sra. Merkel e o "establishment" alemão (SPD e Verdes incluídos) estarão reféns da retórica punitiva que venderam aos seus cidadãos, com a patranha de que pagavam para salvar os perdulários "pigs", enquanto realmente resgatavam os seus bancos e empresas dos seus próprios desvarios: o negócio dos submarinos vendidos à Grécia e a Portugal é disso bem demonstrativo - foram os fornecedores alemães a ensinar aos governos grego e português como contornar (ou seja, como violar) as regras orçamentais europeias.

A UE tem de abandonar esta visão alemã míope que estilhaça a solidariedade europeia, num momento em que a Chanceler Merkel e o Presidente Hollande tentam travar a guerra com a Russia sobre a Ucrânia, momento em que mais crucial é que haja Europa unida, coesa e reforçada.

Mais: o governo alemão pode não hesitar em fazer-se forte com os fracos, mas não arriscará certamente matar a sua própria galinha dos ovos de ouro - o euro/a UE - empurrando a Grécia para sair do euro. Isso significaria a derrocada do euro e da UE, desde logo empurrando de novo Portugal para a linha da frente, à beira do abismo.

Em contrapartida, uma solução negociada para a Grécia beneficiará Portugal, por tabela. Passos Coelho é quem mais se opõe ao interesse da Grécia e dos gregos, como notava o comentador financeiro alemão Wolfgang Münchau há dois dias, pois qualquer programa alternativo arrasará a tese da inevitabilidade da austeridade que nos tem vendido e imposto nos últimos 3 anos. Ele repete que Portugal está "no bom caminho" - o caminho do crescimento ...do desemprego, da pobreza, das rendas excessivas e da evasão fiscal facilitada e legitimada para os 611 portugueses que o mais recente escândalo, Swissleaks, revelou terem milhares de milhões na Suiça. Em vez de os confiscar, através do RERT III Passos Coelho e Portas ajudaram-nos a legalizar esses capitais, não impondo sequer o seu repatriamento.

"A Grécia quer reformar-se e não continuar a deformar-se" - é a promessa de Varoufakis, a quem não falta legitimidade e vontade de fazer os mais ricos evasores fiscais pagarem a crise, combater a corrupção e o clientelismo político. Gostava que conseguisse. Como fez notar o chanceler austríaco, o plano do novo Governo grego de atacar a corrupção e a evasão fiscal faz mais sentido do que cortar despesa e privatizar durante a crise.


De Auto-críticos vs dogmáticos desgov. a 20 de Fevereiro de 2015 às 14:40
Troika no céu e infelizes na terra
(-por João Martins, http://365forte.blogs.sapo.pt/ 19/2/2015)

"Pareço estúpido ao dizer isto, mas temos de tirar lições da História e não repetir os mesmos erros".

Não só Juncker não foi estúpido - tardio talvez, mas não estúpido - ao assinalar que a troika atacou a dignidade dos cidadãos dos países por onde passou, como também não foi infeliz.

Parece que a (auto)crítica feita pelo atual presidente da Comissão Europeia não caiu bem junto do governo de um dos países onde aumentou a pobreza, o desemprego e a emigração, e lá teve de vir apressado Marques Guedes dizer que não senhor, os portugueses em nada foram beliscados com a dose de austeridade dos últimos anos.

A Marques Guedes só faltou pedir desculpa e dizer que isto só não correu melhor para os portugueses porque o governo não conseguiu fazer mais daquelas famosas "reformas". Com tantos elogios ao bom aluno, já nem se lembram da "força de bloqueio" que tem sido o Tribunal Constitucional e a oposição com má vontade que não fazia as vontades do governo

Vivemos tempos muito estranhos e será curioso daqui a uns anos perceber o julgamento que a História fará dos radicais que querem dialogar e dos infelizes que querem aprender com os erros e abusos das instituições que, como os homens que as lideram, se calhar até podem falíveis.

Seremos provavelmente um case study de submissão voluntária; um governo que não só não defende lá fora quem o elegeu, como se ofende quando algum infeliz o faz, e que se importa mais em defender a honra do seu dogmatismo do que defender a dignidade do seu país.
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Uma questão de coluna vertebral


publicado por josé simões, às 14:22link do post | comentar




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Para quem o governo grego nunca é "o governo grego" mas "o governo do Syriza", se calhar por lhe parecer estranho que alguém se proponha levar a cabo como governo o que prometeu durante a campanha eleitoral enquanto partido, também "a dignidade dos portugueses não ter sido atingida" não devia ser confundido com "a dignidade dos portugueses" mas antes com a falta de coluna vertebral dele próprio, Pedro Passos Coelho, enquanto líder do maior partido da oposição eleito [com um programa de mentiras] primeiro-ministro, [subserviente ao estrangeiro e às corporações], ao partido a que preside e que o suporta no Parlamento, ao seu vice no Governo, Paulo Portas, e ao grupo de escudeiros que o segue com nome de partido, o CDS, não necessariamente por esta ordem.
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"Gregos: aguentem firmes que vêm reforços a caminho"
O Livre/Tempo de Avançar decidiu expressar o seu apoio às posições antiausteridade do Governo grego. Numa carta, dirigida aos “concidadãos gregos”, que vai ser entregue esta sexta-feira de manhã na embaixada helénica em Lisboa, e publicada em dois jornais de Atenas, o Efimerida e o diário do Syriza, o novo movimento político português assegura que “vêm reforços a caminho”.

“Envergonham-nos e revoltam-nos as notícias de que o Governo de Portugal tem sido um obstáculo”, lê-se na carta, que foi traduzida para grego.

As críticas à posição portuguesa não se ficam por aqui. “Se a Grécia for bem sucedida, todos ficarão a saber que era possível fazer as coisas de forma diferente, ao contrário do que nos diziam. Os políticos deste Governo português forçam a intransigência dentro do Eurogrupo por razões que se prendem com o futuro político deles, mas que são contra o interesse nacional ou europeu.”

Para a candidatura que nasceu da convergência entre o partido Livre, a corrrente Manifesto e o movimento Renovação Comunista, o executivo de Passos Coelho “não [os] representa”. “ Faremos pressão, dentro e fora de Portugal, para que o Governo de Portugal mude de posição — ou para que Portugal mude de governo.”

Classificando a equipa de Alexis Tsipras como o “primeiro governo antiausteridade da União Europeia”, na carta é «expresso o desejo de que as negociações em curso na União Europeia possam conduzir “a um novo contrato”, que permita “um futuro melhor para toda a zona euro”, lê-se.

“No que depender de nós, a Grécia nunca mais estará sozinha numa reunião do Eurogrupo. E vamos consegui-lo já no futuro próximo. Caros concidadãos gregos: aguentem firmes, que vêm reforços a caminho.”

http://www.publico.pt/politica/noticia/grego


De Gregos vs bárbaros e vampiros a 20 de Fevereiro de 2015 às 16:06
A Europa a 'ver-se grega'.

[- Qual é o mais competente? o 'radical' min. grego Varoufakis, ou o neonazi 1ºM. húngaro Orbán Viktor ]

Não estou pessimista:
era costume, quando ainda havia debate na Europa comunitária, que estes grandes choques fossem o prelúdio dos acordos inevitáveis. Nos últimos anos perdemos esse hábito...
Ainda creio, contudo, que o grande braço-de-ferro com a Grécia pode ser resolvido de forma satisfatória.
Claro que os donos do jogo podem pensar:
se cedemos, vai haver outros povos a pensar que podem fazer escolhas democráticas - que atrevimento! - e estragar a estória inscrita nos anais do pensamento único.
Mas, se há ainda algum juízo na Europa, os que mais ganham com o Euro não podem correr o risco de lançar os 28 num turbilhão de efeitos imprevisíveis. Imprevisívies para todos.

O aspecto mais perturbador desta crise, para um socialista como eu sou, é a cobardia política de muitos partidos da social-democracia europeia.
Perante a narrativa, muitas vezes infantil
(há cidadãos alemães, por exemplo, que pensam que o seu país dá dinheiro à Grécia - e estou a falar de relatos directos destas convicções),
pode ser impopular explicar ao eleitorado que um mito é um mito, não uma realidade.
Mas, se os dirigentes políticos não servem para explicar o que é difícil de explicar, servem para quê?
Quando os partidos se acomodam ao estreito horizonte desta semana ou da próxima, para não terem más sondagens e não terem de explicar ideias difícieis de entender
- quando os partidos renunciam a cumprir o seu papel de terem e defenderem uma proposta em que acreditam, a democracia torna-se um saco cheio de ar.
E um saco cheio de ar é coisa para rebentar com estrondo.

Não se trata de legitimar qualquer resultado eleitoral só por ser um resultado eleitoral.
Se Marine Le Pen vencer em França, não vou aplaudir o resultado como uma vitória da democracia.
Mas se desprezarmos a opinião de um povo que não aguenta mais o "ajustamento" pelo método esmagamento,
a Europa vai caminhar, em poucos anos, para vitórias "à Le Pen" em muitos outros países.
Se a Europa não ouvir os seus povos, esta Europa implodirá. Mais cedo do que tarde.
Isso é o que está em causa.

Gostava era de ver os ministros que tratam o governo grego com tanta displicência (e mesmo com total falta de sentido de Estado)
a levar a sério a ameaça que consiste em termos na Hungria um governo que funciona como comissão instaladora do fascismo.
(e a Espanha de PP e ... e ... lhes querer seguir o exemplo)
Por que será que isso não preocupa esta camada de anões da política europeia?
Será por, ao governo húngaro, já o acharem competente?!


De Civiliz. Helénica vs Bárbaros neoLiberai a 26 de Fevereiro de 2015 às 11:27

A GRÉCIA ANTIGA E OS MESTRES PENSADORES

por Tomás Vasques, em 24.02.15, http://hojehaconquilhas.blogs.sapo.pt/

Estalou o verniz aos nossos mestres pensadores, essa fina flor doméstica do pensamento único europeu, quando os hereges gregos, esmifrados até ao tutano, se revoltaram contra os Deuses de Berlim.
Glucksmann já tinha anotado que os mestres pensadores revelam-se sempre da mesma maneira:
o tribunal de Atenas motivava a condenação de Sócrates:
ele não respeita os nossos Deuses e os nossos competentes, por conseguinte conspira para instalar outros deuses e outros competentes, ele quer a sua lei em vez da nossa.
Tal como o adivinho Meleto, em nome da acusação, pediu a morte de Sócrates como castigo,
esta turba também pede a morte dos gregos que colocam em causa os seus Deuses loiros e as leis do pensamento único.

O pedido de pena capital para os gregos vem acompanhado de “pensamento científico”, a lembrar o 1984, de Orwell.
Coitados dos gregos, até a Grécia Antiga lhes querem roubar.
Dizem os mestres pensadores (José Manuel Fernandes, no Observador) que “estes” gregos não são herdeiros dos outros, os da Antiguidade, os pais da nossa civilização, da democracia e da filosofia. “Estes” gregos são mais Otomanos, e esta Grécia não passa de um produto da vontade das potências europeias, a quem devem, por isso, deduz-se, vassalagem.
Condescendem, contrariados que “Sócrates, Platão ou Tucídides eram atenienses”. Quanto ao resto são “mitos” – escrevem sem rodeios, nem vergonha.
Até Aristóteles, discípulo de Platão, que em Atenas fundou o Liceu, é retirado à herança grega. Nasceu ali ao lado, Macedónia – dizem.
Pitágoras – esse – nasceu na Grécia, admitem, mas desenvolveu o seu trabalho no sul de Itália, como se esta região não estivesse sobre o domínio grego e outras na Turquia, onde nasceu por exemplo Tales de Mileto.
Para esta gente, vale tudo. Tudo isto é tão estouvado como dizer que o poeta Ahmed Ben Kassin, por exemplo, não é árabe. Nasceu em Granada, quando esta cidade estava sobre o domínio árabe.
O afã de matar os gregos é tal que lhes retiram a paternidade: são filhos de pais incógnitos.

E como se não bastasse, num exercício de demagogia reles, ainda roubam aos gregos o valioso património, maravilhas do mundo antigo.
Escrevem os mestres pensadores, eufóricos, para desvalorizar o povo grego, que o Farol de Alexandria, o Mausoléu de Halicarnasso ou o Templo de Artemis em Éfeso não se localizam na Grécia, como não se fossem obras ímpares da civilização grega.
Também a Igreja de São Paulo, em Diu ou a Igreja de Olivença não estão em território português. E daí?

Os mestres pensadores, zelosos acólitos dos deuses de Berlim, destilam ódio ao “irresponsável” povo grego
porque veio pôr em causa o pensamento único.
Não precisavam, para isso, de lhes roubar o passado.

*Os Mestres Pensadores é o título de um ensaio de André Glucksmann sobre o totalitarismo.

(Publicado no Repórter Sombra)


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