18 comentários:
De Austeridade só agravou problemas a 18 de Fevereiro de 2015 às 11:24
Uma mais do que esclarecedora entrevista a Yanis Varoufakis na SPIEGEL:

«Austerity Has Done Nothing to Solve Greece's Problems»

«For the past five years, Greece has been subjected to austerity measures that it cannot, under any circumstances, meet. Our country is literally being pushed under water. Just before we suffer an actual cardiac arrest, we are granted a momentary respite. Then we're pushed back under water, and the whole thing starts again. My aim is to end this permanent terror of asphyxiation.»
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Neste país pouco original do MEDO
Crónica de Diana Andringa, hoje, na Antena 1:

Ah o medo vai ter tudo, tudo (Penso no que o medo vai ter e tenho medo que é justamente o que o medo quer) O medo vai ter tudo, quase tudo e, cada um por seu caminho, havemos todos de chegar, quase todos, a ratos.

Alexandre O’Neill escreveu o «Poema pouco original do medo» quando vivíamos em ditadura e o medo das autoridades era o meio de controlo exercido sobre nós desde crianças.
Em 25 de Abril de 1974, acreditámo-nos livres desse medo. Em democracia, poderíamos vigiar e prevenir os abusos de poder.
Mas pouco mais de 30 anos tinham passado quando um jovem negro, morador na Amadora, me disse que a filha, então de uns três anos de idade, tinha esse medo que julgáramos banido para sempre:
medo de homens fardados. De polícias.

O que na semana passada aconteceu na Cova da Moura justifica o medo da menina.
E perturba-me mais do que antes do 25 de Abril de 1974, porque a violência de Estado era então feita contra mim, contra todos nós.
E hoje é em nosso nome, da nossa segurança, do nosso medo, que essa violência é aplicada.

Um medo criado, em grande parte, pelo abuso das palavras. Em 2005, um incidente em Carcavelos agigantou-se em arrastão.
Dez anos depois, a entrada de meia dúzia de jovens desarmados numa esquadra torna-se uma «invasão».
São palavras criadas pelo medo que todos os dias nos é incutido sobre o outro, o de outra cor, de outra religião, de outro modo de vida. Medo.
Sem medo, que polícia não se cobriria de ridículo ao tratar a entrada de seis jovens desarmados na sua esquadra como uma invasão?
Que jornalistas dariam crédito a essa versão?
Sem medo, como se explicaria o abuso das palavras e da força contra cidadãos, por parte daqueles mesmos que deviam protegê-los dos abusos?
A esta hora já terá tido lugar, frente ao Parlamento, uma manifestação de protesto contra esse medo que se vive na Cova da Moura e em outros bairros do país.
O medo dos moradores agredidos, e o medo dos agentes, que os transforma em agressores.
Gostaria que fôssemos muitos a dizer alto que não aceitamos a violência policial nem o racismo, a recusar que essa violência e esse racismo sejam exercidas em nosso nome.
A recusarmos ter medo e transformar-nos em ratos ou nesses eunucos que, como cantava Zeca Afonso,
«quando os pais são feitos em torresmos, não matam os tiranos, pedem mais».

---José Afonso - "Os Eunucos (No Reino da Etiópia)" do disco "Traz Outro Amigo Também" (LP 1970) ----
https://www.youtube.com/watch?v=3viKELIdO1s


De .SS quer MATAR mais. a 18 de Fevereiro de 2015 às 11:36
SSchäuble, ordem para matar

17/02/2015 por João José Cardoso

E o terceiro anjo tocou a sua trombeta, e caiu do céu uma grande estrela ardendo como uma tocha, e caiu sobre a terça parte dos rios, e sobre as fontes das águas.
E o nome da estrela era Absinto, e a terça parte das águas tornou-se em absinto, e muitos homens morreram das águas, porque se tornaram amargas. - Apocalipse 8:10-11

E à terceira semana cessou o fogo de artifício (do cachecol à ausência de gravata, passando pela mentira dos arbustos), e a extrema-direita apontou a artilharia pesada. Paulo Rangel explica tudo hoje no Público, com uma franqueza exemplar: “O caso mais glosado, mas que não é sequer o mais iminente, é o do contágio dos extremismos de esquerda“.

Traduzindo: há que dar uma lição à esquerda grega, antes que pela Europa fora, a começar no estado espanhol, a esquerda comece, ó horror, a ganhar eleições. A ser irresponsável, como já afirma um monte de excrementos chamado SSchäuble, decidido a brincar à blitzkrieg sem força aérea.

Assim se demonstram vários factos, para os quais muito distraídos andamos: quem governa a Europa não é a direita, mas uma extrema-direita, ordo ou neoliberal, que quando sente ameaçado o edifício totalitário que subtilmente construiu e se chama federalismo, não hesita em mandar às urtigas o direito dos povos ao voto livre, que já não o era numa sociedade onde a informação é controlada pelo poder económico, mas fica assim bem claro como nunca o foi.

Votar outra política que não o austeritarismo ficará arredado: votam? ides para o olho da rua, seus irresponsáveis. O IV Reich em todo o seu esplendor, de Berlim à mais pequena capital europeia, onde a casta se sentiu ameaçada no seu grande mundo de corrupção, vilanagem, saque e exploração desenfreada dos povos. Realce ao exemplo português, Passos Coelho servil, venerando, atento e obrigado, na velha tradição lusa em que sempre a classe dominante se vergou aos poderosos, por eles a capital seria Madrid, e não o sendo qualquer outra onde possam lamber o chão lhes serve perfeitamente.

O problema, o pequenino problema em que nem repararam, é que a história tem o hábito de seguir a direito tantas vezes por linhas tortas. Numa coisa Portugal não é a Grécia: geo-estrategicamente e culturalmente estamos nos antípodas da Europa. E se a expulsão do euro se revelar, ó espanto, precisamente o caminho sinuoso mas certeiro para um país europeu se libertar desta ditadura financeira, de políticas únicas e salários cada vez mais baixos? Paulo Rangel que se cuide, mais uma vez vinda no leste do Mediterrâneo, a peste negra pode espalhar-se pela Europa, e desta talvez calhe à nobreza ficar com as vítimas.
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“Reabram Auschwitz!”
“Reabram Auschwitz!”

Pensa o Shaubel, ajeitando-se na cadeira, enquanto o tontinho holandês do Eurogrupo lhe pergunta sobre o que fazer com os gregos.

“Arbeit macht frei” («o trabalho liberta», nos campos de concentração/ extermínio NAZI ), geme entre dentes o da cadeira.


De Eurozone: Beneficiados e perdedores a 19 de Fevereiro de 2015 às 09:56
Euro: Vencedores e Prejudicados
por Diogo Moreira

Se olharmos com atenção para a evolução do PIB real dos países fundadores do Euro (mais a Grécia), facilmente chegamos à conclusão que esta união monetário tem vencedores claros, e alguns prejudicados.
Em primeiro lugar, salta à vista que para a Grécia, o período do Euro foi um desastre para a sua economia. Tendo entrado na moeda única apenas em 2002, já em 2008 o PIB helênico tinha perdido todos os ganhos que tinha conseguido desde a entrada na união monetária. Uma tendência de queda que é anterior à crise de 2007–09, embora esta tenha acelerado a recessão grega. Em 2013, a economia da Grécia continuava abaixo dos níveis de quando tinha entrado no Euro em 2002.

Inversamente, os dois países que claramente mais beneficiaram com o Euro foram o Luxemburgo e a Irlanda. O seu crescimento económico desde 1999 não tem paralelo entre os seus pares, e apesar da queda considerável com a crise do subprime, fenómeno comum a todos os países analisados, parecem ter claramente recuperado, continuando a ser os países com melhor desempenho económico.

Um grupo de países que deveriam estar a fazer tocar as sirenes de alarme no Eurogrupo, são a Itália e Portugal. Historicamente tendo tido dos mais baixos desempenhos económicos dos países originais do Euro (a par, curiosamente, da Alemanha), a sua recuperação anémica da crise de 2007–09, foi interrompida logo em 2011, tendo iniciado uma nova quebra económica, que considerando o seu baixo desempenho em todo o período da moeda única, os coloca numa posição particularmente precária. Podem ser vistos como possíveis perdedores no seio da união monetária.

Dos restantes membros originais do Euro, podemos registrar duas evoluções antagónicas. Por um lado, temos países como a Espanha, Finlândia e Holanda, que apesar de terem tido desempenhos bastante bons no período anterior à crise do subprime, iniciaram uma nova tendência descendente após 2011, estando o seu PIB real claramente em queda, embora a níveis muito inferiores dos casos mais dramáticos. Do outro lado temos a Austría, Bélgica, França e Alemanha, que claramente conseguiram superar as quedas da crise de 2007–09, estando em 2013 no pico do seu crescimento económico do período inteiro do Euro. À primeira vista, o efeito prático destas duas têndências é um reaproximar dos dois grupos a um nível de crescimento anual similar, e infelizmente baixo. No entanto, não podemos subestimar os efeitos políticos e sociais de uma queda acentuada do PIB de um país europeu, no actual contexto.

Average Real GDP Growth Rate during Euro Membership (until 2013):

Austria 1,79%
Belgium 1,52%
Finland 1,77%
France 1,45%
Germany 1,35%
Greece –0,35%
Ireland 3,10%
Italy 0,25%
Luxembourg 3,23%
Netherlands 1,30%
Portugal 0,35%
Spain 1,79%
EU–11 + 1 0,88%

Source: author’s calculations based on the International Monetary Fund, World Economic Outlook Database, October 2014

Olhando para a tabela acima, é fácil ver de relance quem são os beneficiados, e os perdedores, desta união monetária. Infelizmente, não é surpresa em que grupo o nosso país se encontra.

----Freud explica ou não
por CRG

Uma saída da Grécia da zona euro e da União Europeia teria custos mais elevados para a Alemanha do que um perdão total da dívida grega. Acresce que tal saída colocaria em causa o projecto europeu e com isso arriscaria perder a principal fonte do seu actual sucesso (euro desvalorizado; influxo de imigração especializada; financiamento barato).

Se a chamada "grexit" consubstancia uma solução a todos os níveis pior para os interesses alemães por que razão parece ser vista com bons olhos pelas autoridades daquele país?

Se como táctica negocial não faz sentido, será que apenas querem fazer à Grécia aquilo que gostavam mas que não podem fazer aos estados deficitários alemães: desde a reunificação alemã os estados da antiga RFA transferiram em ajuda financeira mais de 2 biliões para a antiga RDA, sem que tal tenha resolvido a elevada disparidade económica entre estados.

No fundo este conflito interno mal resolvido acaba por ser projectado na relação com a Grécia, exacerbada por uma Chanceler originária da ex-RDA que deve aceitar com relutância, apenas explicável por falta de vontade e esforço, a diferença de crescimen


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