18 comentários:
De Auto-críticos vs dogmáticos desgov. a 20 de Fevereiro de 2015 às 14:40
Troika no céu e infelizes na terra
(-por João Martins, http://365forte.blogs.sapo.pt/ 19/2/2015)

"Pareço estúpido ao dizer isto, mas temos de tirar lições da História e não repetir os mesmos erros".

Não só Juncker não foi estúpido - tardio talvez, mas não estúpido - ao assinalar que a troika atacou a dignidade dos cidadãos dos países por onde passou, como também não foi infeliz.

Parece que a (auto)crítica feita pelo atual presidente da Comissão Europeia não caiu bem junto do governo de um dos países onde aumentou a pobreza, o desemprego e a emigração, e lá teve de vir apressado Marques Guedes dizer que não senhor, os portugueses em nada foram beliscados com a dose de austeridade dos últimos anos.

A Marques Guedes só faltou pedir desculpa e dizer que isto só não correu melhor para os portugueses porque o governo não conseguiu fazer mais daquelas famosas "reformas". Com tantos elogios ao bom aluno, já nem se lembram da "força de bloqueio" que tem sido o Tribunal Constitucional e a oposição com má vontade que não fazia as vontades do governo

Vivemos tempos muito estranhos e será curioso daqui a uns anos perceber o julgamento que a História fará dos radicais que querem dialogar e dos infelizes que querem aprender com os erros e abusos das instituições que, como os homens que as lideram, se calhar até podem falíveis.

Seremos provavelmente um case study de submissão voluntária; um governo que não só não defende lá fora quem o elegeu, como se ofende quando algum infeliz o faz, e que se importa mais em defender a honra do seu dogmatismo do que defender a dignidade do seu país.
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Uma questão de coluna vertebral


publicado por josé simões, às 14:22link do post | comentar




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Para quem o governo grego nunca é "o governo grego" mas "o governo do Syriza", se calhar por lhe parecer estranho que alguém se proponha levar a cabo como governo o que prometeu durante a campanha eleitoral enquanto partido, também "a dignidade dos portugueses não ter sido atingida" não devia ser confundido com "a dignidade dos portugueses" mas antes com a falta de coluna vertebral dele próprio, Pedro Passos Coelho, enquanto líder do maior partido da oposição eleito [com um programa de mentiras] primeiro-ministro, [subserviente ao estrangeiro e às corporações], ao partido a que preside e que o suporta no Parlamento, ao seu vice no Governo, Paulo Portas, e ao grupo de escudeiros que o segue com nome de partido, o CDS, não necessariamente por esta ordem.
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"Gregos: aguentem firmes que vêm reforços a caminho"
O Livre/Tempo de Avançar decidiu expressar o seu apoio às posições antiausteridade do Governo grego. Numa carta, dirigida aos “concidadãos gregos”, que vai ser entregue esta sexta-feira de manhã na embaixada helénica em Lisboa, e publicada em dois jornais de Atenas, o Efimerida e o diário do Syriza, o novo movimento político português assegura que “vêm reforços a caminho”.

“Envergonham-nos e revoltam-nos as notícias de que o Governo de Portugal tem sido um obstáculo”, lê-se na carta, que foi traduzida para grego.

As críticas à posição portuguesa não se ficam por aqui. “Se a Grécia for bem sucedida, todos ficarão a saber que era possível fazer as coisas de forma diferente, ao contrário do que nos diziam. Os políticos deste Governo português forçam a intransigência dentro do Eurogrupo por razões que se prendem com o futuro político deles, mas que são contra o interesse nacional ou europeu.”

Para a candidatura que nasceu da convergência entre o partido Livre, a corrrente Manifesto e o movimento Renovação Comunista, o executivo de Passos Coelho “não [os] representa”. “ Faremos pressão, dentro e fora de Portugal, para que o Governo de Portugal mude de posição — ou para que Portugal mude de governo.”

Classificando a equipa de Alexis Tsipras como o “primeiro governo antiausteridade da União Europeia”, na carta é «expresso o desejo de que as negociações em curso na União Europeia possam conduzir “a um novo contrato”, que permita “um futuro melhor para toda a zona euro”, lê-se.

“No que depender de nós, a Grécia nunca mais estará sozinha numa reunião do Eurogrupo. E vamos consegui-lo já no futuro próximo. Caros concidadãos gregos: aguentem firmes, que vêm reforços a caminho.”

http://www.publico.pt/politica/noticia/grego


De Gregos vs bárbaros e vampiros a 20 de Fevereiro de 2015 às 16:06
A Europa a 'ver-se grega'.

[- Qual é o mais competente? o 'radical' min. grego Varoufakis, ou o neonazi 1ºM. húngaro Orbán Viktor ]

Não estou pessimista:
era costume, quando ainda havia debate na Europa comunitária, que estes grandes choques fossem o prelúdio dos acordos inevitáveis. Nos últimos anos perdemos esse hábito...
Ainda creio, contudo, que o grande braço-de-ferro com a Grécia pode ser resolvido de forma satisfatória.
Claro que os donos do jogo podem pensar:
se cedemos, vai haver outros povos a pensar que podem fazer escolhas democráticas - que atrevimento! - e estragar a estória inscrita nos anais do pensamento único.
Mas, se há ainda algum juízo na Europa, os que mais ganham com o Euro não podem correr o risco de lançar os 28 num turbilhão de efeitos imprevisíveis. Imprevisívies para todos.

O aspecto mais perturbador desta crise, para um socialista como eu sou, é a cobardia política de muitos partidos da social-democracia europeia.
Perante a narrativa, muitas vezes infantil
(há cidadãos alemães, por exemplo, que pensam que o seu país dá dinheiro à Grécia - e estou a falar de relatos directos destas convicções),
pode ser impopular explicar ao eleitorado que um mito é um mito, não uma realidade.
Mas, se os dirigentes políticos não servem para explicar o que é difícil de explicar, servem para quê?
Quando os partidos se acomodam ao estreito horizonte desta semana ou da próxima, para não terem más sondagens e não terem de explicar ideias difícieis de entender
- quando os partidos renunciam a cumprir o seu papel de terem e defenderem uma proposta em que acreditam, a democracia torna-se um saco cheio de ar.
E um saco cheio de ar é coisa para rebentar com estrondo.

Não se trata de legitimar qualquer resultado eleitoral só por ser um resultado eleitoral.
Se Marine Le Pen vencer em França, não vou aplaudir o resultado como uma vitória da democracia.
Mas se desprezarmos a opinião de um povo que não aguenta mais o "ajustamento" pelo método esmagamento,
a Europa vai caminhar, em poucos anos, para vitórias "à Le Pen" em muitos outros países.
Se a Europa não ouvir os seus povos, esta Europa implodirá. Mais cedo do que tarde.
Isso é o que está em causa.

Gostava era de ver os ministros que tratam o governo grego com tanta displicência (e mesmo com total falta de sentido de Estado)
a levar a sério a ameaça que consiste em termos na Hungria um governo que funciona como comissão instaladora do fascismo.
(e a Espanha de PP e ... e ... lhes querer seguir o exemplo)
Por que será que isso não preocupa esta camada de anões da política europeia?
Será por, ao governo húngaro, já o acharem competente?!


De Civiliz. Helénica vs Bárbaros neoLiberai a 26 de Fevereiro de 2015 às 11:27

A GRÉCIA ANTIGA E OS MESTRES PENSADORES

por Tomás Vasques, em 24.02.15, http://hojehaconquilhas.blogs.sapo.pt/

Estalou o verniz aos nossos mestres pensadores, essa fina flor doméstica do pensamento único europeu, quando os hereges gregos, esmifrados até ao tutano, se revoltaram contra os Deuses de Berlim.
Glucksmann já tinha anotado que os mestres pensadores revelam-se sempre da mesma maneira:
o tribunal de Atenas motivava a condenação de Sócrates:
ele não respeita os nossos Deuses e os nossos competentes, por conseguinte conspira para instalar outros deuses e outros competentes, ele quer a sua lei em vez da nossa.
Tal como o adivinho Meleto, em nome da acusação, pediu a morte de Sócrates como castigo,
esta turba também pede a morte dos gregos que colocam em causa os seus Deuses loiros e as leis do pensamento único.

O pedido de pena capital para os gregos vem acompanhado de “pensamento científico”, a lembrar o 1984, de Orwell.
Coitados dos gregos, até a Grécia Antiga lhes querem roubar.
Dizem os mestres pensadores (José Manuel Fernandes, no Observador) que “estes” gregos não são herdeiros dos outros, os da Antiguidade, os pais da nossa civilização, da democracia e da filosofia. “Estes” gregos são mais Otomanos, e esta Grécia não passa de um produto da vontade das potências europeias, a quem devem, por isso, deduz-se, vassalagem.
Condescendem, contrariados que “Sócrates, Platão ou Tucídides eram atenienses”. Quanto ao resto são “mitos” – escrevem sem rodeios, nem vergonha.
Até Aristóteles, discípulo de Platão, que em Atenas fundou o Liceu, é retirado à herança grega. Nasceu ali ao lado, Macedónia – dizem.
Pitágoras – esse – nasceu na Grécia, admitem, mas desenvolveu o seu trabalho no sul de Itália, como se esta região não estivesse sobre o domínio grego e outras na Turquia, onde nasceu por exemplo Tales de Mileto.
Para esta gente, vale tudo. Tudo isto é tão estouvado como dizer que o poeta Ahmed Ben Kassin, por exemplo, não é árabe. Nasceu em Granada, quando esta cidade estava sobre o domínio árabe.
O afã de matar os gregos é tal que lhes retiram a paternidade: são filhos de pais incógnitos.

E como se não bastasse, num exercício de demagogia reles, ainda roubam aos gregos o valioso património, maravilhas do mundo antigo.
Escrevem os mestres pensadores, eufóricos, para desvalorizar o povo grego, que o Farol de Alexandria, o Mausoléu de Halicarnasso ou o Templo de Artemis em Éfeso não se localizam na Grécia, como não se fossem obras ímpares da civilização grega.
Também a Igreja de São Paulo, em Diu ou a Igreja de Olivença não estão em território português. E daí?

Os mestres pensadores, zelosos acólitos dos deuses de Berlim, destilam ódio ao “irresponsável” povo grego
porque veio pôr em causa o pensamento único.
Não precisavam, para isso, de lhes roubar o passado.

*Os Mestres Pensadores é o título de um ensaio de André Glucksmann sobre o totalitarismo.

(Publicado no Repórter Sombra)


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