De Paz para a Síria. a 16 de Setembro de 2013 às 15:02

Palmas a Obama
(- João Vasco,13/9/2013) ,

...
Parecia impossível uma saída airosa deste conflito.
...E isto colocava-me na situação incómoda de perceber o quão grave seria não intervir, e ainda assim ser contra qualquer intervenção contrária ao Direito Internacional (devido à posição da Rússia, a única que estaria em causa).
Acrescente-se que, dadas as alianças da Síria (com o Irão, o apoio da Rússia), a possibilidade do conflito escalar era perfeitamente aterradora.

Por sorte, uma jornalista perguntou a Jonh Kerry (Secretário da Estado) se seria possível evitar o conflito. Kerry, de improviso, respondeu que caso o regime abdicasse de todas as suas armas químicas seria possível encontrar uma saída pacífica, acrescentando apressadamente que tal situação seria impossível.
A Rússia (que, imagino, em conversas bilaterais a que não temos acesso, deve ter dito o contrário) apressou-se a agarrar a oportunidade. Só tinha a ganhar: ou envergonhava os EUA e tornava a invasão menos legítima e mais difícil, ou mantinha o seu aliado no poder.
Moscovo disse que seria possível fazer isso mesmo: Assad entregaria todas as armas químicas, que antes nem admitia ter.
O regime de Assad, querendo sobreviver, acabou por aceder.

Face a isto, sabemos perfeitamente o que é que um presidente republicano faria: ignoraria a solução pacífica, falaria sobre força, patriotismo, excepcionalismo norte-americano, e lideraria uma intervenção militar de consequências catastróficas.

O complexo militar-industrial faria mais uns tantos dólares, e a indústria petrolífera também.

Mas entre tanta coisa em que Obama é igual ou pior do que Bush, temos de reconhecer e aplaudir aquilo em que ele é diferente: aparentemente um conflito sangrento e perigoso foi evitado.
O regime de Assad continuará a provocar vítimas, mas sabemos que não serão tantas quantas aquelas que uma invasão implicaria, fora todas as que resultassem de um escalar do conflito.

Ao considerar a proposta russa, e caso a aceite, Obama consegue fazer o que parecia impossível:
atingir os seus objectivos de manter as armas químicas como uma opção muito perigosa para qualquer regime, sem derramar sangue com uma guerra ilegal.
Que seja criticado por esta vitória (e nos termos em que é, como uma competição de garotos com os russos) parece-me perfeitamente patético.


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