Quinta-feira, 5 de Setembro de 2013

Por razões de estupidez, Damasco usou o gás sarin para facilitar a invasão do país

 Fotos fazem crer numa revolta de militares americanos ... Estava anunciado há muito que, se o regime sírio usasse armas químicas contra os rebeldes, os EUA não tinham outro remédio senão intervir militarmente, derrubar, o actual governo,  em defesa dos da liberdade e da democracia.

      O governo de Damasco, sabendo isto, e estando desde há meses na mó de cima na luta contra os insurgentes sírios, decidiu por razões de estupidez, atacar um bairro dos arredores da capital com gás sarin e assassinar indiscriminadamente 1300 civis, incluído muitas crianças que a imprensa, TVs e Internetes de todo o mundo mostraram revoltando contra Damasco a humanidade (que lê ou vê estas notícias) ... Veio mesmo a calhar porque a decisão de intervir já estava em preparação mas era necessário ter o apoio da massa ignara que dá os votos de vez em quando.
     Talvez, talvez, talvez, que daqui por uns anos, quando a administração norte-americana, vencidos os prazos, abrir à consulta a sua documentação secreta, lá venha a informação que hoje nos escapa :  os serviços secretos israelitas, a pedido da CIA, forneceram a uma célula da Al Qaeda X (ou dos opositores ao regime) doses de gás sarin para ajudar os nossos amigos, democratas e amantes da liberdade, a verem-se livres do horrível ditador Bashar Al-Assad eliminando uns 1300 desgraçados, nos arredores de Damasco. Infelizmente havia muitas crianças mas paciência. Ou tanto melhor, dado que uma muito bem conseguida  campanha de informação atribuiu a responsabilidade do crime ao presidente da Síria.
    Talvez. Talvez. Não é que o campo oposto não fosse capaz de um crime daquele jaez mas os ideais do imperialismo apenas se medem em dólares ou euros, petróleo ou outras riquezas naturais. É claro que já não vivemos tempos tão propícios aos mandantes e poderosos como aqueles em que aniquilaram milhões de seres humanos para lhes roubarem tudo, como sucedeu, por exemplo, na conquista das Américas, ao ponto de povos e civilizações inteiras terem sido destruidos na totalidade. Depois a ”nobreza do dinheiro” teve  de se ir conformando com as conquistas da plebe, consequência de grandes e vitoriosas lutas do “terceiro estado”  e tem de lidar com essa chatice das eleições e dos votos. Mas conseguiram, controlando a educação, a comunicação social, corrompendo, mentindo, falsificando, por vezes de forma tão monstruosa que ninguém de boa consciência pode sequer admitir que se trate de falsidades.
    Na realidade não sei quem cometeu o crime monstruoso nos arredores de Damasco.  É certo que já em Maio passado, a ex-Procuradora do Tribunal Penal Internacional e membro da comissão de inquérito da ONU sobre as violações dos Direitos Humanos na Síria, Carla del Ponte dissera, numa entrevista à Rádio Suíça italiana que: "De acordo com as provas que recolhemos, os rebeldes utilizaram armas químicas, fazendo uso do gás sarin" [Link].”  Mas se ele só aproveitaria a quem quer a intervenção militar, admitindo que Damasco não é um manicómio, tudo parece apontar para uma operação montada para justificar a intervenção armada na Síria. Mas seriam as potências ocidentais, cristãs, democratas, paladinas da defesa dos direitos humanos, capazes de uma monstruosidade destas, numa atitude de os fins justificam todos os meios?
    O que se passou com o Iraque, as provas forjadas, ou apenas enunciadas das armas nucleares que o Iraque tinha, provas tão evidentes que até Durão Barroso as viu nas mãos de W. Bush deixa qualquer pessoa no seu juízo de pé atrás com as políticas dos imperialistas (e das multinacionais 'atrás da cortina').    Afinal o truque, se é que esta chacina é de facto uma armadilha, é velho. Em 1939 Hitler vestiu uma fardas polacas a militares alemães despejou-os do outro lado da fronteira, na Polónia, eles dispararam uns tiros para o lado de cá, contra a pátria sagrada dos nazis e Hitler cheio de razão e apoiado por muitos alemães, justamente indignados com o traiçoeiro ataque dos polacos, invadiu a Polónia e foi por aí fora acabando a suicidar-se 6 anos e 50 milhões de mortos depois, no Reichstag. Já antes Hitler tinha mandado incendiar o Reischtag (o Parlamento) para acusar do crime os comunistas alemães e assim, com a moral do seu lado, ilegalizar o PC alemão e de caminho os socialistas.
    ...
    As guerras de rapina por vezes, no curto prazo, dão prejuízo financeiro. Mas é ao país! Os custos são pagos pelo contribuinte e os grandes, os gigantescos, os inimagináveis lucros são de quem investiu… na guerra.
    Não sei se a realidade da Síria é esta que aqui apresento. Mas não me espantaria. Não é nada que não possa ser feito por quem apoiou a criação do exército taliban no Afeganistão, protetor e apoiante da Al Qaeda (parceria EUA/Arábia Saudita/Paquistão). Era para combater o regime meio comunista lá instalado, que deu liberdade a metade do país – as mulheres, que passaram a poder ir à escola, a poder andar na rua sem a trela de um homem, etc, mas era uma regime que só conseguiu o poder com o apoio da União Soviética. Para o derrubar valia tudo. O pior foi que a hidra virou-se contra o seu criador.
Petróleo, negócio de armas (que convém tirar aos russos possuidores do mercado da Síria), geoestratégia. Direitos humanos, petróleo, liberdade, negócio de armas, democracia, petróleo, oleodutos, petróleo, petróleo.


Publicado por Xa2 às 12:41 | link do post | comentar

19 comentários:
De Judeu a 30 de Agosto de 2013 às 01:34
Brilhante texto. Logo os israelitas, povo conhecido por ser masoquista, entegrou á AL Quaeda o gás, para derrubar o atual presidente da Síria e vê-lo subtitído por um governo fundamentalista islâmico, que se têm revelado MUITO AMIGOS de Israel.
Haja paciência para cronistas tão inteligentes.
Ora aqui está uma grande diferença entre Portugal e Israel. Perceberam qual é?


De .Factores e Culpados atrás da cortina.. a 30 de Agosto de 2013 às 09:42
...talvez, talvez, ...

- quem está por detrás do crime ?
um governo, um vendedor de armas... uma multinacional... um milionário louco, bancos, facção/célula terrorista, ... as secretas do Irão ou do Paquistão ou fanáticos do Iraque, Afeganistão, Iémen, ... da Coreia do Norte, ...
é só escolher...
terroristas, militares, secretas, negociantes de armas, empresas químicas, petrolíferas, ... existem em demasia e o dinheiro + o fanatismo/loucura fazem o resto.

- quem ganha com isto ?
a verdade é que há muitos a ganhar imenso com estas guerras (directa e indirectamente, de imediato ou futuramente)... outros a serem manipulados ou a tirarem vantagens laterais, acordos forçados, vendas, roubos, ... obter bens e recursos, mercados, cobaias, escravos, seguidores/apoiantes, leitores, ...

- e quem perde ?
.poder geoestratégico militar, acesso a recursos, mercados, ...
.princípios e direitos Humanos, ideologias humanistas pacifistas/ cooperantes, associações/organizações comunidades nações Estados (por oposição a interesses privados, ...), lobbies locais e internacionais, regimes e facções ...
. para além e aquém das vítimas (...):
dezenas, milhares, milhões de PESSOAS mortas, feridas, diminuídas, traumatizadas, deslocadas, exiladas, perdidas, roubadas, exploradas, violadas, torturadas, escravizadas, ... fanatizadas, revoltadas, enlouquecidas, desHumanizadas...


De Petróleo-gás, Ultra-conserv.-rep., Milit a 17 de Setembro de 2013 às 10:15
O General Wesley Clark revela plano para a Síria em 2007

Pentágono, 2003, umas semanas após o 11 de Setembro.
“O plano é atacar e derrubar os governos de sete países em 5 anos. 1º o Iraque, 2º a Síria, 3º o Líbano, depois a Líbia, a Somália, o Sudão e o Irão.”

A revelação é de Wesley Clark, general norte-americano na reserva, comandante supremo da NATO de 1997 a 2000, não agora, como quem adivinha o número da sorte, depois de andar a roda.
Não, isto é revelado num discurso em 3 de Outubro de 2007 no Commonwealth Club of California, em S. Francisco. [Há outros vídeos disponíveis no Youtube, legendados em espanhol, francês, alemão, etc, incluindo alguns com o discurso integral.]

Surpreendente e premonitório.

Diz o general Wesley Clark: pouco depois do 11 de Setembro fui ao Pentágono para falar com o Secretário de Estado da Defesa, Rumsfeld e quando descia do gabinete um general com quem trabalhei chamou-me:
está com certeza a par dos planos para o Iraque – não estava - puxou de um relatório secreto e disse-me vamos atacar o Iraque. E sabe as razões? Perguntei-lhe. Não. Aqui em baixo não sabemos nada. Mas têm informações que ligam Sadam ao 11 de Setembro? Interroguei. Não. Nenhumas.

Seis semanas depois, noutra ida ao Pentágono, Clark interrogou o colega: então mantêm-se o plano de ataque ao Iraque? Sabe!?,
É muito pior - e referiu um papel Top Secret, do Secretário de Estado da Defesa - vamos no Médio Oriente atacar e derrubar os governos de 7 países em 5 anos. E enumerou-os. (Acima referidos)
Andei umas semanas sem conseguir encaixar isto afirma W.Clark.
E lembrei-me então de uma reunião nos anos 90 em que Paul Wolfowitz [ o ideólogo ULTRA-conservador autor da política externa de W. Bush, e da invasão do Iraque] me afirmara:
temos 5 ou 10 anos para tratar de todos estes regimes “devotados” à ex-União Soviética, Síria, Iraque, Irão...

Wesley Clark afirma, no discurso, que um grupo, tomou conta do país, fez um “golpe de estado político” e referia-se ao pessoal de W.Bush, ao seu “vice-presidente, Dick Cheney, o Secretário de Estado da Defesa, Donald Rumsfelf, ao vice Secretário de Estado da Defesa Wolfowitz e mais meia dúzia” .

Concluía é o petróleo e o gás. Os interesses do império.
E indignava-se com W.Bush: “Fez tudo o contrário do que prometera na campanha eleitoral.
O país foi informado deste plano? Houve debate público?”

Notas: Ataque ao Iraque 2004, ao Líbano, 2006 (Israel), à Líbia 2011 (EUA, FRança e RU) quanto à Síria os planos estão ou estavam para 2013.

Vídeo de 3minutos, legendado em Português: http://youtu.be/sCDRWEpz5d8.

O discurso do general Wesley Clark tem perto de uma hora.

(# posted by Raimundo Narciso, PuxaPalavra, 17/9/2013)


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