De OPAs e quase-monopólios vs Estado. a 15 de Setembro de 2014 às 14:19

ES Saúde: há mais OPAs que marinheiros?

(-por Paulo Gorjão, em 11.09.14, bloguitica)

A José de Mello Saúde (JMS) divulgou hoje a sua OPA da Espírito Santo Saúde (ESS).
Este passo, para um leigo como eu, parece fazer todo o sentido, na medida em que pretende evitar a entrada no mercado português de um novo player, ao mesmo tempo que elimina um rival e reforça a sua quota de mercado. Com uma só cajadada, se a OPA tiver êxito, a JMS mata três coelhos. Nada mau...
Naturalmente, a JMS pretende eliminar qualquer foco de resistência e procura agradar a todos.
Nesse sentido, Salvador de Mello salienta que uma OPA bem sucedida "permitirá criar um grupo nacional de dimensão europeia" e garantirá "um centro de competência português com projecção internacional".
Noutros tempos teria sido muito sensível ao argumento dos centros de decisão nacional, preocupação que hoje aliás evoluiu para a fórmula dos centros de competências.
Teria sido no passado, mas atendendo ao comportamento posterior de muitos dos subscritores desse famoso manifesto, já não sou.
Nessa medida, pouco me importa se os centros de competências são portugueses ou não.
Obviamente, nada tenho contra, antes pelo contrário, a existência de centros de competências em Portugal, mas pouco me importa a sua nacionalidade.
Haverá bons argumentos para defender a OPA pela JMS, mas este não é seguramente um deles. Adiante.
É muito interessante ver como a JMS procura transmitir a percepção de que há vantagens para todos—accionistas, Isabel Vaz, trabalhadores, utentes, Estado—numa OPA bem sucedida. Pura língua de pau.
A ter êxito, a OPA da JMS terá um e apenas um grande vencedor, i.e. Salvador de Mello e o seu grupo familiar, como não poderia deixar de ser.
Nessa medida, sob a atenção e parecer das entidades de supervisão, o mercado que decida, independentemente da nacionalidade dos interessados, o destino da ESS.
Tão simples como isto.

[Adenda]

"Não vamos despedir na Espírito Santo Saúde. Contamos com todos os trabalhadores para o desenvolvimento do projecto", assegurou Salvador de Mello.
Uma promessa, à boa maneira dos políticos, para ser violada mais tarde ou mais cedo.

É claro que vão despedir. Chama-se sinergias.
Não faltarão situações de duplicação de serviços médicos, administrativos, entre outros.
Racionalmente, aliás, outra atitude não seria de esperar.

Quem seguramente não despedirá é a mexicana Ángeles, uma vez que à partida não há sinergias que o justifiquem.


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