De Queda da França e da Europa a 2 de Setembro de 2014 às 10:52

A queda da França (2/9/2014, EntreAsBrumasDaMemória)


A ler, na íntegra, um texto de Paul Krugman no New York Times. ( http://www.nytimes.com/2014/08/29/opinion/paul-krugman-the-fall-of-france.html?smid=fb-share&_r=2 )
Os parágrafos finais:

«A Europa precisa, desesperadamente, de um líder de uma das grandes economias – de uma que não esteja numa situação péssima –, que se levante e diga que a austeridade está a matar as perspectivas económicas do continente.
Hollande podia e devia ter sido esse líder mas não é.

E se a economia europeia continuar estagnada ou piorar, o que acontecerá ao projecto europeu – esse esforço de longo prazo para assegurar a paz e a democracia através de uma prosperidade compartilhada?
Com o fracasso da França, Hollande está a levar também a Europa, como um todo, ao fracasso – e ninguém sabe até que ponto isso pode vir a ser mau.»


De «social-Liberal»: rendição à Financeiriz a 2 de Setembro de 2014 às 12:56
Social-democracia liberal

( ou Social-Democracia «social-liberal»/ neoLiberal ? )

http://www.lemonde.fr/les-decodeurs/article/2014/09/01/qu-est-ce-qu-etre-social-liberal_4479920_4355770.html

(- por Vital Moreira , CausaNossa, 2/9/2014)

Aquece em França o debate ideológico dentro do PS (F), desencadeado pela alegada "deriva liberal" de Manuel Valls à frente do Governo, com a cobertura de Hollande.

Num partido socialista onde a noção de social-democracia é suspeita, a qualificação de "liberal" é uma acusação e a noção de "economia de mercado" é de direita, compreende-se a dificuldade em conciliar economia de mercado e socialismo político, liberalismo económico e Estado social.

Nesse enquadramento ideológico, aliás reforçado pela tradição francesa de intervencionismo económico do Estado (que não é exclusiva da esquerda) e pela vocação anticapitalista do socialismo francês,
noções como as de "social-democracia liberal", de "economia social de mercado" ou de "social-liberalismo" só podem ser compreendidos como estrangeirismos exóticos, na melhor das hipóteses
e uma capitulação política e ideológica perante o "neoliberalismo", na pior, para além de uma contradição conceptual nos termos.

Nunca tendo passado por uma explícita mutação ideológica, como o PSD alemão (Bad Godesberg), nem tendo incorporado assumidamente o liberalismo económico, como o trabalhismo britânico (Tony Blair) ou a social-democracia escandinava,
o PS francês vê-se a braços com a contradição entre o arcaísmo ideológico dominante e a dura realidade da governação de um modelo económico e social em crise.

O que daqui vai resultar ninguém pode prever...


De Mudar Política econ.: BCE e dos Governos a 5 de Setembro de 2014 às 12:25

A mão de Smith tem artrite

•(Mariana Mortágua, via http://corporacoes.blogspot.pt/):

«(…) Independentemente de serem consideradas mais ou menos ousadas, as medidas anunciadas pelo Super Mário (Draghi, presid. BCE) europeu não tocam no fundo da questão:
para além de injetar dinheiro cegamente no sistema financeiro,
a outra forma - mais eficaz - de combater a deflação é através de políticas fiscais e orçamentais.
Não fosse por um absoluto dogmatismo que vem, aliás, dos tempos de Smith, o que
o Banco Central deveria estar a fazer era a comprar dívida pública,
a financiar os Estados a juros baixos e prazos longos.

E o que os Estados deveriam estar a fazer era
promover o crescimento pelos salários,
pelo investimento no setor produtivo,
pela criação de verdadeiros programas de combate ao desemprego.

Sim, estamos a falar de políticas industriais e sociais, e de uma finança controlada pelo poder público.
Faz sentido, é o oposto do que nos trouxe até aqui.»


De opção "necessidade" falaciosa lei ruinos a 5 de Setembro de 2014 às 12:53
"Esta Europa não vai salvar ninguém"


«Tal como aconteceu nos anos 20 com o padrão-ouro, a social-democracia está objectivamente bloqueada num trágico impasse, que a leva a defender constantemente aquilo mesmo que impede a mudança que reclama.

Nos anos 20, o padrão-ouro, ao fixar paridades entre moedas nacionais que eram supostas poderem converter-se em ouro, abriu as portas ao espectro deflacionista que, com a "panne" da economia real,
levou a uma austeridade que se abateu pesadamente sobretudo sobre o mundo do trabalho.
Situação que só se alterou mais tarde, com as lições da grande depressão, as políticas expansivas e os acordos de Bretton Woods, que vigoraram até aos anos 70 do século passado.
O euro veio, infelizmente, repor uma situação análoga à que se viveu nos anos 20 com o padrão-ouro -
e foi essa situação que entretanto se conseguiu impor em termos de "necessidade".

Ora argumento da necessidade, em política, é quase sempre o mais falacioso dos argumentos:
ele apresenta como neutro o que o não é
e transforma em leis o que são meras opções.

A ironia, é que esta necessidade lembra cada vez mais a do socialismo "científico" de má memória...

Dobrados ao argumento da necessidade, os socialistas democráticos acabam por aceitar quase tudo o que dizem querer rejeitar:

os constrangimentos da gestão financista, os critérios da banca, o sobe-e-desce das agências de notação, o paternalismo burocrático de Bruxelas, etc.

O último Conselho Europeu, de sábado passado, ilustra bem tudo isto:
uma desesperante incapacidade política para responder à Rússia na Ucrânia, a escolha de personalidades de segundo plano para as funções de presidente do Conselho Europeu e de alto-representante para os Negócios Estrangeiros.

Por fim, lá se marcou, para o Outono, mais uma cimeira sobre o crescimento!!!...

Não, assim esta Europa não vai salvar ninguém - a não ser,
talvez, que a deflação acabe por quebrar o império desta falaciosa necessidade
e imponha uma reconfiguração radical da União Europeia e da zona euro.»

Manuel Maria Carrilho, DN, via http://portugaldospequeninos.blogs.sapo.pt/ , 4/9/2014


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