Partidos grandes, pequenos, ... e cidadania

      O PROBLEMA DOS GRANDES PARTIDOS    (-JPP)

Existe um problema com os grandes partidos, o PS e o PSD? Existe e não é pequeno. Nem um nem outro estão longe de corresponderem às necessidades dos actuais tempos portugueses. Nem um nem outro são capazes de qualquer renovação significativa, embora o PSD a tenha mais feito do que o PS, mas para pior. Nenhum tem hoje qualquer capacidade de mobilização própria fora de eleições, não agregam por mérito os sectores mais dinâmicos da sociedade, não produzem ideias, nem políticas novas, estão lá à espera da mudança dos ciclos políticos e mesmo assim sem grande eficácia.

O PS pode estar hoje no governo, mas nunca se deve esquecer que perdeu as últimas eleições. Repito: perdeu as últimas eleições. E também não se deve esquecer, e às vezes parece, que para manter o governo tal como ele é, um governo “novo” de PS com apoio parlamentar do BE e PCP,  vai ter que travar combates políticos muito duros, quer lá fora na “Europa” do Eurogrupo, quer cá dentro com uma direita “passista” que não tem um pingo de moderação. Duvido que nessas circunstâncias o PS como está sirva para muito a não ser para aumentar o isolamento do governo com todos os viúvos e viúvas de Seguro e Belém a virem a terreiro criticar a “experiência radical “ de Costa quando este parecer mais frágil.

Quanto ao PSD está cada vez mais longe do que foi, um partido social-democrata, reformista e basista. Cavaco, mesmo apesar dos seus tempos finais na Presidência, foi o último a manter alguma ligação com as origens do partido, com excepção dos interregnos de Manuela Ferreira Leite e Marques Mendes. O primeiro sinal do que se ia passar foram as direcções de Lopes e Menezes, muito diferentes entre si, mas trazendo elementos que desvirtuaram a  identidade partidária, desde o culto de personalidade do “menino guerreiro” até ao modo como Menezes construiu uma estrutura de controlo que ainda lá está com Passos Coelho. Mais do que  Relvas, Passos teve a “mão” de Menezes.

Mas todos vinham de “dentro”, dos maus costumes aparelhísticos que sempre existiram no PSD, como Passos vinha dos mesmos hábitos de carreira reproduzidos na JSD para pior. Quando hoje se olha para a elite partidária que dá o poder “albanês” de Passos dentro do partido é difícil reconhecer qualquer identidade social-democrata, mas sim uma mescla de gente da Maçonaria, jovens de uma direita radical feita nos blogues e redes sociais muito ignorante e agressiva, que, como já o escrevi, acha que o Papa é do MRPP… 

Chega para a “luta de classes”, tem aliados poderosos na “Europa”, mas nada tem a dar ao país que não seja servir os poderosos e punir os fracos e institucionalizar, com as fórmulas dos think tanks mais reaccionários, uma ideia de “liberalismo” que envergonharia Adam Smith. Não gostam da liberdade, gostam da autoridade e do poder.

        O PROBLEMA DOS PEQUENOS PARTIDOS

É que nada indica que possam deixar de ser pequenos, nem a curto, nem a médio e muito menos a longo prazo. O CDS está a seguir a política habitual dos tempos em que não está no governo como partido de coligação: pôr-se a jeito para voltar ao governo como partido de uma outra coligação, quer com o PSD, quer com o PS. O PS que sabe isso muito bem, alimenta-o com elogios que tem também a vantagem de o ajudar a cortar as amarras com o PSD, coisa que o CDS quer rapidamente fazer. O PSD é nestes dias uma espécie de trambolho para o CDS, e impede-o de voltar a ser “responsável” outra vez e poder “negociar”.

O BE parece estar bem, mas não está. Tudo o que o alimenta como partido de certas causas tribunícias que o PCP não quer por conservadorismo, cultura e tradição, como as chamadas “causas fracturantes”, está ou a esgotar-se ou a perder sentido, num partido que participa no poder político actual. A “causa” do Cartão do Cidadão, ou do cartaz com Jesus Cristo com “dois pais”, é um exemplo de uma irrelevância mais ou menos inócua, que mostra o esgotamento de um caminho. O outro caminho, as medidas que envolvem a melhoria das condições de vida da população, se conseguidas serão, para a maioria que delas pode beneficiar, mérito do governo do PS.

O PCP está também num impasse. O seu poder existe, essencialmente nos sindicatos da CGTP, mas está estagnado e não dá os proventos políticos que deu no passado. Os militantes do PCP votarão por regra no partido até morrerem, mas o problema é que a “lei da vida” faz com que morram cada vez mais e os esforços de renovação interior, que existem de facto, não permitem ao PCP sair do gueto em que sobreviveu, mas de onde se mostra incapaz de sair. Os comunistas portugueses são um milagre de sobrevivência política se comparados com muitos outros partidos à cabeça mais fortes, e que desapareceram de todo. As diferentes variantes de comunismos reformistas ou de “eurocomunismos” teriam feito desaparecer o PCP, como fizeram ao PCE e ao PCF, e isso foi o último combate de Cunhal, já a URSS estava a cair com Gorbachev. Mas essa época acabou e hoje reformas profundas no pensamento teórico e organizacional, na linguagem e no modus operandi, caso houvesse forças endógenas no PCP para as forçar, teriam um impacto diferente. O BE pode ter avanços ou recuos eleitorais, o PCP não pode ter recuos eleitorais muito significativos e agarrar-se ao que sempre fez, - “vão-se os anéis e fiquem os dedos”-, não funciona porque já não tem anéis e os dedos não estão grande coisa.

/Da .)(url)



Publicado por Xa2 às 07:50 de 02.06.16 | link do post | comentar |

Partidos do centrão, opacidade, esquemas, jotas, tachos e nepotismo

---  PSD e PS: as fraudes eleitorais (internas) que os unem  (-J.Mendes, 12/3/2016, Aventar)

     Quando chegam as eleições internas, sejam em que nível forem, tendem a surgir verbas sabe-se lá bem de onde, muitas vezes patrocinadas pelo pagamento de favores, que permitem pagar cotas em atraso a militantes desinteressados que, com as contas regularizadas, lá fazem o frete ao amigo que os vai a casa buscar para votar. Poucos são aqueles que nunca ouviram contar uma história destas. Eu ouvi algumas e até conheço alguns exemplos de amigos que, tendo num passado distante sido filiados num destes partidos, continuam a receber avisos de pagamento de cotas, precedidos por recibos de pagamento que não sabem muito bem quem terá pago.

      Às vezes desce ainda mais baixo. Um dos casos mais recentes, divulgado no final de Janeiro pelo JN, dizia respeito a uma investigação da PJ de Coimbra, que conseguiu provas de que um grupo de 20 militantes da distrital coimbrã do PS terão falsificado documentos no preenchimento de fichas de adesão ao partido, mas o Ministério Público optou pela aplicação de coimas e trabalho comunitário. Entre os arguidos estavam actuais e antigos autarcas, dirigentes do PS e da JS e um deputado da anterior legislatura. Saiu barata a fraude. E, com alguma sorte, o dinheiro que pagou as coimas terá chegado da mesma zona cinzenta de onde todos os anos saem milhares de euros para a regularização de cotas de militantes que só o são porque estes partidos se recusam a actualizar as listas para nos poderem apresentar estatísticas triunfantes.

      Mais recente ainda, apesar do pouco alarido que gerou, foi o caso das eleições na distrital do PSD Aveiro, ocorridas no mesmo dia que o acto eleitoral que reconduziu Pedro Passos Coelho à liderança nacional. A candidatura de Ulisses Pereira, cujo mandatário foi Luís Montenegro, acusou os órgãos nacionais do partido de “branqueamento” e “práticas irregulares”, nomeadamente no que toca ao incumprimento em disponibilizar os cadernos eleitorais nos prazos definidos pelo PSD.

     Mas verdadeiramente peculiar foi o caso da secção de Ovar, da qual faz parte Salvador Malheiro, vencedor do escrutínio. Segundo o Diário de Notícias, entre Junho e Julho de 2015, foram inscritos 418 novos militantes, 217 da freguesia de Esmoriz, dos quais, notem bem, 80 viviam na mesma rua e 17 na exacta mesma morada. Uma rua laranja com famílias numerosas de convictos sociais-democratas. Destaque ainda para o facto de 121 destes novos militantes partilharem entre si 3 números de telefone. Notável!

    O Conselho Nacional de Jurisdição do PSD, liderado por esse ministro de Deus que é Calvão da Silva, emitiu um parecer em que considera toda esta insólita situação como sendo regular. O que não deverá surpreender vindo de um órgão chefiado pela mesma pessoa que se esforçou por provar à justiça portuguesa que a prenda de 14 milhões de euros dada pelo empresário José Guilherme a Ricardo Salgado era, também ela, regular. Ou uma manifestação de “espírito de entreajuda e solidariedade” como se podia ler no parecer do ex-ministro a prazo do PSD. A argumentação anedótica do CNJ do PSD pode ser lidas na peça do DN.

     Há quem defenda tratar-se de uma manifestação de força, articulada por trás do arbusto pelo líder parlamentar do PSD, que muitos acreditam ser o próximo oponente interno de Pedro Passos Coelho. Não obstante, trata-se de mais um episódio que ilustra até onde pode ir a ambição que transformou um dos maiores partidos políticos portugueses num centro de negociatas e esquemas opacos usados pelos mais hábeis no processo de ascensão social que começa nas jotas e nas intrigas de corredor, da São Caetano ao Parlamento. Com o habitual e indispensável alto patrocínio dos nossos impostos e passividade.

---- Ana:     E também pode ver o problema deste prisma: os cidadãos desistiram, optam por ficar em casa a ver a bola, e deixam que os partidos se deixem dominar e canibalizar pela má moeda. Não acredita que há militantes sérios nesses dois partidos?  Claro que depois há os Calvões deste mundo, que fecham os olhos à ilegalidade e ainda caucionam esses actos.  Infelizmente é assim nos partidos, como nas universidades, nos media, nas empresas… A piolheira tomou conta da democracia. ...

---- A.V.:    ... Na minha zona, certo partido vem a casa buscar os militantes (?!), familiares e vizinhos para votarem. Daqui resulta empregos na Câmara e noutros locais (hospital, misericórdia, ... IPSS e empresas apoiadas pelo IEFP/centro de emprego) abrigados das intempéries do desemprego.
     Os estabelecimentos públicos locais e regionais estão cheios deste tipo de gente (militante/ apoiante) dos dois partidos.    Nem se pode falar porque a reação da matilha é atacar e expurgar quem critica ou aponta estas conivências e seguidismo.   Ao mais alto nível encontramos sempre os frequentadores das lojas da viúva dos dois partidos maiores sugadores.   Estamos numa desgraça da qual não se vislumbra uma mudança de regime.

----- Zé T. (6/10/2015):     Análise  político-partidária para reflexão interna ...

     - Como está o Partido?   Com a actual situação muita coisa se esconde/cala  ... mas, se é para o melhorar e lhe dar consistência, é necessário dizer que (tal como outros partidos), ...  « O PS está mal e não é de agora... 
      Apesar do 'palavreado' e das referências históricas, de facto, o PS abdicou de ser "republicano" e "socialista"/social democrata, desde o 'Blairismo/nova via', seguindo-se a sua captura ideológica e prática pelo neoliberalismo e o «economês»... 
      Tal como o PSD (ambos partidos do centrão de interesses e negociatas), o objectivo da 'entourage/corte dirigente' é o benefício próprio, a subida a todo o custo, a obtenção de 'tachos' e benesses, o controlo de grupos e apoiantes, com o associado atropelo de regras democráticas, manipulação, falta de ética, falta de crítica e liberdade de expressão, o mascarar de malfeitorias e incompetências, o engano e burla de militantes e simpatizantes -- que, não sendo parvos nem tendo estômago para tal, afastam-se desmotivados, desinteressados do convívio com este tipo de 'políticos' e seus delfins e aprendizes.
      O objectivo destes politiqueiros é o assalto/instalação (rotativa e partilhada com o PSD) no poder político para repartir 'tachos' e benesses entre os seus 'barões', familiares, amantes, sócios de negócios/empresas e jotas mais 'aguerridos' ... ,   destruindo a militância e secções/ concelhias, fechando sedes, não discutindo política, nem medidas, nem moções, nem programas, nem candidaturas, nem métodos, nem resultados, ...     transformando o Partido (associação política sem fins lucrativos) numa sociedade anónima de capitais/ 'donativos/ investimentos' privados e públicos, com uma minoria de grandes accionistas/administradores, um grupo de médios/pequenos accionistas/ dirigentes/tachistas/ cortesãos/seguidistas e uma maioria de micro-accionistas acéfalos e papalvos ou intermitentes e desmotivados.
      Não tendo sido feitas as imprescindíveis reformas e o afastamento das 'maçãs podres', o partido tem vindo a decair (tal como o desinteresse/ abstenção dos cidadãos tem vindo a aumentar).    Fala/ou-se em 'facas longas' mas não havendo 'tomates' para as usar, vão utilizando facadinhas, armadilhas e venenos - o resultado é bem pior, e não se limpa nem levanta o Partido.     Afastar o Secretário-geral (este, o anterior, o próximo...) é apenas esconder a porcaria debaixo do tapete... e aumentar mais divisões/ facções, deixando espaço para os mais aguerridos/ matreiros subirem ao poder ...   independentemente da sua (in)competência, da avaliação crítica das causas e factores, da responsabilização, da definição de rumo ... e da necessária "revolução" interna... e externa, da política portuguesa e europeia.   ... ».
     -- Que fazer ?   - Negar tudo, esconder a cabeça na areia, bater no mensageiro/ proponente/ crítico, agarrar-se à rigidez da máquina e a intrepretações legalistas... e esperar um milagre ?!!;  ...ou ...  - Aprender tanto com os erros como com as boas práticas/propostas de outros (Corbyn UK, Grécia, Espanha, França, ...);  ... e ... - Querer mudar ... como?   cativar jovens (e...) e militantes;   passar duma 'comunicação descendente' para outra de 2 sentidos e em rede;   disponibilizar meios de troca de opinião/sugestões, aumentar a transparência, auscultação de questões e políticas concretas, tomar decisões democráticas e dentro dos princípios do partido, ... 


Publicado por Xa2 às 07:52 de 15.03.16 | link do post | comentar |

Arco da governação serve ditadura dos mercados

--  Schadenfreude dos nossos cãezinhos de Pavlov    (-J.Pacheco Pereira, rev.Sábado)

«Em política, Pavlov reina como mestre de cãezinhos. É tudo tão previsível, tão fácil de identificar, tão rudimentar, tão… pavloviano. Grite-se Sócrates, Costa, Boaventura, Syriza, Bagão, Louçã, Manuela, eu próprio, os gregos, Varoufakis e logo uma pequena multidão começa a salivar nas redes sociais, nos blogues, nos "porta-vozes" oficiais e oficiosos do PSD e do CDS. Muita desta raiva vem do desespero. Os melhores dias já estão no passado e as perspectivas são sombrias.

    É verdade que muitos aproveitaram estes anos de ouro para se incrustar em lugares (tachos) de nomeação ou influência governamental. E vão continuar lá.    Claro que há de vez em quando uns pequenos grãos na engrenagem. Jardim, por exemplo, do "je suis Syriza", ou Marcelo que dá uma no cravo e outra na ferradura. Mas para estes pequenos propagandistas não pode haver hesitações. É o combate final e não há "mas", nem meio "mas", é tudo a preto e branco. Ou se é grego ou alemão.

    Animam-se com o facto de as manifestações pró-gregas terem pouca gente, mas ignoram as sondagens que mostram que muita gente ultrapassou os argumentos mesquinhos de Cavaco e Passos e tem simpatia pelos gregos. À direita e à esquerda, porque toda a gente precisava de um assomo qualquer de dignidade nacional numa União Europeia manietada pela elite política mais autoritária e escassamente democrática que chegou ao poder nestes últimos anos. Enganam-se se pensam que são os esquerdismos do programa do Syriza que mobilizam as simpatias. É por isso que há pouca gente nas manifestações, porque elas são miméticas desse esquerdismo. Mas o que faz as sondagens maioritárias pró-gregos, a "maioria silenciosa", é a afirmação nacional, a independência, a soberania, a honra perdida das nações resgatada por um povo. É uma gigantesca bofetada nos patriotas de boca e empáfia que aceitaram tudo, assinaram tudo, geriram o "protectorado" com zelo e colaboração, e terminam o seu tempo útil servindo para fazer o 'sale boulot' alemão.»

--  O "arco" no seu labirinto   (J.Gonçalves, 21/2/2015, Portugal dos pequeninos)

    Não acompanho a "tese bipolarizadora" do autor - na substância equivale a uma mera mudança, ou nem isso, nas mãos que embalam o "arco da governação" que persistiria inerme - porque, ao contrário do que aconteceu nesta legislatura, espero que a próxima tenha duas partes e seja menos "simplificada": uma turbulenta e animada pelo atomismo dos resultados eleitorais e uma segunda, negociada e ponderada, que reflicta politicamente mais as necessidades do país do que as das suas estafadas "elites".   De resto, Pacheco Pereira "bate no ponto" :

     «Aquilo que se tem chamado a “ditadura dos mercados” é a forma moderna de fusão dos interesses económicos com a política, que já não permite a caricatura dos capitalistas de cartola, senhores do aço e das fábricas de altas chaminés, mas sim os impecáveis banqueiros e altos consultores vestidos de pin stripes, assessorados por uma multidão de yuppies vindos das universidades certas com o seu MBA, que num qualquer gabinete do HBSC movem dinheiro das ilhas Caimão para (offshores) contas numeradas na Suíça.

     Entre os perdedores não está apenas quem trabalha, no campo ou nas fábricas, ou a classe média ligada aos serviços e à função pública, mas estão também os interesses económicos ligados às actividades produtivas, ao comércio que ainda não é apenas uma extensão de operações financeiras, e à indústria

     A rasoira que tem feito na Europa, usando com grande eficácia as instituições da União Europeia, não é da “política” em si, porque o que eles fazem é política pura, mas sim de qualquer diversidade política, tendo comido os partidos socialistas (/social-democratas) ao pequeno-almoço, com a ementa do Tratado Orçamental.

     É por isso que, nestes anos do “ajustamento”, o PS foi muito mais colaborante no essencial do que os combates verbais pré-eleitorais indiciam, com os socialistas europeus domados pelos governos do PPE como se vê na questão grega.    Os partidos socialistas e sociais-democratas têm de facto a “honra perdida”.   O PSD penará por muitos anos o ter-se tornado não apenas um partido do “ajustamento”, mas o partido do “ajustamento”, o mais alemão dos partidos nessa nova internacional política dos “mercados”.    Fez o papel que o CDS sempre gostaria de ter feito e desagregou-se em termos ideológicos, perdeu a face e a identidade. O seu destino próximo será recolher os votos necessários para manter uma frente conservadora, muito à direita, com um CDS que por si só não tem os votos necessários para governar.   É mais instrumental do que confiável pelas mesmas elites que ajuda a servir, que consideram a sua partidocracia como muito incompetente, e perdeu há muito o mundo do trabalho, as universidades, a juventude estudantil, os genuínos self-made men

              .. Mangas  de  alpaca   (- F.Sobral, via Entre as brumas)

 «... Qualquer destas correntes está presente no Governo. Onde, ao contrário do que se tem feito constar, não há uma ideologia liberal como bússola, mas antes se segue uma filosofia "selfie".
Onde o que interessa são os interesses individuais e do grupo a que se pertence. Toda a "destruição criativa" impulsionada por este Governo segue a mesma lógica:   estilhaçar o contrato social, colocar o país numa constante zaragata de todos contra todos e eliminar a ascensão social típica das sociedades democráticas.
     Estamos a voltar ao mundo do amiguismo (e nepotismo), do facilitismo, das familiaridades.    Onde o único valor são os números e os resultados e não a formação real e a educação, a reflexão ou a cultura.    Quando se vê o caos instalado pelo Ministério da Educação, o desinvestimento cultural, o triste deserto de ideias em que se transformou o país, a "reforma" está à vista.    Por isso não surpreende que a presença na Expo'2015 fosse chumbada por oito milhões de euros, perdendo o país muito mais com a não presença. Mas nada admira num Governo inculto.»
            A  História  os   julgará
 
Acabei de passar 1 hora e meia a ver o documentário «Puissante et Incontrlôlée: la Troika» (Poderosa e incontrolada: a Troika), estreado ontem no canal ARTE. O seu visionamento devia ser obrigatório em todas os países europeus, nomeadamente nos que estão, ou estiveram, «ocupados» por troikas.
    O jornalista alemão Harald Schumann esteve na Irlanda, na Grécia, em Portugal, em Chipre, em Bruxelas e nos Estados Unidos e interrogou ministros, economistas, advogados, banqueiros, vítimas da crise e o Prémio Nobel da Economia 2008, Paul Krugman, que explica por que motivo a política de restrições não funcionou. Cristalino!
       (Em Portugal, do minuto 32 ao minuto 40 e de 1h.01 a 1h09)
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Publicado por Xa2 às 12:26 de 26.02.15 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

Eleitores e combates: corrupção, fraude, negociatas, 'tachos' e opacidade

Apoio Seguro para combater as rapaziadas das Tecnoformas...    (-por Ana Gomes, 23/9/2014)
     A 28 de Setembro, nas eleições primárias do PS, vou votar em Antonio José Seguro. Entre outras razões, porque ele não tem medo de se comprometer. É o primeiro candidato a Primeiro Ministro que assume centralmente, no projecto político que propõe para o PS e para o País, o compromisso de se empenhar no combate à promiscuidade entre política e negócios. Promiscuidade que é veículo da corrupção e do que ela implica, em desvio de recursos do Estado, em falseamento da concorrência entre empresas e em agravamento da desigualdade entre os cidadãos.
      Sob a direcção de António José Seguro, o PS apresentou na Assembleia da República um conjunto de propostas com o objectivo de aproximar e responsabilizar mais os eleitos diante dos seus eleitores. E com medidas concretas para reforçar as incompatibilidades entre titulares de cargos públicos e políticos e interesses económicos privados:    - medidas para proibir consultores do Estado ou negociadores do Governo para representarem o Estado em processos de privatização ou concessão de activos públicos de aparecerem, depois, ao serviço das empresas privatizadas;     - medidas para proibir os deputados de exercer funções de perito, consultores ou árbitros em qualquer processo de que o Estado seja parte;    - medidas para impor a revelação da origem dos rendimentos dos titulares de cargos políticos, com indicação das entidades pagadoras, e para garantir a fiscalização da veracidade das declarações de patrimônio e de rendimentos apresentadas, desmaterializando-as (informatizando) e sujeitando-as a cruzamento dos respectivos dados;    - medidas como a criação de um registo público de interesses obrigatório, inclusivé com identificação de sócios, registo que deve existir também junto das assembleias autárquicas, relativamente aos membros dos órgãos executivos, etc..
     Enfim, propostas para impor transparência que desagradam a quem beneficia com a opacidade actual  - e por isso tantos resistem sequer a discuti-las na AR. Ora são propostas que devem mesmo ser discutidas na AR, até por que podem ser ainda melhoradas.
     Este combate contra a promiscuidade entre política e negócios é fulcral para reformarmos o Estado, regenerarmos o sistema político, relançarmos a economia e para sairmos da crise.

     É um combate tanto mais urgente quanto nos últimos tempos atingimos novos patamares de desresponsabilização.  Não, não falo apenas do Ministro da Educação e da Ministra da Justiça que pediram publicamente desculpas, mas como expediente para não tirarem consequências políticas dos seus erros, demitindo-se.
     Nem falo do Governo que fazia foguetório com a promessa de extinguir fundações que são esquemas para defraudar o Estado e que três anos depois ainda mantém em actividade a maior parte delas, incluindo a Fundação para as Comunicações Móveis, mais conhecida por Fundação dos Magalhães.
     Nem falo de um Governo que procura alijar fundamentais responsabilidades e não acciona a justiça  perante o colapso do esquema fraudulento GES/BES, e de um Banco de Portugal que embaraça o País ao ser confrontado com a retirada de  licença  bancária  a Ricardo Salgado pelo ....Dubai.
     Falo de um Primeiro Ministro que, face a alegações que põem em causa a sua probidade pessoal, não se dá ao trabalho de as refutar, nem esclarecer. Estou a referir-me ao caso Tecnoforma, que deu origem a investigações da PGR e da União Europeia sobre um esquema de formação forjado - de trabalhadores de aeródromos que não existiam - para obter financiamentos comunitários, de que teriam sido agentes Miguel Relvas e Pedro Passos Coelho.
     Ora, as mais recentes alegações implicam o então jovem deputado Pedro Passos Coelho, a receber 5.000 euros mensais durante uns anos em pagamento dos serviços a "abrir portas", no dizer do então patrão da Tecnoforma, a uma falsa Organização Não Governamental que era instrumento daquela empresa para sacar fundos comunitários.
     Não interessa que a responsabilidade criminal esteja prescrita, ou que não estivesse o deputado obrigado a regime de exclusividade: persiste a responsabilidade políticaPedro Passos Coelho tem de esclarecer se recebeu, ou não, pagamento pelos serviços que prestou a essa ONG de fachada e se declarou o que tenha recebido ao fisco, pagando impostos. Se não se lembra, pode certamente pedir extractos bancários e declarações fiscais. Se o não fizer, o PM perde qualquer réstia de autoridade moral e de legitimidade política para governar. Não será apenas a  Justiça que o seu Governo pôs em estado de Citius: é Portugal que fica em estado de sítio!
      O que me leva ao (após primárias do PS). Voto Seguro porque quero combater as rapaziadas das Tecnoformas, onde quer que se infiltrem, incluindo no PS.  Neste Portugal à beira do estado de sítio precisamos absolutamente do PS reagrupado, depois da contenda interna nas primárias, e se regenerado e fortalecido por ela. O combate à corrupção e à promiscuidade entre política e negócios está na mesa, é incontornável. Vença quem vencer, para ganhar Portugal.
-----xxx-----  Zé T. disse:
    Não sei se A.Seguro ou A.Costa é/será melhor líder do PS ...  Ambos têm aspectos positivos e negativos, apoiantes de qualidade e outros que só estragam ou são duvidosos... - e a equipa/ 'entourage' também conta. 
    O que me parece importante para fazer uma escolha é uma análise crítica das suas propostas (foram poucas as concretas ...), dos princípios  político-económicos que defende (ou se aproxima), do seu comportamento cívico-democrático, do seu currículum/ experiência relevante ... para avaliar da seriedade do seu caracter e da exequibilidade das suas promessas ... 
    E, sobretudo, no início deve-se evitar «dar/ assinar cheques em branco» (exigindo transparência e 'contrato' claro), contínua e periodicamente  deve-se fazer controlo com análise e debate crítico da sua gestão/medidas tomadas e, no final de cada mandato, deve-se exigir responsabilidades pelo trabalho feito ou não-feito ... e "partindo a loiça", se necessário. 
    Chega de opacidade política-económica e apelos ao coração ou à 'clubite' da 'carneirada acéfala'... usada e abusada por 'figurões' ou 'jotas' !
-----xxx----    Dilema  ou trilema ... eleitoral :   Em quem votar ?  ou não votar ?  ou ...
   1- do mal o menor.  pelo que, conhecendo-se o que fez, não fez ou deixou fazer J.Seguro, (idem para o seu adversário),  o meu voto seria para o A.Costa.
   2- percebendo os podres e «telhados de vidro» existentes no PS (e em muitos dos seus figurões e jotas ... e piores no PSD e CDS)... apetece votar no A.Seguro, para ver  se este ganha ou fica muito próximo do vencedor, para ver se é desta que se «parte a loiça toda» no PS e este partido se limpa da porcaria e interesses que o tolhem e se se refaz como um verdadeiro partido social democrata, de esquerda.
   3- não votar em nenhum destes candidatos, ... não votar no PS ... nem votar em qualquer partido.
 . esta seria uma posição «fácil», de demissão como militante e/ou  como cidadão ... ética e politicamente não posso ir por aí.
 . como militante devo votar num dos candidatos (ou deveria eu próprio candidatar-me ...)
 . como simpatizante (inscrito, brrr !! vade retro...)  ou  como cidadão, mantenho a liberdade e o dever de, em qualquer eleição,   votar no partido (ou proposta ou candidato) que penso   melhor defender os meus princípios, a democracia, a liberdade, a igualdade de acesso, o estado social, a humanidade, ...
4- daqui se pode concluir que : 
. estou descontente  com os 2 candidatos do PS (talvez em grau e causa diversas);
. estou descontente com o PS; . mas mais descontente estou com os fantoches, burlões e incompetentes do PSD e CDS que nos desgovernam;
. gostaria de votar/ apoiar outro candidato e/ou partido, melhor: numa coligação de partidos e movimentos de esquerda;
. assim : vou VOTAR nestas e em todas as eleições, vou discordar e criticar ou apoiar sempre que ache que o devo fazer e tiver liberdade para isso (sim, que a Liberdade já está a ser limitada, condicionada,  os cidadãos e trabalhadores voltaram a ser censurados, coagidos e estão a sofrer  ameaças e penas várias), e, no momento próprio, em segredo, "pesando tudo" até à última, vou escolher o menos mau. !!  
--- alla jacta est.


Publicado por Xa2 às 19:24 de 24.09.14 | link do post | comentar | ver comentários (13) |

"Escravatura civilizada", "Novilíngua" e objectivos neoLiberais neoFascistas

NOVA  ESCRAVATURA  CIVILIZADA  (NEC):   UM  OUTRO  CONCEITO  DE " LIBERDADE  INDIVIDUAL "  (-por JPP, Abrupto, 23/1/2014)

  1. A Juventude Popular propôs numa moção ao Congresso do CDS a diminuição da escolaridade obrigatória do 12º ano para o 9º ano porque “a liberdade de aprender (…) é um direito fundamental de cada pessoa”. Cinco secretários de estado, que pertencem à distinta agremiação, subscreveram a moção, que exprime o direito inalienável à ignorância, como direito individual.(*) Isto escrito por membros de um partido que se diz “personalista”. Aliás há outras puras imbecilidades na moção, como seja a igualização do “autoritarismo do Estado Novo”, com “o autoritarismo do défice e da dívida”, uma “ideia” igualmente muito reveladora do que vai na cabeça dos candidatos a senhoritos do CDS, que, como se vê, nos governam.
     2. Num processo de habituação e impregnação pelo veneno dos “argumentos” do poder a que vimos assistindo nos últimos anos, já não se reage a nada, nem sequer a perigosas enormidades, em que o próprio facto de terem sido enunciadas no âmbito do actual poder político já é de si muito preocupante. Há mais extremismo aqui do que no mais obscuro grupo anarquista ou maoista.
     3. Vamos pois “explorar” a “ideia” da Juventude Popular e dos seus (nossos) secretários de estado. Comecemos pela “ideia” de que a escolaridade obrigatória até ao 12º ano, um requisito mínimo no actual débil mercado de trabalho, "limita a liberdade". Não custa perceber pela justificação que a mesma é valida para a educação obrigatória em geral. Ou seja, cada um, famílias e pessoas, são livres de escolherem o grau de escolaridade que pretendem ter, como se isto fosse de facto livre. Eu percebo-os, se precisam de marceneiros, trolhas, carpinteiros e electricistas, que dispêndio é terem que ter o 12º ano? Bastava a quarta classe, enquanto Harvard fica para a elite da elite. Aliás, educação e exigência, algumas vezes vão a par e por isso convém perceber que a educação é sempre perigosa para a “ordem social”.
     4. Muito bem, mas vamos aprofundar o "conceito". Deixando de haver educação obrigatória, também não tem sentido impedir o trabalho infantil. De facto, que sentido tem a liberdade de não ir à escola sem a liberdade de se poder ir trabalhar? Os pais encontram nessa possibilidade uma maneira de combater as crises, colocando as suas filhas a gaspeadeiras com 14 anos e os rapazes nas obras aos 12. Para além disso, que adolescente gosta da escola? Por que razão não há-de ter a liberdade de ir berrar para uma claque de futebol em vez de ir para as aulas, ou de viver à custa dos pais até aos trinta anos?
     5. Vamos ainda aprofundar mais. Na verdade, nós devemos ser senhores do nosso próprio corpo, apenas com a excepção das mulheres grávidas que queiram abortar, porque isso é um crime. Só assim a minha liberdade é plena, por que posso vendê-la, ou comprar a liberdade de alguém. Sendo assim, por que é que não tenho a liberdade de me vender como escravo, digamos que por um período de dez ou vinte anos, para poder pagar uma dívida, salvar a casa da família, educar um filho? Quando digo escravo, é escravo mesmo, agora num novo conceito que agradará certamente ao pensamento dos blogues “liberais”, a que podemos chamar a Nova Escravatura Civilizada (NEC).
     6. Na NECalgumas coisas que não se podem fazer a um escravo, como por exemplo, matá-lo, ou mutilá-lo, mas tudo o resto é livre. É por isso que é “civilizada”. Também não se pode marcar com um ferro em brasa, mas pode-se implantar um chip como se faz aos cães. O escravo é propriedade e é defendido pelas regras intangíveis da propriedade. Se fugir está a roubar o seu dono, pelo que pode e deve ser devolvido ao seu legítimo proprietário. Este pode prendê-lo, se quiser, em cárcere privado ou numa nova empresa que forneça serviços de cadeia. Pode fazê-lo trabalhar 18 horas por dia, pode alojá-lo numa casota, pode mandá-lo desactivar uma bomba, dormir com, servir à mesa vestido de libré, ou fazer salamaleques às visitas. Se for literato pode servir de négre do livro de receitas de Madame ou do manual de empreendedorismo do patrão, escrever umas crónicas engraçadas de caça ou touros e cantar o fado se tiver talento. Pode servir de guarda-costas, mordomo ou trabalhador rural, depende das propriedades e virtualidades do senhor. Pode deixá-lo de herança ou oferecê-lo como prenda de casamento. Mas, acima de tudo, pode comprá-lo e vende-lo num mercado regulado, pagando IVA pela transacção. No fundo, no fundo, não há já muitos escravos destes? Não seria melhor para eles a segurança da NEC, a “civilização” de um estatuto baseado na liberdade de cada um se vender por necessidade e de cada um comprar o que pode? Só sociedades socialistas é que podem atentar contra estas liberdades.
     7. A minha sugestão à Juventude Popular é que não se acobarde, mas explore as muitas virtualidades do seu projecto. Seria interessante ver, num próximo Congresso do CDS, a bancada superior dos meninos a fazer de gentleman farmer (à portuguesa, claro), ou vestidos de lordes ingleses, e em baixo os seus escravos a distribuir comunicados de imprensa, com a caixa, a escova e graxa prontas para polir as botas de couro, e umas criaditas com a quarta classe, mas a quem as patroas deixam ler a Nova Gente da semana passada, a sussurrar inconfidências e prontas para lhes levar a muda de vestido. Isto sim é que era um Portugal a sério. Só é pena que os malvados do Tribunal Constitucional o impeçam.
      (*) O CDS veio posteriormente negar que os Secretários de Estado tivessem assinado a moção e que isso se devia à forma como os seus nomes apareciam no documento e que permitia essa confusão.
 Linha que separa .. .      As  linhas  que  nos  separam  deles     (-por João Mendes,26/1/2014)

Há uma linha que separa a mentira da verdade. Que separa a merda da dignidade. Que separa os direitos adquiridos do “sistema” dos direitos facilmente suprimidos da “plebe”. Que separa a propaganda do mundo real. A imagem que ilustra este post poderá ferir susceptibilidades. Ela representa mais um exemplo que retrata a forma como este governo gere as poucas moedas que afirma ter, cortando rendimentos aos “segmentos” sem “poder negocial” enquanto mantém privilégios totalmente incoerentes com a fanática narrativa da austeridade.



Publicado por Xa2 às 07:55 de 27.01.14 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

ANEDOTÁRIO POLÍTICO


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Publicado por [FV] às 12:19 de 16.12.13 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

P.P., O HOMEM DOS SUBMARINOS

Abram alas ao homem dos submarinos que vai entrar no próximo governo de Portugal. É, a imediata conclusão que se poderá retirar de uma sondagem realizada pela Marktest para o Expresso e com a antevisão (especulativa) do que sucederá nas legislativas antecipadas, se tais resultados fossem estes.

É certo que o trabalho de campo decorreu com o cenário de crise política instalada, sendo manifestos os efeitos de desgaste político e de imagem face a José Sócrates.

Os dados obtidos, em tal, putativo, escrutínio, indicaram que O PSD e CDS conseguem, em conjunto, maioria absoluta fundamentalmente, ao que tudo indica, por mérito do CDS e não do PSD e acima de tudo devido à imagem do seu líder, Paulo Portas.

Portas é, aliás, só ultrapassado por Cavaco Silva que há três meses foi reeleito para o seu segundo mandato, o segundo político mais popular. Os portugueses, parece, reconhecer-se, cada vez mais, no trabalho e nas propostas do CDS e parece, também, já ter esquecido todas as polémicas (ainda que o assunto se encontre em processo judicial) em torno da compra dos, famigerados, submarinos. A razão de tal simpatia, tudo indicia, decorrerá do facto o CDS (na pessoa do seu líder) aparecer aos olhos dos eleitores a tomar posições claras, concretas, sem medo, nem (aparentes) calculismos.

Paulo Portas estará, agora, a ser beneficiado por ter marcado presença enquanto o PSD andou e continua a dar mostras ziguezagueantes, nomeadamente na forma como negociou e permitiu que tivessem sido aprovados os vários Planos de Estabilidade e Crescimento, sem que, simultaneamente, tivesse sido mais claro nas suas posições políticas ou dado a conhecer propostas alternativas mais credíveis do que as apresentadas pelo governo.

Mais grave, ainda, foi o facto do PSD nunca se ter colocado, claramente, disponível para negociar, com o PS e no âmbito da Assembleia da Republica, a aprovação de mediadas de claras e rigorosas reestruturações, tanto do aparelho do Estado e autarquico, como do respectivo sector empresarial que, agora e de há muitos anos, também, se vê abraços com as consequências das incoerências dos vários governos (PSD, CDS e PS) cuja atitude foi, ao longo de décadas, a de “varrer para debaixo do tapete” responsabilidades publicas com o recurso ao artificio de uma politica desorçamentista feita à custa dessas empresas.



Publicado por Zé Pessoa às 00:03 de 04.04.11 | link do post | comentar |

Armários e prateleiras

Pode-se debater que Socialismo temos hoje em Portugal, o que é o Socialismo Democrático, que caminho seguirá no futuro, mas duma coisa não há dúvidas, o PS e o Governo por ele suportado é socialista, e dos rijos a avaliar pelas acusações de excesso de socialismo e pelos ataques por causa de medidas socialistas por parte de muitos e ilustres bloggers de direita (assumida ou nem por isso) da nossa praça.

Portanto sabemos uma coisa, o partido socialista e o governo são socialistas, porreiro, menos mau, pelo menos há um referencial assumido e há uma legenda consensual, podem haver níveis de intensidade ou qualidade diferentes ou então opções passíveis de interpretação.

Curiosamente, quer no governo quer na oposição, jamais o PSD foi acusado de excesso de "social-democracia", atacado por interpretações ou opções demasiado social-democratas, referenciado por qualquer tipo de variante, tendência ou denominação social-democrata. Porquê?

Porque o PSD não tem nada a ver com a Social-democracia, nem em sentido estrito nem em sentido lato, nem com muita memória nem sem memória alguma, nem com boa vontade nem sem vontade nenhuma, é um caso de clara publicidade enganosa perpetuada por quem se serve desta falácia política.

Tal como o mito Cavaco Silva foi sustentado por quem disso se aproveitou em (grande) benefício próprio também a suposta e alegada social-democracia do PSD é ainda hoje alimentada, melhor, tolerada, pelos dirigentes que sabem da importância desta fraude de comunicação para manter os resultados eleitorais que mantenham a esperança de poder, este sim o único elemento "ligante" no PSD.

Liberais, Populares e Conservadores, seria assim que se definiria facilmente a grande maioria dos dirigentes do PSD e de uma boa parte das bases também. Mas mudar o nome do partido seria o bilhete de ida sem regresso para muitos votos que repousariam no colo do CDS! E já houve um par de mentes que pensou num Partido Social Liberal, não houve?

Liberais, excelente malta com ideias muito interessantes que jamais dará o salto da blogosfera (cito a blogosfera porque existe no PSD quem se assuma como liberal apenas porque aumenta o "sex-apeal politico" ao contrário de muitos liberais a sério que podemos encontrar na Web 2.0!) para um partido próprio porque...dá muito trabalho e leva muito tempo a atingir o patamar em que se consegue influenciar as decisões, a exemplo do que aconteceu pela Europa fora. A redoma teórica é muito mais segura e higiénica.

E o CDS é demasiado pequenino...

Populares, amálgama muito mais abstracta e heterogénea, com referência europeias contraditórias, mas que não suporta pensar em exemplos recentes de suicídios políticos.

E o CDS é mesmo demasiado pequenino...

Conservadores, pessoal muito porreiro, com ideias questionáveis mas com princípios muito dignos, mas o medo de assumir o peso da palavra direita, algumas fobias e tabus do passado, remete-os a ficarem sentadinhos. E o CDS ainda é demasiado pequenino...

Existe ainda uma grande maioria silenciosa que agradece não ter que pensar em ideologia, nem debater os princípios do partido ou discutir os fundamentos da política seguida pelo partido. Para esses o PSD é como um partido profissional sem qualquer matriz ideológica, leva a real politik ao extremo, pode tudo e nada, algo e o seu oposto em qualquer momento ou circunstância, um partido decalcado do líder provisório comportando-se como uma empresa de lobbying que por vezes toma o poder...mais nada! E quando falha o líder tal como acontece desde 1995?Tonturas, enjoo e problemas de equilíbrio.

 Retire-se a base de poder local sustentada pela rede autárquica ao PSD, insufle-se o CDS como um partido de Poder onde liberais e conservadores assumam diferenças e tentem (teoricamente difícil mas para quem respira o ar laranja, qualquer coisa é mais saudável!) conviver como alas ou tendências e...desaparece o PSD como uma necessidade de base e depois como uma necessidade de cúpula.

Teríamos então uma espécie de direita mais "a sério" em Portugal, numa Europa do Sec. XXI, na Europa curiosamente dominada por governos de direita, numa Europa onde 5 governos têm até partidos de extrema-direita em coligações governamentais democraticamente eleitas.

 Precisamos desta direita assumida e "normal" para os padrões Ocidentais? Sim. Porquê?

Porque o "mercado politico" precisa dos melhores quadros nos melhores partidos para que sejam poder de acordo com o sufrágio popular e este modelo de "espécie de PSD" estrangula ideias, princípios e recursos humanos. Porque se a Esquerda se divide e se confronta mas assume as diferenças, a Direita mente e finge, não sai da prateleira nem do armário, usando máscaras e engodos para disfarçar o óbvio e natural, são mesmo de Direita! E depois, qual é o mal? Nenhum, desde que todos sigam as mesmas Regras do Jogo...

[Câmara de Comuns, Paulo Ferreira]


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Publicado por Xa2 às 00:04 de 22.10.09 | link do post | comentar |

Um governo com estabilidade para Portugal

A Dra. Manuela Ferreira Leite, líder (por enquanto e ao que parece a curto prazo) do PSD que, como se viu, não tem ideia nenhuma para o país, quer saber que ideias de governação o PS tem para apresentar, enquanto responsável governativo.

A (a ainda) líder do PSD, pretende que o PS não governa segundo o seu próprio programa apresentado a sufrágio e não percebeu que José Sócrates precisa de tempo para resolver o “diferendo” existencial entre a ala esquerda do seu próprio partido, que recusará alianças à direita com um PP populista e irresponsavelmente conservador ou um PSD vazio de ideias e a pressão de empresários sempre habituados em alternar entre a mama do Orçamento do Estado e os baixos salários com a concomitante precariedade no emprego quando não as duas em simultâneo. Empresários tais que vendo a debilidade do PSD não se coibiram de o substituir na oposição reivindicativa ao governo, mesmo antes de este ter sido formado.

Sócrates, respeitando os seus próprios compromissos e, acima de tudo, os evidentes sinais manifestados pelos portugueses através do seu voto não terá, não poderá ter, duvidas sobre qual a opção tomar para formar governo com personalidades (militantes e independentes) de credível competência, culturalmente de esquerda e, acima de tudo, que dêem garantias de actuação de rigor, trabalhem com honestidade, e observem práticas transparentes na gestão dos recursos públicos. Pessoas totalmente adversas a quaisquer indícios de corrupção.

Não é fácil, mas é absolutamente necessário, para que os portugueses possam acreditar nos seus governantes em particular e nos políticos em geral.

Os resultados eleitorais obrigam ao sentido de responsabilidade e à partilha da mesma, sobretudo à esquerda dos futuros parlamentares e respectivos grupos com assento na Assembleia da Republica. O modelo de “democracia assertiva” tem de ser mais inclusivo do que o de “cooperação conflitual” sob pena da esquerda dar argumentos à direita para que esta a venha a acusar de relação fratricida mais própria de contendores de guerras sucessórias.

Sem radicalismos, é necessário, será possível e (porque não) obrigatória uma convergência governativa à esquerda. Depende do PS é certo, do BE e do PCP dependerá muito mais, assim estes, sem perder a face não compliquem entendimentos.

Para bem do país e satisfação dos portugueses.



Publicado por Zé Pessoa às 00:08 de 06.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Haja bom senso

É espantoso o que ocorre nos dias que passam. Manuela Ferreira Leite, Paulo Portas, Aguiar Branco, Francisco Louçã, Jerónimo de Sousa e outros, acolitados por uma mão cheia de jornalistas e ‘opinion-makers’, têm vindo a desenvolver uma infame campanha para tentar consolidar uma, mais uma, conspiração segundo a qual está em curso um processo de "asfixia democrática".

Erguem-se estas almas para chorar o fim de um jornal televisivo, que, de forma sistemática, violou leis da República e, ao mesmo tempo, espezinhou os códigos ético e deontológico. Deixam assim o seu nome ligado e comprometido com os abusos praticados por Manuela Moura Guedes, em que o bom--nome das pessoas era aviltado e posto em causa com prepotência e sem hipótese de defesa das vítimas, com uma prática insuportável de sonegação de informação, de adulteração da verdade, de manipulação dos factos.

Se com Paulo Portas isto não surpreende por tudo o que fez de absurdo no ‘Independente’, já custa a acreditar que os outros afinem pelo mesmo diapasão. É inquestionável que a decisão da administração da TVI liderada por Cebrian, um nome de referência do jornalismo internacional, é um acto de gestão. A Administração da TVI, legitimamente, limitou-se a não contemporizar como reinício do regabofe das sextas-feiras. [Correio da Manhã, Emídio Rangel]



Publicado por JL às 00:07 de 08.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Inútil



Publicado por JL às 00:08 de 03.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

As contradições do Portas

No debate desta noite, Paulo Portas marcou logo de início a contradição absoluta dos seus argumentos.

Começou por defender a descida dos impostos, sem especificar, com a ideia de que menos impostos implica um desenvolvimento económico e, logo, mais receitas nos impostos baixos. É evidente que no limite extremo não deixa de ser verdade, isto é, com IRC, IRS e IVA próximos do zero ou, pelo menos, a menos de metade. Mas, as descidas possíveis de alguns pontos percentuais não implicam o aparecimento de um maior poder de compra dirigido a produtos nacionais, tanto mais que muitos impostos incidem nos lucros ou rendimentos das pessoas, os quais tendem a baixar em períodos de crise. Hoje verifica-se em todo o Mundo uma quebra no comércio internacional da ordem dos 25% relativamente ao ano anterior.

Depois, Portas orientou todo o debate para as tradicionais insuficiências, exigindo mais apoios às PME, mais apoios sociais, mais segurança policial, enfim, mais tudo, logo mais e mais despesa. Criticou a falta de subsídio de desemprego para os jovens que quase não trabalharam, etc. e quando há despesa social esta é criticada como é o caso do Rendimento Mínimo que, segundo Portas, é algo de mau. Claro, se não existisse, Sócrates seria criticado por não apoiar os mais pobres e, nestes, as famílias mais numerosas.

Tivemos a experiência do governo Durão Barroso que prometeu um choque fiscal em termos de descida de impostos e subiu logo o IVA e outros impostos, nada tendo descido. E não o fez por maldade ou falta de vontade, mas, sim devido à total impossibilidade de agir de outro modo, pelo menos, a curto ou médio prazo.

A estratégia do Portas e toda a oposição é atacar o governo actual pelo que fez e pelo que não fez sem apresentar um verdadeiro projecto alternativo, a não ser nesse aspecto vago de querer descer os impostos e as receitas da Segurança Social à direita e aumentar os impostos dos chamados ricos à esquerda. Em ambos os casos, é possível mexer numas coisinhas, mas sem que daí venha qualquer solução milagrosa para o País, principalmente em termos de crise.

Sócrates teve a ocasião de dizer que já tinha apoiado este ano mais de 40 mil PMEs quando o Governo Durão Barroso/Santana só apoiou umas 2 mil pequenas e médias empresas.

Enfim, Paulo Portas não apresentou qualquer solução para crise e quase se limitou a criticar o Governo, fingindo que não há nem houve um vastíssimo conjunto de programas que melhoraram a Administração e a relação do cidadão com o Estado e, além disso, houve a introdução do complemento social para idosos, dos apoios aos jovens alunos, do complemento ao subsídio de desemprego, de programas de formação nas empresas para evitar o despedimento ou lay of, etc.

Hoje, temos menos Estado em tudo o que se refere a documentação; desde o cartão do cidadão, passaporte, certidões, cadernetas prediais, registos prediais, etc.

O Portas voltou a defender a escolha livre da escola com a possibilidade de o estado pagar as escolas privadas. Era o que mais faltava nas zonas em que há escolas do Estado que são praticamente todas no País.



Publicado por DD às 23:35 de 02.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Candidatos do CDS a Salvaterra de Magos vêm todos do Minho

A lista do CDS-PP à Câmara de Salvaterra de Magos é composta por militantes do partido residentes em Famalicão e Ponte de Lima, uma situação que o secretário-geral do partido garantiu ficar a dever-se apenas a um "erro informático".

"Um lamentável erro informático", foi assim que João Almeida, secretário-geral do CDS-PP, explicou a composição da lista de candidatos do partido à Câmara de Salvaterra de Magos, no distrito de Santarém. A lista foi entregue no tribunal e validada por cumprir os requisitos legais. Contudo, todos os militantes do partido que concorrem àquela autarquia são naturais e residentes nos concelhos de Vila Nova de Famalicão e Ponte de Lima, respectivamente nos distritos de Braga e Viana do Castelo.

"Houve pedidos para que Famalicão disponibilizasse nomes de militantes para compor listas mas nunca para comporem, quase exclusivamente, uma candidatura", referiu Ricardo Mendes, responsável pela concelhia do CDS em Famalicão. O candidato do CDS à presidência da Câmara de Salvaterra de Magos é Manuel Fernandes Silva Moreira, militante em Famalicão. O mesmo acontece com os cinco nomes seguintes da lista. Entre os candidatos, estão três familiares directos do líder concelhio.

"O secretário-geral do partido telefonou-me a dizer-me que os militantes de Famalicão estavam na lista de Salvaterra mas nada disto estava previsto", salientou ainda Ricardo Mendes.

Os restantes candidatos são de Ponte de Lima. "A lista existe e já não podemos fazer nada a não ser falar com a concelhia de Salvaterra e de Famalicão a lamentar o sucedido", disse João Almeida. O secretário-geral do CSD-PP desvalorizou as críticas de alguns membros do partido. "Apenas apresentamos a candidatura para que os eleitores do CDS possam votar no partido", salientou. [Público]


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Publicado por JL às 17:51 de 29.08.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

PP - Partido Unipessoal

Paulo Portas encarna, no PP, algo menor que o partido do táxi.

Não se pode, seria uma desonestidade intelectual e uma grave diminuição da democracia, comparar o líder do PP a Hitler. Contudo, tal como o ditador da Alemanha da época nazi foi eliminando os adversários da estratégia interna dentro do partido até excluir os que lhe eram mais próximos mas que detinham, simultaneamente, potenciais de se lhe poderem opor, numa qualquer imprevista circunstancia.

À cautela e conforme certas ideologias recomendam, à que os arredar do caminho.

Assim, Paulo Portas troca de mascara com mais rapidez que qualquer ministro troca de camisa. Ele é líder da bancada parlamentar, é o homem das feiras e dos mercados, é o orador (único) de todos os comícios, representa os agricultores, lidera a luta contra o rendimento de inserção social, representa os militares na reforma. Enfim é o homem, o único, que tem o dom da ubiquidade.

Apesar de quando em vez ser acicatado pelas populações, como sucedeu ontem na feira de Odivelas, às portas da capital, o homem não desiste, para mais agora que se quer assumir como o “partido do desempata” entre a esquerda e a direita. Não será por acaso que só faz criticas ao PS e tem Sócrates como inimigo figadal poupando as indefinições e ziguezagues do PSD.

Apesar de tantos esforços, Paulo Portas tornou o CDS num partido unipessoal. PP e PP são uma e a única coisa, fora disso ninguém sabe nem conhece quem são os outros líderes do CDS pela simples razão de que não existem.

Como poderia um partido assim ser responsabilizado na governação e fazer parte integrante de um governo deste país, civilizadamente, democrático? Os deuses, se é que eles existem, andariam loucos a permitir tal desiderato.

Contudo, uma coisa é certa, a direita parece mais inteligentemente pragmática em relação a uma busca de unidade para a governação do que a esquerda que persiste em continuar a atirar pedras uns aos outros sem se cuidarem de ver que essas atitudes só beneficiam a direita e prejudicam os portugueses e o avanço do país nos caminhos da modernização.

Se a direita ganhar maioria no Parlamento não se podem culpar os deuses pelos erros e teimosias de responsáveis de esquerda, mais preocupados com o próprio umbigo que com os interesses do pais e dos português.



Publicado por Zé Pessoa às 12:20 de 25.08.09 | link do post | comentar |

A coligação das “Parcas”

As quatro “parcas” tristes da oposição declamaram, com a habitual pose dramática de um pessimismo triste, as suas deixas sombrias, a propósito do desemprego. Serviram-se, uma vez mais, dos desempregados como simples pedradas conjunturais atiradas raivosamente ao Governo do PS.

Todos esqueceram que, no plano mundial, estamos a atravessar a maior crise dos últimos oitenta anos. Todos esqueceram que os receios eram, há uns meses atrás, de um verdadeiro desmoronamento económico mundial que arrastaria o nosso país para dificuldades que apenas podemos imaginar. Contra esse risco, o Governo bateu-se. Pode evidentemente questionar-se o acerto de todas as medidas, mas é mistificatório ignorar o arreganho do Governo no combate à crise e não condiz com a realidade dizer que, nesse aspecto, a sua política foi um desastre. Mas pretender, simplesmente, comparar os números actuais com os do ano passado, ou com os dos últimos anos, desconsiderando por completo a existência de uma crise mundial do capitalismo, com especiais reflexos nos USA e na Europa, para tentar imputar ao governo português o exclusivo da responsabilidade pela crise em estamos mergulhados, é uma manifestação de cegueira política e de um sectarismo primário.

As lideranças do partido do Governo, mostraram natural satisfação pelo facto de os dados europeus terem indicado que o último trimestre foi melhor do que aquilo que era esperado pelos especialistas, tendo até, no caso de Portugal, da Alemanha, da França, da Grécia e da Eslováquia, havido uma ligeira subida do PIB por comparação com o trimestre anterior. Ou seja, entre os vinte e sete da União Europeia, Portugal era um dos cinco países que recebeu essas boas notícias. Sócrates e Teixeira dos Santos, sem deixarem de se congratular com as notícias, sublinharam que não se devia considerar a crise como terminada, dizendo o primeiro que, quando muito (quando muito - eu ouvi bem!) se podia considerar que isto era o princípio do fim da crise. Tanto bastou para que todas as “Parcas” da oposição se tivessem assanhado, dizendo que o Primeiro-ministro era um optimista irresponsável.

Aliás, quem tiver estado atento terá verificado que os representantes dos Partidos da oposição corrigiram, de um modo mais ou menos marcado, nas declarações posteriores, as primeiras declarações que, na verdade, foram uma grosseira mistura de má fé política e indigência intelectual.

Vários analistas e pelo menos o Ministro do Trabalho disseram anteontem que era natural que o desemprego continuasse a subir, mesmo depois da inflexão de tendência da economia em geral que se havia verificado. O Ministro do Trabalho sublinhou mesmo a constância dessa tendência geral de desfasamento entre as duas dinâmicas. Pois, apesar disso, logo que se soube que, como o próprio Governo admitira anteontem como provável, o desemprego subira, embora a um nível inferior ao esperado, as “Parcas” apressaram-se a proclamar que isto mostrava que o que o Governo afirmara na véspera estava assim a ser desmentido.

Aliás, é curioso verificar que perante uma notícia favorável e uma outra desfavorável quanto à evolução socioeconómica as “Parcas” reagiram da mesma maneira:

“Chove? O governo é o culpado!”

“ Faz algum sol? O Governo é culpado por não haver mais sol! Aliás, haver sol nem sequer é importante”.

Está pois tudo a voltar ao normal, a voltar inesperadamente ao normal, a voltar ao antes das eleições europeias, à “coligação canguru”, à coligação negativa contra o PS que parece ter recuperado convergência e afinação. Mas enquanto o PSD e o PP têm uma estratégia precisa (colocar no Governo a direita sob a liderança da Dama de Cinza) o BE e o PCP, não assumem a via que objectivamente estão a seguir: ao atacarem ferozmente o PS e o actual governo estão objectivamente a favorecer a eclosão de um governo de direita liderado pelo PSD. Na verdade, mesmo que possam não o querer, o resultado mais provável do modo como têm feito o combate político ao PS é o de contribuírem decisivamente para que isso aconteça. E, para que não haja dúvidas, têm vindo a sublinhar que cooperação política com o PS, nem pensar!

A subalternidade estratégica da oposição de esquerda, em face da oposição de direita, está aliás bem patente na verdadeira fusão política que ambas puseram em prática, ao atribuírem à política do governo do PS a principal responsabilidade pelo eclodir da actual crise. Na verdade, o que seria de esperar de uma oposição de esquerda, que realmente o fosse, na actual conjuntura, era a valorização da decadência global do capitalismo como factor central da crise e nunca a de quaisquer factores conjunturais, como é o caso das políticas sociais ou da política económica de um qualquer governo.

Tudo isto implica que, independentemente das intenções subjectivas e dos sentimentos das pessoas que integram as direcções políticas do BE e do PCP, estes partidos fizeram um tipo de oposição e têm feito uma campanha nas últimas semanas, cuja lógica é a de contribuírem para uma solução governativa que unifique todas as actuais oposições ao PS e ao governo actual. Naturalmente, que uma solução dessas será naturalmente liderada pela dirigente máxima do PSD.

Assim, a mensagem subliminar de todas as campanhas das oposições ao actual governo é simples: Votem contra o PS, de modo a fazer com que não seja do PS o próximo Governo!

Ora, como não se vê que, não sendo do PS o próximo governo, possa ser outro do que um governo liderado pela Dra. Manuela Ferreira Leite, as oposições de esquerda estão objectivamente a fazer campanha pela leader do PSD.

Portanto, os eleitores têm pela frente uma escolha simples: votam no PS ou votam na coligação das “Parcas”.

E quando digo que a escolha é simples não estou a dizer que o actual governo é perfeito, que não precisa de corrigir algumas das suas políticas ou sequer que a linha de orientação dominante actualmente no PS merece a minha concordância completa. Por exemplo, também o PS devia ser mais consequente com a sua demarcação em face do neoliberalismo, colocando expressamente no horizonte a superação do capitalismo como a condição essencial para uma efectiva saída da crise, sem riscos de rápido retorno.

Mas sei que, para quem for de esquerda, levar as discordâncias com o PS até ao ponto de contribuir para reinstalar a direita no poder, além de ser um erro estratégico, é verdadeiramente uma auto-flagelação. [O Grande Zoo, Rui Namorado]



Publicado por JL às 00:02 de 17.08.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Por que é que o CDS/PP nos toma por parvos?

O CDS/PP já colocou na rua cartazes para as legislativas. Pelo menos é o que se presume serem os cartazes que o CDS/PP colocou nas ruas, já que as próximas eleições são legislativas. E que dizem, que propõem, que prometem os cartazes do CDS/PP? A bem dizer, os cartazes do CDS/PP interrogam. Por exemplo: "Por que é que os criminosos têm mais direitos que os polícias?". Ou "É justo dar o rendimento mínimo a quem não quer trabalhar?".

Com estas singelas perguntas, o CDS/PP diz-nos, aos passantes que lêem os seus cartazes, uma extraordinária série de coisas. Desde logo, que em Portugal os criminosos têm mais direitos que os polícias e que quem recebe o rendimento mínimo não quer trabalhar. Depois, que apesar de afirmar, insinuando-as, as duas enormidades anteriores, não tem coragem de dizer claramente ao que vem, ou seja, não se atreve a propor que "os criminosos" deixem de ter direitos - como, desde logo, o direito a não serem considerados criminosos excepto quando tal é provado nas instâncias próprias, ou seja, os tribunais; o direito a defesa, garantido constitucionalmente e fundamental distinção entre o Estado de Direito e a barbárie; o direito à vida (ou seja, a não serem executados a sangue frio à esquadrão da morte), e outras minudências do mesmo tipo - e que se acabe com o rendimento social de inserção, lançando na total miséria (com o que isso naturalmente implicaria em termos de criminalidade, mas isso agora não interessa nada ao CDS/PP) todos os que são por ele abrangidos por manifesta incapacidade de prover a uma sobrevivência digna.

Não: o CDS/PP toca e foge: quer ter um discurso de extrema-direita tentando não perder completamente a aparência de respeitabilidade e de ligação aos valores democrata-cristãos que gosta de propalar. O CDS/PP quer os votos dos que acham que "os criminosos" deviam ser abatidos a tiro sem contemplações e dos que acham que os pobres são pobres por sua exclusiva culpa e não merecem ajuda, mas quer poder não colocar nada disso no seu programa para, se se der o caso, fazer coligações e governar sem lhe virem cobrar essas "medidas". O CDS/PP sabe, aliás que foi governo de 2002 a 2004, que o seu presidente foi ministro de Estado nesse período e que teve um ministro da Solidariedade, Bagão Félix, que se limitou a alterar o nome do Rendimento Mínimo criado pelo Governo de Guterres para Rendimento Social de Inserção. O CDS/PP sabe que é, mais coisa menos coisa, o diploma assim alterado que está em vigor ainda hoje - o tal cujas regras o CDS/PP questiona nos seus lamentáveis cartazes e ao qual, significativamente, voltou a trocar o nome. O CDS/PP quer, afinal, vender a alma ao diabo sem ninguém reparar. E o mais extraordinário é que parece acreditar que isso é possível. [Diário de Notícias, Fernanda Câncio]



Publicado por JL às 00:10 de 16.08.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Os malandros dos pobres

Paulo Portas considera o Rendimento Social de Inserção (RSI) um “financiamento à preguiça”. O JN apurou que uma das propostas que irão constar do programa eleitoral dos populares é o pagamento em géneros da prestação. Uma das prioridades do CDS será combater a fraude criada pela atribuição do RSI.

Tanta fraude que há para aí e é logo a fraude dos mais pobres dos mais pobres que o Paulinho das Feiras coloca como uma das suas prioridades. Parece que afinal são os abusos que possam existir no RSI prejudicam muito mais o país e não o deixam sair da crise que os dos aldrabões e corruptos que fogem aos impostos, fazem trafulhices nas contas e vivem da especulação à sombra dos paraísos fiscais. Vão é trabalhar, se não arranjarem emprego podem sempre ir à sopa dos pobres e se não podem trabalhar não fazem falta e podem desaparecer. Malandros que só prejudicam este país.

Já agora porque também não dizer que são os salários que não deixa a economia crescer mais e propor que os passemos a receber também em géneros?

Lembram-se da frase, se vires um homem com fome não lhe dês um peixe, ensina-o a pescar? O CDS pensa exactamente o contrário. [Wehavekaosinthegarden]



Publicado por JL às 17:29 de 13.08.09 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

O Pide Nuno Melo não vai interrogar Lopes da Mota

O grupo parlamentar do PS chumbou a pretensão do CDS de voltar a fazer da Comissão de Liberdades, Direitos e Garantias uma PIDE para condenar nas televisões e órgãos de informação o procurador Lopes da Mota, interrogando-o com métodos pidescos acerca de conversas particulares que terá tido com colegas ao mesmo nível hierárquico.

Lopes da Mota pode ter referido os nomes de pessoas que não têm qualquer poder nas carreiras e no andamento das investigações em curso na Procuradoria da Justiça, mas não creio que alguém tenha algo com isso.
O grande objectivo do pide Nuno Melo é a perseguição política ao PS e a todas as pessoas que tenha tido relações com o partido ou ocupado postos políticos em governos socialistas.
Lopes da Mota é um dos nomes a ser perseguido politicamente pelo pide Nuno Melo.
Ainda bem que, desta vez, o pide Nuno Melo não consegue levar a cabo a sua perniciosa senha política e imiscuir-se em assuntos próprios da Justiça.
A questão das falsas pressões de Lopes da Mota destina-se a perder tempo, isto é, a prolongar no tempo investigações que na praça pública se destinam a perseguir José Sócrates se, que se tenha algo de credível para o acusar e tornar arguido.
Por enquanto, José Sócrates não é sequer suspeito porque nem há qualquer facto probatório da existência de crime de corrupção, ou seja, não existem dados que provem qualquer movimentação de dinheiros para esse fim. Os ingleses da Serious Fraud Office nada detectaram nas contas da Freeport e enviaram cópias de transferências de dinheiro feitas para arquitectos e construtores do Freeport de Alcochete, pedindo às autoridades portugueses para verificarem se há aí qualquer coisa de ilícito.
Saliente-se que mais de 95% dessas transferências foram feitas na vigência dos Governos de Durão Barroso e Santana Lopes com Nobre Guedes como Ministro do Ambiente e é pouco provável que algo tenha sido pago a um simples deputado da oposição de então.

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Publicado por DD às 12:02 de 18.05.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

O Pide Nuno Melo e o Censor Palma

Grande parte da opinião pública viu nos inquéritos da Comissão da Assembleia da República com os interrogatórios cheios de má fé de Nuno Melo um conjunto de actos pidescos. Já o chamam o pide Nuno Melo.

Agora o pide Nuno Melo quer ouvir o procurador Lopes da Mota acerca de conversas particulares que terá tido com dois colegas.
A Constituição da República Portuguesa é muito clara quanto às liberdades e garantias de todos, mas todos, os cidadãos portugueses. Ninguém pode ser perseguido por emitir opiniões, escrever, falar, dar entrevistas e muito menos ainda ter conversas particulares com colegas ou seja quem for.
Nuno Melo da direita CDS é um nostálgico da PIDE. Sente-se bem no seu papel de inspector ou agente da PIDE a interrogar pessoas com a ideia preconcebida de acusar o governador do Banco de Portugal Vítor Constâncio. A sanha do ide Nuno de Melo contra o PS é mais aguerrida que a própria PIDE antes do 25 de Abril. Se déssemos votos suficientes ao pide Nuno Melo e ao seu partido não há dúvidas que a polícia de perseguição política voltava a Portugal. Nuno Melo utilizou as técnicas de interrogatórios típicas da PIDE e KGB de levar os culpados a acusarem outras pessoas altamente colocadas para as abater. Foram assim os processos de Moscovo de 1936 e foi sempre assim a PIDE tão cara ao Nuno Melo.
Pretender interrogar alguém sobre conversas particulares e referências que tenha feito seja a quem for não lembra o diabo, ou antes, só lembra ao pide Nuno Melo.
Ao mesmo tempo, o presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público lembrou-se que fazia parte das suas funções impor uma censura coloquial aos procuradores. Estes, de futuro, só podem dizer aquilo que o também auto-proclamado pide ou kgb Palma acha bem.
Palma não compreendeu que, enquanto sindicalista, não tem de se meter nas investigações em curso na Procuradoria da Justiça e, menos ainda, interferir em quaisquer conversas particulares entre procuradores colegas ao mesmo nível hierárquico. Há aqui um evidente desejo de regressar aos métodos da PIDE e pressionar todos os procuradores, dando a entender que não podem ser portadores de qualquer verdade.
Alguém disse-me que o Palma seria comunista. Não sei se é verdade, nem acredito muito. Mas que tem maneiras estalinistas tem. Só pela cabeça de um estalinista ou fascista pidesco é que passaria a ideia de ir fazer queixinhas ao presidente da República no sentido de chantagear os seus colegas procuradores quanto às conversas que têm entre si.
Palma, como muitos sindicalistas comunistas, é um inimigo da Constituição e das liberdades que elas garantem e não percebe que não pode intervir na vida e trabalho dos procuradores. Como sindicalista, o Palma foi eleito para defender os colegas e não para impor regras estalinistas ou pidescas.
Abaixo os neo-pides que se aproveitaram da democracia portuguesa para se guindarem a posições onde julgam que podem impor os seus totalitarismos. Julgam, mas não podem. Porque além de pidescos e estalinistas são estúpidos.

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Publicado por DD às 19:19 de 16.05.09 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

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