O milagre dos negócios

Uma coisa são os desejos, de cada um de nós, outra bem diferente é a realidade factual ou os sinais, mais ou menos providencias, de putativas realizações futuras.

O que é o meu desejo e para esse desiderato tenho, pelo menos tentado, contribuir é a eleição de um presidente capaz de trabalhar em estreita cooperação com um governo competente de maioria de esquerda.

Receio que os sinais, abençoados por um sindicalista Presidente, enviados do longínquo Mar del Plata adivinhem um outro desiderato, para mal dos nossos pecados económicos e manutenção da hipocrisia política de quem tem responsabilidades políticas de  governação  desde a AD de Sá Carneiro e se continua a afirmar de não ser político. Uma verdadeira atitude camalionica digna dos economistas que levaram as populações para a situação em que grande número de países se encontra.

 

Dignidade

1. O primeiro-ministro e a ministra André deram sinais de que iriam voltar atrás no compromisso de subir o salário mínimo. Vieram assim dar razão a algumas associações patronais que argumentavam não conseguir fazer face a esse aumento. Só se consegue entender a postura dos patrões em função duma qualquer negociação. Talvez relacionada com possíveis alterações na legislação laboral ou outras. Não tenho qualquer dúvida de que os representantes das empresas sabem que o custo associado a este aumento no salário mínimo é praticamente irrelevante para as suas companhias. Mau era se assim não fosse: uma empresa que não consegue suportar um aumento de 25 euros mensais com um trabalhador que apenas ganha 475 não se manterá por muito tempo no mercado, mesmo uma pequena ou média empresa. Mais, mostrem-me uma boa empresa com muita gente paga a 475 euros por mês e eu estou disposto a dançar todo nu no Rossio.

....

Como é que se pode pedir sacrifícios a quem traz para casa 475 euros? Como é que se pode exigir qualidade de trabalho a quem tem dificuldades imensas em conseguir sequer providenciar alimentação para si próprio? Como é que se pode apelar a um esforço comum numa sociedade em que um gestor duma empresa é pago acima dos padrões europeus e um trabalhador mal consegue sobreviver? E ainda há quem se mostre espantado ao saber que os trabalhadores portugueses mostram grandes níveis de produtividade no estrangeiro e aqui, segundo uns patetas, são preguiçosos.

Pedro Marques Lopes [Diário de Notícias]

 

P.S.

Acham que ainda precisa de comentários? Ou será que os chineses e indianos só atacam o mercado português?



Publicado por Zé Pessoa às 14:40 de 05.12.10 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

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