Jornalistas, os media/ mídia, informação, cidadania ... crise

----  Resolução do 4ºCong. Jorn. Port.:   Afirmar o jornalismo:      (15/1/2017)

Aprovada na sessão de encerramento do congresso por unanimidade e aclamação.
    1. O 4.º Congresso dos Jornalistas Portugueses concluiu que as condições em que se exerce hoje o jornalismo, pilar da democracia, comprometem o direito constitucional à informação, indispensável para o exercício pleno da cidadania.
    2. As condições de trabalho – dimensão reduzida das redações com os despedimentos, precariedade, baixos salários e falta de tempo – estão a ter efeitos na qualidade do jornalismo e condicionam a independência dos jornalistas.
    3. A profunda mudança no enquadramento do setor está a afetar a credibilidade do jornalismo. O contributo dos jornalistas é determinante para ultrapassar as ameaças e desafios que se colocam à viabilidade da informação de qualidade.
    4. A legislação laboral tem de ser cumprida em Portugal no setor do jornalismo, sendo urgente uma ação rápida e eficaz da Autoridade para as Condições de Trabalho para acabar com os falsos estágios, os falsos recibos verdes e os falsos contratos de prestação de serviço.
    5. A autorregulação tem de ser reforçada e a regulação tem de ser eficaz.
    6. Os jornalistas têm de ter maior peso e presença nas entidades reguladoras. É necessário iniciar um processo de revisão legislativa que torne essas entidades mais eficazes e mais participadas pelos jornalistas.
    7. Os princípios éticos e deontológicos têm de ser reforçados, têm de abranger todos os jornalistas e têm de ser aplicados com eficácia.
    8. Os conselhos de redação têm de ter um papel ativo, o que exige a proteção legal dos jornalistas que neles participam. Os pareceres dos conselhos de redação têm de ser vinculativos, nomeadamente para os cargos de direção e chefias.
    9. É crucial que os jornalistas reforcem as estruturas próprias da classe, desde logo o Sindicato dos Jornalistas e a sua presença nas redações com uma agenda própria, para a defesa dos direitos dos jornalistas e a afirmação do jornalismo.
    10. É fundamental avaliar, melhorar e fortalecer a relação do setor com as instituições de ensino superior e outras entidades formativas devidamente credenciadas.
    11. É urgente promover a literacia mediática, com iniciativas no domínio da educação pré-universitária e junto da população em geral.
    12. Os jornalistas, reunidos no 4.º Congresso dos Jornalistas Portugueses, assumem o compromisso de cumprir os deveres e as responsabilidades decorrentes dos princípios ético-deontológicos do jornalismo e das melhores práticas do exercício e regulação da profissão.
             Lisboa, 15 de Janeiro de 2017.   
http://www.jornalistas.congressodosjornalistas.com/resolucao-final-do-4-o-congresso-dos-jornalistas-portugueses/

---- Jornalismo da crise e crise do jornalismo   (-por N.  Serra, 14/1/2017, Ladrões de b.)

 Ainda a propósito do 4º Congresso dos Jornalistas, a que o João Ramos de Almeida fez referência no post anterior (em comentário) e que decorrerá até ao próximo domingo, vale a pena revisitar o estudo realizado pelo próprio e pelo José Castro Caldas, dedicado às «Narrativas da crise no jornalismo económico», e que foi publicado em 2016 nos Cadernos do Observatório sobre Crises e Alternativas.
      Entre os diversos e mais urgentes problemas a que os profissionais do setor e restantes congressistas deveriam dedicar a sua atenção constam dois temas tratados nesse estudo e que temos recorrentemente assinalado neste blogue: o défice de pluralismo no debate político-económico (mais vincado nas televisões e que praticamente não se alterou desde o início da crise financeira de 2008), e a questão da persistência das narrativas hegemónicas sobre a crise e as formas de a superar. Isto é, as tais ideias feitas que continuam a «arrastar-se nos corredores dos media e afins», como dizia recentemente Pedro Lains.
        Sobre estas questões, duas notas a reter no referido estudo do José Castro Caldas e do João Ramos de Almeida: a ideia de que as narrativas não deveriam ficar «imunes ao desenrolar dos acontecimentos, ou aos "factos"» (mesmo quando abalam «crenças prévias muito enraizadas (...) de indivíduos que desempenham, ou desempenharam, papéis cruciais na produção de narrativas e na gestão política da crise»), e a noção de que a procura de soluções «envolve necessariamente a afirmação de novas interpretações» e de «novos diagnósticos», sendo que «o primeiro passo para essa afirmação é o conhecimento, o escrutínio e a caracterização do discurso sobre a crise que predominou e ainda predomina no espaço público».

-----  O trigo e o resto  (-por F.S. da Costa, em 2ou3coisas, 13/1/2017)

    Os jornalistas portugueses estão reunidos em congresso. A profissão atravessa momentos difíceis, com redações depauperadas, muita gente com vínculo precário, salários em geral baixos, com o futuro de muitos órgãos de informação em grave risco. 

    Quero crer que este encontro, em que vejo envolvidos grandes profissionais do setor, é um importante momento de reflexão prospetiva sobre o que poderá vir a ser a comunicação social portuguesa nos próximos anos. Desejo, como utente, que possam chegar a boas conclusões, que as possam tornar operativas, com consequências concretas na melhoria das suas condições de trabalho, mas também com efeitos na qualidade do produto de que diariamente são obreiros. Porém, e sem querer ser pessimista, pergunto-me se ainda irão a tempo.
    O jornalismo passou, nos últimos quinze anos, por um desafio a que claramente não soube dar adequada resposta: as redes sociais. Qualquer bicho careta, com um blogue, uma página de facebook ou uma conta de twitter, lança para o ar “notícias”, sem um mínimo controlo de veracidade dos factos, com estes quase sempre embrulhados em opiniões de qualidade duvidosa.   A comunicação social, em lugar de se distanciar, de reforçar o seu papel de (jornalismo de investigação, moderação isenta,) referente da verdade, da precisão e do rigor, deixou-se embalar por essa moda (e pela submissão a interesses corporativos, financeiros e ideológico-partidários; tornando-se escreventes avençados de peças publicitárias ou propagandísticas). E a que é que assistimos?   Vimos e vemo-la a citar preguiçosamente a blogosfera e as graçolas do twitter, a deixar-se guiar pelas pistas lançadas na internet
    Espantamo-nos também ao observar jornalistas a quererem ser vistos como isentos e neutrais nos textos elaborados na sua profissão e, ao lado, a subscreverem opinião enviezada nas redes sociais, num triste modelo de “Dr. Jeckill and Mr. Hyde”.   A primeira vitória de um jornalismo que se pretenda de qualidade passa pela total autonomização face às redes sociais, resistindo ao imediatismo destas, praticando por sistema o “fact-checking”, confrontando fontes e ouvindo partes (a favor, contra e alternativas). O utente da comunicação social, se esta quer ter um futuro, tem de reganhar o velho estatuto do “é verdade, porque vem no jornal”. É também necessário criar, com urgência, um visível “firewall” (muro de proteção/separação)  entre o que são os factos, reportados numa notícia, com as várias posições descritas de forma neutral, e o que é a opinião.
     Nos últimos anos, assistimos a uma saudável quebra do monolitismo corporativo que parecia federar a classe jornalística. Vemos hoje profissionais respeitados dar mostras de incómodo perante práticas de colegas, em televisões ou em jornais. Este é o caminho, separar o trigo do resto e denunciar, em alta voz, quem está a prejudicar a imagem da profissão (a informação e a cidadania). Espero, sinceramente, que ainda possam ir a tempo.

------------ Coisas que desaparecem das nossas vidas   (-por J. de Freitas, 14/1/2017)

  Não deixa de ser interessante notar, e muito verdadeiro também, se estas mudanças vão ser boas ou más, depende em parte de como nós nos adaptarmos a elas. Mas, quer as desejemos ou não, aqui vão elas...
      1. O Correio
O e-mail, FedEx, Facebook e SMS, têm praticamente dizimado as cartas, que é como quem diz a receita mínima necessária para manter os Correios a funcionar. O pouco do que ainda recebemos pelo correio, todos os dias, não passa de ”lixo” e contas.
       2. O cheque
A União Europeia já está a preparar o terreno para acabar com o cheque até 2018. O processamento de cheques custa bilhões de euros por ano ao sistema bancário. Cartões de plástico e transacções on-line, ou pelo telefone, vão levar à eventual extinção do cheque. Isto tem ligação directa para a morte dos Correios. Se ninguém nunca pagar as suas contas pelo correio e nunca receber as pensões pelo correio, os Correios ficam em absoluto fora do negócio.
      3. O jornal
A geração mais jovem simplesmente não lê o jornal. Eles certamente não se deslocarão a um quiosque para procurar um jornal impresso. Foi o que já aconteceu com o leiteiro e o padeiro. E se soubessem como ainda acordo de noite com o “cheirinho” do bijou” que a padeira trazia de manhãzinha lá na rua de São Dâmaso …
      4. O livro
Eu nunca vou desistir do livro físico, que seguro na mão enquanto leio e vou virando as páginas. Eu disse a mesma coisa sobre o download de música do iTunes. Eu queria que o meu CD tivesse cópia impressa. Mas quando descobri que poderia obter os álbuns pela metade do preço, sem sair de casa, para conseguir os últimos êxitos. E consultar um livro na Biblioteca Mitterrand, em Paris, ou na American Library, em Iorque sem sair de casa…Estou a mudar de ideias…lentamente, e a …entrar na história.
       5. O telefone fixo
Já hoje não precisamos do telefone fixo. A maioria das pessoas ainda o mantém simplesmente porque sempre o tiveram. Até a própria Telecom aproveita a linha do telefone mais para serviços, como o da televisão, do que para o telefone. Inclusivamente todas as empresas de telemóveis oferecem serviço fixo gratuito porque ele já é inespressivo.Mas vou guardar o meu, que comprei em Picadilly…
      6. A Música
Esta é uma das partes mais tristes da história da mudança. A indústria discográfica está a definhar de morte lenta. E não é só por causa de downloads ilegais. É a falta de oportunidade para a nova música inovadora chegar às pessoas que gostariam de ouvi-la. A ganância e a corrupção é que é o problema. As gravadoras e os conglomerados de rádio estão simplesmente a autodestruir-se. Mais de 40% das músicas compradas hoje são "Anexos dos Catálogos"

       7. A Televisão
As receitas dos canais televisivos têm caído drasticamente. Não apenas por causa da crise. As pessoas estão a preferir assistir a televisão e filmes a partir dos seus computadores. E, ao mesmo tempo, elas jogam e fazendo muitas outras coisas, que ocupam o tempo que costumava ser gasto assistindo a ver televisão. Programas do horário nobre descambam abaixo do menor denominador comum. A publicidade roda a cada 4 minutos e 30 segundos. Eu digo boa viagem para a maior parte de tudo isso. Quando vejo televisão escolho o programa antes. Recuso o resto.
        8. As coisas que hoje usamos
Muitos dos bens que usamos e possuímos já não poderemos realmente possui-los no futuro. Eles podem simplesmente ficar na "nuvem ".
        9. A nossa privacidade
Se já houve um conceito, com que podemos olhar para trás com nostalgia, é o da privacidade. Isso já acabou. Ela foi-se já há muito tempo, de qualquer maneira. Vivemos a era do "big-brother". Há câmaras nas ruas, na maior parte dos edifícios, e até mesmo no nosso computador e telemóvel. E vocês podem ter certeza que funcionam 24 horas por dia, 7 dias na semana, "Eles" sabem quem és e onde estás, até as coordenadas GPS, e o Google Street View. Se comprarem alguma coisa (com cartão bancário, nºfiscal, ... Base Dados pessoais), isso é colocado num trilião de perfis (de consumidor, gostos), e passam a receber anúncios reflectindo essa escolha. O que é muito “chato” ! Neste momento é possível conferir todos os teus passos, desde que te levantas até que te deitas, documentando-os em filmes ou fotografias.
     Tudo o que temos perdido e que não pode ser ... desagrada-me ao mais alto ponto. Sempre amei a liberdade. E esta é cada vez mais condicionada.



Publicado por Xa2 às 07:39 de 16.01.17 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Pós-política, pós-verdade, ... os média e os cidadãos

----- Pós-política       (-por João Gaspar, 23/11/2016, 365forte)

 Pontos prévios:
    1. A  pós-verdade  enquanto fenómeno político merece análise e preocupação. É um cancro que mina a confiança nas instituições (sociais, políticas, mediáticas), agrava o fosso eleitor/eleito, afasta pessoas da discussão pública, da participação cívica e democrática e dos centros decisórios, em suma: abala as fundações do contrato social em que se baseia a relação Estado-Cidadão.

     2. As notícias falsas, as câmaras de ressonância, no fundo o facto de andarmos aqui todos a pregar aos convertidos em vez de jogar ao rebenta a bolha, agravam as clivagens sociais, destroem o jornalismo, impedem o debate e favorecem os que se aproveitam da pós-verdade para garantir o poder.

 Não obstante:
    1. Quase nada disto é novo. Muitas vezes a pós-verdade é só um nome pomposo para a mais crua das mentiras, com roupagens modernaças. A velocidade de propagação e o alcance das atoardas são o factor novidade aqui. Paradoxalmente, num mundo em que a informação devia mais rapidamente ser contrastada e desmentida, a ascensão do pós-facto ao discurso dominante e ao poder tem acontecido a uma velocidade vertiginosa.

    2. Mas a falsa informação não é rapidamente contrastada e desmentida? É, claro que é. Diria que quase ao instante. A novidade está no facto de já não importar para nada. E não importa por razões que estão muito a montante dos Brexits e dos Trumps deste mundo. Não importa porque o caldo em que levedaram os Trumpettes é feito de pós-política.
    3. O mundo pós-política. Começou de mansinho. O debate político deixou de ser feito com a razão. Gritar mais alto passou a ser um argumento válido. Ser austero, firme, que isto não está para brincadeiras. As ideologias foram diabolizadas (cruzes, canhoto!). O mundo sonhado passou a ser o da realidade-zinha, a vida dura e simples, livre de ideologia. Governar o mundo deixou de ser feito de opções. É o que tem de ser, «TINA-there is no alternative», dizem-nos! e vendem bonés com a palavra/slogan «Obey», obedeçam!). Aceitemos, então. Aceitámos. Aceitámos tanto que interiorizámos os "isso não interessa nada", os "são todos iguais" os "nem vale a pena votar". As pessoas passaram a valer mais do que as ideias. Vieram os afectos. O carácter. A simpatia. Ideologias é que nunca, que isto da organização das sociedades não está para essas coisas de intelectuais que não sabem o que a vida custa. É preciso é dizer as coisas como elas são. Ou, melhor, como achamos que são. Equivalemos factos a opiniões. Deixou de ser preciso argumentar. E se for preciso amanhã dizemos o contrário. Nasceu a pós-vergonha. O debate político é secundário: um diz A, o outro diz B, já sabemos como é que isto acaba. Argumentos para A e B tornaram-se inúteis. Afastaram-se pessoas, minou-se o debate. E a sensatez impede gente valiosa de correr num campo minado. Perdemos todos. E ganharam os fascistas (que estão sempre à espreita, «com pés de veludo»). Recusou-se a dialética. E sem dialética não há democracia. Mas se calhar isso também não interessa nada, que são todos iguais e nem vale a pena votar.

------ A  ignorância  na  era  da  comunicação

    «A ascensão da nova ignorância», a crónica de José Pacheco Pereira saída hoje no Público  ... merece a pena ler. É sobre a ignorância que nos cerca, oprime e condiciona. Sobre uma nova forma de saber e de dar a saber que privilegia o simples (quando não o simplicíssimo ou o simplório), o efémero, o imediato, o saber condensado e assumidamente soft. É sobre ela que se instala a mentira e a manipulação: para o ignorante, tudo é novo e possível. E, como não possui referências para deter e aplicar um aparato crítico, tudo é verdadeiro, aceitável. Se não é verdade, bem poderá sê-lo, diz o novo ignorante, que nem mesmo sabe que o é. De facto, é este o princípio motor da «era da pós-verdade».

     JPP tem, porém, uma dificuldade sempre que refere o assunto. Como ocorre com outras pessoas que sobre ele opinam, remete a culpa pela situação para a dose ultra-rápida e excessiva de informação, e, para uma, excessiva também, e tendencialmente apocalíptica, democratização dos modos de comunicar. Isto é, para a interferência e a influência nefasta da Internet, e em particular das redes sociais. Ela existe, sem dúvida, e os seus perigos são inúmeros, mas integra, este é um dado adquirido pela teoria, um novo paradigma comunicacional. A solução não está em aboli-lo – e como fazê-lo? desligando as tomadas? «à chinesa», instalando um Big Brother supraceleste? – para supostamente regressar a um modelo, nostalgicamente concebido como ideal, que jamais voltará. Está, sim, em corresponder ao desafio de, dentro do paradigma, agir de uma forma substantiva, mostrando a diferença entre o saber e a ignorância. Os diferentes públicos seguirão depois os respetivos caminhos. Não faz sentido ser contra as novas tecnologias, a Internet ou o Facebook, mas faz todo o sentido agir para torná-los melhores e mais fidedignos.

      Leia-se então JPP num fragmento da referida crónica: «Ainda há-de alguém convencer-me que este comportamento lá por usar tecnologias modernas representa uma vantagem e não uma patologia. Faz parte de sociedades em que deixou de haver silêncio, tempo para pensar, curiosidade de olhar para fora, gosto por actividades lentas como ler, ou ver com olhos de ver. E se olharmos para os produtos de tanta página de Facebook, de tanta mensagem, de tanto comentário não editado, de tanta “opinião” sobre tudo e todos, escritas num português macarrónico e cheio de erros, encontramos fenómenos de acantonamento, de tribalização, de radicalização, de cobardia anónima, de ajustes de contas, de bullying num mundo que tem de ser sempre excitado, assertivo e taxativo. Um dos maiores riscos para o mundo é ter um presidente dos EUA que governa pelo Twitter como um adolescente, com mensagens curtas, sem argumentação, que, para terem efeito, têm de ser excessivas e taxativas

      Resolveremos nós o problema retirando  o brinquedo aos «adolescentes», e controlando ou reduzindo a liberdade de comunicação? E «nós», quem? Os iluminados? Os que detêm meios coercivos ou tecnologia para o fazer? Não me parece que isso seja desejável, ou sequer possível. Pelo menos em sociedades plurais e democráticas. O caminho será, pois, necessariamente outro. Passará sempre pela responsabilização de quem se bate pelo conhecimento, pelo pluralismo e por uma sociedade melhor. Também porque mais e melhor informada.

       [a crónica de JPP, que anuncia continuação, pode ser lida aqui

-----  Presidente Donald      (-por CRG, 10/11/2016, 365forte)

Por altura das primárias republicanas (nos EUA) escrevi este post:     "Na comparação entre "1984" e o "Admirável Mundo Novo", Neil Postman refere que enquanto Orwell temia a censura, A.Huxley temia que nos fosse dada tanta informação que seriamos reduzidos à passividade e egoísmo, que a verdade fosse afogada num mar de irrelevância.

    Passados 75 anos da publicação da obra de Huxley, David Foster Wallace, com a sua habitual genialidade, cunhou o termo "Ruído Total" (Total Noise) para descrever o tsunami de informação, spin, retórica e contexto que nos invade diariamente - que não só dispersa a nossa atenção, mas também torna impossível distinguir o que é relevante e de valor.   No meio desta avalanche as únicas noticias/opiniões capazes de se elevar do mar de irrelevância são as mais chocantes e esdrúxulas."

chart-2.jpeg            Trump parece ser o culminar deste fenómeno descrito por DFW. Com efeito, ele é o candidato que através da sua capacidade de chocar, de criar polémica e de entreter, domina a atenção dos media sedentos de audiências.

    Esta atenção desproporcional face aos restantes candidatos reforça o poder da candidatura de Trump, que por sua vez lhe confere mais cobertura noticiosa - um ciclo vicioso. Este poder da imagem assente em discursos simples reduzidos à formula "eu sou o melhor" nas suas mais diversas variantes apela a eleitores cansados de tanto ruído, de tantos anos de falsas promessas (...).

     Acrescido a estas simples mensagens veio um apelo emocional à nostalgia (ou o que passa por nostalgia num tempo de distúrbio do déficit de atenção generalizado, como diria Pynchon). Não foi uma campanha virada para o futuro, mas para o passado - make america great again. Ora, como escreveu DeLillo: "Nostalgia is a product of dissatisfaction and rage. It´s a settling of grievances between the present and the past. The more powerful the nostalgia, the closer you come to violence." 

     A campanha da Clinton não conseguiu dar resposta a esta dessatisfação e raiva, a uma parte do eleitorado perdido entre o passado e o presente. Julgavam, com alguma razão, que o comportamento desastrado de Trump e a manutenção da política do Presidente com uma taxa de aprovação superior a 50% seria suficiente. Falharam por 2%. 

 NB: Still, it is clear that the places that voted for Trump are under greater economic stress, and the places that swung most toward Trump are those where jobs are most under threat. Importantly, Trump’s appeal was strongest in places where people are most concerned about what the future will mean for their jobs, even if those aren’t the places where economic conditions are worst today.



Publicado por Xa2 às 19:26 de 27.11.16 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Vender-se e vender comunicação económico-política e poderosos interesses

    AS  TROMBETAS  DO  PODER     (-por J.Pacheco Pereira, Abrupto, 16/2/2015)

  (1)     O "jornalismo" "económico" em Portugal caracteriza-se por  não ser  jornalismo. (nem sério nem económico.) Há alguns jornalistas económicos que não merecem aspas?   Há sem dúvidas, mas são a excepção da excepção. E eles são os primeiros a saber que o são e como são verdadeiras as afirmações que aqui faço. Até porque fazer jornalismo na imprensa económica é das coisas mais difíceis nos dias de hoje. Fica-se sem "fontes", sem a simpatia dos donos e dos anunciantes e pode-se ficar sem emprego. (que é precário ou estagiário explorado, e daí também a auto-censura, ameaças, assédio, ...)
     A maioria que escreve na imprensa "económica" fá-lo entre páginas e páginas feitas por agências de comunicação, artigos enviados por auditoras e escritórios de advogados, fugas "positivas" de membros do Governo. Quase tudo é pago nessa imprensa, mas esse pagamento não é o salário normal do jornalismo, mas o seu "modelo de negócio", "vender comunicação" como se fosse jornalismo. É pago por empresas, associações de interesse, agências de comunicação e marketing, por sua vez empregues por quem tem muito dinheiro para as pagar.
     O público é (mal) servido por "informação" que não é informação, mas publicidade (propaganda) e comunicação profissionalizada de agências, dos prémios de "excelência" disto e daquilo, destinados a adornar a publicidade empresarial, páginas encomendadas por diferentes associações, grupos de interesse e lóbis, nem sempre claramente identificados, anuários sem que só se pode estar se se pagar, organização de eventos que parecem colóquios ou debates, mas não são.
     Um cidadão que não conheça estes meandros pensa que o prémio é competitivo e dado por um júri isento, que as páginas especializadas são feitas pelos jornalistas e que quem é objecto de notícia é-o pelo seu mérito e não porque uma agência de comunicação "colocou" lá a notícia, que um anuário é suposto ter todos os profissionais ou as empresas de um sector e não apenas as que pagam para lá estar, e que um debate é para ser a sério, ter contraditório e exprimir opiniões não para a propaganda governamental ou empresarial. O acesso ao pódio nesses debates é cuidadosamente escolhido para não haver surpresas, e os participantes pagam caro para serem vistos onde se tem de ser visto, num exercício de frotteurisme da família das filias.
        (2)     Um dos usos que o poder faz deste tipo de imprensa é a "fuga" punitiva. Dito de outro modo, se o Governo tiver um problema com os médicos, ou com os professores, ou com os magistrados, ou com os militares, aparece sempre um relatório, ou uma "informação" de que os médicos não trabalham e ganham muito, que os professores são a mais e não sabem nada, que os magistrados são comodistas, e atrasam os processos por negligência, e que os militares são um sorvedouro de dinheiro e gostam de gadgets caros.  E há sempre um barbeiro gratuito para o pessoal da Carris, ou uma mulher de trabalhador do Metro que viaja de graça, em vésperas de uma greve.
        (3)     A luta contra a corrupção, seja governamental, seja empresarial, a denúncia de "más práticas", os excessos salariais de administradores e gestores, a transumância entre entidades reguladoras e advocacia ligada à regulação, entre profissionais de auditoras e bancos que auditavam e vice-versa, o embuste de tantos lugares regiamente pagos para "controlar", "supervisionar", verificar a "governance" ou a "compliance", para "comissões de remunerações", a miríade de lugares ("tachos") para gente de estrita confiança do poder (ou a troca de favores e o nepotismo), que depois se verifica que não controlam coisa nenhuma,      nada disto tem um papel central na imprensa económica.  A maioria dos grandes escândalos envolvendo o poder económico foram denunciados pela imprensa generalista e não pela imprensa económica, que é suposto conhecer os meandros dos negócios. A sua dependência dos grandes anunciadores em publicidade, as (grande) empresas do PSI-20 por exemplo, faz com que não haja por regra verdadeiro escrutínio do que se passa.
         (4)     Esta imprensa auto-intitula-se "económica", mas verifica-se que reduz a "economia" às empresas e muitas vezes as empresas aos empresários e gestores mais conhecidos.  Os trabalhadores, ou "colaboradores", é como se não existissem. Um exemplo típico é Zeinal Bava, cuja imagem foi cultivada com todo o cuidado pela imprensa económica. Agora que Bava caiu do seu pedestal, como devemos interpretar as loas, os prémios, doutoramentos honoris causa, "gestor do ano", etc., etc.? A questão coloca-se porque muita da análise aos seus comportamentos como quadro máximo da PT é feita para um passado próximo, em que teriam sido cometidos os erros mais graves. Onde estava a imprensa económica? A louvar Zeinal Bava, como Ricardo Salgado, como Granadeiro, como Jardim Gonçalves, como… Até ao dia em que caíram e aí vai pedrada.  
         (5)     Dito tudo isto... ...a imprensa económica é uma das poucas boas novidades na imprensa em crise nas últimas décadas. Eu, em matéria de comunicação social, sou sempre a favor de que mais vale que haja do que não haja, por muitas objecções que tenha ao que "há".  Eu não gosto em geral do modo como se colou ao discurso do poder, servindo-lhe de trombeta, e isso pode vir a ser um problema, até porque esse discurso está em perda e os tempos de luxo (e 'antena') para o "economês" já estão no passado.
     O facto de ter havido um ascenso da imprensa económica ao mesmo tempo que estalava a sucessão de crises, da crise bancária à crise das dívidas soberanas, impregnou-a do discurso da moda, encheu-a de repetidores e propagandistas, colou-a ainda mais aos interesses económicos. Abandonou a perspectiva política, social, cultural, sem a qual a economia é apenas a legitimação pseudocientífica da política do poder e dos poderosos.  Vai conhecer agora um período de penúria, em particular de influência, e pode ser que isso leve a um esforço introspectivo sobre aquilo que se chamou nos últimos anos, "danos colaterais", agora que caminha também para essa "colateralidade". ---  (url)


Publicado por Xa2 às 08:51 de 20.02.15 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Jornalismo, propaganda ou desinformação opinativa "politóloga" ?

O primeiro round Costa/Seguro     (- por Sérgio Lavos, 365forte, 9/9/2014)

(«Tu escreves/ opinas o que te é dito/ mandado !!». «Sim chefe». «Obrigado, 'notícias corporativas' !». «Não podiamos controlar o povo sem ti».)

    O primeiro debate entre Seguro e Costa para as primárias do PS valeu sobretudo pelo pós-jogo. Meia-hora de amena discussão entre camaradas (fui apenas eu que me irritei com os "tus" que Seguro tantas vezes atirou a Costa?) seguida de uma série de painéis de comentadores em todos os canais noticiosos. Isso sim, foi o verdadeiro espectáculo. Um espectáculo de spin, vacuidade e desonestidade intelectual. Fazendo zapping entre os diversos canais, rapidamente se chegou a uma conclusão: teria sido mais honesto convidarem Passos Coelho ou Paulo Portas para comentarem o debate entre candidatos do PS do que termos ali os megafones governamentais do costume, de Henrique Monteiro a Martim Avillez Figueiredo, passando por um ou outro desconhecido com vontade de se pôr em bicos de pés.

     Isto é grave? Gravíssimo. Porque se é verdade que António Costa desiludiu, mostrando menos do que deve e pode, e Seguro confirmou as suas credenciais, reduzindo a sua prestação ao ataque pessoal e à lamúria constante por estar a ver fugir o poder quando estava mesmo ao seu alcance, o jornalismo prestou um serviço ainda pior ao país, limitando-se a ser eco de um sensacionalismo que perpetua os piores vícios da política portuguesa.   Exemplos? Quase todos os comentadores criticaram Costa por não falar das suas propostas. Este explicou a Judite de Sousa mais do que uma vez porquê: não é este o tempo, porque o programa de Governo será preparado com o resto do partido e apenas se, claro, ganhar as primárias.    Seguro, de acordo com estes comentadores, terá ganho porque prometeu coisas (nomeadamente, prometeu demitir-se caso não consiga deixar de aumentar impostos - isto não é uma piada).   Relembremos o que temos agora, neste momento:   um primeiro-ministro que ganhou eleições prometendo coisas que não só não concretizou como sabia não poder concretizar quando as prometeu. Somos governados por um primeiro-ministro (e um vice-primeiro-ministro, já agora) que mentiu e mente reiteradamente daí retirando vantagens políticas, um primeiro-ministro que traiu grande parte do seu eleitorado. Acaso vemos algum destes comentadores criticando o que tem sido este percurso de trapaça seguido por Passos Coelho? Não, nunca. Mas criticam António Costa por não querer prometer algo já, enquanto ainda nem sequer é candidato a primeiro-ministro.

      A verdade é que o jornalismo em geral e os comentadores em particular não gostam da contenção, do realismo e da sobriedade em política; preferem o sensacionalismo, o populismo e os soundbites para enganar eleitorado.  De cada vez que um destes comentadores repete que Costa não tem propostas concretas (quando, goste-se ou não, existe um programa de candidatura repleto delas, quando Costa anda há anos a repetir as suas ideias num programa televisivo, quando existe obra feita na maior câmara do país), morre um unicórnio e fenece a réstia de seriedade que ainda possam ter. Mil vezes um Marques Mendes, que já sabemos ao que vem, do que um esconso Henrique Monteiro vomitando o seu habitual spin. Temos os políticos que merecemos, aqueles que este mundo de jornalismo e comentadorismo sensacionalista eleva aos píncaros. Depois, não se queixem.

«Na frente interna, a Propaganda tem de criar um nível óptimo de ansiedade -Paul Joseph Goebbels, ministro de Hitler. 
 
A fraude das estatísticas do desemprego    (-por Sérgio Lavos, 365forte,15/9/2014)


    A ler, absolutamente, este post de Nuno Serra (o primeiro de uma série), que desmascara os números do desemprego em Portugal. Já que os media não fazem o seu trabalho, analisando e investigando os números apresentados pelo Governo (assim colaborando activamente numa gigantesca fraude estatística montada para servir a narrativa do "milagre económico"), que o façam os economistas independentes e as redes sociais. É a única maneira de furar a barragem de propaganda que nos atinge diariamente.      (A ler também os artigos de Mariana Mortágua e Eugénio Rosa, linkados por N.Serra.)



Publicado por Xa2 às 07:58 de 15.09.14 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

Debate: uma volta pelo VOTO
Car@s Associad@s e Amig@s,

É já amanhã sábado, dia 17, pelas 15,00 horas, no Auditório Camões na Rua Almirante Barroso em Lisboa, que vamos realizar a sessão de encerramento do Ciclo de Debates UMA VOLTA PELO VOTO,no qual serão oradores a DRA. ROSÁRIO GAMA, Presidente da APRe!, o PROF. JORGE REIS NOVAIS, Constitucionalista, o PROF. JOSÉ MARIA CASTRO CALDAS, Economista e o DR. JOSÉ PACHECO PEREIRA, Historiador.
...
Convictos de que iremos ter uma sessão do máximo interesse no âmbito da indispensável reflexão que se impõe no momento presente, vimos convidá-lo a participar neste importante debate.

Vamos encher o Auditório do Liceu Camões!     Contamos consigo! Traga um amigo.

Saudações APRe!istas,  Pel'O Núcleo Carnide / Lumiar / Santa Clara

 aprecarnidelumiarsantaclara@gmail.com   ;  http://apre-associacaocivica.blogspot.pt/ 

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Publicado por Xa2 às 18:12 de 16.05.14 | link do post | comentar |

Pobreza não paga dívida : Renegociar já !

Renegociar a dívida: quando e como ?

Debate com  José Castro Caldas (IAC)  e  Ricardo Cabral (Un. da Madeira)

29 de janeiro de 2014, 17.30 horas, Centro de Informação Urbana de Lisboa (CIUL), Picoas Plaza- Rua Viriato, 13, Núcleo 6-E, 1º, Lisboa

No momento em que é entregue na Assembleia da República a petição “Pobreza não paga a dívida: renegociação já”, subscrita por mais de seis mil cidadãos e cidadãs, a Iniciativa para a Auditoria Cidadã (IAC) apresenta e leva à discussão as razões que justificam a abertura urgente de um processo de renegociação da dívida.

Apelamos à divulgação deste debate.

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   EUROPA - miragem ou horizonte ?   (-por R.Namorado, 16/1/2014, OGrandeZoo)

1.  O “CLUBE MANIFESTO PARA UMA RENOVAÇÃO  SOCIALISTA” vai promover em Coimbra  um Colóquio sobre a Europa,  no próximo dia 1 de  fevereiro de 2014 (sábado), na Casa Municipal da Cultura de Coimbra.
O Colóquio será subordinado ao  tema:
“ Europa – miragem ou  horizonte ? ”.     [A  entrada é livre]    O  Colóquio vai desdobrar-se em três sessões:
- 1ª Sessão - 10:30 - - Os  trabalhadores e a Europa.
Oradores:
Carlos  Silva – Secretário-Geral da UGT
A. Casimiro Ferreira – Professor da  FEUC, Investigador do CES/UC e Clube Manifesto
Moderador: Nuno Filipe - Pres. do Gabinete de Estudos da Fed. de Coimbra do PS,  ex- Deputado e Clube Manifesto
2ª Sessão – 14:30 - - A  economia social e a construção europeia.
Oradores:
Maria  de Belém Roseira – Presidente do Partido Socialista e  Deputada.
Rui  Namorado- Membro do Conselho Nacional para a Economia Social, ex-Deputado e  Clube Manifesto
Moderador :  Manuel Ferreira- ex- Presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Presidente da  Cooperativa NAVE e Clube Manifesto
3ª Sessão – 16:30 - -A  Europa em tempo de crise
Oradores:
José  Medeiros Ferreira – Membro do Conselho Geral da Universidade de Lisboa,  Professor Universitário, ex-Ministro, ex-Deputado Europeu e  ex-Deputado.
Luís  Marinho – Presidente da Assembleia Municipal de Coimbra, ex-Deputado Europeu,  ex-deputado e Clube Manifesto.
Moderador:  Jorge Strecht Ribeiro – Advogado, ex-Deputado e Clube  Manifesto.
    2.  Seria redundante destacar a importância do debate sobre a Europa numa conjuntura  como a que temos vindo a atravessar. A proximidade das eleições europeias torna  ainda mais relevante o tema em questão.
Queremos  um debate vivo que contribua para agitar realmente as águas mortas em que a  questão europeia tem vivido entre nós.


Publicado por Xa2 às 07:52 de 23.01.14 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Alternativas e Convergências de Esquerda
                                        
     A desregulação financeira internacional originou uma crise com consequências económicas muito graves, em particular para os países periféricos da zona euro.

     Depois de uma campanha de terror económico, o problema transferiu-se para a esfera da política e social, iniciando-se uma campanha de destruição dos avanços sociais conseguidos nas últimas dezenas de anos. Urge tomar medidas que impeçam a destruição do que resta do Portugal de Abril.
     Perante a conivência ideológica e política do actual governo com as manobras do capital financeiro internacional, que propostas alternativas apresentam as forças de esquerda portuguesas?  Que convergências será possível estabelecer para aumentar a eficácia da luta contra a ofensiva em curso? 
                                       " A Esquerda, a Crise e a Alternativa"
27 de Janeiro 21.30 H. - Local, Hotel IBIS (junto ao Hospital de S.João) - Porto
Presenças confirmadas:
   - Manuel Pizarro (Partido Socialista)
   - João T. Lopes (Bloco de Esquerda)
   - Correia Fernandes(Movimento de Intervenção e Cidadania)
   - Jorge Bateira (Convergência e Alternativa)
   - Paulo Fidalgo (Renovação Comunista
      Nota: O PCP foi convidado e recusou o convite por "não ser tradição participar em debates promovidos por outras organizações políticas". 
          O núcleo do Porto da RC, 25.01.2012



Publicado por Xa2 às 13:37 de 26.01.12 | link do post | comentar |

RTP | José Sócrates x Passos Coelho

 

O presidente do PSD criticou a execução do Orçamento para 2011 dizendo que a redução da despesa está a ser feita pela metade, o que levou o primeiro-ministro e secretário-geral do PS a acusá-lo de maledicência.

"A execução orçamental que foi hoje divulgada e que, pelos vistos, gera a satisfação ao senhor engenheiro Sócrates, gera a maior preocupação para quem pode vir a ser Governo a partir de Junho", porque a despesa primária "está a descer pela metade", disse o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, num debate com o secretário-geral do PS, na RTP.

Segundo Passos Coelho, "os objectivos fixados para este ano de 5,9 por cento para o défice já não são atingíveis se o resultado da execução orçamental que foi hoje divulgada for projectado para o resto do ano", o que significa que "o engenheiro Sócrates não conseguiu deixar arrefecer o que assinou com a União Europeia e já não está a cumprir".

José Sócrates confrontou Passos Coelho com posições que defendeu sobre a economia portuguesa em 2009 e sobre a saúde, enquanto o líder do PSD exigiu que o secretário-geral do PS discutisse as suas responsabilidades enquanto primeiro-ministro.

A primeira metade do debate entre os líderes do PS e do PSD, na RTP, foi caracterizado por uma autêntico braço de ferro em torno de quem comandava os temas a colocar à discussão.

Sócrates começou por apresentar um relatório assinado por Passos Coelho enquanto administrador da Fomentinvest (de 2010, em relação à situação económica de 2009) em que este último assumiu a dimensão internacional da crise financeira portuguesa e, mais à frente, citou diversas posições do presidente do PSD sobre saúde, acusando-o de pretender "destruir" o Serviço Nacional de Saúde.

[visão]



Publicado por [FV] às 08:51 de 21.05.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

TV | José Sócrates x Paulo Portas

José Sócrates diz que ganhou o debate televisivo de ontem frente ao líder do CDS-PP.
Paulo Portas recusa implicitamente integrar Governo PS.

 

 


O secretário-geral do PS, José Sócrates, considerou ter ganho o debate televisivo com o líder do CDS, enquanto Portas voltou a acusar o primeiro-ministro.
"Ganhei este debate e vou ganhar as eleições", disse José Sócrates, em declarações aos jornalistas no final do debate transmitido pela TVI.

O líder do CDS, Paulo Portas, recusou implicitamente integrar um Governo de coligação com o PS ao afirmar que "é coerente" e que não deve entregar-se a gestão do empréstimo financeiro a José Sócrates.

"Sou coerente quando disse uma palavra [a José Sócrates, no Parlamento], saia. Eu não entendo que se devam colocar 78 mil milhões que são a última oportunidade que nós temos para pôr o Estado e as contas em dia e para permitir o crescimento económico (...) que se deva colocar a gerir esse dinheiro quem apenas soube gastar mais, desperdiçar mais, endividar mais, ou seja, José Sócrates", afirmou Paulo Portas, após questionado se fará Governo com o PS caso PSD e CDS não reúnam maioria nas eleições de 5 de Junho.

Questionado sobre que entendimentos admite, no debate na TVI, o secretário-geral socialista, José Sócrates respondeu que a atitude do PS "é de abertura e diálogo".

Sapo



Publicado por [FV] às 10:14 de 10.05.11 | link do post | comentar |

Ó José será Seguro?

É caso para se perguntar: ó José será seguro começar, tão cedo, a falar, dentro do partido, sobre a, inevitável, sucessão a Socrates?

É claro que, pelo menos, é muito arriscado e pouco aceitável, num momento difícil para o partido e, sobretudo, para o país, levantar tal questão.

Não é menos certo que começam, habitualmente, nestas ocasiões a emergir hipóteses alternativas e os mesmos de sempre a acusar os opositores das exactas e iguais deficiências de que há muito padecem e delas se não dão conta. A velha questão de ser mais fácil ver um agueiro no olho do outro que uma trave no próprio.

Só não vê quem não quer que muito por aí se comenta e escreve que Socrates está, politicamente esgotado. Aqui mesmo já alguém escreveu, metaforicamente, não creio desejarem-lhe a morte física “Levai-o para o céu Senhor, que cá na terra já ninguém o quer”. Na minha perspectiva acho um exagero.

Só neste contexto se podem entender as declarações André Figueiredo, secretário de Estado  e chefe de gabinete de José Socrates.

Só assim, também, se pode compreender muitos dos deslizes políticos do primeiro-ministro, estes adernavam da vesguitude de muitos dos seus assessores.



Publicado por Zurc às 18:43 de 16.05.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Desafios

O blog “LUMINÁRIA” foi mais um desafio em que os seus promotores "embarcaram" e, pelos vistos, em boa hora o fizeram na medida em que este espaço se tem constituído, em certa medida, num fórum de debate e participação.

 

Por aqui têm passado o versar dos mais diferentes temas sobretudo da política nacional e local sem esquecer, de vez em quando, um ou outro tema internacional.

As questões colocadas a propósito do “ícon”/”post''Justiça & Cidadania'' vêm reforçar a razão de ser desta propositura.

Nesta medida o “LUMINÁRIA” tem materializado um combate exercitado na cidadania que cada um dos postantes e, mais importante ainda, em cada apontamento critico de comentários que amiúde e diversificadamente se podem ler e concordando ou discordando dos mesmos.

Em tais prédicas, enunciativas ou reactivas (tanto postantes, como comentadores), frequentemente aparecem sugestões prepositivas a desafios no sentido de aprofundamento da democracia e da participação em iniciativas como sejam a realização de debates ou conferências temáticas que reportem, iminentemente mas não exclusivamente, a temas de política local e nacional. E fica curto, muito curto mesmo, o debate restringido ao quadrilátero computacional que não permite conhecer, pelo menos, alguns dos rostos e das expressões fisionómicas destes combatentes pela cidadania democrática.

Para que possa acrescentar-se essa outra substancia no debate aqui fica, mais explicitamente o desafio, também, para que os visitantes, deste espaço de diálogo e confraternização de ideias, se prenunciem da validade de tais iniciativas, de modo a que o “LUMINÁRIA” as venha a concretizar.


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Publicado por Zé Pessoa às 00:04 de 03.11.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Um casal desavindo

Estou convencido de que os debates eleitorais entre candidatos pouco aquecem ou arrefecem, mas o espectáculo de dois indivíduos à caça de votos em grande plano tem virtualidades para dar algum ânimo ao habitual tédio televisivo. Vi apenas, numa pachorrenta noite de sábado sem futebol, aquele em que um homem satisfeito consigo mesmo discutia com uma mulher zangada. Pareceu-me uma cena da vida conjugal, cada um culpando o outro da ruptura da união de facto e do mau comportamento da prolífica descendência de problemas que ambos e os respectivos partidos geraram e deixaram ao país e andam hoje por aí à solta, entregues a si mesmos, e senti-me desconfortavelmente na pele de um consultor sentimental. Como sempre, houve de tudo: recriminações recíprocas, ressentimento, vitimização. Até caneladas por baixo da mesa, como aquela da "credibilidade académica" dela e a sua aljubarrótica constatação, com a suspensão do "Jornal Nacional" da TVI no horizonte, de que "Portugal não é uma província de Espanha". A partilha de bens e de responsabilidades parentais de um casal desavindo nunca é coisa bonita de ver. [Jornal de Notícias, Manuel António Pina]



Publicado por JL às 00:07 de 16.09.09 | link do post | comentar |

O debate

A doutora Manuela não gosta que se manifestem contra ela. E sugeriu a Sócrates que avisasse os "seus amigos" da fronteira que acabassem com manifestações que a hostilizam. Sócrates mostrou surpresa. Eu também fiquei surpreendido. Depois de se vangloriar com as manifestações dos professores, e depois da indignação por causa da decisão da administração da TVI, a doutora Manuela adverte: contra ela outro galo cantaria. MFL chegou a dizer que era Sócrates que estava a ser julgado. Para ela, o que aconteceu ali foi um julgamento. Vaga e arrogante. Sempre foi. Ainda nos lembramos da ministra da Educação que conseguiu juntar professores e alunos contra as suas políticas. E quanto às Finanças... que exemplos aponta? E depois ainda há a impertinência com as pessoas de outras geografias; já cá se sabia que não morre de amores por gente de Cabo verde e da Ucrânia. Hoje soubemos que os espanhóis também não são flores do seu canteiro. Um governante tem de ter os pés no Mundo. MFL não quer saber disso para nada. Uma candidata a primeira-ministra que se contradiz a cada minuto. Eu gostava muito que MFL nunca formasse governo. Dito isto... acho que Sócrates ganhou o debate. Mesmo com o desgaste pegado à pele. A inabilidade da doutora Manuela ficou provada. [BlogOperatório, José Teófilo Duarte]



Publicado por JL às 00:03 de 13.09.09 | link do post | comentar |

Debates

E a cereja? Faltou a José Sócrates dizer aos portugueses que não admite fazer uma coligação governamental com o Bloco de Esquerda para que tivesse feito o pleno na sua indiscutível vitória no debate entre os dois líderes partidários.

Sócrates não pode de modo enfático desmascarar a esquerda radical, populista e trauliteira representada pelo BE sem que daí retire a consequência mais óbvia, qual seja a da impossibilidade de arranjos pós eleitorais com aquela força política.

O debate entre os dois representava para José Sócrates um exercício difícil qual fosse o de se demarcar do BE sem descapitalizar votos à esquerda, conseguindo, por junto, abrir espaço ao voto da classe média, por natureza central, moderado e útil. Conseguiu fazer este exercício, não apenas pela contra argumentação que utilizou para se defender das habituais rasteiras políticas utilizadas por Louçã - em regra alicerçadas em casos que marcam a diferenciação entre os poucos ricos e os muitos pobres - mas acima de tudo pelo ataque que levava bem preparado quanto à inadequação da política de nacionalizações e quanto ao atentado ao bolso da classe média por via das deduções fiscais propostas no programa do BE. Este documento atravessou todo o debate, esteve em cima da mesa, foi por Sócrates escalpelizado nos itens que mais lhe interessavam para que todos percebessem o significado do que ali está escrito e o embuste que representa o discurso político do BE.

Faltou-lhe colocar a cereja em cima do bolo. Em vez disso, optou pelo tacticismo e nessa medida não foi esclarecedor. Julgo que teria ganho mais em expressar de forma linear e inequívoca a impossibilidade de convergência com uma força política absolutamente antagónica à sua própria concepção económica, política e até social do país.

Boleia inconveniente. Até se admite que Alberto João Jardim diga que leva quem entender no carro oficial do Presidente do Governo Regional da Maneira, mas custa entender que Manuela Ferreira Leite se permita escolher a pior oportunidade para se meter nesse carro. Não estou a dizer isto em função da utilização do carro e do que a isso se possa apontar de errado. É um ‘fait divers' de campanha transformado em facto relevante, sem significado que o justifique. O que não percebo é como é que se pretende fazer a conjugação do discurso da asfixia democrática precisamente naquele local e ao lado de tão especial protagonista. Não há diferentes tons de asfixia democrática. Não é uma coisa matizável. E por isso é tão má e tão condenável, exista ela no continente, nas ilhas, no Governo da Nação ou nas Autarquias. Porque, não nos equivoquemos! Com um Estado hiper-dimensionado e um enorme número de pessoas dele dependentes, em termos de emprego e de composição do orçamento familiar, não será difícil encontrar constrangimentos a nível de liberdades de escolha ou de expressão. Agora o que não se pode pretender é que um discurso desta natureza possa apenas ter um alvo. Para que o discurso fosse coerente e eficaz haveria que o alargar, falando em termos de sistema e não apenas na circunstância decorrente do exercício do poder por parte deste ou daquele partido. Ganharia muito mais a democracia se, quando se lhe apontam os seus podres, se fizesse de modo que abarcasse as situações que os demonstram em vez de afunilar a mensagem a benefício de um ganho político de mera circunstância. [Diário Económico, Rita Marques Guedes]



Publicado por JL às 00:03 de 12.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Manuela Ferreira Leite confundiu IRC e IRS várias vezes em debate

Evolução: das gafes políticas para as técnicas

Ferreira Leite vinha a tornar-se notável, desde que assumiu a liderança do PSD, em gafes políticas.

Agora alargou o campo de especialização entrando também nas gafes técnicas na área em que é tida como especialista: a fiscalidade. Não se pode esquecer que Ferreira Leite leccionou uma cadeira de Finanças, foi Secretária de Estado na área das Finanças e Ministra dessa mesma pasta. Seria um vasto currículo, embora para se ter esse qualificativo é sempre de associar o desempenho. E aí esse vasto currículo tenderia a tornar-se em currículo muito estreito.

Agora ao baralhar o imposto sobre os lucros (IRC) com o imposto sobre o trabalho (IRS) e não foi só uma vez foram várias e nunca corrigiu, deve andar com os fusíveis algo desafinados. Estava tão empenhadas em demonstrar que a carga fiscal sobre as empresas é tão elevada que carregou no acelerador e baralhou-se. Bateu mesmo.

Este caso de gafe técnica deu-se no frente a frente com Jerónimo de Sousa quando várias vezes incidiu no mesmo erro. Tem de ir rever a matéria. Olhe que a taxa de 42% é sobre o IRS e não sobre o IRC. A taxa sobre os lucros é de 25% (máxima), ficando muitas vezes bastante aquém como na banca em que anda na ordem dos 16% devido a uma série de deduções e benefícios fiscais.

É grave: Um engano toda a gente tem. Mas repetir tantas vezes, deu a sensação que estava a tentar passar essa mensagem para os não informados. Dificilmente se pode admitir este engano repetido tantas vezes.

A fiscalidade está a causar amargos de boca a alguns líderes.

[PuxaPalavra, João Abel de Freitas]

 


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Publicado por JL às 19:22 de 10.09.09 | link do post | comentar |

Louçã vs Sócrates



Publicado por JL às 00:01 de 09.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Vitória de Sócrates

No debate entre Sócrates e Louçã é evidente que o Primeiro-Ministro saiu nitidamente vencedor e levou, sem dúvidas, Louçã às cordas ou, mesmo ao tapete.

Sócrates na qualidade de chefe do governo há 4,5 anos seria acusado de ser o “causador” de todos os males do País e deste Mundo, a começar pela crise, mas conseguiu com o programa bem estudado do BE levar Louçã à defesa e mostrar que este pretende acabar com as deduções ao IRS com despesas de saúde, educação, etc. Louçã não foi convincente na alternativa de tornar tudo absolutamente gratuito, porque a ser assim nunca mais se falaria de deduções fiscais. Os contribuintes não teriam facturas para juntar ao IRS e então nem seria preciso falar em deduções fiscais.

Ao falar nas nacionalizações, Louçã não foi capaz de explicar como as faria e com que dinheiro. É certo que as empresas como a PT, EDP, Águas Livres, Galp, etc. ganham dinheiro e muito porque são bem geridas e têm um grande espírito de iniciativa.

Diga-se, contudo, em abono da verdade que Louçã foi honesto na área do desemprego ao referir a existência de uma crise mundial. Não acusou directamente Sócrates de ser o culpado do desemprego e do próprio “crash” de Nova Iorque, mas disse que agora há mais desempregados que no início do governo.

Estes debates são muito curtos, as questões são debatidas em poucos minutos para ambas as partes, pelo que não é examinar o desemprego as exportações e a economia em geral em tão pouco tempo, mas ficaram algumas frases chaves como as nacionalizações e as deduções fiscais para um e outro lado.

Curiosamente, nos comentários feitos ao debate entre Ferraz da Costa e o fiscalista Saldanha Sanches, este mostrou não saber que as deduções à colecta do IRS para saúde e educação são limitadas a um certo montante que até nem é exageradamente alto. Saldanha Sanches fala numa eventual dedução 100.000 euros que não é verdadeira, é muito menor, parece-me que de poucos milhares de euros.

Por sua vez, Ferraz da Costa desconhece que as nas nacionalizações de 1975, os capitais estrangeiros ficaram de fora e havia muito pouco nos grandes grupos portugueses. O que foi nacionalizado indevidamente foram os capitais pertencentes aos trabalhadores através das então existentes Caixas de Previdência e que nunca foram ressarcidos dos valores perdidos para o Estado.



Publicado por DD às 23:01 de 08.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

O encontro de dois amigos às direitas

Quem pensava que ia assistir a um debate entre os líderes de duas forças que disputam o mesmo eleitorado, e por isso interessados em vincar diferenças, enganou-se. Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã estiveram muito mais empenhados em provar que a esquerda à esquerda do PS é capaz de ser responsável e também está preparada para assumir as responsabilidades que resultarem do próximo acto eleitoral.

Foi, evidentemente, um jogo de resultado combinado em que um dos jogadores, Louçã, não resistiu, no lance final, a tentar a vantagem: quando, evocando o exemplo do avô comunista, voltou a agitar a modernidade do Bloco contra o passadismo dos comunistas portugueses.

De resto, este segundo debate da campanha pareceu uma entrevista de vida a dois heróicos combatentes pela mudança da vida política portuguesa. Em sintonia, um acabava o que o outro começara a dizer: nos professores, na visão da actividade dos bancos, nos apoios às PME, no caso TVI.

O Bloco e o PCP (perdão, a CDU) entraram num novo relacionamento institucional. Falta saber quem ganha e quem perde com todas estas cortesias. E se este encontro de bons amigos, de amigos às direitas, significará que até já estão a pensar apresentar ao PS um caderno de encargos comum. Se o PS precisar, claro. [Diário de Notícias, João Marcelino]



Publicado por JL às 00:01 de 05.09.09 | link do post | comentar |

As contradições do Portas

No debate desta noite, Paulo Portas marcou logo de início a contradição absoluta dos seus argumentos.

Começou por defender a descida dos impostos, sem especificar, com a ideia de que menos impostos implica um desenvolvimento económico e, logo, mais receitas nos impostos baixos. É evidente que no limite extremo não deixa de ser verdade, isto é, com IRC, IRS e IVA próximos do zero ou, pelo menos, a menos de metade. Mas, as descidas possíveis de alguns pontos percentuais não implicam o aparecimento de um maior poder de compra dirigido a produtos nacionais, tanto mais que muitos impostos incidem nos lucros ou rendimentos das pessoas, os quais tendem a baixar em períodos de crise. Hoje verifica-se em todo o Mundo uma quebra no comércio internacional da ordem dos 25% relativamente ao ano anterior.

Depois, Portas orientou todo o debate para as tradicionais insuficiências, exigindo mais apoios às PME, mais apoios sociais, mais segurança policial, enfim, mais tudo, logo mais e mais despesa. Criticou a falta de subsídio de desemprego para os jovens que quase não trabalharam, etc. e quando há despesa social esta é criticada como é o caso do Rendimento Mínimo que, segundo Portas, é algo de mau. Claro, se não existisse, Sócrates seria criticado por não apoiar os mais pobres e, nestes, as famílias mais numerosas.

Tivemos a experiência do governo Durão Barroso que prometeu um choque fiscal em termos de descida de impostos e subiu logo o IVA e outros impostos, nada tendo descido. E não o fez por maldade ou falta de vontade, mas, sim devido à total impossibilidade de agir de outro modo, pelo menos, a curto ou médio prazo.

A estratégia do Portas e toda a oposição é atacar o governo actual pelo que fez e pelo que não fez sem apresentar um verdadeiro projecto alternativo, a não ser nesse aspecto vago de querer descer os impostos e as receitas da Segurança Social à direita e aumentar os impostos dos chamados ricos à esquerda. Em ambos os casos, é possível mexer numas coisinhas, mas sem que daí venha qualquer solução milagrosa para o País, principalmente em termos de crise.

Sócrates teve a ocasião de dizer que já tinha apoiado este ano mais de 40 mil PMEs quando o Governo Durão Barroso/Santana só apoiou umas 2 mil pequenas e médias empresas.

Enfim, Paulo Portas não apresentou qualquer solução para crise e quase se limitou a criticar o Governo, fingindo que não há nem houve um vastíssimo conjunto de programas que melhoraram a Administração e a relação do cidadão com o Estado e, além disso, houve a introdução do complemento social para idosos, dos apoios aos jovens alunos, do complemento ao subsídio de desemprego, de programas de formação nas empresas para evitar o despedimento ou lay of, etc.

Hoje, temos menos Estado em tudo o que se refere a documentação; desde o cartão do cidadão, passaporte, certidões, cadernetas prediais, registos prediais, etc.

O Portas voltou a defender a escolha livre da escola com a possibilidade de o estado pagar as escolas privadas. Era o que mais faltava nas zonas em que há escolas do Estado que são praticamente todas no País.



Publicado por DD às 23:35 de 02.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Debate: Políticas de Ambiente para o Século XXI

 

Para mais informação visite A Linha – Clube de Reflexão Política

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Publicado por Xa2 às 21:00 de 21.05.09 | link do post | comentar |

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