Quando as minorias podem superar a maioria

Domingo foi dia de eleições, o povo foi chamado a escolher quem quer à frente dos destinos do país no final de um mandato de quatro anos de austeridade. Era de supor uma derrota da coligação no poder, assim ditavam os conhecedores da vontade popular. Erraram.

 

Erraram, logo à partida, porque a maioria definida (aquela que os eleitores sabiam que iria governar em conjunto) escolheu manter o rumo que foi assumido em 2011. Erraram porque pensam que conhecem o que o povo quer, erraram porque acreditaram que a chegada de António Costa à liderança do PS (um dos partidos que está habituado a alternar a governação com o PSD, coligado ou não com o CDS) seria uma espécie de regresso à terra prometida sob o comando do messias. Erraram.

 

A coligação perdeu o absolutismo mas ganhou a maioria. Em democracia, isso deve valer alguma coisa. Mas, na verdade, a maioria da Assembleia da República é composta pelas minorias de esquerda. Por isso, ainda os votos estavam a ser contados e já havia discursos de instabilidade anunciada. Se as vontades das minorias se unirem, o Governo democraticamente eleito irá cair. Dificilmente irá conseguir aprovar medidas, obrigando a uma demissão e convocatória de novo ato eleitoral.

Uma maioria absoluta é algo muito próximo de um regime totalitário. Lutar contra o resultado das eleições de ontem é defender uma governação totalitarista.

Mas a esquerda, já o disse antes, tem na esquerda o seu próprio inimigo. Durante a campanha, os diversos partidos opostos à coligação, trocaram acusações, afastaram-se, lutaram e defenderam cada um as suas ideologias. Fizeram o que tinha de ser feito, lutaram por mais votos, mais poder. Não lutaram pelo bem do país, não se uniram na campanha para combater a governação de austeridade que criticaram durante quantro anos.

 

Não defendem as mesmas coisas. CDU defende a saída do euro, o fim da União Europeia. O Bloco, que teve um crescimento brutal, ultrapassando a CDU como terceira maior força partidária, já mostrou a intransigência em ceder no que quer que fosse. O PS, ainda não se percebeu bem o que vai fazer. Costa continua hermético, fala com frases com dupla interpretação, deixa todas as portas abertas, ao mesmo tempo que as fecha.

 

Isto demonstra bem as alterações que precisam ser feitas ao nível da governação e formato da Assembleia da República. O país elegeu, democraticamente, um governo. Pequenas franjas defendem outro caminho. Mas será justo aplicar aqui a soma das franjas, com formatos e tonalidades tão diferentes para criar instabilidade governativa? Ou será que não perceberam que aquilo que os portugueses querem é uma Assembleia da República que trabalhe a sério pelo bem do país?

 

Em parte, está nas mãos da coligação eleita, se for chamada a formar Governo, criar as condições necessárias para apresentar soluções que "agradem" aos partidos da esquerda. Mas será que essas são as melhores medidas para o país ou apenas vamos ver governar durante quatro anos ao sabor da maré para conseguir aguentar o barco até ao fim da legislatura?

 

De todas as análises feitas, com o atual cenário político, uma certeza, senão a única coisa certa, é que ainda este ano, com um possível chumbo do Orçamento do Estado, ou dentro de um ou dois anos, quando o PS sentir que já está com força para voltar a disputar outras eleições (o mais provável, já com novo líder no partido), vai fazer tudo para derrubar o Governo democraticamente eleito. A isto, chama-se instabilidade.

 

No fundo, uma junção da esquerda tem em comum a queda do Governo. Pois cada partido defende caminhos diferentes nas mais diversas matérias. Sim, no discurso algumas coisas podem parecer idênticas. Mas não são!

 

Governar devia ser mais do que lutar pelo poder. Devia ser mais do que a teimosia política. Governar, não me canso de dizer, devia estar assente em Pactos de Regime nas matérias mais relevantes para o país: Educação, Segurança Social, Saúde... Se a Assembleia da República se entendesse com isto, o resto correria sem ruídos.

 

Porque se só é possível governar com uma maioria absoluta, permitam-me o reparo, onde está a diferença para um regime totalitário?

Por: Paulo M. Guerrinha



Publicado por [FV] às 11:00 de 08.10.15 | link do post | comentar | ver comentários (8) |

O 25 de Abril é uma abstração...

 Por Maria José Morgado



Publicado por [FV] às 12:22 de 22.04.15 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

BALADA DE UM HOMEM TRISTE


Bate abrupta e brutalmente

Desanca em ti e em mim

Poupa o grande e sova o pequenino

Não é chuva nem é gente

É o governo que nos bate assim

 

Com a treta desta democracia

Que há muito, nos afeta o caminho

E nos afunda em melancolia

Que nos corrói a alegria

Pondo o povo doentinho

 

Quem bate assim tão brutalmente

Com tão estranha dureza

Que deixa o povo assim tão doente

Não é de cero boa gente

É gente ruim com certeza.


Já noutras épocas sentimos quanto doía

Com outros governos quase parecidos

Fazendo-nos o cinto apertar

Mas sempre a gente conseguia

Que tais governos nos dessem ouvidos


Agora puseram forte carapaça

São palhaços de rosto sorrindo

Espécie de gente que, quando passa
Olha-nos através da vidraça

Sem se importarem com que vão ouvindo

São troicas, que nem escutam os sinais 
Da dor de um velho ou de uma criança, 
São piores que irracionais animais, 
Não são como outros mortais 
São bichos de grande pança

“O caminho faz-se caminhando”

O da democracia faz-se integrando

O da cidadania constrói-se com debate participado
Se isso fizéssemos não nos comiam
O nosso pecúlio amealhado


Maltratam o professor 
Aos reformados dão tormentos, sem fim
Mas as crianças, senhores, 
Porque lhes dais tantas dores?
Porque as abandonais assim?


E uma infinita tristeza, 
Uma profunda perturbação 
Que em mim em ti, em nós está presa
Esta malfadada governação
E, que nos turva a visão

 

É uma balada

De um homem triste

Descrente destes partidos

Que, apesar de tanta pancada

E destes partidos corrompidos

Luta e não desiste



Publicado por Zurc às 12:28 de 09.07.13 | link do post | comentar |

Seminário Internacional: Para onde vai o Brasil?

No próximo dia 3 de julho (quarta-feira), às 17h30, no CES-Lisboa, Picoas Plaza, Rua do Viriato, 13, Lj. 117/118, realiza-se o seminário supra mencionado.

Estão previstas as participações de:

Boaventura de Sousa Santos, Director do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e Coordenador Científico do Observatório Permanente da Justiça Portuguesa; dirige actualmente o projecto ALICE - Espelhos estranhos, lições imprevistas: definindo para a Europa um novo modo de partilhar as experiências o mundo.

Carlos Vianna, dirigente da Casa o Brasil em Lisboa.

Flávia Carlet, membro da RENAP, Rede Nacional de Advogados Populares do Brasil.

José Carlos de Vasconcelos, advogado e jornalista, membro da direcção editorial da revista Visão e director do Jornal de Letras.

Leonardo Avritzer, Professor titular do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenador do Projeto Democracia Participativa (PRODEP) da UFMG.

Participe caro leitor do Luminária, também, pela democracia cidadã!



Publicado por DC às 16:35 de 01.07.13 | link do post | comentar |

PALHAÇOS E POETAS

Entre o circo e a poesia

O povo escolheu a diversão

Não ouviu o que o coração dizia

Nem tão pouco a voz da razão

 

Todos os dias temos, do governo, palhaçadas

E palhaços em Belém, também

Suportamos vidas desgraçadas

E as promessas já não convencem ninguém

 

Somos um povo de palhaços e poetas

Quem diria! Um povo desleixado?

Os políticos enchem-nos de tretas

E vendem tudo o que seja Estado

 

Tais políticos levem-nos sempre ao engano

Com mentiras e promessas falsas

Chupam-nos até ao tutano

Até nos fazem dançar tangos e valsas

 

Temos de agarrar a nossa cidadania

E os palhaços mandar embora

Por este andar qualquer dia

Portugal é todo dos palhaços lá de fora.

 

 



Publicado por Zurc às 14:19 de 04.06.13 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

PORTUGAL, UM PAÍS DE GENTE QUE …

 

Que a atual situação económica e social, que vivemos no país, na europa e no mundo é perigosa e periclitante, ninguém duvida, mas que também comporta sinais positivos de possíveis alternativas, é incontestável.

No caso de Portugal, a displicência e desfaçatez, chegaram a tal ponto que raia o absurdo, até os banqueiros que, supostamente, terão assinado os acordos que permitiram o “furto” do capital acumulado no fundo de pensões dos bancários, cujas responsabilidades futuras passaram para a gestão do fundo de pensões da Segurança Social e que agora todos temos de pagar através do “roubo” nas pensões de reforma, dizem-se indignados por receberem reformas de 20 mil euros por mês.

No caso de Portugal, corremos o risco de chegar à situação, não inédita, de a geração que implementou a III república ser a mesma que a destrói, tal e qual como fizeram os “revolucionários” da I.

No caso de Portugal, país habitado por uma maioria de gente de fraca (ou quase de nenhuma) memoria que elege políticos que, dizendo combater “o monstro” da divida publica se associam a gente que rouba o Estado.

No caso de Portugal, país de gente que elege políticos que anunciando existir má moeda promovem a sua circulação.

No caso de Portugal, país de gente que elegem políticos que bradando contra barões partidários os coloca no aparelho do Estado e na gestão de bancos a eles se colando para obter proventos próprios.

No caso de Portugal, país de gente que elege políticos que esbanjando as remessas de ajudas económicas provenientes de Bruxelas tornaram o país numa mera e marginal província europeia consumista de bens que chegam da Europa do Norte e da China, via autoestradas que também serviram para enganar o povo.

No caso de Portugal, país de gente escavacada no meio de um silvado onde murcharam as rosas e parece que só os espinhos crescem.

Será assim até que o povo acorde e for capaz de refundar partidos políticos e reconstruir a democracia, exercendo a cidadania plena.

 

 



Publicado por Otsirave às 12:22 de 12.03.13 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

ANTÓNIO COSTA, OS JORNALISTAS E O APARELHO PATIDARIO

O jornalismo que temos é de tal modo depravado que só se sente realizado quando vislumbra sangue nas notícias.

Critica-se, com fundamento, que a democracia interna dos partidos anda pelas ruas da amargura, que não há nenhum debate interno, que as bases não são chamadas a participar aberta e livremente, e depois quando alguém abre a boca cai o Carmo e a Trindade. Ajeitem a faca e o alguidar que vai haver sangue!

Segundo os arruaceiros do costume, António Costa que há menos de dois anos afirmou que a sua preocupação é Lisboa e assim continuaria, por isso declinou a oportunidade de concorrer com Seguro nessa ocasião, era agora empurrado pelos socráticos descontentes.

Nessa perspectiva Francisco Assis teria feito o frete de ser sua lebre. Não, não foi, foi convicto concorrente, por mais que alguns fazedores de opinião ou articulistas “sanguinários” digam o contrário.

José Seguro, já quando dirigente da JS, acalentava a vontade de um dia vir a ser Secretário-geral do Partido. Fez o conveniente (para ele e sua trupe) percurso de arregimentação dos controleiros das bases. As bases propriamente ditas, grande parte, desertaram e o que sobra resume-se a alguns carneiritos. Não olhem só para o PS, os outros são iguais, salvo o PCP enquanto tiver o controlo da CGTP, já se sabe. A democracia ou anda na rua ou já não está em lado nenhum. Ao que nós chegamos!

É verdade que o Tó Zé não tem andado Seguro e tem cometido um sem número de gafes, parecendo andar mesmo perdido. Não é menos verdade que ele tem dentro do aparelho os maiores e mais perigosos inimigos do que fora dele.

Mesmo no grupo que o rodeia e que, supostamente, o deveriam ajudar a fazer a diferença e a preparar uma séria, eficaz e de confiança, perante a opinião pública, alternativa ao governo há quem tenha interesses que isso se não concretize. Tal tripe têm outros interesses mais rentáveis e de rendimentos mais rápidos de concretizar.

Nesta luta de partidários galináceos, António Costa não quer correr perigo de morte política, o que lhe aconteceria (certo e Seguro) se concorresse agora a Secretário-geral do PS, independentemente de manter ou não a corrida a Lisboa.

António Costa, que ainda é novo, pode muito bem jugar outros voos e mais seguramente alcançáveis.

Ninguém, nem mesmo António Costa, ganharia seguidamente o Partido, Lisboa e daqui a dois anos o governo. Teria que a democracia e a forma de atuar dos partidos, a começar pelo PS, alterar 180 graus, deixando, nomeadamente, um responsável máximo partidário de assumir o lugar de Primeiro Ministro. Também esta acumulação deveria ser impedida para bem dos partidos, dos governos, do país e da democracia.

Enquanto houverem tão elevados vícios privados é muito difícil surgirem as públicas virtudes.



Publicado por Zé Pessoa às 12:30 de 30.01.13 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

A GERAÇÃO FACEBOOK

É uma sociedade, socialmente, doente

Não sei se a dita esquerda, em particular, e a sociedade em geral, já se deu conta que, com esta coisa da globalização da economia, especulação financeira e da generalização do acesso às novas tecnologias o capital tem-nos vindo a embrutecer e a virtualizar mesmo socialmente.

A avaliar pelo generalizado comportamento parece que nos podemos considerar a “sociedade facebook” , uma “sociedade e-meilizada” ou o protesto repetitivo blogosférica. Muitas das vezes nada criativa, quer em termos de ideias como de forma, não indo além do copy e paste

Muita gente já só se relaciona, mesmo sexualmente, via computador.

Finamente chegamos á era da guerra das estrelas. Combatemos os nossos inimigos, aqueles que nos extorquem os nossos impostos, nos roubam o produto dos nossos descontos e das entidades patronais (um direito real de propriedade) que deveriam garantir as nossas reformas e são desviados para equilibrar (dizem eles) os Orçamentos de Estado, via computador. É uma verborreia de má-língua na Net e não vamos além disso.

Verifico que o pessoal passa a vida entretido, isoladamente no seu canto, escrevendo no facebook e reenviando e-mails que raramente confirma a veracidade dos mesmos. Já pouco se encontra em tertúlias. Os cafés estão vazios. São raros os debates promovidos por movimentos associativos, já quase desapareceram tais movimentos.

Os partidos políticos não promovem tais debates porque estão, socialmente, mortos. Quem se apropriou deles não tem interesse que haja debates e os militantes (encartados ou não) abandonaram, desacreditados ou excluídos, essas agremiações.

Parece que a classe média e a sociedade atual se Masturba, ideologicamente, através do computador.

Com tantas e tais facilidades estamos, intelectual e socialmente, mais retrógrados que no tempo da ditadura. Abusamos e usamos mal as novas tecnologias.

Afinal, tantos anos a lutar pela democracia e agora tratamo-la mal. Incongruências e contradições.



Publicado por Zurc às 12:10 de 25.01.13 | link do post | comentar |

NÃO SABIA-MOS QUE ERA PRECISO!

Depois de 48 anos de escuridão democrática os militares conseguiram, após goradas diversas e arrojadas tentativas, derrubar um regime totalitário e opressivo.

Surge a festa democrática, tendo (re)nascido, além dos tradicionais e costumeiros partidos da área socialista, comunista, social-democrata e conservadora, os extremados das direitas e das esquerdas tais como: FEC-ML, POUS, MRPP, MES, PSR, UDP, etc., etc. com seus slogans, mais ou menos, agradáveis ao ouvido como:

“Os ricos que paguem a crise”;

 “O povo unido já mais será vencido”;

 “Proletários de todo o mundo uni-vos”;

 “Governo p`rá rua” e,

 muitos mais.

Enquanto o povo foi gritando na rua, quem se foi organizando, de mansinho e a coberto dos, muito democraticamente, eleitos - quer governantes como oposições - foram os capitalistas que passaram do sector primário e secundário (agricultura e pescas) para os serviços e banca até abandonarem (quase) tudo de produtivo e passarem ao topo especulativo do tráfico financeiro associado a negócios escandalosos e obscenos além da cobrança de juros usurários. Chegamos à globalização dos mercados e da exploração.

O próprio povo experimentou as enganadoras benesses do “capitalismo popular” que o senhor Cavaco nos vendeu. A propósito do BPN/SLN, há quem afirme que Cavaco tem um problema com a verdade, eu digo que os portugueses têm muitos problemas com os Cavacos, perdão, com as unhas.

O povo passou a acreditar mais e, sobretudo, nas falacias e fingimentos alheios que nas suas próprias capacidades e competências, ou será o sacudir a água do capote das suas responsabilidades e ausências?

O povo parece que se prantou à espera de um qualquer, providencial, milagre mandado por uma tal nossa senhora de Fátima ou de umas quaisquer manigâncias divinas de um Deus sempre ausente.

O povo parece manter-se agarrado a culpabilizações alheias, à espera que outros façam o que a si mesmo compete fazer, não adiantando só atirar com todos os males, incluindo as suas próprias fraquezas, para cima dos políticos e dos capitalistas, a maior parte das vezes designados patrões, dos quais se deixa depender e muitas das vezes elege para seus representantes. Contradições!

A esmagadora maioria dos meus conhecidos (lamentavelmente não consigo pensar nem dizer “meus amigos” o que, a faze-lo, constituiria uma das maiores hipocrisias de que não sou capaz) não passam de um bando de potenciais oportunistas que, em alguns casos se constituíram em maiores sacanas que os anteriores quando ocuparam certos lugares “daquela corja de malfeitores” por si criticados. Contradições!

Como amiúde costumo afirmar, as pessoas deixaram de ter espelhos em casa ou, tendo-os ainda, deixaram de lhes dar uso, não se enxergam. Contradições!

Muita desta gente, fala mal dos políticos por se sentir frustrada e excluída do sistema, quer dos aparelhos político-partidários quer dos poderes da governação. Contradições!

Nós, portugueses tornamo-nos doentes, como o exemplo escrito pelo expoente máximo da nossa literatura, José Saramago: “o doente que se queixava dos pés, chegando ao ponto de andar com duas bengalas e culpar tudo e todos das dores que o afectavam e lhe tolhiam o andamento até que alguém grita para que vá ao médico pedindo-lhe, todavia, que lhe mostrasse antes os pés. O amigo não queria acreditar, as unhas dos dedos davam a volta aos mesmos indo-se encravar por debaixo deles, tendo-lhe exclamado, entre o espanto e incredulidade, ó seu energúmeno porque não corta estas unhas que são a fonte das suas dores? O homem, candidamente, disse: não sabia que era preciso!

Não será que o povo, enquanto sociedade, se descuidou de tratar de si e evitar a sua própria degradação precisando de cortar as unhas que lhe autoflagelam o corpo?

Temos muito mau hábito, para não dizer péssimo feitio que no fundo é a mesma coisa, para escamotear responsabilidades.

Não resolve se continuarmos, só a dizer “nunca tinha-mos pensado nisso” ou “não sabia-mos que era preciso”, sem mais nada fazer. Por isso é que há militares a dizer “para quê fazer outro 25 de Abril se não há, gente honesta, a quem entregar o poder!



Publicado por Zé Pessoa às 13:23 de 12.12.12 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

GOVERNO: A QUEDA EMINENTE, E DEPOIS?

Apesar de ontem ter sido (envergonhadamente e em definitivo?) aprovado na Assembleia da República o OE para 2013 há fortes indícios da eminente queda do governo.

Quer seja pela não homologação (nada provável) por parte de Cavaco Silva ou pela declaração de inconstitucionalidade, após o envio ao respectivo tribunal (seja qual for a iniciativa ou a forma de solicitação), é facto que este Orçamento de Estado é, como já alguém lhe chamou, “um nado morto”.

Desse desiderato outra não será a consequência mais imediata que não seja a queda do governo ultraliberal e, concomitantemente, da maioria que o apoia.

Andam muita gente, com razões mais que suficientes e de sobra, a gritar “a luta contínua governo para a rua” e muita mais deveria gritar essa vontade calada que contudo deveria ser acompanhada por reflexões do que a seguir se deveria fazer.

Se o governo cair (como já dentro da própria maioria se teme) e as lutas não mudarem de rumo, continuará “a chover no molhado” e o país a ficar, ainda mais, empobrecido.

A queda é mais que justificada e depois, o que vem a seguir?

Qual vai ser o comportamento dos partidos da, agora, oposição?

Quais são as propostas, credíveis e seguras, que garantam um novo e diferente rumo de governança, diferente do até agora levado a cabo, nomeadamente, pelas gentes do PS?

Continuaremos a ver e ouvir, em período de campanha, propostas demagógicas e não realizáveis, que enganam os incautos eleitores, conforme vem sucedendo há três décadas?

Saberão os eleitores distinguir, entre as diferentes propostas, quais são as mais serias e credíveis?

Fica aqui o “recado” a todos os militantes partidários, sobretudo aos militantes socialistas que, como os do PSD, têm estado, quase sempre, nos governos, para que, dentro dos próprios partidos, questionem os respectivos responsáveis para serem mais sérios, honestos e consequentes com as suas propostas para a governação de Portugal.

Assuma e promovam o desenvolvimento de uma cultura de responsabilidade e de responsabilização no governo da rés-publica.

 



Publicado por Zé Pessoa às 13:21 de 28.11.12 | link do post | comentar | ver comentários (10) |

O TESTE DO ALGODÃO

Há por aí muita gente a afirmar, que para se tirarem todas as dúvidas (sim, porque ainda há quem as tenha) e se chegar a vias de facto (expulsar este governo) se deveria fazer o teste do algodão.

Eu não posso estar, nem sequer minimamente, de acordo e apresento, apenas, duas razões para tal posição.

A primeira decorre-me daquela máxima popular que diz “não liga por que se vai ligar não tem ligadura que chegue”;

A segunda, mais pragmática, é não existir disponível, nem se crê que isso alguma vez possa vir a suceder, ainda que aumentando a capacidade produtiva e empregando toda a mão-de-obra disponível (são cerca de um milhão de desempregados) e  muitos mais reformados obrigados a trabalhar para prover o sustento que a misera reforma não acautela, exista algodão para limpar tanta porcaria. A já feita e a que por aí virá se tal gente nos continuar a des)governar.



Publicado por Zurc às 17:03 de 22.11.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

"Cada vez me convenço mais dona Umbelina, ser verdade o que certas pessoas dizem dos deputados." Dizia a senhora Genoveva à saída da missa dominical, acrescentando,:“então não é que, justificação dali desculpa dacolá uns e outros, todos chegaram a acordo na comissão de inquérito ao caso BPN, sem ninguém ter sido, clara e inequivocamente, condenado!”

"Olhe nem sequer uma condenação ao deleve, andam todos à solta e a gozar com o povo que paga os desaforos de uns e de outros", contrapõe dona Umbelina.

“Agora, entre uma acentuada insuficiência e uma insuficiente acentuação das alterações apresentadas, o Orçamento para 2013 lá vai ser aprovado. Não será com unanimidade como sucede, habitualmente no caso do Orçamento da própria Assembleia da república, caso em que todos beneficiam, quase por igual e directamente”, afirma a senhora Genoveva.

Enfim há quem diga ser ali a casa da democracia, deles já se sabe. Agora digo eu que também sou gente e a pagar tudo o que me vão, democraticamente vejam lá, extorquindo.

 



Publicado por DC às 15:30 de 20.11.12 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

ALUNOS, DE BONS A BESTIAIS: “SOMOS OS MELHORES DO MUNDO”

 

1

 A troika, na sequência da sua quinta avaliação á execução de memorando assinado, com a sua homónima interna, em Maio de 2011 e depois de ter sido entregue a, desastrosa, proposta A (na pratica a B ou C, já se não sabe ao certo) do OE para 2013, intimou, publica e humilhantemente, o governo português (não dos portugueses) a apresentar, no prazo de um mês, o que chamam de “plano B”.

“Quem manda, dá ordens” diz o povo e já se percebeu que não com intenção, de que com tais ordenamentos, sejam resolvidos os problemas do país e de quem nele vive, mas para o vergar e o colocar a “saque” obrigando-o a vender, a retalho, o seu património.

E que fez o governo? Em vez de forçar os “saqueadores” a sentarem-se à mesa para que expliquem, com clareza e evidência, as suas exigências e a fundamentação das mesmas foi lesto em prosseguir no mesmo caminhar acelerando o passo e agravando a dose da mesma receita já, comprovadamente, demonstrada perniciosa aos males que apregoam querer curar.

A este governo já não lhe basta ser um bom aluno, faz jus em ser um aluno exemplar, pretende ficar na história do ultraliberalismo como o melhor aluno de sempre, ser lembrado como o aluno que ultrapassou, sempre pela direita, os mestres mais ortodoxos da especulação financeira, os agiotas dos juros usurários, os coveiros do empobrecimento do país e do aumento dos excluídos sociais, os assassinos da esperança e do apagamento do futuro da juventude que são obrigados a fugir da terra que os viu nascer.

2

 As preposições de alguns acólitos do actual governo são hipócritas dado que são feitas tardiamente e não para salvar o país e o povo mas, tão-somente, para acautelar, a prazo, os seus ameaçados interesses.

Miguel Cadilhe não esclareceu o que pretende ou significa a sua “renegociação honrada”.

De igual modo, é muito estranha e mal explicada, para não dizer de nenhumas garantias, a proposta de “eleições em Maio de 2013” feita por Fernando Wulrich que elas levariam a um desiderato diferente sendo os mesmos actores na cena eleitoral.

Por outro lado alguém acha que a “honesta” proposta, desse “honrado” reformado, de um governo de bloco central (PS/PSD) pretenderia conseguir que, todos os pensionistas deste Portugal maravilhoso, passassem a receber, como ele, a modesta reforma mensal de 150.000,€? O que pretenderá Jardim Gonçalves?

Migue Júdice afirmou que “o Estado é uma empresa falida e, como tal, deve despedir os funcionários que tem em excesso para se tornar sustentável” tendo acrescentado que para tal é preciso “uma revisão constitucional que facilite os despedimentos…”.

Vejam bem que o homem não pede uma revisão da constituição que vise um maior rigor e mais eficaz controlo nos gastos nem foi capaz de afirmar (a não ser que o tenha feito metaforicamente quando se referiu ao corte das árvores, o que não acredito, de todo) que, também, foram e continuam a ser as adjudicações feitas a escritórios de advogados como o seu que contribuíram passa essa falência.

3

 O Rato espanhol, ex-ministro de Aznar e ex-director-geral do FMI, que esteve envolvido no processo de nacionalização do Bankia, vai ser ouvido em audiência de julgamento, por um juiz de Audiência Nacional espanhola.

Rodrigo Rato e mais 33 implicados estão acusados por delitos de burla, apropriação indevida, falsificação de contas e outros crimes considerados lesivos dos interesses do Estado e do povo espanhol.

O Movimento 15M e o partido União e Progresso Democrático apresentaram queixa, na Audiência Nacional que lhe deu provimento, sem qualquer embargo.

Como se pode ver, até parece o caso português do BPN/SLN, não acham?



Publicado por DC às 08:22 de 12.11.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

OS MÉDICOS, OS CANGALHEIROS E O MORTO

   

Hoje fui à Assembleia da República assistir ao debate do Orçamento de Estado para 2013.

Devo dizer que embora se designe, aquele espaço, como a “casa da democracia” fiquei com a ideia que já ali se não aprende nada e a gente sai de lá com os ouvidos a sangrar de tanta agressão e disparate ouvir. O que ali se vê e se ouve tem tanto de deslumbrante como de demagógico e de disparate, como de agressão a quem lhes paga e a quem tanto massacram. É uma completa decepção.

Mas indo aos factos e fatos que as actuais circunstâncias e as vontades de quem manda nos impõem, conforme nos querem fazer crer, a verdade é que estamos entalados entre quatro tabuas.

Aqueles que nos doseiam a receita e nos fazem engolir a medicação, cada vez em doses mais reforçadas, dizem que não há outro remédio para salvar um país doente por males apanhados devido a festas e andanças para as quais tal gente nos empurrou.

Tais curandeiros reforçam, quando o seu argumentário lhes começa a faltar, que o referido caminho (prescrição do receituário e doseamento) é aconselhado por uns senhores troikianos, já habituados, experimentadamente, a esmifrar outros doentes. Sabemos bem que essa troika vem ao que vem e vem ao serviço de certos “laboratórios internacionais” que se fazem pagar através de rendosos e usurários juros.

Uns e outros são sabedores que nem a receita nem os doseamentos melhoram a saúde do doente, nem isso alguma vez foi a sua intenção. O que sabem, uns e outros (o doente ainda mais) é que de doente já passou a moribundo e a seguir virá a morte (para alguns já chegou).

Uns e outros, médicos e cangalheiros, agora preocupam-se, já não com a cura do doente, mas sim com a extorsão da herança do defunto.

A “refundação” que o médico-chefe pretende levar a cabo é bem reveladora da estratégia e do que pretende. A situação do deficit agravou-se, são previsíveis rupturas sociais, ainda há muito património e actividades publicas a ser entregues a especuladores e experientes parceiros que, de futuro, garantirão lugares muito bem pagos aos amigos de ontem, de hoje e de amanha. Á que agir com rapidez.

Para que tudo isto seja feito por um governo sem escrúpulos é conveniente que tais medidas estejam inscritas, num qualquer memorando de ajustamento assinado com a troika, de modo a justificar o aperto preconizado.

Antes de solicitarmos a intervenção de uma qualquer associação de defesa do consumidor para mediar o reescalonamento da divida, à semelhança do que é feito, tardiamente, com os devedores particulares junto dos bancos, (ninguém agiu quando os bancos forçavam os clientes a ter os tais cartões!) ou de estarmos todos mortos o governo acautelará a alienação dos transportes e aeroportos, venderá quartéis, bombeiros e militares. Entregará, à iniciativa privada, hospitais, centos de saúde, SNS, Caixa Nacional de Pesões, CGA e ADSE.

Com a política da refundação o governo alienará, a privados, a gestão dos tribunais e prisões, o Instituto do emprego e formação profissional.

O próprio governo será entregue a Bruxelas e os Passos do Conselho passarão, definitivamente, a ser passos perdidos.

Mas, é curioso! Para que quererão eles isto tudo se o país estiver, então, completamente morto?



Publicado por Zé Pessoa às 19:12 de 30.10.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

a (re)invenção democrática

A resposta da Islândia à crise “económica”:
Por João Telésforo Medeiros Filho em Imaginar Para Revolucionar

O povo islandês tinha dois caminhos a seguir, diante da forte recessão econômica que atingiu o país: abrir mão de direitos sociais e manter intocada a estrutura econômica da nação (como se tem imposto a países como Grécia, Portugal, Espanha, enfim, ao mundo inteiro); ou proclamar a soberania democrática sobre a economia, a apropriação comum das riquezas produzidas em comum pelo povo, para garantir a todos uma existência digna. Escolheu o segundo, mostrando ao mundo que existe uma alternativa – democrática, inclusiva e transformadora – ao receituário de precarização que costuma se apresentar como o único caminho.

A Islândia nos mostra que a crise econômica é, antes de tudo, uma crise política. Vivemos, no Brasil, em estado permanente de crise, pois somos uma das nações mais desiguais do planeta, enorme parte da nossa população não se apropria de quase nada da riqueza que produz e praticamente não é ouvida na definição dos rumos da nossa economia. A mudança desse cenário de exclusão estrutural, tal como aponta a Islândia, não virá de receituários pré-moldados que reforçam o sistema econômico como mundo separado das necessidades e aspirações sociais, mas da transformação política da economia, da democratização do sistema produtivo e de apropriação de riquezas.

Merece destaque ainda a grande e promissora inovação da forma como a intensa participação popular ocorreu no processo constituinte islandês, conforme apontam Deena Stryker e Daily Kos, no texto “A revolução popular na Islândia”:

“Para escrever a nova constituição, o povo da Islândia elegeu vinte e cinco cidadãos entre 522 adultos que não pertenciam a nenhum partido político, mas recomendados por pelo menos trinta cidadãos. Esse documento não foi obra de um punhado de políticos, mas foi escrito na Internet.

As reuniões dos constituintes foram transmitidas online, e os cidadãos podiam enviar seus comentários e sugestões vendo o documento, que ia tomando forma. A Constituição que eventualmente surgirá desse processo democrático participativo será apresentada ao Parlamento para sua aprovação depois das próximas eleições.”

Para uma visão mais aprofundada da Islândia e dos impactos da crise econômica nela, vale a pena ler um dos melhores trabalhos jornalísticos que já li na vida, de autoria de João Moreira Salles, na revista piauí: http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-28/carta-da-islandia/a-grande-ilusao

 

A Revolução Popular na Islândia.

Deena Stryker | Daily Kos

Um programa de rádio italiano falando sobre a revolução em andamento na Islândia é um exemplo impressionante do pouco que os meios de comunicação nos dizem sobre o resto do mundo.

No início da crise financeira de 2008, a Islândia declarou-se literalmente em falência. As razões são citadas apenas superficialmente, e desde então, esse membro pouco conhecido da União Européia voltou a cair no esquecimento. Como os países europeus vão caindo um após o outro, colocando o euro em perigo, com repercussões para todo o mundo, a última coisa que os poderes desejam é que o caso da Islândia se transforme em um exemplo. A seguir, eis por quê.

Cinco anos de um regime puramente neoliberal fizeram da Islândia (população de 320 mil pessoas, sem exército), um dos países mais ricos do mundo.

No ano de 2003, todos os bancos do país foram privatizados e, num esforço para atrair investidores estrangeiros, ofereceram empréstimos em linha, cujos custos mínimos lhes permitiram oferecer taxas relativamente altas de rendimentos. As contas, chamadas de “icesave”, atraíram muitos pequenos investidores ingleses e holandeses; mas, à medida que os investimentos cresceram, isso também aconteceu com a dívida dos bancos estrangeiros. Em 2003, a dívida da Islândia era igual a 200 vezes o seu PIB, mas em 2007 ela chegou a 900 vezes. A crise financeira mundial de 2008 foi o golpe de graça. Os três principais bancos islandeses, Landbanki, Kapthing e Glitnir, quebraram e foram nacionalizados, enquanto que a coroa islandesa perdeu 85% do seu valor em relação ao euro. No final do ano, a Islândia se declarou falida. 

Contrariamente ao que se poderia esperar, a crise deu lugar à recuperação dos direitos soberanos dos islandeses, através de um processo de democracia direta participativa, que finalmente conduziu a uma nova Constituição, mas depois de muita dor.

 

Geir Haarde, o Primeiro-Ministro de um governo de coalizão social democrata, negociou 2,1 bilhões de dólares em empréstimos, aos quais os países nórdicos acrescentaram outros 2,5 bilhões. Contudo, a comunidade financeira estrangeira pressionava a Islândia para impor medidas drásticas. O FMI e a União Européias queriam assumir o controle da sua dívida, alegando que era o único caminho para que o país pagasse seus débitos com a Holanda e a Inglaterra, que tinham prometido reembolsar seus cidadãos.

Os protestos e os distúrbios continuaram e, finalmente, obrigaram o governo a renunciar. A eleições foram antecipadas para abril de 2009, resultando na vitória de uma coalizão de esquerda que condenava o sistema econômico neoliberal, mas que de imediato cedeu às demandas de que a Islândia deveria pagar de 3,5 bilhões de euros. Isso requereria de cidadão islandês 100 euros por mês (perto de 130 dólares) durante 15 anos, com 5.5% de juros, para pagar uma dívida contraída pelo setor privado. Foi a gota dágua.

O que aconteceu depois foi extraordinário. A crença de que os cidadãos tinham que pagar pelos erros de um monopólio financeiro e que a toda uma nação deveria se impor o pagamento de dividas privadas se desmanchou, transformou-se a relação entre os cidadãos e suas instituições políticas e finalmente conduziu os líderes da Islândia para o lado de seus eleitores. O chefe de estado, Olafur Ragnar Grimsson, negou-se a ratificar a lei que fazia os cidadãos islandeses responsáveis pela sua dívida bancária, e aceitou os chamados para um referendum

Obviamente, a comunidade internacional só aumentou a pressão sobre a Islândia. A Grã-Bretanha e a Holanda ameaçaram com represálias terríveis e isolamento do país.

Como os islandeses foram votar, os banqueiros estrangeiros ameaçaram bloquear qualquer ajuda do FMI. O governo britânico ameaçou congelar as poupanças e as contas correntes islandesas.

Como disse Grimsson, “nos disseram que se nos negássemos a aceitar as condições da comunidade internacional, nos transformariam na Cuba do Norte. Mas, se tivéssemos aceitado, nos teriam convertido no Haiti do Norte”.

Quantas vezes tenho escrito que, quando os cubanos vem o estado lamentável do seu vizinho Haiti, podem considerar-se afortunados?

No referendum de março de 2010, 93% votou contra a devolução da dívida. O FMI imediatamente congelou seus empréstimos, mas a revolução (ainda que não tenha sido televisada nos EUA) não se deixou intimidar. Com o apoio de uma cidadania furiosa, o governo iniciou investigações cíveis e criminais em relação aos responsáveis pela crise financeira. A Interpol emitiu uma ordem internacional de detenção para o ex-presidente de Kaupthing, Sigurdur Einarsson, assim como também para outros banqueiros implicados que fugiram do país.

Mas os islandeses não pararam aí: Decidiu-se redigir uma nova constituição que libere o país do poder exagerado das finanças internacionais e do dinheiro virtual (a que estava em vigor tinha sido escrita no momento em que a Islândia se tornou independente da Dinamarca, em 1918, e a única diferença com a constituição dinamarquesa era que a palavra presidente tinha sido substituída pela de “rei”.

Para escrever a nova constituição, o povo da Islândia elegeu vinte e cinco cidadãos entre 522 adultos que não pertenciam a nenhum partido político, mas recomendados por pelo menos trinta cidadãos. Esse documento não foi obra de um punhado de políticos, mas foi escrito na Internet.

As reuniões dos constituintes foram transmitidas online, e os cidadãos podiam enviar seus comentários e sugestões vendo o documento, que ia tomando forma. A Constituição que eventualmente surgirá desse processo democrático participativo será apresentada ao Parlamento para sua aprovação depois das próximas eleições.

Alguns leitores lembrarão do colapso agrário da Islândia no século IX, que é citado no livro de Jared Diamond, com esse mesmo nome. Hoje em dia, esse país está se recuperando de seu colapso financeiro de formas em tudo contrárias às que eram consideradas inevitáveis, como confirmou ontem a nova diretora do FMI, Chistine Lagarde, a Fared Zakrie. Ao povo da Grécia disseram que a privatização de seu setor público é a única solução. Os da Itália, Espanha e Portugal enfrentam a mesma ameaça.

Deveria se olhar para a Islândia. Ao negar a submeter-se aos interesses estrangeiros, esse país indicou claramente que o povo é soberano.

É por isso que ele não aparece nos noticiários.



Publicado por [FV] às 11:25 de 14.06.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Vacas sagradas

É por estas e por muitas outras, iguais ou idênticas, é que o país está na penúria e o Estado não tem dinheiro para as necessidades mais elementares e nos saca os subsídios e o dinheiro das nossas reformas, o que fomos acumulando ao longo de uma extensa vida activa.

Só presidentes já são, daqui a pouco, quatro (Eanes, Soares, Sampaio e cavaco, seriam mais dois se Spínola e Costa Gomes não tivessem já falecido) com principescas mordomias. Primeiros-ministros são tantos que se tornaria fastidioso enumera-los a todos que de um modo ou de outro estão isentos até de responder em tribunal presencialmente. Enfim, cidadãos especiais e não interpares.

Ainda agora, um desses presidentes, apanhado e multado por circular em excesso de velocidade no carro pago por todos nos (os que pagamos impostos), terá respondido, num misto meio arrogante meio sem-vergonha que “o Estado é que vai pagar!”. Ele há coiiiiiiiiiiiisas!!!!!!!!

Eles a dar-lhe e os nossos mais elementares direitos a fugirem. É a vida!



Publicado por Zurc às 14:23 de 07.04.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Presidentes

Já são dois (Alemanha e Hungria) os presidentes que, em tão pouco tempo e por razões menos graves, se demitem.

Nós por cá, país de brandos costumes, de pouca ética e menos  transparência mas de elevada corrupção, não há mais valias mal explicadas em acções de bancos e sociedades que sacam o coiro e o cabelo dos contribuintes ou aquisições de Coelheiras em vivendas no Algarve, perdão, aquisição de vivenda na Coelheira (é qualquer coisa assim, não é?) faz cair quem quer que seja, muito pelo contrario, há quem se levante…

Não percamos a esperança, talvez um dia os ventos do Norte (da Europa) cheguem até este jardim junto do mar chamado Portugal!



Publicado por Otsirave às 15:50 de 03.04.12 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

autárquicas 2013: em coligação, por que não?

Ainda falta muito tempo, é certo. Contudo, é tempo de se iniciar o debate. O futuro é já amanhã e o tempo corre depressa, demasiado depressa.

O respeito por públicas virtudes que, raramente têm sido observadas, deveria fazer reflectir, muito especialmente, os militantes dos partidos e, também, cidadãos em geral, perante a necessidade de, ao nivel autarquico, serem dados exemplos factuais de bom governo, dos escassos recursos provenientes dos impostos dos contribuíres, de todos nós que os pagamos.

Por esse desiderato, todos sem excepção, nos deveríamos comprometer mas, muito especialmente, deveria ser compromisso das organizações de esquerda e, concretamente em Lisboa, deveria desembocar num projecto de unidade. Uma unidade respeitadora de diferenças, congregadora de vontades e saberes, convergindo num acordo para a constituição de uma “frente eleitoral comum” para o bom governo da cidade, cujo lema poderia ser: “Pela Esquerda é que Vamos: Uma Lisboa de Pessoas”. Em tais termos talvez, eu próprio, ainda pensasse em fazer parte de alguma credível coligação, envolvendo gente de boas vontades.

Aqui, no LUMINÁRIA, sempre se promoveu o debate de ideias, se deu espaço à confrontação, positiva, de pontos de vista e abrigo à divulgação das diferentes opiniões.

O LUMINÁRIA sempre foi espaço de encontros e desencontros, escritos e comentados, pois vamos a isso e, se o novo ano nos aumenta, desmesuradamente, as taxas moderadoras dos serviços de saúde e nos retira a totalidade dos benefícios fiscais que não nos roube a capacidade do debate. Dê-se pois continuidade à litigância das ideias que das outras não é aqui o seu fórum próprio e, a avaliar pelo que por aí vai, desconhece-se onde seja.



Publicado por Zé Pessoa às 14:51 de 26.03.12 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Autarquias: é, também, por isso que eu não sou candidato

“Lei dos autarcas em trânsito”

O legislador português, leia-se governo ou deputados da Assembleia da República (com a conivência do PR que promulga as respectivas leis sem recomendar as alterações pertinentes), há muito é fazedor de leis, quase, por encomenda ou que acabam por constituir-se numas verdadeiras aberrações.

Vejam-se casos como a lei do combate à corrupção e, aos chamados, crimes de colarinho branco que, o actual Procurador-Geral da República, acabou de contestar (só agora!) na primeira comissão parlamentar (é caso para lamentar, mesmo) ou a lei que aprovou o Orçamento de Estado em vigor e que Sua Ex.ª o presidente aprovou na íntegra, embora tanto peso de má consciência tenha apregoado sobre o dito exagero de sacrifícios impostos ao povo em geral e aos funcionários públicos em particular.

Agora que se aproxima o tempo de pesca aos candidatos autárquicos há quem diga que a lei 46/2005 aprovada a 29 de agosto e, ainda, em vigor, limitadora de mandatos poderá constituir-se num verdadeiro embuste. A dita lei teria como objectivos fundamentais (e foi assim entendido pelo comum dos cidadãos) promover a rotatividade dos eleitos, rejuvenescer os hábitos, as condutas e as pessoas no desempenho de tais funções, além, muito naturalmente dinamizar a democracia quer no interior dos partidos como da sociedade em geral e ainda, talvez até o mais significativo anular ou mesmo combater práticas de corrupção.

Afinal, a lei parece que tem alçapões e os ditos (amigos do povo) poderão perpetuar-se desde que mudem de “pastagens” perdão de território. Ou seja, os actores podem continuar a ser os mesmos se passarem a actuar noutro teatro ou mudarem de peça podendo até continuar a interpretar o mesmo número.

Agora, vejam bem a hipocrisia, discute-se se a interpretação do conceito de limitação deve ser feita em termos de território ou em termos de função? Isto é; se o elefante pode continuar a sê-lo mudando de território ou se vestindo a pele de outro bicho se pode manter no mesmo jardim? O debate em torno do “sexo” da lei é saber se a limitação diz respeito ao território ou à função exercida? Será uma questão cultural? Ou será fisiológica? Filosófica não será, provavelmente!

Como se avizinha o tempo das grandes decisões sobre a vida colectiva na defesa dos interesses dos fregueses (caso das freguesias) ou dos munícipes (caso das Câmaras) parece que cada um dará a interpretação que em cada caso lhe convenha e não segundo o espírito interpretado pela generalidade da população.

Assim, onde as máquinas internas, tanto das freguesias como das câmaras municipais, funcionarem com, mais ou menos, formas de actuação corruptivas assim continuarão.

Sugiro que ao menos alterem a designação da lei e em vez de lhes chamarmos “lei de limitação de mandatos” se passe a designar por “lei dos autarcas em trânsito”. 



Publicado por Zé Pessoa às 09:23 de 02.03.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Um Presidente fugitivo? Demita-se!

Cavaco Silva que depois de vária gafes comunicacionais e erros políticos como sejam as referências à defesa do povo e defendendo que o mesmo não pode suportar mais sacrifícios acaba por aprovar leis draconianas para esse mesmo povo ou a lamúria em torno da sua pertença curta pensão, acabando por fugir dos jovens estudantes que apenas pretendiam que ele fosse portador das suas queixas junto do governo.

O actual Presidente foge dos jovens que já não suporta e não é capaz de ouvir, faz-se surdo às perguntas dos jornalistas e esconde-se do povo que o elegeu, pois se até os chamados roteiros deixaram de ser em percurso aberto e passaram a realizar-se à porta fechada.

A evolução de Cavaco Silva vai desde um presidente facebook a um presidente em fuga. Portugal além das crises (são varias e diversas) desde um governo ideologicamente faccioso pelo combate ao deficit e no cumprimento de decisões para além das exigidas pela Troika mais parecendo ao serviço dos especuladores financeiros do que da população que o elegeu tem agora um presidente que foge.

Os portugueses não elegeram nem merecem ter um Presidente faz de conta e sem nenhuma coragem para defender os fracos deste país, pelo que faria bem se seguisse o exemplo do Presidente da Alemanha, apesar de, tanto quanto se sabe, este não ter amigos do tipo Dias Loureiros, Duartes Limas ou Oliveiras.

 



Publicado por Zurc às 17:46 de 20.02.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Cópias e reles imitações

Eu, Zé Pessoa, que faz tempo aqui não rabisco uma palavra, sou uma cópia de mim mesmo, sou uma cópia de todos os zés, sou uma cópia de todas as pessoas. Mas tento ser uma cópia o mais fiel possível. Raramente o consigo.

Os que me lêem ou comentam, são cópias uns dos outros e, alguns, que pouco criam ou constroem, passam a vida a copiar.

Vejam, por exemplo, que o actual Presidente da República é uma cópia de um ex-Primeiro Ministro que, por sua vez, foi cópia de um ministro das finanças, o qual já havia sido cópia de um tal professor de economia, cópia de um aluno universitário vindo das berças algarvias algures de um lugar chamado Boliqueime.

O actual Primeiro-ministro é uma, quase reles, cópia de si próprio, de tão fraca qualidade que se torna irreconhecido, face ao original.

Os ministros são umas cópias, de fraca qualidade, dos seus antecessores, pese embora o facto de muitos deles terem sido "importados" numa tentativa de iludir a fraca qualidade das cópias.

O líder da oposição, um tal Seguro, é uma cópia do actual 1º ministro, ainda que tentem disfarça-lo, através de artifícios e retoques fotoshopianos.

Os deputados da Assembleia da República são cópias, uns dos outros, e os actuais cópias, desbotadas, dos que lhes antecederam, sendo que dos originais já nenhum resta.

Os líderes europeus nem cópias chegam a ser dos seus antecessores, tão medíocre é o seu papel que não vão além de reles imitações.

A própria europa é hoje uma cópia, pardacenta, de si própria, inserida num mundo que se descaracteriza face às suas históricas raízes, cuja descoloração lhe não permite vislumbrar a cor do futuro mais ou menos próximo ou longínqua.



Publicado por Zé Pessoa às 15:53 de 23.10.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

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