O BPN e outros escândalos ofensivos da ética e da moral

João Marcelino considerou, no DN, já em Março deste ano, o caso BPN como “o maior escândalo financeiro da história de Portugal".

Não se pode esperar (já deram provas bastante) que os actuais dirigentes do PSD se desmarquem das ovelhas negras que protagonizaram este roubo, e que façam algum esforço para que a Justiça julgue e condene os responsáveis.

O caso BPN considerado a Maior Burla de Sempre em Portugal envolve um número é demasiado grande para caber nos jornais nada menos do que 9.710.600.000,00€, (consegue intender o tamanho deste númeroa?) além disso, reparem bem, nos protagonistas, tudo “gente de falas mansas e bom trato”, bem posicionada nos meandros financeiros e intocáveis, também, por parte do Ministério Publico e tribunais!

 

Não há registo de alguma vez ter havido um roubo desta dimensão e nem com tanta conivência e encobrimento por parte de políticos bem instalados no poder. Este rombo foi “tapado” por uma nacionalização que já custou, directamente, 2.400 milhões de euros furtados por gestores de fortunas privadas em Gibraltar, empresas do Brasil, offshores de Porto Rico, um oportuno banco de Cabo Verde e a voracidade de uma parte da classe política portuguesa que se aproveitou desta vergonha criada por figuras importantes daquilo que foi o cavaquismo na sua fase executiva”.

O BPN criado em 1993 com a fusão das sociedades financeiras Soserfin e Norcrédito que era pertença da Sociedade Lusa de Negócios (SLN) tornou-se conhecido como banco do PSD, proporcionando "colocações" para ex-ministros e secretários de Estado sociais-democratas. O homem forte do banco era José de Oliveira e Costa, que Cavaco Silva foi buscar em 1985 ao Banco de Portugal para ser secretário de Estado dos Assuntos Fiscais e assumiu a presidência do BPN em 1998, depois de uma passagem pelo Banco Europeu de Investimentos e pelo Finibanco.

Além de Oliveira e Costa por ali passaram, também, Manuel Dias Loureiro que entrou na política em 1992 com quarenta contos e agora tem mais de 400 milhões de euros, Daniel Sanches, Rui Machete, Amílcar Theias e Arlindo Carvalho

O resto da história é mais ou menos conhecido e terminou com o colapso do BPN, sua posterior nacionalização e descoberta de um prejuízo de 1,8 mil milhões de euros, que os contribuintes tiveram que suportar.

O Que aconteceu ao dinheiro do BPN? Foi aplicado em bons negócios que geraram lucros e que Oliveira e Costa dividiu, generosamente, pelos amigos e seus homens de confiança em prémios, ordenados, comissões e empréstimos bancários e, em muito maus negócios que continuam a exigir ao povo que pague sem que alguém seja obrigado a devolver o que rapinou.

Outro social-democrata com ligações ao banco é Duarte Lima, ex-líder parlamentar do PSD, que se mantém em prisão preventiva por envolvimento fraudulento com o BPN. Em 2001 comprou a EMKA, uma das offshores do banco por três milhões de euros, tornando-se também accionista do BPN.

Em 31 de julho, o ministério das Finanças anunciou a venda do BPN, por 40 milhões de euros, ao BIC, banco angolano de Isabel dos Santos, filha do presidente José Eduardo dos Santos, e de Américo Amorim, que tinha sido o primeiro grande accionista do BPN.

O BIC é dirigido por Mira Amaral, que foi ministro nos três governos liderados por Cavaco Silva e é um dos mais famosos pensionistas de Portugal devido à reforma de 18.156 euros por mês que recebe desde 2004, aos 56 anos, apenas por 18 meses como administrador da CGD.

Cavaco Silva também beneficiou da especulativa e usurária burla que levou o BPN à falência.

Em 2001, ele e a filha compraram (a 1 euro por acção, preço feito por Oliveira e Costa) 255.018 acções da SLN, o grupo detentor do BPN e, em 2003, venderam as acções com um lucro de 140%, mais de 350 mil euros.

Por outro lado, Cavaco Silva possui uma casa de férias na Aldeia da Coelha, Albufeira, onde é vizinho de Oliveira e Costa e alguns dos administradores que afundaram o BPN. O valor patrimonial da vivenda é de apenas 199. 469,69 euros e resultou de uma permuta efectuada em
1999 com uma empresa de construção civil de Fernando Fantasia, accionista do BPN e também seu vizinho no aldeamento.

O julgamento do caso BPN já começou, mas, muito estranho(?), os jornais pouco têm falado nisso. Há 15 arguidos, acusados dos crimes de burla qualificada, falsificação de documentos e fraude fiscal, mas nem sequer se sentam no banco dos réus.

Nos EUA, Bernard Madoff, autor de uma fraude de 65 biliões de dólares, já está a cumprir 150 anos de prisão, mas os 15 responsáveis pela falência do BPN estão a ser julgados por juízes "condescendentes", vão apanhar talvez pena suspensa e ficam com o produto do roubo, já que
puseram todos os bens em nome dos filhos e netos ou pertencentes a empresas sediadas em paraísos fiscais.

Ninguém estranhou (?) que Oliveira e Costa tenha colocado as suas propriedades e contas bancárias em nome da mulher, de quem entretanto se divorciou após 42 anos de casamento. Se estivéssemos nos EUA, provavelmente a senhora teria de devolver o dinheiro que o marido ganhou em operações ilegais, mas no Portugal dos brandos costumes talvez isso não aconteça.

Dias Loureiro também não tem, agora, bens em seu nome. Tem uma fortuna de 400 milhões de euros e o valor máximo das suas contas bancárias são apenas cinco mil euros.

Não há dúvida que os protagonistas da fraude do BPN foram meticulosos, preveniram eventuais consequências e seguiram a regra de Brecht: “Melhor do que roubar um banco é fundar um”.

Em defesa da ética, da moral e do regime democrático não parem de reivindicar, em nome da Cidadania, que estes pessoas  têm de ser responsabilizadas e condenadas a devolver o que rapinaram. Reivindiquemos, também, acabar com o escândalo de um jardim a receber mais de 150.000,00 de reforma em cada mês que passa.



Publicado por Zé Pessoa às 11:11 de 24.10.12 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

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