Coligação Europeia anti-tragédia económica, social e democrática

Curiosas coincidências vindas da frente anti-austeritária italiana  (Ricardo P.Mamede, 14/1/2014)

 
     Chegam de Itália notícias que soam familiares. Várias dezenas de cidadãos com uma história de intervenção activa na vida política italiana desafiam as forças de esquerda a juntarem-se em algo maior. O mote é a proposta de apoio a Alexis Tsipras, o dirigente da esquerda grega, na sua candidatura a presidente da Comissão Europeia, enquanto representante de uma Europa de solidariedade e de progresso. Lê-se na versão online do diário romano La Repubblica de há dois dias (a tradução é minha):
       "Gostaríamos que em Itália surgisse uma lista cidadã, de cidadãos activos, uma lista de pessoas que escolhem Tsipras como um candidato para a presidência da Comissão Europeia.   Não é fácil, porque temos muito pouco tempo para criar algo.   Para fazer isso, precisamos de toda a intelegência de Tsipras, aquela que lhe permitiu formar uma coligação entre as várias áreas da esquerda grega.   Uma coligação com prioridades bem definidas.   É claro que não deve ser uma mera coligação dos antigos partidos de esquerda radical, porque ela não teria nenhuma hipótese de sucesso.  Precisamos de algo maior, algo para sacudir a consciência da sociedade, indo além das margens muito estreitas das formações políticas existentes. Com o objetivo de unir as forças da sociedade afectadas pela crise".
     Poucas semanas antes era lançado o manifesto (no diário Il Manifesto) que transcrevo abaixo.   Um texto pouco habitual num país que se habituou a ver na Europa o modo de transcender as suas tensões e contradições internas:
     "Ao Presidente da República, Giorgio Napolitano Ao Presidente do Conselho de Ministros, Enrico Letta Ao Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, Ao Governador do Banco Central Europeu, Mario Draghi. 
      A crise já dura há seis anos.   Provocada por trinta anos de neoliberalismo, por sua vez, agrava a pobreza e a desigualdade.   Multiplica o exército dos desempregados.   Destrói o Estado-Providência e desmantela os direitos dos trabalhadores .   Compromete o futuro das gerações mais jovens .   Produz uma regressão intelectual e moral geral.   Mina os fundamentos das constituições democráticas que nasceram no pós-guerra. Alimenta o ressurgimento nacionalista e neo-fascista.
      Concebida como um sinal de esperança, uma Europa unida, árbitro da cena política continental, representa hoje, aos olhos da maioria das pessoas, um poder hostil e ameaçador.   E a própria democracia a surgir como um mero simulacro, ou pior, um engano perigoso.  Para quê?   É a crise, como é habitual repetir-se, a causa imediata de tal estado de coisas? 
     Ou são as políticas orçamentais que, por recomendação das instituições europeias, os países da zona do euro implementam para lhe fazer face, em conformidade com os princípios neoliberais?    Nós acreditamos que esta última é a verdade.    Estamos convencidos de que a política económica adoptada pelos governos europeus, longe de combater a crise e promover a recuperação económica, fortalece a primeira e impede a segunda.   Os tratados europeus prescrevem uma austeridade financeira que é incompatível com o desenvolvimento económico, bem como qualquer política redistributiva, de equidade e de progresso.   
    Os sacrifícios impostos a milhões de cidadãos não só resultam em situação de pobreza e sofrimento, mas, deprimindo a procura, também impedem o crescimento económico.   Desta forma, a Europa, a região do mundo potencialmente mais avançada e próspera, arrisca-se a entrar numa trágica espiral de destruição. 
    Isto não pode continuar.   É urgente mudar de rumo, atribuindo às instituições políticas, nacionais e comunitárias, a tarefa de implementar políticas expansionistas, e ao Banco Central Europeu a função prioritária de estímulo ao crescimento.   Se a obrigação de um equilíbrio orçamental surgiu até aqui como uma escolha forçada, manter essa atitude constituiria um erro imperdoável e seria a responsabilidade mais grave que uma classe dominante poderia assumir perante uma sociedade que tem o dever de proteger."  
    Encontrar o justo equilíbrio entre utilizar o principal espaço de democracia ao nosso dispôr - o nacional - e juntar forças com quem não desiste de uma Europa de progresso: eis um dos grandes desafios dos nossos tempos.


Publicado por Xa2 às 07:40 de 15.01.14 | link do post | comentar |

Os resultados eleitorais do ciclo de 2009

A maior parte da poeira levantada, em Portugal, pelo mais recente ciclo de eleições, já se aquietou. Cavou-se, assim, uma distância suficiente para se poder comentar serenamente o significado político dos resultados verificados nas últimas três eleições: europeias, legislativas e autárquicas. Sem retirar a cada uma delas uma importância própria, eram as legislativas que decidiam qual o partido que lideraria ou se responsabilizaria sozinho pelo governo, durante a nova legislatura.

O PS perdeu as eleições europeias, sendo o segundo partido; ganhou as legislativas com maioria relativa, tendo deixado o segundo partido, sete pontos atrás; e teve um resultado autárquico bom, em comparação com os resultados obtidos nas últimas décadas. O resultado das autárquicas pode, aliás, considerar-se uma vitória, se o critério de seriação for o número de votos, ou de mandatos, obtidos no plano municipal.

E o PS só ficou atrás do PSD em número de presidências de câmaras municipais, e mesmo aí separado apenas por sete vitórias num total de trezentos municípios, mas, mesmo neste caso, ao conseguir 132 presidências de câmara, ultrapassou em cinco o que fora até então o seu melhor resultado. Se pensarmos que o PSD concorreu coligado em cerca de sessenta municípios (dos quais ganhou 19); e que o PS "conquistou" Lisboa, sem se coligar com qualquer outro partido, tendo progredido mais de vinte presidências, em face dos números 2005, facilmente podemos constatar que este último partido obteve um resultado extremamente positivo nas últimas eleições do ciclo, o qual representou um reforço da posição política em que ficara após as eleições legislativas.



Publicado por JL às 00:02 de 02.11.09 | link do post | comentar |

Com a “verdade” me enganas

Cabeça de lista do PSD às europeias admite não cumprimento do mandato

Rangel poderá abandonar Parlamento Europeu caso PSD vença as legislativas

 


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Publicado por JL às 23:15 de 19.06.09 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

O resultado das eleições europeias

1. Para o PS, as recentes eleições europeias traduziram-se num verdadeiro desastre. Não tanto pelo facto de ter passado a ser o segundo partido mais votado, a cinco pontos do primeiro, mas, principalmente, pela quebra percentual que sofreu, quer se tenha como termo de comparação o resultado das anteriores eleições europeias, quer o resultado das eleições legislativas de 2005, bem como pela modéstia do número de votos obtidos que ficou abaixo do milhão.

Este desastre teve dois efeitos colaterais visíveis. Primeiro, o maior partido da direita passou para a frente, e somando-se ao PP fez com que a direita no seu todo atingisse o patamar dos 40%, o que significa que o PS ficou 14% abaixo de um dos patamares de governabilidade de um governo seu de maioria relativa; ou seja, o de ter mais votos sozinho do que a direita junta. E esses mesmos 40%, alcançados pela direita, tornaram a hipótese de uma vitória sua, nas próximas eleições legislativas, um objectivo admissível. Segundo efeito: os dois partidos que com o PS partilham o espaço da esquerda, atingiram os 21% o que significa uma subida de 7% em face das eleições legislativas de 2005.Ou seja, em 2005, o PS estava cerca de 4% acima do triplo dos votos somados do BE e do PCP, e agora tem apenas pouco mais do que 5% acima dessa soma.

A conjugação desses dois efeitos potencia a perigosidade de cada um deles para o PS. Na verdade, pelo facto de ser relativamente mais fraco no conjunto da esquerda, pode ver atenuada a sua aura de único partido desse espaço com hipóteses de ser poder, vendo assim diminuído o seu potencial de atracção dos hesitantes do centro. Por outro lado, pelo facto de se mostrar mais distante da obtenção de uma maioria absoluta, correndo mesmo o risco de não ser sequer o partido mais votado, pode ver diminuída a sua capacidade de polarizar o voto útil à esquerda.

2. Esta frágil prestação nacional do PS viu os seus efeitos e o seu significado agravados pelo resultado obtido à escala europeia pelo grupo político de que faz parte. De facto, o Partido Socialista Europeu (PSE) sofreu nestas eleições um grave revés. Já tinha tido um mau resultado nas eleições anteriores, com o qual aliás contribuiu decisivamente para que a esquerda europeia, no seu todo, fosse minoritária no Parlamento Europeu, para além de ele próprio ter ficado muito atrás do Partido Popular Europeu (PPE). Mas conseguiu o que parecia impossível: piorá-lo. De facto, o PSE passou de 216 para 159 deputados, ou seja perdeu 57 deputados. Isto é, bem mais do que os 21 perdidos pelo PPE, que passou de 288 para 267.

Sem retirar significado político a estas perdas, há que dizer que ao PPE faltam agora os 28 deputados conservadores britânicos perdidos pela saída dos Conservadores ingleses, enquanto ao PSE faltam os 18 deputados italianos dos DS que saíram do PSE, pelo facto de o novo Partido Democrático, onde se diluíram os antigos DS, ao contrário destes, não ser parte do PSE. De um modo ou de outro, ficou claro que a relação de forças entre o PPE e o PSE evoluiu favoravelmente ao primeiro.

Se considerarmos que estas eleições ocorreram em plena crise do capitalismo mundial, bem clara no espaço europeu, não podemos deixar de sublinhar um correspondente acréscimo de humilhação para a esquerda, pelos resultados eleitorais alcançados. O eleitorado não lhe atribuiu credibilidade para pilotar o poder político nestes tempos difíceis, preferindo correr o risco de continuar a apostar nos que directa ou indirectamente a causaram. De facto, sem esquecer que o número total de deputados europeus diminuiu de 783 para 736, se considerarmos como sendo a esquerda a soma dos três grupos (PSE, Verdes e a UGE), verificamos que em 2004 elegeram (216, 43, 41) 300 deputados, mas em 2009 elegeram apenas (159, 51, 33) 243 deputados.

Além das perdas socialistas, as perdas do grupo a que pertencem o PCP e o Bloco foi apreciável, dado que perderam 20% dos deputados que antes tinham. A subida dos Verdes é equivalente e significativa, mas deve ser relativizada pelo facto de ser, na verdade, um fenómeno nacional, já que foi em França que se gerou esse salto, onde os Verdes ganharam 8 novos deputados. Isto, sem querer analisar aqui em que medida esta subida não foi acompanhada de uma deriva centrista desta área política.

Verificamos pois que no Parlamento Europeu, dentro do conjunto da esquerda, continua a ser o PSE o grupo mais relevante, enquanto os Verdes, por um lado, e os Comunistas e afins, por outro, continuam com uma dimensão reduzida. No entanto, enquanto em 2004 os dois últimos tinham quase o mesmo número de deputados, agora os primeiros destacaram-se claramente. E, uma vez que os Comunistas e afins perderam terreno e o progresso dos Verdes resulta do seu aumento num único país, verifica-se que a confiança dos eleitores socialistas que não votaram PSE não se transferiu para a outra esquerda, parecendo, pelo contrário, ter-se diluído na abstenção ou na descrença quanto à política institucional.

Assim, pode dizer-se que, não havendo em Portugal nenhum partido ligado ao grupo dos Verdes, o PS acompanhou a descida dos socialistas nos outros países, embora numa escala superior à da respectiva média, enquanto se pode considerar que o PCP e o BE contrariaram a tendência geral do grupo a que pertencem, subindo quando a tendência europeia foi a inversa.

3. Este panorama da esquerda europeia já seria, por si só, suficientemente negativo para fazer pensar todos aqueles que se considerem como parte dela. E, principalmente, quem se identifique com o PSE.

Mas há alguns detalhes nacionais que o agravam. O Partido Trabalhista Britânico viu a sua maioria absoluta esfumar-se, sendo atirado para um humilhante 3º lugar com uns modestos 12 deputados (1 deputado mais do que o 4º partido) em 72 possíveis; ou seja, menos de metade do que o número de deputados eleitos pelos Conservadores (29).

O Partido Social-Democrata Alemão, parceiro despercebido de uma grande coligação com a Democracia – Cristã, onde só a respectiva leader tem visibilidade, cometeu a difícil proeza de não superar os péssimos resultados obtidos em 2004, ficando com o mesmo número de deputados, 23. Os liberais subiram (de 7 para 12) os Verdes mantiveram (13) também o mesmo número de deputados e o partido da Esquerda subiu de 7 para 9 deputados, o que se afigura como um modesto aproveitamento do facto do SPD estar no governo com os DC da Sr.ª Merkl. Esta viu os seus democratas – cristãos, no seu todo, perderem 7 deputados, conservando no entanto um confortável grupo de 42.

Na Itália, consumou-se a não entrada do novo Partido Democrático no PSE, do qual antes faziam parte os Democratas de Esquerda que, com a ala esquerda da antiga democracia cristã, foram a base do referido partido. Apesar dessa mutação o PD ficou-se pelos 26,2% elegendo 22 deputados. Os outros partidos de esquerda, incluindo a Refundação Comunista e dissidentes dos DS, apresentaram-se separados em duas listas, nenhuma das quais superou a barreira dos 4%, o que os fez ficar sem representação no PE. Ou seja, antes destas eleições o PSE tinha na Itália 16 deputados, os Verdes tinham 2 e as outras esquerdas incluindo os comunistas tinham 7. Isto é, as esquerdas italianas contribuíam até há pouco, para os respectivos grupos europeus, com 25 deputados, desde as últimas eleições contribuem com zero.

No final dos anos 90, os socialistas polacos eram o apoio principal de um governo liderado por eles e dotado de uma maioria parlamentar. Tinham conseguido fazer eleger um Presidente da República saído das suas fileiras. Foram aplicados seguidores do “blairismo”, até ao ponto de deixarem envolver a Polónia na aventura iraquiana. Em eleições subsequentes, foram pulverizados, permitindo que o poder se decidisses na Polónia entre conservadores e liberais, de tal modo se tornaram irrelevantes. Em 2004, eram a terceira força, com 8 deputados em 54; agora são a terceira força com 6 deputados em 50. À frente deles, estão os apoiantes do PPE com 28 deputados e os nacionalistas com 16.

Em França, os socialistas tiveram um dos seus piores resultados de sempre, com 16,48% dos votos e 14 deputados, os Verdes quase os igualaram em votos, 16,28 % e tiveram também 14 eleitos. A aliança entre os comunistas e o novo Parti de Gauche (dissidência recente do PS) teve 6,4% dos votos e elegeu 5 deputados. Pelo contrário, o Novo Partido Anti-capitalista, recentemente criado a partir de um dos partidos trotskistas, não conseguiu eleger qualquer deputado, apesar de ter tido 4,88 % dos votos. Verifica-se que o grande recuo do PSF foi relativamente compensado por uma subida dos Ecologistas, faltando saber se estes se manterão ancorados à esquerda ou se entrarão numa deriva centrista que alguns vaticinam. A coligação do PG com os comunistas no Front de Gauche deu algum resultado, mas esteve muito longe de compensar as perdas do PS, mesmo tendo em conta o progresso dos ecologistas. O Novo Partido Anti-capitalista, que se recusou a aliar ao FG e não conseguiu absorver a Lutte Ouvriére (1,20 %), não conseguiu eleger nenhum deputado, pagando assim de algum modo o seu sectarismo.

Estes exemplos mostram como, num conjunto de países do maior relevo, no contexto europeu, o PSE sofreu revezes importantes ou prosseguiu numa decadência antes iniciada. Mas, os seus revezes não se converteram na expansão generalizada das outras componentes da esquerda europeia. Pelo contrário, o grupo dos comunistas e afins ficou ainda mais débil, sendo, até à eventual criação de novos grupos, o menos numeroso grupo político do Parlamento Europeu. Os Verdes viram a sua força aumentar, mas esse aumento aconteceu apenas num muito pequeno número de países, e especialmente em França, estando por apurar se permanecem ancorados à esquerda, fieis á sua génese e ao essencial da sua lógica prospectiva, ou se deslizam para a terra de ninguém da ambiguidade centrista.

4. As esquerdas europeias não souberam, pois como se viu, nestas eleições, oferecer um caminho crível de combate à crise, que incorporasse em si próprio elementos que tornassem impossível a sua repetição. E em particular, a sua componente tendencialmente hegemónica , o PSE, foi incapaz de traduzir os seus resmungos contra o neo-liberalismo num inventário crítico de todas as sequelas que ele deixou nas políticas seguidas, antes do eclodir da crise, para radicar aí a novidade das sua propostas. Isso mesmo ficou patente com o documento político que lançou para estas eleições europeias. Um texto previsível e redondo, onde não se encontrava uma ousadia futurante, nem corria a mais leve aragem de alternatividade, por contraponto ao presente.

O PS português não soube fugir a essa rotina, não tendo conseguido afirmar, por intermédio de duas ou três opções estratégicas estruturantes, a sua capacidade inovadora e um verdadeiro potencial de esperança. Apenas a título de exemplo, sublinhemos algumas omissões que, a meu ver, ilustram essa rotina.

Não pugnou por uma profunda modificação do pacto de estabilidade, de modo a que a União Europeia deixe de estar refém de um constrangimento, que corresponde ao que há de pior na deriva neoliberal que levou à crise em que hoje estamos.

Não deu relevo à necessidade de uma política europeia que encare a economia social, nas suas vertentes cooperativa, mutualista e solidária, como um dos vectores decisivos do desenvolvimento social no seio da União.

Não exigiu a subordinação do Banco Central Europeu ao poder político democrático, expurgando a União Europeia dessa excrescência anti-democrática.

Antes destas eleições, o”blairismo” era já um cadáver político, arrastando-se entre uma teimosa inércia de sobrevivência e a saudade do que nunca conseguiu ser. Agora é preciso enterrá-lo. Enterrar não só o que sobrou das suas posições assumidas, mas também o que sobrevive como reflexo despercebido, mas nem por isso menos perverso e claramente esterilizador da possibilidade de inovação políticas dos partidos membros da Internacional Socialista.

5. O texto já vai muito longo. Fica pois por aqui um primeiro balanço político das eleições europeias. Outros textos se seguirão. [Rui Namorado, O Grande Zoo]



Publicado por JL às 18:53 de 14.06.09 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

O espectro da ingovernabilidade

Os 26% que o PS conquistou nestas eleições colocam o partido próximo dos seus mínimos históricos de 1985 e 1987 e representam, em votos expressos – menos de um milhão –, o resultado mais baixo do PS de sempre.

Contudo, ao contrário do que costuma ser regra, o decréscimo de um dos partidos de poder (no caso o PS), não ocorreu à custa do seu mais próximo competidor (no caso o PSD). O PS tem uma votação muito baixa, mas o PSD, ganhando, cresce pouco por relação às últimas eleições nacionais (teve 31%, quando com Santana tinha tido 28%). Isto enquanto o BE e o PCP somados ultrapassam largamente a melhor votação que o PCP alguma vez teve (18% em 1979 e 1983). A menos que algo de extraordinário ocorra até Setembro, nenhum partido terá uma maioria absoluta para governar.

Estamos perante um cenário de pulverização partidária, em que se consolidaram três blocos políticos. No entanto, não apenas nenhum destes blocos tem condições para governar sozinho (PSD e CDS, mesmo que coligados, estão ainda distantes da maioria absoluta), como, simultaneamente, as condições para que venham a coligar-se estão longe de estar reunidas (a título de exemplo, ainda este fim de semana, o BE reclamava a saída de Portugal da NATO, o que serve para recordar a profundidade das rupturas que o BE tem de fazer para se aproximar do espaço da governabilidade). Além do mais, se os resultados de ontem se repetissem em legislativas, a única coligação de dois partidos suficiente para formar uma maioria seria entre PS e PSD.

Não sabemos se com as europeias o que esteve em causa foi essencialmente a mobilização de voto de protesto face a um Governo que construiu a sua imagem com um discurso de confronto às corporações e que se revelou impotente para contrariar a crise económica e o crescimento do desemprego - e que com isso desbaratou o seu capital junto da esquerda sociológica - ou se, pelo contrário, estamos perante um novo ciclo político, em que o centro-direita inverte a tendência eleitoral recente. Mas uma coisa sabemos, a pulverização partidária, a somar à crise económica e social, e, em particular, o facto de PS e PSD terem resultados conjugados particularmente baixos - só superiores à percentagem alcançada em 1985, com o PRD - é um passo para a reconfiguração do espectro partidário português. Não vejo como essa reconfiguração possa ocorrer sem pôr em causa a governabilidade do país e sem contribuir para o aprofundamento da crise que vivemos.

No fim, fica uma dúvida: os eleitores expressaram o seu protesto mas, quando estiver em causa a governação do país, voltaremos à bipartidarização ou, pelo contrário, os três blocos, que vivem de costas voltadas, vieram para ficar? [Pedro Adão e Silva, Arquivo]



Publicado por JL às 23:45 de 13.06.09 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

O futuro é uma incógnita

Os números dos votantes expressam bem o profundo desastre eleitoral que sofreu o PS quando comparados com as eleições para o PE de 2004 e, principalmente, as legislativas de 2005.

Tudo começou com a queda no número de votantes que foi de menos 2.190.596 relativamente às legislativas de 2005 e mais 152.458 relativamente às eleições para PE de Junho de 2004. Dada a proximidade das eleições legislativas a realizar em Setembro ou Outubro é provável que a comparação com as legislativas seja um indicador mais fiável, mesmo que o abstencionismo venha a ser menor.

O PS perdeu 793.767 votos, relativamente ao PE 2004 e 1.642.944 na comparação com as legislativas de 2005.

O PSD perdeu 52.5981 votos na comparação com as legislativas 2005, não havendo números comparativos com as ao PE 2004 por ter então concorrido em coligação com o CDS. Mesmo assim, os dois partidos ganharam nas eleições de Domingo 292.498 votos.

O PSP-PEV perdeu 51.578 votantes relativamente às legislativas de 2005 e ganhou 69891 votos na comparação com as do PE 2004.

O BE foi o único partido parlamentar que ganhou em relação às legislativas de 2005 e as do PE 204, ou seja, respectivamente mais 16.820 e mais 214.578.

O CDS perdeu 118.593 votos, relativamente às legislativas de 2005.

Com 1.127.444 (31,69%) o PSD foi um nítido vencedor e o PS com 945.368 (26,58%) ficou num segundo lugar sem qualquer mérito.

O BE com 381.791 (10,73%) ficou num honroso terceiro lugar, mas sem significado em termos eventuais coligações partidárias e, portanto, participação em governos.

O PCP com 379.292 (10,66%) deixou-se ultrapassar pelo BE e encaixou um resultado também sem significado, se as eleições fossem legislativas.

O CDS com 297.823 (8,39%) é o último da liga e também sem significado governativo.

Com uma dinâmica de vitória o PSD pode esperar um resultado melhor nas próximas legislativas, apesar de nada ter na manga para eliminar a insatisfação de muitos portugueses, principalmente dos funcionários públicos que viram a idade da reforma a ser alargada até aos 65 anos de idade, além do sistema de carreiras não ser já tão generoso como foi no passado. Claro, não é agradável trabalhar 35 anos e não se reformar porque ainda se está nos cinquenta e tal anos. Mas, com o contínuo aumento da esperança de vida, esses funcionários seriam capazes de viver mais anos que trabalharam e receberem o último vencimento, o que significa receber muitas vezes mais aquilo que descontaram. Claro, receberam um aumento de 2,7% num ano de depressão com os preços a descerem ligeiramente, mas as pequenas percentagens são muito pouco sentidas na vida dos trabalhadores. Ganhar 1000 ou 1027 é quase o mesmo.

Os reformados ficaram descontentes por verem o seu IRS praticamente duplicar.

O próprio ordenado mínimo de 4.500 euros, tão criticado pela Manuela Ferreira Leite, não passa de uma miséria.

Portugal tem actualmente uma população activa muito reduzida devido ao desemprego e falta de postos de trabalho para quem poderia trabalhar e já desistiu.

Temos actualmente quase um reformado por cada trabalhador activo, ou seja, 3.884.000 trabalhadores activos por conta de outrem contra cerca de 3.300.000 de reformados. Além disso, temos uns 750 mil trabalhadores independentes, patrões e agricultores. Muito pouca gente para tanto reformado.

Será que o PSD, o BE ou o PCP têm alguma solução para encontrar um equilíbrio entre activos e reformados?

Entre os activos, os níveis salariais são muito baixos 40,6% dos trabalhadores por conta de outrem ganham menos de 600 euros mensais líquidos, o que é uma miséria para se viver, mas uma fortuna quando comparados com 50 a 100 euros auferidos por marroquinos, chineses, indianos, brasileiros, caribenos, africanos, etc., todos competidores das indústrias nacionais que estão maioritariamente à beira da falência, por falta de clientes nacionais e estrangeiros.

 A economia nacional continua a basear-se nos baixos salários para exportar e concorrer internamente com os produtos oriundos de fora.

O PCP propõe que se aumentem os salários, o que seria justo sob o ponto de vista ético, mas nas lojas Minipreço e outras, os produtos estrangeiros ficavam ainda mais baratos do que estão em relação aos nacionais.

Quanto a uma política de redistribuição, saliente-se que apenas 3,8% dos activos portugueses auferem de salários superiores a 1.800 euros líquidos e quanto a salários milionários, talvez nem 0,01% dos portugueses os recebam. E 12,4% dos portugueses activos ganham mais de 1.200 euros, o que seria um ordenado mínimo para todos perfeitamente justo se fosse comportável pela economia nacional, ou seja, por todas as empresas.

No diversos fóruns em que participam empresários não encontramos nenhuma sugestão para aumentar a competitividade e produção das empresas, excepto pequenas alterações na forma de pagamento do IVA ou do IRC que, obviamente, pouco ou nada influem no rendimento nacional.

Apesar dos baixíssimos salários portugueses, principalmente nas zonas industriais do Norte em que são abaixo da média referida, as exportações portuguesas caíram 28% no primeiro trimestre deste ano face a igual período do anterior. Só para a Espanha, as vendas nesse período diminuíram 32%. Será que decretos ou pequenas medidas fiscais ou de apoio estatal podem alterar a situação? É óbvio que não.

A agravar a situação, o petróleo entrou novamente em alta, tendo já chegado aos 71 dólares o barril.

Um comentador da imprensa escrita afirmou que o PS “acreditou num país imaginário” que não existiu. Será que os outros partidos acreditam que podem por via governamental construir o tal país imaginário que todos gostariam que existisse?

O mesmo comentador afirma que “o que vem a seguir é uma incógnita” e Manuela Ferreira leite fala em falar verdade.

A verdade é destes números e da crise que nos rodeia. Será que alguém está disposto a dar o seu voto para ouvir uma verdade tão amarga.

O economista Louçã já disse que nunca faria uma coligação com o PS. Para além de ser possível que os seus votos não cheguem para formar uma maioria, é óbvio que Louçã não está disposto a arregaçar as mangas e sujar as mãos no trabalho governativo. Ele sabe que a crise mundial e os números nacionais não são manipuláveis a partir de Lisboa e em Bruxelas, o peso do casal Portas e Matias mais o Tavares é igual a zero no conjunto dos quase 700 deputados europeus, excepto nos lautos vencimentos que cada um vai auferir.



Publicado por DD às 22:31 de 13.06.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Rescaldo das europeias a pensar nas legislativas

 

O PS é o principal derrotado. Perdeu as eleições e desceu a sua votação a um patamar historicamente baixo a que já não estava habituado desde o fim da crise dos anos oitenta e da extinção do PRD.

O PSD teve uma grande vitória muito pequenina, já que ganhou as eleições com a mesma percentagem com que estava previsto que as perdesse e longe de um resultado que lhe permita afirmar sustentadamente que estas eleições foram um trampolim para as próximas.

O Bloco de Esquerda cresceu imenso, tornando-se no partido de refúgio de uma base eleitoral que já foi e pode voltar a ser do PS, mas quis deixar claro que não está com ele neste momento.

A CDU aguentou-se e o CDS sobreviveu, enquanto o MEP pode ter nascido, o MMS foi uma operação abortada e nos velhos pequenos partidos ficou tudo no mesmo sítio.

Nasceram dois protagonistas de quem se irá ouvir falar no futuro, embora um imediatamente e outro a mais longo prazo: Paulo Rangel no PSD e Rui Tavares no Bloco de Esquerda, caso se confirme a sua eleição. O primeiro tem potencial para unir a direita em torno do PSD, com o seu discurso cristão-social e sofisticado, embora raiado dos temas caros ao populismo. O segundo pode reforçar substancialmente a ala realista do BE e, se vier a dedicar-se a tempo inteiro à política, baralhar os dados da transição geracional que se aproxima a grande velocidade no BE e que substituirá os velhos líderes da extrema-esquerda. Têm, no entanto, ambos que conseguir vencer o efeito de distância que Estrasburgo provoca em relação à política nacional.

Que deve o PS fazer com esta derrota?

1. O que devia ter feito no último congresso e fez só em parte. Deixar claro como vai enfrentar a questão da redução das desigualdades e o reforço das classes médias. Fugir a tentações sectárias e de depuração interna que conduzam ao fechamento em núcleos duros cada vez mais puros e cada vez mais núcleos. Abandonar a tentação de ser o partido-centro do sistema equidistante da direita e da esquerda e lutar por ser o partido-âncora da esquerda, combatendo a direita democrática e a esquerda irrealista.

2. O que deve estar a preparar agora. Dar combate ideológico às receitas neoliberais para o país e escolher uma agenda política que o diferencie delas. Preparar um programa para a próxima legislatura que o revincule ao eleitorado reformista de esquerda e não apenas ao eleitorado reformista tout court, quiçá aos reformistas de direita.

3. Não ceder à tentação do ziguezague táctico. Concluir a legislatura com a orientação que teve até hoje, mas dar ouvidos aos eleitores que escolheram as europeias para protestar. Não é momento para continuar a somar descontentamentos gratuitamente e é momento de escolher os aliados para as reformas progressistas do futuro. Mesmo em maioria absoluta não se governa bem sem uma ideia clara de quem são os inimigos, os concorrentes e os aliados. Em período de crise, essa percepção clara é mais necessária que nunca.

4. Continuar a repensar-se. A dura verdade é que os socialistas europeus perderam em quase toda a linha. O que quer dizer que não estão a cumprir bem a sua função histórica de serem alternativa de poder em nome da coesão social, da luta contra as desigualdades e da afirmação dos direitos sociais. Se não formos capazes de encontrar novas e melhores respostas arriscamo-nos a empurrar os europeus para a escolha entre o capitalismo liberal, o medo reaccionário e xenófobo e o protesto ingovernável. A missão histórica dos socialistas é encontrar a alternativa que retire dos protestos energias positivas de reforma, que influencie o capitalismo regulando-o seriamente e que derrote a direita reaccionária e xenófoba.

5. Explicar-se melhor. O balanço desta legislatura far-se-á a partir de agora. Todas as reformas dolorosas que foram feitas precisam de ser explicadas quanto à sua necessidade e direcção. Se os eleitores entenderem que se tratou de caprichos governamentais e não de medidas duras mas indispensáveis, as consequências podem não ser boas. O PS tem a obrigação de saber que a direita se está a recompor e não pode desistir de unir a esquerda consequente em torno do seu projecto. Doa a quem doer, custe o que custar. [Paulo Pedroso, Banco Corrido]



Publicado por JL às 23:29 de 08.06.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

A formiga e a cigarra

O PCP teve o trabalho de mobilizar os professores (e todos os seus militantes) para, pelo menos, duas grandes manifestações de rua contra o governo, onde Louça, Portas e Fazenda apareceram; o PCP teve o trabalho de mobilizar os funcionários públicos (e todos os seus militantes) para grandes manifestações de rua contra o governo, onde Louça, Portas e Fazenda apareceram; o PCP teve o trabalho de mobilizar trabalhadores de vários sectores de actividade (e todos os seus militantes) para todos 1º de Maio contra o governo, onde Louça, Portas e Fazenda apareceram. O BE ultrapassou eleitoralmente o PCP e tem mais um deputado europeu. Não é justo! [Tomás Vasques, Hoje há conquilhas amanhã não sabemos]


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Publicado por JL às 22:59 de 08.06.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Piratas suecos chegam ao Parlamento Europeu

O resultado surpreendeu os próprios e está sem dúvida a ser o resultado eleitoral mais debatido da Suécia. O Partido Pirata reuniu 7,1 por cento dos votos suecos nas eleições para o Parlamento Europeu, o que lhe valeu a eleição de um deputado.

Os resultados mostram que o cabeça de lista, Christian Engstrom, vai mesmo representar os ideais de quem defende abertura para a partilha de ficheiros na Internet e o fim das actuais restrições impostas à circulação livre de conteúdos digitais, ao abrigo das leis da propriedade intelectual em vigor.

O Partido Pirata foi fundado em 2006 mas ganhou destaque sobretudo depois do julgamento dos responsáveis do Pirate Bay, já este ano. Os responsáveis do site sueco de partilha de ficheiros acabaram por ser condenados, cada um, a um ano de prisão e a uma elevada multa em dinheiro por, através da sua plataforma de Internet, facilitarem a troca ilegal de conteúdos.

Recorde-se que a Suécia passou de uma legislação sem grandes restrições legais à partilha online de ficheiros e conteúdos - o que permitiu a criação e operação durante anos do Pirate Bay - a um dos regimes legais mais restritivos da Europa nos últimos meses, com uma revisão legislativa pressionada pela indústria, a mesma que liderou o processo contra a plataforma.

A nova força política sueca com assento do Parlamento Europeu defende uma revisão da legislação dos direitos de autor para o contexto da Internet e um reforço dos direitos de privacidade dos europeus no mundo digital, ideais que ganharam peso para os eleitores suecos depois da aplicação prática da sua nova legislação nesta área.

Na altura em que os resultados do julgamento foram anunciados o partido tinha 14.700 membros. Uma semana depois o número tinha triplicado.

"As questões da privacidade e as liberdades civis são importantes para as pessoas e elas demonstraram-no quando votaram", defendeu Anna Troberg, membro do partido na televisão sueca.[Tek]



Publicado por JL às 21:22 de 08.06.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Eleições com dor

 

As eleições não correm bem ao PS desde a vitória nas legislativas há 4 anos. Perdeu as locais de 2005 e desbaratou nelas generais como Manuel Maria Carrilho, João Soares e Francisco Assis, entre outros; perdeu estrondosamente as presidenciais de 2006 com Mário Soares na versão oficial e Alegre na versão espontânea e é derrotado nestas europeias com o free-lancer engagé Vital Moreira. Só Sócrates ostenta as estrelas conquistadas nas antecipadas de Fevereiro de 2005, embora não se possam dissociar os resultados subsequentes do seu modo imperioso de governar. O PS terá de mudar de filosofia de governação.

Com efeito, depois das locais e das presidenciais, e de quatro anos de governo de choque, não seria de esperar apoios entusiásticos em eleições como as europeias. Muito menos comparar com as eleições para o PE de 2004 tendo em conta os números da vitória da equipa Sousa Franco-António Costa quando o PS estava em pleno estado de graça na oposição ao executivo Barroso-Paulo Portas.

Ficar atrás do PSD agora significa que o PS vai deixar de ter grande parte do apoio dos interesses económicos que se colaram ao governo Sócrates até aqui. Com a vitória do PSD a direita política reaparece e vai deixar cair para já a ideia do bloco central. Neste particular Cavaco Silva também perde. Porém há uma outra conclusão que convém sublinhar: o PS não perdeu só para o PSD, perdeu nas duas frentes, à direita e à esquerda. O único lenitivo veio da sondagem da SIC para as legislativas. Mas muitas sondagens também foram derrotadas nestas eleições. [Medeiros Ferreira, Correio da Manhã]



Publicado por JL às 20:29 de 08.06.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Brancos/Nulos/Sondagens

… Olho para os resultados disponíveis e observo que para além dos quase 6.000.000 de eleitores que não votaram houve mais 163.000 que votaram em branco (mais de três vezes que o primeiro partido que não elegeu um deputado – o MEP – 52.400 votos) e perto de 71.000 votos nulos.

São contas que tradicionalmente ninguém faz, mas começa a ser tempo de se fazerem.

Quanto a outras contas, as das sondagens de campanha, algo está realmente muito mal e não parece que seja só pelos níveis de abstenção atingidos, conforme os fazedores de sondagens gostam de se justificar. Principalmente em relação ao CDS começam a ser incompreensíveis os valores apresentados em todas elas e os resultados que depois são obtidos. [Luís Novaes Tito, Eleições 2009]



Publicado por JL às 01:10 de 08.06.09 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

Vitória do PSD nas eleições para o Parlamento Europeu

 

Com os resultados de todas as freguesias no território nacional (4260) já apuradas, só foram atribuídos 21 mandatos dos 22 que Portugal elege.

Será o voto dos emigrantes que decidirá o deputado em falta, ainda só estão apurados os resultados de 33 dos 71 consulados portugueses no estrangeiro.



Publicado por JL às 01:07 de 08.06.09 | link do post | comentar |

O apelo ao voto!

 

O Presidente apelou ao voto nas eleições europeias.

Usou uma elegante gravata cor-de-laranja e mostrou um novo penteado.

Cavaco é um Presidente muito atento aos pormenores e gostos não se discutem. Muito menos em dia de reflexão. Não haveria cores mais neutras e que não gerassem esta minha desconfiança de que não foi uma escolha inocente? Enfim, gostos... [André Moz Caldas, Câmara de Comuns]



Publicado por JL às 18:55 de 07.06.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Votar é um dever



Publicado por JL às 23:56 de 05.06.09 | link do post | comentar |

O cepo manuelino

Quem viu ontem as imagens do Porto e observou de fora os comportamentos conseguindo distanciar-se do pensamento de quem escreve nos jornais e nos Blogs;

Quem tem experiência de rua e de campanha popular, quem já foi apalpado num mercado, beijado na boca por uma desdentada, beliscado por beliscão anónimo (daqueles que fazem nódoa negra) e levou um banho de água de peixe espirrada pelo bater de uma chaputa na pedra de venda de um mercado e viu as imagens dos diversos candidatos no Porto;

Quem já foi parte activa de comitiva, preparou acontecimentos para que acontecessem ou improvisou outros perante imponderáveis, saiu das tamanquinhas dos gabinetes e dos teclados, foi sentir o povo e pedir-lhe confiança e viu as imagens dos diversos candidatos no Porto;

Quem já fez tudo isto e muito mais, apercebeu-se da diferença das coisas, relembrou-se que quem escreve e opina nos jornais, nas TVs e na NET é uma minoria insignificante de quem vota e ficou esclarecido sobre o desaire que o PSD vai ter daqui a dois dias.

Um Partido da Oposição que dispõe do benefício de ter uma conjuntura extremamente difícil para quem está a governar e que consegue passear a sua líder nas ruas do Porto como se estivesse a transportá-la num andor intocável e um Partido do Poder sujeito ao desgaste mas que tem um líder que beija, que se mescla na mole e se deixa tocar por quem se deslumbra com o toque nos poderosos, marca a diferença entre os vencedores e os vencidos do próximo Domingo.

Para os lados da Buenos Aires deverão estar a montar-se os dois cenários possíveis para a noite da sondagem final. Quando se acenderem os holofotes e dispararem os contadores de votos haverá um palco recheado de maizenas e outro onde o cepo está preparado para a execução. A cortina que os separa esconde os trajes dos carrascos prontos a serem encapuçados por quem andou com o andor às costas. Em breve saberemos quem será o opositor de Sócrates nas legislativas. [LNT, A Barbearia do Senhor Luís]



Publicado por JL às 14:50 de 05.06.09 | link do post | comentar |

Eleições Europeias: Eurosondagem

 

O Partido Socialista vai vencer as europeias de domingo com uma vantagem de cerca de quatro por cento em relação ao PSD. Esta é a conclusão da última sondagem da SIC, Expresso e Rádio Renascença.

De acordo com o estudo da Eurosondagem, se as eleições fossem hoje, a lista encabeçada por Vital Moreira conseguiria 36 por cento dos votos. O que representa uma subida de meio por cento em relação à sondagem da semana passada. O PSD, de uma semana para a outra, caiu: a projecção dá-lhe 31,9 por cento, tendo perdido 0,6 por cento.

A surpresa destas eleições pode ser a subida do Bloco de Esquerda a terceira força política do país. A sondagem aponta para um resultado de 10,1 por cento, a subir 1,3 por cento em relação à semana passada. O bloco ultrapassou a CDU, que consegue 9 por cento dos votos com uma ligeira queda.

A lista do CDS-PP pode ser a grande derrotada destas europeias.Tem pouco mais de 6 por cento. e perde 0,4 em relação à última sondagem. [SIC]



Publicado por JL às 11:46 de 05.06.09 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

Importância de votar

Assunto de areias movediças é o que trata de questões ligadas ao voto branco e ao voto nulo. Idem para a abstenção. Há dezenas de teorias para análise destas realidades e vou só centrar-me no facto em si.

Quem se abstém (excluir os impossibilitados p.f.) indica a indiferença em relação ao Sistema existente. Não acredita nele, ignora-o ou despreza-o.

Quem vota branco ou nulo identifica-se com o Sistema, mesmo que seja para através dele apresentar o seu protesto. No voto branco o eleitor não se reconhece representado por qualquer candidatura. O voto nulo é tecnicamente um voto mal votado, digamos que é um erro do eleitor. Acontece que há a desconfiança na idoneidade das Assembleias de voto. Em tempos idos tinhamos a certeza de ter, entre delegados e membros da mesa, representantes que inviabilizavam a transformação de votos brancos noutra coisa qualquer. Hoje existe alguma desconfiança resultante de em muitas mesas ter deixado de haver a representação dos concorrentes (por falta de capacidade das forças políticas se fazerem representar, leia-se, porque a Lei continua a prevê-los) o que leva muitos eleitores que pretendem votar em branco a anular os seus votos, inviabilizando outros usos.

Os brancos e os nulos são contados e contabilizados em separado, mas não entram nos cálculos do método de Hondt para apuramento eleitoral. Quer isto dizer que, por exemplo, num universo de 100 eleitores e três eleitos, se 50 eleitores não forem votar (abstenção) e 49 eleitores votarem branco ou nulo, os três eleitos serão escolhidos pelo centésimo eleitor (o único que votou válido). [LNT, A Barbearia do Senhor Luís]


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Publicado por Xa2 às 23:41 de 04.06.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Europeias: Sondagens

 

PS elege nove eurodeputados

O PS mantém-se na liderança das intenções de voto. De acordo com uma sondagem CM/Aximage, o cabeça-de-lista do PS, Vital Moreira, reúne 36,2 por cento das intenções de voto contra 30,9 por cento do candidato do PSD, Paulo Rangel. Isto significa a eleição de nove deputados pelos socialistas e de oito pelos sociais-democratas.

De um total de 22 eurodeputados portugueses, menos dois que no anterior mandato no Parlamento Europeu, tanto o PCP como o BE elegem dois candidatos, segundo os resultados desta sondagem. O cabeça-de-lista do BE, Miguel Portas, somou 10,2 por cento das intenções de voto, enquanto a lista da CDU, liderada por Ilda Figueiredo conquistou 10,1 por cento. Já o CDS-PP, cuja candidatura é liderada por Nuno Melo, registou cinco por cento das intenções de voto, o que implica a eleição de um deputado. [Correio da Manhã]

 

 

PS elege mais um eurodeputado que PSD

O Partido Socialista (PS) deverá eleger nove eurodeputados e o Partido Social Democrata (PSD) oito, segundo sondagem da Universidade Católica para o Diário de Noticias, a Antena 1, a RTP e o Jornal de Notícias.

A pesquisa prevê também que a Coligação Democrática Unitária (CDU) e o Bloco de Esquerda (BE) elejam dois eurodeputados cada e o Centro Democrático e Social (CDS) um.

Em termos percentuais, o PS deverá obter 34% dos votos, o PSD 32%, a CDU 11%, o BE 9% e o CDS 4%. A confirmarem-se estas previsões, a CDU recupera terreno em relação ao BE, mantendo-se como o primeiro partido à esquerda do PS, e o CDS sobre ligeiramente em relação à anterior sondagem para DN/JN/RTP/Antena1.

Estes valores foram obtidos calculando a percentagem das intenções directas de voto em cada partido em relação ao total de votos válidos (excluindo abstenção e não respostas) e redistribuindo indecisos proporcionalmente pelas opções válidas. [Diário de Notícias]



Publicado por JL às 23:26 de 04.06.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Porque não houve debate na RTP

Problemas técnicos irresolúveis, com origem na imagem de Paulo Rangel, que provocavam uma emissão sem qualidade, levaram a RTP a não poder concretizar o frente-a-frente entre os cabeça de lista do PS e PSD.

 



Publicado por JL às 22:26 de 04.06.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Europeias e não só

No próximo dia 7, domingo à noite, é mais que certo e sabido iremos ouvir, em todos os telejornais e ao longo da noite, quer os cabeças de lista como os principais responsáveis partidários cantar vitorias. Todos vão dizer que ganharam, ou porque tiveram mais votos, meteram mais deputados, aumentaram o número de deputados, isto é; de uma forma ou de outra, com os mais variados argumentos todos se afirmarão ganhadores.

A política é assim, já assim o era nos tempos de Bordalo Pinheiro, do José Malhoa ou Fernando Pessoa, os políticos sempre ficaram a ganhar e o povo sempre foi carregando essas vitórias.

O povo, mais uma vez e outra vez, também, por culpas próprias, fica a perder, como perde igualmente a democracia, a cidadania e o esclarecimento. Tudo fica mais débil.

Mais uma vez, como quase sempre, o povo não ficou minimamente esclarecido. Mais uma vez as pessoas, individualmente e a população em geral, ficaram a saber menos do que precisavam saber e mais confusas em relação ao pouco que eventualmente já soubessem. Novamente se repetiu mais do mesmo, que foi o muito falarem, acusando-se mutuamente, sem nada dizerem do que era necessário fosse dito.

Ficamos a saber o que já sabíamos, que efectivamente, é nada sobre importantes questões como sejam:

·         O que é, qual o conteúdo do Tratado de Lisboa?;

·         O que fazem e como podem ser contactados os deputados?;

·         Quais as estruturas e organismos existentes bem como respectivas atribuições ao nível da Europa?;

·         Quanto custa e quem paga cada deputado europeu?;

·         Qual é o valor orçamental das várias instituições europeias?;

·         Como chegam, através de que impostos e como são redistribuídas as distas verbas de Bruxelas?;

Estas e muitas outras perguntas e outros tantos esclarecimentos ficaram por fazer. Mais uma oportunidade perdida, para aproximar o cidadão da Europa, aproximar o eleitor dos eleitos.

Será uma estratégia intencional, por parte dos putativos deputados ou dos controleiros partidários, que não querem por perto a participação de cidadãos esclarecidos e exigentes?

E os cidadão, que iniciativas tomaram? Quantos grupos autónomos, de iniciativa ad hoc se constituíram para convidar candidatos a debater as questões que, pressupostamente, deveríamos querer saber e sobre as quais nos deveríamos interessar?

Pois é, pouco se avançou e nada se avançará se todos continuarmos apenas pela lamúria e na abstenção ao voto. Exige-se que se vote, é urgente fazer algo mais que apontar o dedo às falhas alheias, cada um de nós tem as suas próprias. A mim não me acusarão de virar as costas ao exercício de um direito de cidadania que foi postergado durante 50 anos. Os direitos defendem-se exercendo-os e há direitos que são, simultaneamente, obrigações, é o caso do voto.

Eu voto, no dia 7 de Junho e nos outros dias quando a isso o dever de cidadania me chamar.



Publicado por Zé Pessoa às 00:27 de 04.06.09 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

Um referendo nacional

Quando foi dado o tiro de partida para as eleições europeias, o Governo queria a todo o custo evitar transformar este acto eleitoral num referendo ao executivo.

Naturalmente, a oposição tinha o objectivo oposto. Aproveitar as europeias para castigar eleitoralmente o Governo, convidando os eleitores a mostrar um cartão amarelo ao PS. Este objectivo encontrava um contexto adequado nas dificuldades económicas e sociais e na contestação a José Sócrates.

Contudo, a partir de certa altura, o PS abandonou a sua linha inicial e passou ele próprio a querer fazer das europeias um referendo ao Governo e às oposições. Por estranho que possa parecer, a ideia aparenta não ter sido má. Se acreditarmos nos resultados das sondagens, pese embora a distância significativa face à maioria absoluta, esta mudança, consubstanciada na entrada de José Sócrates na campanha, coincide com uma recuperação das intenções de voto no PS. O que parece reflectir uma variável chave para o sucesso dos partidos de Governo neste tipo de eleições: a capacidade de mobilização do seu núcleo duro de eleitores… [Pedro Adão e Silva, Diário Económico]



Publicado por JL às 21:31 de 02.06.09 | link do post | comentar |

Trunfos eleitorais

Ao contrário do que se pensa, o dr. Vital é um bom candidato para o PS. Já o dr. Rangel é duvidoso que o seja para o PSD.

… Lamento desiludir as hostes mas, ao contrário do que se tem dito por aí, duvido que as comparações entre Paulo Rangel e Vital Moreira sejam particularmente favoráveis ao PSD.

… Agora, até o cabeça-de-lista às europeias, entusiasmado pelo coro de elogios que, de repente, se abateu sobre a sua pessoa, se considera um hipotético salvador do partido, pronto a competir com todos os hipotéticos salvadores que se anicham nas várias esquinas do PSD. Como se imagina, o resultado de todos estes esforços desencontrados não é particularmente animador para o partido.

… Se até ao arranque da campanha, a dra. Ferreira Leite estava, para o mal e para o bem, refém do que viesse a acontecer ao seu candidato, neste momento, dá ideia que a líder do partido se transformou num estorvo eleitoral que o dr. Rangel teria toda a vantagem em remover do seu caminho… [Constança Cunha e Sá, Correio da Manhã]



Publicado por JL às 20:51 de 02.06.09 | link do post | comentar |

Espelho meu...

«O cabeça-de-lista social-democrata às eleições europeias, Paulo Rangel, acusou no sábado à noite o PS de usar espelhos nos comícios.

Ao subir ao palco, durante um comício do PSD no pavilhão municipal de Barcelos, Paulo Rangel observou: “É impressionante esta moldura humana.”

“Isto sim, é uma festa social-democrata, uma festa que não tem espelhos, que não tem efeitos especiais, ao contrário dos comícios do PS, onde se usam espelhos para duplicar as imagens”, acrescentou.

O comício do PSD começou com mais de uma hora de atraso, tempo durante o qual o pavilhão se foi enchendo, com a ajuda do “speaker”, que pedia à “malta jovem” para ocupar o rinque, que então se encontrava meio vazio.» [Público]

 

Que jeito dava ao Paulo Rangel este espelho e respectivos efeitos especiais.


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Publicado por JL às 23:38 de 31.05.09 | link do post | comentar |

Um homem só

Paulo Rangel espirra, transpira, derrete. É um homem sozinho, em dias de 32º C com um sol radiante. Um verdadeiro globe-trotter disposto a acorrer a tudo, empenhado em responder a todos. Paulo Rangel está sozinho na fase intensa da campanha eleitoral. Manuela Ferreira Leite evaporou-se. Os vice-presidentes do partido eclipsaram-se.

Os barões do PSD assistem à corrida. Mas Rangel não está para brincadeiras. Fez um programa do governo para tentar ganhar o lugar de deputado ao Parlamento Europeu. Chapou os ‘highlights’ do programa, que não foi discutido nem sufragado por ninguém no PSD, colocou a sua foto, um primeiro plano com brilhantina e tudo, inundou o país de cartazes e continua a sua volta a Portugal. Até nos cartazes Paulo Rangel está sozinho. Talvez não seja exagero dizer-se que Rangel fez um golpe de Estado, tomou o poder e não dá cavaco às tropas. É indiscutível que ele vale por muitos. Fez mais em 15 dias do que Manuela Ferreira Leite em meses. Não se sabe se Manuela Ferreira Leite ainda é líder do partido ou não. Não se percebe se os vice-presidentes ainda vice-presidenciam alguma coisa.

O que é um facto indiscutível é que Paulo Rangel continua sozinho. Ninguém esclarece se é Paulo Rangel que dispensa a presença dessas figuras do PSD ou se são essas figuras que, face aos resultados negativos das sondagens, já apanharam outro comboio para não serem chamuscadas. O estoicismo de Paulo Rangel é grande, mas as forças vão-se quebrando. Contudo, ainda dispara para tudo o que mexe. Dá ideia que lhe falta estratégia, apoios, meios, solidariedade, palavras amigas etc, etc. e a campanha prossegue sem norte. A sua obsessão está centrada no primeiro-ministro e secretário-geral do PS.

"Dizei uma só palavra e eu disparo" – é o lema da campanha de Paulo Rangel. Mas os resultados não aparecem. Nunca vi o PSD em roda livre, só agora. Cada um faz o que lhe dá na gana. Por exemplo, Rangel nunca disse nada sobre o Parlamento Europeu, mas quer ser deputado à Europa. Francamente, eu acho que ele aproveita o tempo e os tempos de antena para tentar vir a ser primeiro-ministro de Portugal. Mas... e Manuela? Não gosta de comícios, não gosta de debates, não gosta de política. Como quer ser alternativa a Sócrates? Um conselho a Rangel – esqueça o Parlamento Europeu, substitua Manuela na liderança do PSD, escolha uma equipa de combate e parta à conquista das legislativas. [Emídio Rangel, Correio da Manhã]


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Publicado por JL às 17:07 de 31.05.09 | link do post | comentar |

Sondagem Intercampus: Vital alarga vantagem

Vital Moreira ganha uma grande vantagem sobre Paulo Rangel e Nuno Melo, do CDS-PP, fica fora do Parlamento Europeu. São estas as duas principais ilações da sondagem realizada pela Intercampus para a TVI e Rádio Clube Português.

Na projecção dos resultados da sondagem, o PS atinge os 37,1%, o que lhe garante entre nove e dez deputados. O PSD fica-se pelos 32 (7 a 9 deputados), o Bloco atinge o limiar dos 10% (mais precisamente 9,9) e pode estar entre dois e três deputados. Em quarto lugar surge a CDU com 7,7 (1 ou 2 deputados) e no quinto vem, então, o CDS-PP, com apenas 3,5%, o que deixa Nuno Melo fora do Parlamento Europeu. Os outros partidos, todos juntos, deverão chegar aos 4,9%. [Portugal Diário]


Publicado por JL às 23:55 de 29.05.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Uma colherada de Maizena dá saúde e faz crescer

A rapaziada e outra gente mais crescida do PSD gosta de dizer, desde o início das hostilidades para as Europeias, que estas eleições têm pouca importância em termos eleitorais (não vão os maus resultados dar-lhes cabo da propaganda) mas que funcionam como um teste, uma espécie de sondagem-à-boca-das-urnas, para aquilo que se irá passar nas legislativas.

Essa rapaziada e outros seniores desenvolvem estas teorias de desvalorização ao mesmo tempo que se centram no pecado maior de Portugal (leia-se: - dos deputados eleitos em Portugal para o PE) poder vir a não apoiar o porreiro José Manuel na sua nova recandidatura ao lugar para onde foi catapultado por Bush, Blair e Aznar, na sequência dos cafés que serviu nas Lajes.
Estranha-se que venha agora a rapaziada e os demais adultos analisarem outra ligeira subida do empate técnico a favor do PS com a lembradura de que este facto se deve à entrada do engenheiro na campanha e no empurrão que ele está a dar ao Professor coimbrão.
Afinal em que ficamos? Se estas eleições são um teste punitivo ao engenheiro, como pode o seu empurrão fazer arrancar as intenções de voto no PS? Será por o engenheiro apoiar José Manuel e o Professor não? Será porque, como sonha Rangel, a disputa ser entre ele (Rangel) e Sócrates, ou será que isto é tudo uma fantochada e nem Barroso é candidato nestas eleições, nem Rangel tomou ainda o lugar de dona Manuela e por isso não é candidato a Primeiro-Ministro, ao contrário de Sócrates?
Era bom que a rapaziada esclarecesse estes assuntos. Dizem que a papa Mayzena ajuda. Experimentem! [LNT, A Barbearia do Senhor Luís]


Publicado por JL às 22:32 de 29.05.09 | link do post | comentar |

PS e PCP sobem nas intenções de voto para as europeias

Uma subida das intenções de voto no PS, que se distancia do PSD, e no PCP, que ultrapassa o BE, são as duas novidades do estudo sobre intenção de voto para as eleições europeias de 7 de Junho feito pela Eurosondagem para a Renascença, Expresso e SIC.

O PS subiu 1,2 por cento e atinge os 35,5 por cento. O PSD atinge os 32,5 por cento, o que significa uma diferença de três por cento em relação ao PS.
A CDU, coligação que integra o PCP e o PEV, sobe três por cento, para 9,2 por cento. O BE aparece com 8,8 por cento, isto é, com menos 0,4 por cento do que a CDU. Já o CDS recebe 6,5 por cento das intenções de voto. [Público]


Publicado por JL às 14:06 de 29.05.09 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Eleições – Porque o Homem é um animal, eminentemente, politico

No dia 7 de Junho, era para já estar no Algarve a banhos, aproveitando o dia feriado, de 10 que já foi apelidado do “Dia da Raça” e agora, muito hipocritamente se apelida “de Portugal, de Camões e das Comunidades” e 11, um dia santo evocativo, segundo a igreja católica, “do Corpo de Deus”.

São umas mini férias, que constituem “dois em um”: duas sortes que são o ter trabalho e, simultaneamente, a possibilidade de gozar “férias” numa semana privilegiada para os portugueses. Nos tempos que correm é ter muita sorte e não dou graças a Deus porque, a acreditar na sua existência teria de concluir que ele era muito “sacana”, permite tanta miséria ao lado de tanto esbanjamento.
Por outro lado, depois de ter visitado a exposição evocativa dos 200 anos sobre o nascimento de Darwin e de 150 da publicação da sua obra “Origem das espécies”, a ser verdade a conclusão a que chegaram os paleontólogos e anatomistas de que, anatomicamente, o Homem se parece com a galinha e o cavalo, cheguei à conclusão que o animal politico, por natureza, não pode ter sido “criado à imagem e semelhança de Deus” que em “rigor cientifico” essa imagem vem tendo diversas, diferentes e evolutivas configurações.
Mas deixemos as “coisas sagradas”, que misturar politica com tais observações não lembraria ao diabo, muito menos se pode admitir a um santo. Sim, porque hoje em dia qualquer um pode aspirar a tal honraria. Cruzes canhoto, não me desejem tal sorte que ainda me punham a “andar” por aí, de um lado para o outro, depois de morto.
Voltemos, pois, às coisas sérias da política e do momento. Como ia dizendo, era para ir a banhos na sexta-feira dia cinco, logo ao fim da tarde. Certamente será o que a maioria dos lisboetas irá fazer. Os políticos e os partidos concorrentes na disputa dos lugares não dão aos eleitores, motivos que os mobilizem, tendo em consideração as intervenções de uns e o já longo mau comportamento de outros. É lógico que o apelo das praias algarvias seja mais forte.
Eu, apesar de reconhecer que a maioria tem razão, o povo tem mesmo muitos motivos para o descontentamento que sente, também reconheço que existem bastantes culpas próprias. É que o eleitorado já não só se demite nos actos eleitorais como anda, permanentemente, no dia-a-dia, demissionário sobre todos os problemas que, a uns e a outros, mais tarde ou mais cedo, acabam por afectar de qualquer maneira.
É corrente a ideia de que as eleições internas são mais importantes que as europeias. Puro engano. Então não é verdade que, hodiernamente, os problemas, mesmo os que se sentem localmente, sofrem influência das decisões tomadas em Bruxelas, Washington, Pequim ou Moscovo?
É ou não é frequente, diariamente mesmo, que a nossa legislação interna sofre alterações e quase sempre no preambulo é referenciado o argumento de transposição de directivas e do necessário(?) “alinhamento” das normas internas com a legislação comunitária.
Ou ainda, “conforme os princípios do bom governo internacionalmente reconhecidos, designadamente recomendações da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE) e da Comissão Europeia.”
É verdade que os governos (e as populações) de cada país fazem/fazemos muitas asneiras, dão/damos muitos tiros nos próprios pés, mas não é menos verdade que (para o mal e para o bem) já não somos (des)governados sozinhos e muito menos livremente.
É por tudo isto e tudo o mais que se possa argumentar, que constitui um erro crasso, virar as costas às eleições europeias e não lhes dar a importância e dignidade que às outras.
Em boa verdade e por muito que nos custe, a mim parece-me que as eleições do dia 7 têm a maior importância nas vidas das populações de cada um dos 27 países que compõem, actualmente, a União Europeia.
Por tudo isto, mais uma vez, e embora a muito custo, reconheço, submeto-me a “perder” um dia de praia e vou votar cedo, pela fresquinha, e à hora do almoço já devo estar a sentir os ares do Algarve a “fanfarras” um qualquer petisco da região, depois do dever cívico cumprido.
Porque não faz, também, o mesmo?
Não deixe em mãos alheias a decisão que só pode ser sua!

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Publicado por Zé Pessoa às 00:01 de 27.05.09 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

Sondagem Europeias 2009: PS à frente com 38%

A sondagem da Aximage para o Jornal de Negócios e o Correio da Manhã dá uma vantagem de sete pontos ao PS nas eleições para o Parlamento Europeu. Abstenção atinge 64,7%.

O PS recolhe 38% das intenções de voto nas eleições para o Parlamento Europeu, de acordo com os resultados de uma sondagem realizada pela Aximage para o Negócios e o Correio da Manhã. Este desempenho permitiria aos socialistas a eleição de nove eurodeputados para o Parlamento de Estrasburgo, resultado que significaria, apesar da vitória nas eleições, a perda de três lugares em comparação com o número de eleitos em 2004.
O PSD recolhe 31,1% das intenções de voto, segundo o mesmo estudo, o que abriria a possibilidade de eleger oito eurodeputados. O Bloco de Esquerda surge como a terceira força política mais votada, ao alcançar 8,5% das intenções de voto. Com este comportamento, o BE conseguiria eleger mais um deputado, aumentando a sua representação em Estrasburgo para dois representantes.
O PCP manteria os seus dois deputados no Parlamento Europeu, com uma votação de 7,9%, e o CDS conseguiria eleger um deputado, passando a quinta força política mais votada, com 6,3% das intenções de voto.
O estudo da Aximage prevê uma abstenção elevada, na ordem de 64,7%, sendo os eleitores que se situam na faixa etária entre os 18 e os 29 anos aqueles que menor interesse demonstram em votar para as eleições em causa: 74,6% deverão abster-se, revela a sondagem. [Jornal de Negócios]


Publicado por JL às 22:37 de 26.05.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

HERESIAS | A (des)união europeia

Foi com Maastricht (1992) que se tornou evidente a cisão entre as pessoas e a construção europeia. Formou-se aí um estilo fingido e ‘chavista’ que fez escola e se tornou regra (como se viu na recusa do referendo da ‘constituição’ europeia). Prescindiram de ouvir os cidadãos. Os poucos que se pronunciaram sofreram pressões insuportáveis até dizerem que ‘sim’.

Os ‘crentes-na-Europa-a-qualquer-preço’ dizem que os resultados são mais importantes do que a forma – quase que já sinto raiva por essa gente! Como europeísta, culpo-os pelo desfasamento entre as pessoas e aquele que deveria ser o desígnio mais valioso das actuais gerações.
A abstenção obscena que aí vem leva-me a pensar se não seria mais curial pouparem-nos a esta paródia de democracia. [Carlos Abreu Amorim, Correio da Manhã]

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Publicado por [FV] às 18:24 de 26.05.09 | link do post | comentar |

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